domingo, 29 de julho de 2012

RUBAMÉRICA E MADUCA TEM TRÊS ÔNIBUS DANIFICADOS E UMA MORTE


O baixo astral que se tornou o sistema de ônibus do Rio de Janeiro mostra o quanto se mexeu em time que estava ganhando.

Se o sistema de ônibus do RJ, antes dessa verdadeira intervenção estatal, não era perfeito, pelo menos tinha muitas qualidades e era considerado uma referência para o país.

Hoje, isso não mais acontece. E aumentaram os ônibus enguiçados e acidentados de forma bastante drástica. Tanto que as críticas iniciais que certos busólogos chapa-brancas fizeram, a ponto deles fizerem ofensas pessoais, entre declarações irritadas, xingações e ironias, foram reduzidas ou hoje se "isolam" nos fóruns do Facebook, Orkut e do portal Ônibus Brasil.

Eles pensavam que as denúncias eram mais daqueles boatos conhecidos como "rádio-leão", até que a imprensa, independente de seu nível ideológico, passou a confirmar as graves denúncias que busólogos mais imparciais faziam sob a dura pena das ofensas pessoais dos agressivos seguidores de Eduardo Paes e Alexandre Sansão que defendem até a moribunda Trans1000.

Dois incidentes ocorreram desde ontem envolvendo carros da dupla Rubamérica, um por causa de um protesto de moradores no bairro de Costa Barros, em que uma ação policial resultou na morte, por bala perdida, de uma menina moradora do lugar. Vários ônibus foram apedrejados - pelo menos um deles foi um micro da Viação Vila Real - e um incêndio chegou a atingir parcialmente um ônibus da Viação Rubanil.

O incidente pode não ter relação com o sistema de ônibus, nem mesmo a morte da menina, mas mostra o quanto as mesmas autoridades que promovem esse sistema cometem o descaso com a segurança. O grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho permitiram que a criminalidade voltasse a entrar em ação, e bandidos, esta semana, mataram uma policial na UPP do Complexo do Alemão.

Já no Viaduto Ataulfo Alves, que liga a Av. Brasil aos bairros de Benfica, Triagem e São Cristóvão - com acessos para o Maracanã, Méier e Bonsucesso - , um ônibus tombou, deixando pelo menos 11 feridos. É o segundo acidente com feridos em três dias, depois que um ônibus da Empresa de Viação Algarve tombou num outro trecho da Av. Brasil.

Mas uma morte foi causada em um acidente também nas proximidades de Benfica, na altura da Rua Escobar, quando um ônibus da Viação Madureira Candelária (conhecida como Maduca), da linha 298 Acari / Castelo, invadiu uma calçada e atingiu um carro, onde uma mulher de 54 anos estava no banco do carona. A mulher morreu na hora.

É o segundo acidente envolvendo ônibus da Madureira Candelária, em um mês. E, entre os acidentes envolvendo os ônibus dentro da fase comandada pelo secretário mão-de-ferro Alexandre Sansão, já são sete mortos. Antes da mulher, uma pessoa morreu num acidente com ônibus que derrubou um poste em Madureira, enquanto estava num ponto de ônibus. E cinco pessoas morreram num acidente num ponto de ônibus da Av. Brasil.

Até pouco tempo atrás, empresas como Ocidental (atual Rio Rotas), Algarve, Andorinha e Pégaso eram passíveis de sofrer acidentes. Mas hoje todas as empresas sofrem essa sina, até a Transurb, Seans Peña, Braso Lisboa e Futuro. O sistema de ônibus do Rio de Janeiro piorou, e os tais "benefícios reais e permanentes" não passaram de um discurso de palanque para eleitor dormir, para botar Eduardo Paes no desgoverno do Rio de Janeiro por mais quatro anos.

E isso será para turista ver. Para turista ver o desastre que se torna essa "mobilidade urbana" dos tempos do AI-5. E que terá sua reprise no outro lado da Baía da Guanabara.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

EM MENOS DE DOIS MESES, SEXTO ACIDENTE DE ÔNIBUS DO RJ


Em menos de dois meses, acidentes graves de ônibus põem em xeque o modelo de transporte coletivo adotado no Rio de Janeiro. Agora foi um acidente de ônibus, na manhã de hoje, com um midi da Algarve, na Av. Brasil, com 30 feridos. O ônibus chegou a cair num canteiro.

Isso nos faz pensar o que os niteroienses estarão esperando para os próximos anos, além da redução das frotas de ônibus da antiga capital fluminense que, com os engarrafamentos de automóveis, irá piorar seriamente a situação.

No Rio, além de passageiros pegarem ônibus errado (claro, a pintura agora é igualzinha para diferentes empresas) e, com os congestionamentos, perder o horário limite dos bilhetes únicos - limite para o passageiro pagar apenas uma tarifa - , os ônibus sofrem problema de manutenção, os motoristas têm sobrecarga de horário e, estressados, provocam acidentes e rodam em alta velocidade.

Agora o poder está nas mãos de uma única pessoa, o secretário de Transportes Alexandre Sansão, que mais parece um "coronel" brincando de ser empresário de ônibus. Amarrar as empresas em consórcios e botar a mesma pintura, comprovadamente, não disciplina o transporte coletivo, dificulta o reconhecimento das empresas pelos passageiros comuns e favorece a corrupção e faz com que linhas de ônibus troquem de empresas às costas dos passageiros.

Algumas linhas já foram trocadas de empresas sem que os passageiros comuns soubessem, como a 296 Castelo / Irajá e as linhas que ligam o Méier à Barra da Tijuca. Em outros tempos, haveria transparência, com cada empresa apresentando sua identidade visual própria.

