quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

ARACAJU A UM PASSO DE ENCERRAR A PINTURA PADRONIZADA NOS ÔNIBUS


O sistema de ônibus de Aracaju, na contramão dos modismos tecnocratas das capitais brasileiras, está a um passo de dar fim à pintura padronizada, medida remanescente da ditadura militar que, através da franquia do arquiteto Jaime Lerner - que havia sido prefeito de Curitiba quando implantou a medida, em 1974 - , tornou-se o carro-chefe de muitos governos municipais.

Depois da entrada da Viação Atalaia, com sua pintura personalizada levemente inspirada no serviço SIT de Recife - que não adota pintura padronizada, apenas lança uma pintura própria do serviço integrado SIT, a exemplo dos antigos Metrô-Ônibus do Rio de Janeiro e do Grande Circular de Salvador, apenas parcialmente adotado pelas empresas envolvidas - , duas outras empresas se empenham em desenvolver identidades próprias.

As empresas Capital e Modelo (não confundir com as homônimas soteropolitanas), do grupo cearense Fretcar, estão lançando um concurso para criar novas pinturas, com a disposição de criarem novas identidades visuais.

LOGOTIPOS DAS EMPRESAS DE ARACAJU, QUE LANÇAM CONCURSO PARA NOVAS PINTURAS PERSONALIZADAS.

As novidades apontam uma tendência de Aracaju encerrar a pintura padronizada, mesmo quando ela adota um critério menos confuso, que é o de diferenciar as cores por cada empresa, como já ocorreu em Florianópolis, ainda ocorre em São José do Rio Preto e São José dos Campos (ambos do interior paulista) e será implantado em Vitória da Conquista, no interior da Bahia.

Falando em Florianópolis, cabe destacar que a capital catarinense foi a primeira a abolir a pintura padronizada em todo o Brasil, além de romper com o tabu de que não se pode adquirir ônibus articulados ou de piso baixo sem abrir mão da pintura padronizada.

Portanto, é uma modesta capital do Nordeste que poderá trazer os novos ventos que poderão transformar os paradigmas de mobilidade urbana e transporte coletivo ainda vigentes, marcados por muito sensacionalismo e pouca funcionalidade.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A padronização visual sinaliza emcampação. E isso não é nada bom para o passageiro

Depois que o município do Rio de Janeiro decidiu colocar farda na frota municipal, outros sistemas vem fazendo o mesmo, achando que colocar uma pintura que destacasse a logomarca das gestões municipais e estaduais significaria melhoras no transporte.

Infelizmente, isso não é verdade, já que a colocação de pintura, do contrário que muitos pensam, não tem finalidade apenas estética. É uma maneira de dizer que os sistemas de transporte agora são administrados apenas pelas prefeituras, com todas as regras criadas por ela, além da responsabilidade de fiscalização ser exclusiva de órgãos ligados diretamente ao Poder Executivo.

Aparentemente isso seria bom, pois o transporte seria entregue ao poder público, que EM TESE, cuidaria do interesse da população. Mas conhecemos os nossos políticos e sabemos que nunca trabalharam pelo interesse de quem os elegeu.

Além disso, experiências comprovam que o poder público não sabe administrar o transporte. Encampações e criações de empresas públicas de transporte sempre se demonstraram um fracasso, com sistemas mal gerenciados e frota sem manutenção adequada. O Poder Executivo sempre provou ser incapaz de administrar o transporte, mas desta vez voltaram a insistir na tecla, só que de maneira diferente.

Desta vez, inspirados na chamada parceria público-privada (PPP), resolveram fazer uma encampação meio diferente. As empresas privadas ainda continuam existindo, mas elas agora se limitam apenas a oferecer a logística do transporte que é controlado por um ente público, ligado ao Poder Executivo chamado "consórcio". Descartando a logística e a parte financeira, as empresas não administram mais as suas frotas e o serviço por elas oferecidos, agora a cargo de secretarias de transporte, que se transformam em intermediários entre as empresas e a população.

Para deixar ainda mais claro que quem manda no transporte é o Poder Executivo, a identidade das empresas é eliminada, os nomes das empresas, senão apagados, são registrados de forma ilegível, dando mais ênfase aos logos de consórcios, prefeituras, governos ou sistemas. Identificar a empresa se tornou tarefa exclusiva dos gestores dos próprios sistemas e de busólogos que criam macetes baseados em detalhes mínimos (desconhecidos pelos usuários do transporte) para saber quem é quem.

E como qualquer encampação, as falhas começam a aparecer, já que o Poder Executivo não foi feito para administrar sistemas de transporte. Apesar do dinheiro e do planejamento logístico (mas subordinado as regras exigidas pelo poder público) vir da iniciativa privada, isso é insuficiente para compensar a incompetência pública na gestão do transporte.

Entendemos que o ideal que o Poder Executivo se limitasse a criar as linhas, definir trajetos e estipular a quantidade e o tipo dos veículos que farão essas linhas. Outras características poderiam muito bem ser definidas pelas empresas operadoras, além de favorecer o contato direto empresa/passageiro, já que as operadoras trabalhando em troca de dinheiro, não vão querer desagradar a população que paga pelos serviços. 

E essa relação com o passageiro é algo que o Poder Executivo nem está aí, pois estamos carecas de saber que impostos não são para pagar serviços e sim o salário de políticos dos três poderes que estão muito mais interessados em usar o poder para enriquecer cada vez mais, aumentando patrimônio e poder.

Sinceramente, políticos nunca serviram para administrar transportes.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

PINTURA PADRONIZADA DIFICULTA IDENTIFICAR IMAGEM DE ÔNIBUS ENVOLVIDO EM ACIDENTE COM ATRIZ DA GLOBO


A atriz Mariana Cortines, que havia participado do seriado Malhação, da Rede Globo, e estava no elenco de uma peça de teatro, sofreu ontem um grave acidente de carro quando estava na carona com amigos numa rua da Gávea, na Zona Sul do Rio.

O acidente ocorreu quando um ônibus avançou sobre o carro. O ônibus, cuja empresa não foi identificada pela imprensa, teria avançado o sinal de trânsito. Mariana sofreu traumatismo craniano e corte no fêmur, e havia realizado cirurgia depois que foi internada, em estado grave.

Numa pesquisa na Internet, chegou-se à foto do ônibus que se envolveu no acidente que deixou gravemente ferida a atriz Mariana Cortines, que fez parte do elenco do seriado Malhação, da Rede Globo de Televisão.

