sexta-feira, 28 de setembro de 2012

OUTRA CONFUSÃO RESULTANTE DA PADRONIZAÇÃO VISUAL


Quem observa esse ônibus, dentro do contexto da padronização visual, pode achar que se trata de um ônibus da Viação Fortaleza que, entrando na Rua Álvares de Azevedo, se dirige normalmente para a Rua Gavião Peixoto no percurso da linha 53 Santa Rosa / Centro (via Praia de Icaraí).

No entanto, se trata de um ônibus da Expresso Miramar, também do consórcio Transoceânica, "cortando" caminho para ir à sua garagem na Av. Rui Barbosa (antiga Estrada da Cachoeira), preferindo seguir pela Rua Gavião Peixoto em vez de ir até o Canto do Rio (Rua Joaquim Távora), por conta de algum congestionamento.

Desse modo, dá para notar o quanto esse "baile de máscaras" que se tornou o sistema de ônibus do Grande Rio (Niterói e Rio de Janeiro, pelo menos) causa transtornos e não traz vantagem alguma, seja de caráter técnico, seja relacionado ao interesse público.

Há quem goste - e defenda com certa arrogância e até intolerância - dessa padronização visual, de ver as empresas diferentes exibindo as mesmas cores. Mas os passageiros é que sentem os prejuízos dessa medida, um problema lamentavelmente ignorado para quem não vive as realidades das ruas. E, infelizmente, há uma certa "elite" de busólogos que só preferem observar os ônibus de fora.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O QUE A PADRONIZAÇÃO VISUAL PODE FAZER PARA CONFUNDIR...


Esta foto, no cruzamento da Rua Dr. Paulo César com a Av. Roberto Silveira, na esquina da Av. Marquês do Paraná, em Niterói, dá uma boa noção do que a chamada padronização visual nos ônibus pode fazer para confundir as pessoas.

É bom deixar claro que, no dia a dia, muitas pessoas ficam ocupadas demais para "examinar sem pressa" o ônibus que vai pegar e é ilusão que todo mundo "receba" sempre o ônibus vendo o veículo pela dianteira.

Muita gente tenta pegar um ônibus vendo-o na lateral, de longe, porque tem pressa e nem todas as linhas possuem uma frota grande, obrigando muitos a correrem para o primeiro ônibus que virem, mesmo à distância.

Esta foto é ilustrativa. O desavisado poderia imaginar que um carro da Viação Fortaleza, na linha 57 (Santa Rosa / Centro, via Fagundes Varela), cortou pela Paulo César - geralmente ele vai pela Rua Gen. Pereira da Silva antes de dobrar a Roberto Silveira - por alguma eventualidade e se dirige à pista lateral da avenida para dobrar a Rua Miguel de Frias em direção à Fagundes Varela.

No entanto, o ônibus em questão é da Santo Antônio Transportes, linha 45 (Cubango / Centro), que havia pego um caminho alternativo, já que normalmente passa pela Paulo César direto, talvez para se dirigir sem problemas para a pista lateral da Av. Marquês do Paraná, exclusiva para ônibus.

A pintura padronizada do consórcio Transoceânica permitiu essa "pérola", que a elite busóloga não tem o menor problema de discernir, mas os cidadãos comuns, principalmente os mais pobres, têm muita dificuldade de identificar.

São transtornos assim que a gente questiona, mas nem todo mundo gosta. Afinal, a "novidade" do visual uniformizado, desse "baile de máscaras" que se tornou o sistema de ônibus de Niterói e do Rio de Janeiro, deslumbra alguns, sobretudo aqueles que querem mamar nas tetas do Estado e que por isso fazem defesa até do serviço irregular da Turismo Trans1000.

Só que, nas ruas, a realidade é bem outra do que aquela que a ilusão dos escritórios tenta inventar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

As prefeituras e os governos são donos das linhas. Não dos veículos!

Por Marcelo Pereira

Bomba! A padronização visual imposta aos ônibus municipais e metropolitanos em várias cidades do país além de não ter vantagens e de estar contrário ao interesse público, é contrário à lei. As prefeituras querem mandar na pintura dos veículos quando na verdade deveriam se limitar a aspectos relacionados com as linhas. Já que as prefeituras são donas apenas das linhas e não dos veículos, que são propriedade exclusivas das empresas que fazem a concessão.

O sistema é de concessão de linhas. As prefeituras estabelecem as linhas, seus trajetos e características. O que elas podem fazer é determinar que tipo de veículo deve fazer as linhas. A pintura, deve ser decidida pela empresa. 

As prefeituras e governos, ao estipularem que tipo de pintura devem ter os carros, na verdade estão encampando as empresas e dizendo que aqueles carros pertencem à prefeitura. As empresas, sem identidade ou marca, acabam prejudicadas, sem poder fazer propaganda de seus serviços. Além disso, muitas empresas com uma só pintura confundem usuários que apressados, não terão tempo para procurar o letreiro das linhas.

As prefeituras e governos não são donos das frotas. Elas pertencem as empresas. E são as empresas que devem decidir que aparência terão os seus veículos. As autoridades do poder executivo, ao se preocuparem com o visual dos ônibus, acabaram relaxando em outros aspectos mais coerentes com a verdadeira responsabilidade que possuem: o bom funcionamentos das linhas. 

Uniformizar a frota para transformar as empresas em meros empregados das prefeituras é ato mesquinho e nada tem de vantajoso, prejudicando o interesse público. Afinal, quem defende a uniformização (ou padronização, como é mais conhecida), não sabe o que é andar de ônibus. Se soubesse, combateria a uniformização ao invés de defendê-la. 

Afinal, é bonito ver um sistema de transporte coletivo fracassar quando se anda de automóvel.