O ônibus é da Marcopolo Torino 2007, num comprimento semi-curto, e há três palpites sobre a empresa que teria sido, já que ela não foi creditada nas reportagens pesquisadas: Real Auto Ônibus, Auto Viação Alpha e Empresa de Transportes Braso Lisboa.

A resolução da imagem não foi suficiente, ainda, para identificar o código numérico da empresa. Daí a grande dificuldade de reconhecer uma empresa, com a pintura padronizada.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ÔNIBUS EXECUTIVOS CARIOCAS RECEBEM PINTURA PADRONIZADA COM LATARIA DANIFICADA


O sistema de ônibus do Rio de Janeiro está um horror. Praticamente todas as empresas de ônibus apresentam algum carro sucateado, rodando com a lataria amassada, com a estrutura sacolejando e em muitos casos com arranhões sérios e letreiros digitais apagados na lateral e na traseira.

Na última segunda-feira, eu mesmo pude conferir e seria chover no molhado fotografar os urbanos, mas o problema acontece também com os ônibus rodoviários, como se vê nas fotos que eu tirei na Av. Rio Branco.

Três das quatro fotos correspondem ao ônibus da Real Auto Ônibus, agora conhecida como Premium Auto Ônibus, mas isso não faz diferença com a pintura padronizada, que no caso dos executivos confunde ainda mais os passageiros pelas cores serem rigorosamente as mesmas, só havendo uma faixinha que indica a cor do consórcio.

A outra foto, que mostra um ônibus inteiro por trás, corresponde à Viação Pavunense. O carro da Premium / Real é C41870 (consórcio Transcarioca) e o da Pavunense, B32803 (consórcio Internorte), apesar da letra não ter sido colocada na traseira, como se observa.

Os dois ônibus apresentam lataria amassada e rodam com a estrutura sacolejante. Só receberam a tinta da pintura padronizada, mas rodam sem ter feito uma manutenção prévia. Quando muito, os ônibus só teriam recebido uma lavagem, porque aí seria demais.

No entanto, o estado de cada ônibus é suficiente para comprovar o quanto está decadente o sistema de ônibus carioca adotado desde 2010. Os ônibus se destinam principalmente aos turistas, que poderão ser afetados com possíveis acidentes. E o pior é que tem gente que não aceita ouvir a verdade, e não quer que tais denúncias sejam feitas.

Mas os passageiros, que percebem melhor as coisas, estão notando a decadência, que gerou até tragédias, e não há como esconder esse drama. Portanto, quem não gosta de ouvir tais denúncias, seria melhor morder a língua.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

DEFENSORES DA PINTURA PADRONIZADA NOS ÔNIBUS DO RJ DÃO PÉSSIMO EXEMPLO DE CIDADANIA

 
O que certos defensores de um modelo oficial de "mobilidade urbana" fazem em detrimento da verdadeira cidadania.

Hoje de manhã, dois funcionários da Câmara Municipal do Rio de Janeiro haviam recebido panfletos que estavam sendo distribuídos à população na Praça Floriano, na Cinelândia, e que questionava a pintura padronizada nos ônibus, medida que está causando sérios prejuízos aos passageiros de ônibus da Cidade Maravilhosa.

Ao receberem os panfletos, os dois funcionários (ou parlamentares, mas para todo efeito considerarei apenas "funcionários"), que estavam em um ponto de ônibus - provavelmente para esperar um táxi - , ficaram irritados e amassaram os exemplares, jogando-os no chão por puro esnobismo.

Os funcionários devem ser ligados à bancada governista de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, pela atitude que fizeram com os panfletos, mas eles deveriam prestar atenção para a lei da Prefeitura do Rio de Janeiro que proíbe as pessoas de jogarem lixo no chão.

Acreditando na impunidade, certamente os dois funcionários não fazem muito caso se estão infringindo a lei ou não. Mas deram seu péssimo exemplo de cidadania. Além de defenderem a arbitrariedade da pintura padronizada dos ônibus, os dois indivíduos devem gostar de emporcalhar a cidade.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Padronização pode dificultar o benefício do Bilhete Único

É muita coincidência a adoção de pinturas padronizadas quase ao mesmo tempo da adoção do chamado "Bilhete Único", espécie de promoção nas passagens de ônibus que oferece um desconto para quem usar mais de um transporte por um curtíssimo período de tempo.

Políticos trabalham para empresários e não para a população. Por isso mesmo foi decidido o limite de tempo, na tentativa de dificultar a obtenção do desconto. Mas como nem políticos e muito menos empresários não são bobos, cria-se condições para que fique cada vez mais fácil ultrapassar o limite da promoção e perder o direito do desconto.

Engarrafamentos, máquinas leitoras de cartão que não funcionam, erros nas bandeiras de destino, enfim, tudo é feito pelos próprios envolvidos para sabotar a aquisição do benefício, favorecendo a ultrapassagem do prazo-limite, tendo que pagar o preço normal das passagens , que já são bem altas.

Mas uma coisa que ninguém sabe é que a padronização visual, hábito de pintar os ônibus municipais e estaduais com pinturas definidas pelas autoridades, dando destaque a logotipos de prefeituras e governos e escondendo a identidade das empresas operadoras, pode estar incluída entre as medidas feitas pelas autoridades, com a conivência de empresários, para sabotar o Bilhete Único nos sistemas onde a pintura das frotas possui uma farda.

Para se ter uma ideia, ficou mais demorada a identificação do ônibus que se deseja pegar. Um exemplo real que eu tive a oportunidade de observar é o da linha 278, que liga Marechal Hermes ao Castelo (embora ele pare na orla, próximo aonde havia o edifício Monroe).

Ele é servido pela empresa que era conhecida como Vila Real. Era a única linha da Vila Real que passava na Rua Primeiro de Março, próxima a Praça 15 de Novembro. Era fácil pegar a linha, pois automaticamente, se havia Vila Real, tinha a certeza de que era a 378. Nem precisava ler a bandeira de destino, era só entrar no veículo.

Hoje, ele tem a mesma pintura do consórcio Internorte de muitas linhas que passam no local. A atenção agora ficou redobrada. Como os ônibus tem o hábito de ficar embaralhados no ponto da citada rua, fica bem difícil identificar os ônibus. Se o ônibus da 378 para distante, escondido entre outros ônibus, fica difícil de ler a bandeira e perdê-lo, ou pegar o ônibus errado. E olha que tem linhas  do Internorte que vão para destinos bem longínquos em relação a 378. Para eu, querendo ir a Marechal Hermes, parar no extremo da Ilha do Governador, ficou muito fácil.

Esta demora para identificar o ônibus também representa a perda do tempo que poderá cancelar o uso do benefício do Bilhete Único, caso perca o ônibus ou pegue errado.

As autoridades que não se utilizam do transporte, mas lucram muito com o mesmo, oferecendo transporte cuja qualidade cai muito a cada dia, arrumaram um jeitinho a mais para sabotar o ultrasabotado Bilhete Único, cuja estipulação de um prazo limite para o direito ao desconto (entendo que não deveria haver limite em nenhuma hipótese) em si já é uma baita sabotagem.

domingo, 10 de novembro de 2013

EXPLICANDO PORQUE A PADRONIZAÇÃO DE PINTURAS DOS ÔNIBUS É NOCIVA

Muita gente ainda não sabe como a colocação de fardas nas frotas de ônibus, com destaque aos logos das prefeituras, é prejudicial a qualidade dos serviços de transporte municipal. Aparentemente soa o contrário, que a colocação de uniformes serve para deixar claro que o poder público zela pelo transporte de sua cidade. Mas o que se vê é o contrário: o transporte piorando cada vez mais. Mas o que essa piora tem a ver com a pintura padronizada?

Engana-se quem pensa que a padronização de pinturas respeita totalmente o caráter concessivo dos sistemas de ônibus, representando apenas um embelezamento estético e identificação do município. Basicamente, quando prefeituras e governos decidem padronizar frotas, elas estão querendo dizer que as mesmas pertencem ao poder executivo que os controla. É uma espécie de encampação em que o seu sustento financeiro vem das empresas e não do poder público.

Com isso, quem passa a administrar o transporte não são mais as empresas, limitadas a ceder as frotas para o poder executivo e cuidar da manutenção e da compra dos veículos. As empresas passam, através de consórcios, a serem empregados das prefeituras, o que descaracteriza o sistema de concessão, transformando em uma encampação enrustida.

E o que são os consórcios? No caso, é uma espécie de "empresa", de caráter público, onde se reúnem empresas que EM TESE, passam a operar juntas. Mas não é o que acontece na prática, já que os sistemas de ônibus continuam operando da mesma forma que antes, com a diferença do aumento do poder executivo sobre o sistema e da pintura que caracteriza esse aumento de poder.

Dá para perceber que é um modismo, já que isso, segundo a lógica, em si não melhora sistema nenhum. Acharam que é uma fórmula pronta e resolveram adotar, acreditando que a adesão de muitas cidades a esse tipo de sistema serve como atestado de êxito ao mesmo. 

Mas o que se vê é uma piora no sistema, pois há divergência entre as empresas e os governos que gerenciam, resultando numa briga interna e eterna em que quem paga o pato é a população que se utiliza do transporte, proibida de fiscalizar diretamente o transporte por não identificar mais a empresa que opera a sua linha. Com a padronização de pintura, não só o poder executivo se torna mais poderoso como se transforma no único meio capaz de "socorrer" a população no caso dos constantes erros nas operações de transporte.

E nós conhecemos nossos políticos. O que deveria ser mera representação popular, a carreira política se transformou numa excelente fonte de renda e profissão carreirista que transforma cada político em um verdadeiro magnata, somando poder financeiro ao poder de decisão e o prestígio que possui. Isso significa que entregar o sistema  de transporte a eles, de maneira integral, sem dar oportunidade da população de fiscalizar diretamente a qualidade do transporte, é um péssimo negócio.

Esconder a identidade das empresas, não somente dificulta a identificação por parte da população, como favorece a corrupção e várias irregularidades, já que a não há identificação imediata, favorecendo que muitas coisas aconteçam por "debaixo dos panos". E com o poder executivo das autoridades devidamente aumentado, o que vai valer mesmo é o interesse de prefeitos, governadores e seus assessores e secretários, seres humanos tão falhos quanto qualquer outro, com sede de poder e com perspectiva de aumentar o patrimônio pessoal de bens e dinheiro.

Não defendo aqui o interesse de empresários do transporte, também seres humanos falhos e com os mesmos interesses disputados pelos governantes. Mas o que defendo é a o direito da população de conhecer com facilidade as operadoras dos sistemas de transporte, para que ela gerencia diretamente a qualidade do mesmo, sem ter que recorrer a autoridades de índole duvidosa para tentar melhorar um sistema que só piora a cada dia, optando pelo uso de fórmulas prontas como meio de resolver os problemas que são diferentes em cada cidade.

Só resta mesmo dizer que Jaime Lerner, o criador desse "samba do crioulo doido" deve estar rindo a toa, pois foi com a intenção de ganhar dinheiro vendando as suas ideias, que todos decidiram colocar uniforme em ônibus. Agora só falta obrigar as pessoas a saírem das ruas uniformizadas.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

SALVADOR ADERE A PADRONIZAÇÃO VISUAL

No Brasil, é mania consagrar ideias ruins e descartar as boas ideias.

Infelizmente, na sociedade brasileira, ideias ruins são consideradas bem sucedidas pelo simples fato de estarem durando por muito tempo, como se apenas a durabilidade servisse como atestado de qualidade.

Além da durabilidade, a adesão maciça de várias pessoas e/ou instituições também é considerada como atestado, já que enfiamos em nossas cabeças que se todo mundo segue algo, é porque deve ser bom. O que já é mais do que comprovado que NÃO é verdade.

Depois que o Rio de Janeiro, estado que se auto-considera capital cultural do país (e por isso é a localidade brasileira mais famosa pelo mundo) e por isso influente para o resto do país, implantou a padronização visual, já rotineira em estados como São Paulo e Paraná, todo o país entendeu que as frotas municipais e metropolitanas de ônibus tem que usar pinturas impostas pelas prefeituras, como uma espécie de farda a ser colocada nos ônibus.

Apesar das brechas nas leis permitirem, essa medida descaracteriza a licitação, a condição de concessão inerente ao serviço de transportes e fere o interesse público, já que a população fica privada de identificar com rapidez as operadoras que fazem o serviço de ônibus.

A única vantagem da padronização é do interesse das autoridades, que veem na pintura padronizada uma forma de dizer "esse ônibus trabalha para a prefeitura". O papo de que "organiza" e que "facilita a identificação" é conversa de político desonesto, muito mais interessado em satisfazer os próprios anseios. Para a população, não existe vantagem em colocar farda em ônibus.

A população vai ter que aumentar o nível de atenção ao pegar seus ônibus. Infelizmente, muitas empresas não se preocupam em identificar com clareza as bandeiras laterais e traseiras, obrigando ao passageiro a ir para a frente dos ônibus para identificá-lo. A pintura diversificada por empresa facilitava ao passageiro a identificar, compensando essa falha.

Além disso, a população fica refém das prefeituras, já que terá que recorrer a ela como forma de tentar melhorar o transporte, denunciando as irregularidades que somente ela (e não a prefeitura) vê em seu cotidiano. 

A relação cliente-empresa fica prejudicada pela transformação da prefeitura em intermediário, já que a padronização, como uma encampação enrustida, transforma as empresas em empregados da prefeitura. Ou seja, a melhora do transporte terá que depender do interesse de prefeitos e secretários de transporte, normalmente envolvidos com interesses pessoais do que públicos. A prática mostra que sistemas padronizados há piora na qualidade do serviço, conhecida apenas de quem utiliza do transporte em cada cidade.

O sistema do Rio de Janeiro piorou muito após a padronização. As empresas, por entender que as frotas pertencem a prefeitura (a imposição de pintura deixa isso claro), já não fazem mais a manutenção adequada, que é cara, preferindo apenas "apertar os parafusos" e alimentar com combustível para que os carros rodem. O resto que as prefeituras paguem.

Outras capitais que utilizam a pintura padronizada são campeãs de queixas dos usuários, incluindo o "imaculado" sistema de Curitiba (de onde surgiu a ideia da pintura padronizada, em um longínquo 1974 - enfim uma ideia VELHA vendida como "novidade"), cujos defeitos só são conhecidos por quem mora por lá. Sistemas padronizados agem como cidades interioranas, onde a prefeitura gerencia diretamente o transporte, com grande precariedade. É uma forma de encampação sim, com a diferença de que o sustento financeiro vem da iniciativa privada.

O pessoal de Salvador que se prepare. O transporte, que já não era dos melhores, vai ter uma boa piorada. Com um secretário de transportes de mentalidade arcaica (José Aleluia, um dos políticos mais conservadores da Bahia) e sem o engajamento necessário para administrá-lo, não esperemos melhoras. E a população, acostumada a encontrar um transporte ruim que nunca cumpre o mínimo necessário, vai ficar com a, pior fatia de bolo, sendo a única a perceber que a colocação do nome da prefeitura nos ônibus em nada ajuda a melhorar o transporte, seja de qual cidade for.

EM TEMPO: Houve uma tentativa de padronização pelo que se observa na foto que ilustra esta postagem, com a extinta empresa Sul América. Na verdade, a padronização vem sido ensaiada há uns 10 anos, com a chamada "padronização branca", onde há grande maioria das empresas que dispensam a pintura se limitando a colocar uma logomarca para identificar.  Se isso já atrapalhava, imagine o que virá agora.

sábado, 12 de outubro de 2013

ARGUMENTO DE QUE A PADRONIZAÇÃO DE PINTURA "FACILITA A IDENTIFICAÇÃO" COMPROVA ALIENAÇÃO DAS AUTORIDADES

Todo mundo sabe que autoridades vivem em um mundo a parte. Trancados em seu escritórios e tendo a seu alcance meios de transporte totalmente diferentes dos utilizados pelos "pobres mortais", autoridades sempre tem uma noção errada de mundo, o que fazem tomar decisões equivocadas que mais atrapalham a vida da população gerenciada. Pensando estar eliminando problemas, as autoridades acabam agravando ainda mais os mesmos.

Os governos e prefeituras tem justificado a adoção de pinturas padronizadas nas frotas de ônibus como medidas para"facilitar" a identificação dos ônibus. Mas analisando bem a forma como são feitas, o que se observa na prática é justamente o contrário. Ficou mais difícil pegar ônibus ultimamente. Afinal, como identificar ônibus se estão pintados todos iguais, variando apenas em imperceptíveis detalhes sutis?

Quando eu fui ao Rio Centro para ir a um evento sobre cultura, tanto na ida como na volta, tive que recorrer a despachantes, pois além de deixar todos os ônibus com a mesma aparência, o prefeito Eduardo Paes, teve a "brilhante" ideia de alterar códigos numéricos, trajetos e até pontos finais, o que dificultou ainda mais. Se a pintura fosse diversificada, mesmo com a mudança de códigos e de pontos seria menos danosa.

Está bem claro que a colocação de pintura padronizada é uma decisão subjetiva, baseada em convicções pessoais das autoridades que gerenciam o transporte. É um meio das prefeituras aumentarem o poder e impedir que a população fiscalize o transporte diretamente, tendo secretarias de transportes como intermediárias para que nada aconteça sem satisfazer o interesse dessas autoridades. A colocação do nome das prefeituras em letras garrafais em detrimento do nomes da empresas, que em muitos casos são omitidos, deixa claro essa obsessão das autoridades em impor os seus interesses.

Como em política, mentir é uma tática de sobrevivência, é mais uma conversa para o gado (povo) dormir essa de facilitar os usuários. Até porque satisfazer a população nunca foi o objetivo de qualquer político. E não será agora, de uma hora para a outra, que esse objetivo irá mudar.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AUTORIDADES USAM PINTURA PADRONIZADA PARA ENGANAR A POPULAÇÃO

Depois do autoritarismo explícito da Prefeitura do Rio de Janeiro, que adotou a pintura padronizada nos moldes abertamente ditatoriais de Curitiba e São Paulo, outras prefeituras tentam camuflar a arbitrariedade com paliativos feitos tão somente para enganar a população.

É o caso de Niterói, em que a prefeitura vetou o direito de cada empresa de ônibus apresentar sua própria identidade, mas permitiu que coisas pequenas e que de longe são imperceptíveis, como colocar nome de empresa de ônibus em janelas ou letreiros digitais e "personalizar" placas de itinerários de linhas (algumas mais ilegíveis que bulas de remédios).

Além da antiga capital fluminense, São Gonçalo adotou a medida, paliativa e inútil, de exibir o logotipo de cada empresa nas laterais e janelas dos ônibus, algo que não se resolve de forma alguma o problema da confusão, uma vez que, vistos de longe, os logotipos não passam de meros rabiscos aleatórios.

EM SÃO GONÇALO, LOGOTIPOS DE EMPRESAS EXPOSTOS NA PINTURA PADRONIZADA SÃO MEROS "RABISCOS" QUANDO VISTOS DE LONGE E NÃO RESOLVEM O PROBLEMA DA CONFUSÃO PELOS PASSAGEIROS COMUNS.

É como, por exemplo, um motorista colocar na janela dianteira logotipos de revendedoras de chassis ou frases religiosas, algo que, em outros tempos, era usado nos ônibus de todo o país. São coisas pequenas, imperceptíveis.

AUTORITARISMO "DEMOCRÁTICO" E "INTERATIVO"

Agora o aspecto mais ridículo foi adotado pela Prefeitura de Araruama, que, para disfarçar o natural autoritarismo da pintura padronizada, lançou uma campanha "interativa" para os cidadãos "escolherem" a pintura padronizada a ser adotada, em três modelos em que os "bastões" colocados sobre as janelas laterais dianteiras são influenciados pela "estética" carioca.

É como rir da cara das pessoas e tratar o passageiro comum como se fosse otário. Imagine se a moda pega e a Prefeitura do Rio de Janeiro lança uma enquete para os internautas escolherem qual o melhor tempero para o gás de pimenta a ser atirado nos olhos dos manifestantes que nos últimos meses fazem intensos protestos contra a politicagem dominante no Estado?

Provavelmente, a Prefeitura de Araruama também fará seus paliativos, colocando nome de empresa em janelas ou letreiros digitais, como se isso fosse resolver os problemas da confusão ou garantisse mais transparência na medida da pintura padronizada. A experiência mostra que tais paliativos em nada resolvem em relação a tais problemas.

EMPURRANDO AÇÕES JUDICIAIS COM A BARRIGA

Já existem ações judiciais contra a pintura padronizada nos ônibus. No Rio de Janeiro e em Niterói, haviam sido lançadas ações no Ministério Público contra a pintura padronizada, que no entanto foram contestadas pelas autoridades através de argumentos inconvincentes.

No Rio de Janeiro, a desculpa utilizada foi o "reordenamento do transporte" e que a identificação dos ônibus se daria através do código numérico de cada veículo, essa "sopa de letras e números" que confunde e desnorteia os passageiros já em seus muitos compromissos pessoais.

Em Niterói, a desculpa, que também cita o "reordenamento do transporte", já dá ênfase ao "desvínculo de imagens das empresas" e a identificação por "zonas", embora não fizesse menção aos paliativos de exibir nomes de empresas em janelas ou letreiros ou na personificação das placas de itinerários.

As autoridades adotam desculpas inconvincentes, que no entanto são acatadas pelos advogados do Ministério Público. O grande problema é que a pintura padronizada está relacionada com a corrupção nas empresas de ônibus, favorecidas pelo fato de que empresas diferentes estão agora com o mesmo visual.

Chegou-se a haver uma CPI dos Ônibus no Rio de Janeiro, mas ela foi sabotada por aqueles que eram contra a comissão e estavam ligados não só ao grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, mas também a grupos milicianos. Em Niterói, a CPI continua, mas parece rumar também para uma postura "chapa-branca" mais sutil que a da CPI carioca.

INDIGNAÇÃO - Nas ruas, a população começa a expressar sua revolta contra a pintura padronizada. Nas redes sociais, na realidade das ruas, nas faculdades, as pessoas já desconfiam da medida, vendo nela uma forma de acobertar a corrupção das empresas de ônibus e de ludibriar a população.

Mesmo a aquisição de ônibus especializados - como BRTs, articulados ou com ar condicionado - ou demagógicos congelamentos ou reduções de passagens consegue convencer. As autoridades que defendem a pintura padronizada também não enganam com a postura de pretenso paternalismo, tentando parecer boazinhas com a população.

A pintura padronizada, portanto, torna-se uma medida impopular, ineficaz e inútil, além de ser prejudicial para aquele que é o maior interessado do transporte coletivo: o passageiro comum, que pega ônibus todo dia e sabe que pintar diferentes empresas de ônibus não vai resolver os problemas vividos diariamente no sistema.

Afinal, ninguém em sã consciência vai tratar carimbos de prefeitura como "santos milagreiros" da mobilidade urbana. O povo sabe que a pintura padronizada não passa de um mero véu para acobertar a corrupção político-empresarial que faz agravar as conhecidas irregularidades dos sistemas de ônibus das grandes cidades.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O BRT não é a solução definitiva para o transporte, e sim o planejamento das linhas

É muito fácil e bonito colocar um grande articulado numa via só para ele, como solução para os problemas cotidianos no transporte. Além de exigir menos raciocínio (é só abrir vias aleatoriamente e pronto), serve como espetáculo, já que esses articulados primam pela estética.

Numa sociedade medíocre, que desaprendeu a exigir e se encanta facilmente por qualquer show super produzido de um cantor de meia-tigela qualquer cantando músicas ruins, o milagre do BRT veio a calhar.

Não que o BRT fosse ruim. Ele é bom, mas em alguns casos e algumas localidades. Há lugares onde ele funcionou. Há lugares inclusive onde ele deu certo, mas foi retirado por causa de má administração, como em Salvador, que em 1990 teve implantado o excelente e bem sucedido (mas muito mal administrado com o passar dos anos) projeto Transporte de Massa de Salvador, que se tivesse durado, teria economizado os gastos que a capital baiana teria com o atual BRT e tiraria a necessidade da implantação de um metrô, que só depois de uma década terá 10% de seu percurso pronto para funcionar.

Mas o BRT não pode ser tratado como única e melhor solução para o transporte de todas as cidades, que precisa urgentemente acabar com o excesso de automóveis nas ruas. Está mais do que na cara que ele está sendo implantado como modismo, de maneira irresponsável por gente que não é especialista, mas finge ser. E muita gente acaba confiando nas promessas e atitudes dessas falsas autoridades.

Muito dinheiro pra nada

O brasileiro se acostumou a usar mais os olhos e menos o cérebro. Para ele, tudo que faz bem aos olhos é sinônimo de eficiência. Em muitos casos se provou o contrário.

Além disso, as pessoas também habituaram a criar associações. Como se uma coisa justificasse a existência de outra: paquera depende de festa, música depende de dançarinos, futebol só deve ser comemorado aos berros e transporte de qualidade tem que ter articulado em vias exclusivas. São associações falsas que colocam o dispensável como essencial.

Mas se esquecem que os problemas do transporte não dependem de gigantes articulados para melhorar. Odeiam micrão? Pois lamento dizer que eles é que são o transporte adequado para as grandes cidades. Leves e ágeis, eles são mais adequados para trafegarem pelas muitas ruas de cada metrópole. São menores e não tem a beleza e imponência dos pesados e lerdos BRTs, mas com planejamento, dá para aproveitá-los com eficiência para que não gerem problema.

Construir vias exclusivas custam muito dinheiro. Além disso tem a desvantagem de limitarem a circulação de ônibus para determinadas áreas. O ideal seria que mantivessem o sistema como está, mas replanejando os itinerários, observando as reais necessidades das áreas envolvidas nos percursos e suas demandas.

Mas isso não agrada os defensores do BRT. Fazer planejamentos exige muita pesquisa e raciocínio para adequar as linhas as reais necessidades de um município. Além disso, não é espetaculoso, não é algo que encha os olhos e "mostre serviço" a leigos. O brasileiro é fascinado por espetáculos de todos os tipos e na busologia, somente um articulado imenso pode fazer a festa de quem gosta de shows mirabolantes.

E cá para nós, melhorar o sistema de fato significa diminuir os automóveis nas ruas. Algo que um imenso articulado nunca conseguirá resolver. O que vai resolver isso é dar muita educação às pessoas, fazendo-as entender que nenhum ser humano se torna melhor que o outro só porque tem uma automóvel registrado em seu nome.

Mas, infelizmente, a população brasileira, cada vez menos racional e cada vez mais sedenta por grandes espetáculos, como será de fato a copa de 2014, razão de ser desses projetos caros e inúteis, pede muito mais farra e falsas alegrias do que a resolução definitiva dos seus problemas.

Como todos fazem: faltou dinheiro? Esgoto a céu aberto? Patrão estressado? Minha casa caiu? Não faz mal. Peguem uma cerveja e vão ver televisão.

Pode ser que o gol feito por um analfabeto e uma gigantesca minhoca de aço rodando em uma estrada possam "salvar" os brasileiros de seus problemas insolúveis.

domingo, 4 de agosto de 2013

A VITÓRIA DA INCOERÊNCIA

Na Idade Média, quem era contra o sistema feudal e o seus governantes era punido severamente. Não havia diálogo e aceitar uma ideia dominante chegava a ser uma  atitude pela sobrevivência. Muita gente morreu queimada ou torturada por discordar de ideias dominantes.

Numa verdadeira atitude de retrocesso, esses tempos infelizes da humanidade ameaçam voltar. Pelo menos na busologia. A aceitação de um sistema que já nasce falido e a confiança cega nas autoridades que gerenciam esse sistema falido tem feito uma onda de pensamento único pró-fardamento de frotas que proíbe qualquer contestação. Quem contestou é humilhado na hora.

E não precisa nem ofender e escrever críticas longas. Uma frase curta que critique o sistema já é o suficiente. Os defensores do sistema agitam-se ferozmente feito abelhas atacadas e automaticamente tomam o contestador como algoz. Ao invés de um debate sadio, temos um verdadeiro corredor polonês moral onde aquele que exerce o seu direito democrático de criticar é agressivamente esculachado.

Mal sabem esses busólogos os danos que o fardamento que eles tanto defendem geram. Não sabem e nem querem saber, pois o foco deles é direcionado para a beleza e a potência dos veículos. Para se ter uma ideia da alienação deles, "melhorias" para a mobilidade urbana, segundo eles se limita a colocação de um ônibus articulado em uma estrada só para ele. Esquecem que mobilidade urbana é a integração de vários modais e que os ônibus não deveriam ser o foco das melhorias, por ser um transporte obsoleto. VLTs e metrô, além da eliminação de automóveis e adoção de bicicletas, deveriam ser o verdadeiro foco. Mas isso não traz "busão" bonito, não é?

Triste saber que a busologia carioca escolheu andar nesse caminho pantanoso da discórdia e da conformação com um sistema falido. Mais triste ainda é saber que, para os busólogos cariocas, o debate morreu e que agora só resta a aceitação cega de tudo que está aí.

Como passageiro, digo que ficou mais difícil pegar ônibus. Como cidadão, digo que perdi a confiança em um sistema que esconde muitos erros e seus bastidores, administrado por gente incompetente e desonesta. Como busólogo, digo que não tem a menor graça admirar ônibus num monótono sistema onde quase 50 empresas tem a mesma pintura, escondendo a sua identidade.

Para mim a busologia carioca morreu. Estamos necessitando de busólogos mais coerentes e menos fanáticos que não se conformem em ver ônibus bonito e possante em sistemas falidos. Se esquecem que as autoridades estão permitindo "busões" justamente para servir de fachada para os erros que ocorrem logo atrás e que somente os passageiros, que usam o transporte todos os dias conseguem perceber.

A intolerância, seja de qualquer tipo, é um retrocesso que impede qualquer tipo de evolução. Estamos no século XXI, mas nossa mentes estão cada vez mais  medievais, não acompanhando a evolução das máquinas, em uma época onde a análise deveria ser a grande vedete, impulsionando debates sadios que visem apenas a melhoria real e não joias falsas para brilhar aos olhos.

Por enquanto, fiquem felizes, busólogos: a incoerência defendida por vocês venceu. Resta saber quando é que o século XXI chegará aos nossos cérebros.

terça-feira, 16 de julho de 2013

PINTURA PADRONIZADA ACOBERTA CORRUPÇÃO DOS ÔNIBUS CARIOCAS


A pintura padronizada nos ônibus está revelando uma medida bem mais nociva do que sugere, para os passageiros comuns, quando empresas cariocas como Auto Viação Tijuca e Real Auto Ônibus, ou City Rio Turística e Rodoviária A. Matias, apresentam agora a mesma pintura.

Mais do que confundir passageiros de ônibus, a pintura padronizada estaria servindo de "véu" para a corrupção que acontece no setor, e cujas revelações dos bastidores mostram uma realidade gritante, em que políticos, empresários de ônibus e até mesmo a "máfia das vans" se beneficiam neste esquema corrupto.

Beneficiadas com a camuflagem da pintura padronizada, a cartelização das empresas de ônibus era até anterior a isso. Mas se o sistema de ônibus antes de 2010 não demonstrava muita transparência e apresentava irregularidades, ela se tornou cada vez mais grave sob esse "baile de máscaras" imposto sem consulta pública pelo prefeito carioca Eduardo Paes.

Eduardo Paes, ele mesmo, é casado com a filha de um dos barões dos ônibus do Grande Rio. Além disso, Sérgio Cabral Filho também tem alianças com empresários de ônibus e a corrupção do sistema em todo o Estado do Rio de Janeiro se agrava quando o "véu" da pintura padronizada torna pior o que está ruim, onde o logotipo de cada prefeitura camufla a empresa de ônibus irregular.

A formação dos cartéis de empresários de ônibus, a "máfia das vans", as irregularidades nas documentações dos ônibus, o troca-troca de empresas por debaixo da pintura padronizada - a linha 673 Méier / Lucas foi um caso recente de linha, e a Viação Saens Peña de mudança de nome, virando Viação N. Sra. das Graças -  e até mesmo irregularidades do DETRO mostram que o sistema de ônibus fluminense trafega num mar de lama.

Existe até mesmo a briga da Transportes Paranapuan - dona de um dos ônibus que caiu no Viaduto Brigadeiro Trompowsky, em Bonsucesso, matando nove pessoas - com o consórcio Internorte, o qual integra, tempera essa situação escandalosa que deixa os passageiros de ônibus completamente inseguros.

Muitos sentem saudades de outros tempos em que o sistema de ônibus do Rio de Janeiro pode não ter sido a perfeição sobre rodas, mas pelo menos tinha qualidades de sobra para ser, então, uma referência de transporte coletivo para o país.

Hoje, a coisa é extremamente contrária, sendo o sistema de ônibus fluminense um dos mais vergonhosos do país. Juntamente com Curitiba, São Paulo e outras cidades que apostam nesse "baile de máscaras" que encobre toda falcatrua que está por trás dos ônibus que o povo pega.

domingo, 23 de junho de 2013

LINHA 673 MUDA DE EMPRESA. O POVO É O ÚLTIMO A SABER



A pintura padronizada, esse verdadeiro ato de vandalismo causado por Eduardo Paes, comprovadamente não traz qualquer tipo de transparência.

Mais uma vez uma mudança é feita sem que os passageiros se deem realmente conta da situação. Agora é a vez da linha 673 Méier / Lucas, mudar de empresa às costas do povo, depois do caso da linha 296 Castelo / Irajá.

A empresa Viação Madureira Candelária deixou a linha e agora é a Viação Nossa Senhora de Lourdes que opera a linha. Mas a diferença não foi notada pelos passageiros, já que se trata da mesma pintura padronizada que mascara o sistema de ônibus à observação popular.

O sistema, nessa fase, foi marcado por inúmeros acidentes, irregularidades, ônibus enguiçados e já se fala mesmo de um esquema de corrupção que está por trás da Secretaria Municipal de Transportes Rodoviários. E, agora, com os protestos ocorrendo nas ruas de todo o país, esse modelo de "mobilidade urbana", inclusive a pintura padronizada, tem hoje um futuro incerto.

O que se sabe é que esse esquema lançado em 2010 já se mostra num processo de decadência irreversível.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

PINTURA PADRONIZADA ESTARIA ESTIMULANDO IRREGULARIDADES DOS ÔNIBUS DO RJ


Um dia depois de mais um ciclista ter morrido no bairro de Pilares, depois de se chocar com um ônibus da Viação Novacap da linha 371 (Praça Seca / Praça da República), fiscais do Procon foram para diversas garagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro investigar irregularidades nos veículos de pelo menos quatro empresas cariocas.

As empresas foram Transportes Vila Isabel, Transportes Estrela Azul, Transportes Paranapuan e Auto Viação Jabour, conhecidas por várias queixas sobre irregularidades como ônibus enguiçados, acidentes com mortos e feridos e o simples estado de conservação das frotas, que circulam normalmente com a lataria amassada e até mesmo com baratas. 22 ônibus foram apreendidos.

A Secretaria Municipal de Transportes Rodoviários (SMTR) faz muitas cobranças e promessas, visando desde construção de vias para pedestres e ciclistas até treinamento de motoristas. Mas já existem reclamações das pessoas quanto ao poder concentrado do órgão e da complexa estrutura dos consórcios, fator que está influindo na decadência do sistema de ônibus carioca.

PADRONIZAÇÃO VISUAL ESCONDE IRREGULARIDADES

A padronização visual adotada em 2010 estaria escondendo irregularidades ocorridas nos ônibus municipais do Rio de Janeiro, fato até agora ignorado pela grande mídia, mas comprovadamente observado no cotidiano das ruas. A proibição de cada empresa de ônibus exibir sua identidade visual anda dificultando a observação dos passageiros comuns quanto à sua natureza de serviço, o que facilita a corrupção.

FOTO DIVULGADA NO FACEBOOK CONFIRMA QUE A PADRONIZAÇÃO VISUAL DIFICULTA A ATENÇÃO DO PÚBLICO ATÉ MESMO EM MUDANÇA DE NOME DE EMPRESA.

Uma das empresas que mais se envolvem em acidentes de ônibus e veículos enguiçados é a Viação Nossa Senhora das Graças, novo nome da antiga Viação Saens Peña. A mudança só foi realmente observada na frota rodoviária, que mantém a identidade visual, enquanto a frota urbana, que adota a pintura padronizada, não apontou qualquer tipo de mudança essencial.

A farra política que está por trás dessa medida supostamente técnica, mas que não passa de uma propaganda política de prefeituras ou órgãos governamentais - no caso de linhas intermunicipais - , estaria irritando empresários de ônibus, rodoviários e passageiros, tamanha a concentração de poder que as secretarias de transporte atribuem para si.

As secretarias, a partir do caso da SMTR - cujo titular, Carlos Roberto Osório, usa um tom de voz parecido ao de um sargento do Exército - , estariam confundindo poder regulador, dedicado somente a fiscalizar o sistema, com poder controlador, expresso já a partir do vínculo de imagem das frotas de ônibus à Prefeitura do Rio, o que sugere que a prefeitura carioca é "dona" dos ônibus.

A pintura padronizada seria, portanto, uma linguagem que indica que a prefeitura teria realizado a licitação dos ônibus cariocas, mas estaria privando a população de reconhecer a identidade visual de cada empresa, enquanto a prefeitura, sob o pretexto dos consórcios, estaria exercendo monopólio de imagem nos ônibus cariocas, que agora também exibem o anúncio publicitário da prefeitura.

Sem poder exibir as respectivas identidades visuais, as empresas entendem que a prefeitura, através da pintura padronizada, atribuiu para si a responsabilidade e a tutela das frotas de ônibus em circulação no Rio de Janeiro, o que faz as empresas deixarem de fazer a manutenção adequada das empresas já que as frotas, no entender de seus donos, "são da Prefeitura".

Com isso, o sistema de ônibus carioca estaria decaindo por conta dessa distorção de atribuições, em que um órgão regulador na verdade estaria exercendo abuso de poder e criando problemas para a sociedade, através de um modelo de mobilidade urbana antiquado que só fazia sentido (e olhe lá) nos tempos da ditadura militar.

Em se tratando de um grupo político como o de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, que demonstraram que são surdos à vontade popular e cegos às leis, a prepotência da SMTR faz muito sentido, o que faz ela ser também responsável pela decadência do sistema de ônibus carioca.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

ÔNIBUS É DEPREDADO POR VÂNDALOS, MAS JÁ TINHA LATARIA AMASSADA


Um grupo de rapazes, dois deles menores, foi detido pela polícia do Rio de Janeiro, acusado de praticar vandalismo, depredando a janela de um ônibus da Empresa de Transportes Braso Lisboa, linha 476 Méier / Leblon (via Túnel Rebouças), na altura da Av. Borges de Medeiros, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Os menores estavam dentro do ônibus, provocando tumulto, intimidando os passageiros e chegando a derrubar a janela ao lado da porta traseira do ônibus. Dentro do ônibus, os jovens faziam provocações e ameaçavam crianças que saíam de uma escola na Lagoa.

Segundo um passageiro, que não quis se identificar (a exemplo do motorista e cobrador do veículo), são muito comuns os tumultos desse tipo, e os jovens que o praticam costumam arrumar um jeito para saírem do ônibus sem pagar, além de ameaçar passageiros e os transeuntes que percorrem as ruas por onde passa cada ônibus da linha 476.

Fora esse caso, porém, um detalhe chama a atenção, que é o fato do carro, A29185, estar com a lataria amassada, independente de ter ocorrido o vandalismo ou não. Mesmo o reflexo da luz na lataria do ônibus não desmente essa constatação, até porque a luz atinge ângulos que também mostram a lataria amassada, num ônibus cuja idade de fabricação é de cerca de três anos.

Isso torna-se um agravante e comprova o que se vê nas ruas, que é a decadência desse modelo de transporte coletivo adotado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, um modelo autoritário e sem funcionalidade, que anda provocando acidentes, estressando rodoviários e favorecendo, mesmo de forma indireta, as irregularidades do sistema de ônibus municipal.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

LINHA 742 É EXTINTA SEM AVISO


A linha 742 Cascadura / Barata, operada pela Auto Viação Bangu, foi desativada há pouco mais de um mês sem autorização da prefeitura, sem qualquer aviso prévio e sem dar qualquer satisfação ou compensação para os passageiros.

Segundo o repórter Marcelo Dias, do jornal Extra, a placa da linha continua no ponto da rua Sylvio Freitas, em Cascadura, mas há vários dias a linha simplesmente não circula, sendo mais uma das inúmeras irregularidades que ocorrem desde que o "novo" sistema de transporte coletivo foi implantado no Rio de Janeiro, em 2010, baseado no modelo autoritário de Jaime Lerner.

As empresas cariocas, desde então, andam desqualificando seu serviço, se aproveitando da padronização visual que impede a identificação imediata da empresa e a fiscalização direta do passageiro comum. Sem zelar por sua identidade, as empresas, acobertadas por uma pintura uniformizada, se aproveitam disso para cometer abusos às costas dos passageiros.

Com isso, houve linha que mudou de empresa sem que o passageiro comum soubesse, como a 296 Castelo / Irajá, transferida da Transportes Estrela Azul para a Viação Pavunense. Houve empresa que mudou de nome sem que o passageiro soubesse, como a Viação Saens Peña que virou Viação Nossa Senhora das Graças.

Além disso, estão cada vez mais comuns os acidentes, não somente por empresas já deficitárias como Pégaso e Rio Rotas, mas envolvendo empresas antes conceituadas como Real Auto Ônibus e Tijuquinha (Auto Viação Tijuca). De 2012 para cá, mais de 10 pessoas morreram e centenas ficaram feridas, isso contando os acidentes com BRTs.

Os ônibus, mesmo novos, já rodam sujos, com lataria amassada, parafusos quase soltos e isso se observa até mesmo numa Viação Acari e numa Rodoviária A. Matias. Desta se observa os ônibus da linha 232 Lins / Praça 15, que rodam fazendo barulho similar ao dos sucateados ônibus de boias-frias.

Agora, é a Auto Viação Bangu. Antes de 2010, a empresa estava melhorando consideravelmente seu serviço e usando uma admirável estética visual de Álvaro Gonzalez, mas, depois, decaiu completamente, parecendo até mesmo a antiga Transportes Oriental da qual a Bangu absorveu algumas linhas.

De acordo com Marcelo Dias, a Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro afirmou que a linha continua existindo. O órgão prometeu enviar fiscais para verificar a situação.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Outdoor móvel substituindo pintura padronizadada dos ônibus urbanos


 







         E se no lugar das famigeradas pinturas padronizadas que os ônibus urbanos ostentam em várias cidades do país, estas fossem substituidas por propaganda publicitária? Já pensou pegar um ônibus da Tim, um da Skol, da Claro? Em muitas cidades do mundo isso é possivel. Aqui no Brasil, só ônibus de fretamento podem ser usados como outdoor publicitário. O que acham dos ônibus urbanos virarem outdoor? De uma linha ser bancada por um anunciante (isso não significa pegar onibus de graça)? Bem, para nós dos blogs Fatos Gerais e Movimento Antipadronização dos ônibus do Brasil, tal ideia obviamente não nos agrada, porém antes isso do que pintura padronizada para exaltar politicos corruptos. Reflitam!

Fatos Gerais

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

PADRONIZAÇÃO FAZ BLOGUE CONFUNDIR EMPRESA DE ÔNIBUS


A padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro causa tanto prejuízo que até mesmo um blogue sobre notícias da Cidade Maravilhosa confundiu a empresa da foto, ao divulgar uma notícia de uma indenização por acidente.

O blogue Informativo Rio, conhecido dos internautas cariocas, publicou uma notícia de uma sentença determinando à Rodoviária Âncora Matias a indenizar uma passageira por causa de um acidente causado por um freio brusco.

No entanto, a foto exibida corresponde a um ônibus da Auto Viação Três Amigos (ver abaixo), código 445xx. O da Matias é 255xx. Embora a Três Amigos e a Matias circulem em áreas comuns, como Méier, Saens Peña, Maracanã e Vila Isabel, até mesmo os tipos de ônibus que elas usam são diferentes, sendo a Três Amigos normalmente voltada para ônibus mais curtos.

Mas a padronização visual cria uma pintura só que pouca diferença faz se são ônibus longos ou curtos. Em certos casos, até carrocerias podem ser confundidas. Certos busólogos acham frescura essa confusão, seguros de suas informações técnicas, mas até eles podem se confundir ao pegar um ônibus. Só que raramente um busólogo pega ônibus, ele admira os ônibus de fora.

As pessoas comuns, com tantas ocupações e preocupações, é que não têm tempo para saber se o ônibus Internorte é Matias ou Três Amigos, Acari ou Madureira Candelária, Caprichosa ou Rubanil etc. Isso é o transtorno que certas pessoas não admitem e se irritam com isso. Tem gente que é egoísta e, pior, ainda fala em "defesa do interesse público". E a coisa vai mal no sistema de ônibus do Rio.