Mas, infelizmente, o golpe de 1964 chegou tardiamente à mobilidade urbana. Aliás, nem tão tarde. Jaime Lerner - que alguns consideram um "semideus" - é "filhote da ditadura" e já planejou seu projeto em Curitiba no auge do AI-5. E se os milicos naquela época gostavam de rasgar a Constituição Federal, Lerner rasgou a Lei de Licitações.

Mas teremos que esperar os problemas se tornarem mais claros para a população para a invalidade desse modelo de transporte seja descartado em todo o país. Ele favorece desde a corrupção política até o desmatamento, na medida em que áreas ambientais são destruídas para a construção de corredores exclusivos.

Só que ainda vivemos a fase de que, para uns poucos mas barulhentos busólogos, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Se eles não perdem seus familiares nos acidentes de ônibus, tudo está bem. O que importa para eles é que ninguém critique Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho, Alexandre Sansão, Detro, Turismo Trans1000 e Jaime Lerner.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

TRIBUNAL DE CONTAS QUESTIONA LICITAÇÃO DE ÔNIBUS NO RJ


De acordo com informações divulgadas no jornal O Globo, o Tribunal de Contas do Município identificou irregularidades na licitação adotada pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2010.

Das 41 empresas que foram aprovadas na formação de consórcios, apenas oito teriam respeitado as normas do edital de concessão. O parecer do TCM consta no relatório do conselheiro Antônio Carlos Flores de Morais, votado na última quarta-feira.

Segundo o relatório, foi estabelecido um prazo de 30 dias para que as secretarias municipais de Fazenda e Transportes esclareçam os problemas apontados no documento e expliquem quais as providências que serão tomadas. Já o Rio Ônibus, sindicato das empresas que operam no município do RJ, não se pronunciará a respeito antes de conhecer o teor do relatório.

Entre as irregularidades apontadas, está a formação do cartel nos consórcios, já que foram identificados o mesmo endereço do escritório-sede, o mesmo dia de abertura dos CNPJs das empresas e a escolha de um mesmo banco para as garantias financeiras das mesmas, que recorreram à esta instituição financeira no mesmo dia.

Segundo o relatório, doze empresários de ônibus aparecem como sócios de mais de uma empresa, e a reportagem aponta pelo menos dois deles, como sócios de mais de duas: Jacob Barata Filho (Alpha, Ideal, Transurb, Normandy, Saens Peña, Verdun e Vila Real)e Álvaro Rodrigues Lopes(City Rio, Algarve, Rio Rotas, Translitorânea e Andorinha)

As únicas empresas que respeitaram as normas de licitação foram a São Silvestre, Vila Isabel, Litoral Rio, Santa Maria, Âncora Matias, Paranapuan, Pavunense e Jabour. O que não significa que elas tiveram melhor desempenho operacional, já que várias delas também se tornaram, de uma forma ou de outra, deficitárias.

Neste blogue, já se constou a queda de qualidade dos ônibus da antes conceituada Matias, outrora conhecida por sua cor inteiramente verde e pelo seu excelente serviço. Nos entornos de Vila Isabel, Grajaú e Maracanã, nota-se que os ônibus da Matias "sacolejam" quando correm em alta velocidade, o que indica que a manutenção tornou-se mais rara.

O relatório, que também investiga irregularidades nos convênios entre Prefeitura, Rio Ônibus e convênios de custeio dos bilhetes únicos, além dos critérios adotados para os reajustes das tarifas, cita também um inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro, que se baseou em denúncias como a de que empresas deficitárias teriam sido aprovadas na licitação através da mudança de nome e razão social, como se nota nos casos da Rio Rotas (surgida das "cinzas" da Santa Sofia e Oeste Ocidental), Translitorânea (surgida das "cinzas" da Amigos Unidos) e City Rio (surgida das "cinzas" da Auto Diesel, Breda Rio e Via Rio).

PADRONIZAÇÃO VISUAL FERE LEI DE LICITAÇÕES

A reportagem de O Globo não faz menção à medida irregular da padronização visual. O fim das respectivas identidades visuais das empresas, além de desafiar as atenções de passageiros - sobretudo idosos, deficientes, gestantes, analfabetos, mas até qualquer um que esteja ocupado com outras coisas - , favorece a corrupção e, por isso, vai contra as normas da Lei de Licitações 8666/93.

As normas desrespeitadas são os artigos 11, relativa às exigências específicas do serviço e as condições locais, e 12, inciso II, que se refere à adequação ao interesse público. Quanto ao artigo 11, natureza própria do serviço de ônibus está na identidade visual como exigência determinante para a funcionalidade do sistema, e os passageiros costumam identificar um ônibus pelo seu visual personalizado.

Já o artigo 12, referente aos projetos executivos de obras e serviços, o inciso II se refere à funcionalidade e à adequação ao interesse público, fatores desrespeitados pela padronização visual. Não há a menor justificativa lógica para empresas de ônibus diferentes adotarem uma mesma pintura, coisa que só serve para dificultar as coisas, e não existe adequação ao interesse público, até porque as empresas deixam de exibirem suas identidades, sua identificação só é plena por parte de políticos, técnicos e busólogos "profissionais".

Também não se pode confundir a renovação de frotas, com ônibus de pisos baixos ou articulados e de motor de marcas suecas como "adequação ao interesse público", conforme erroneamente se alardeia para justificar a padronização visual das empresas de ônibus. Pelo contrário, a renovação de frotas é usada, no caso, com o mesmo caráter tendencioso que, em outros tempos, se fazia quando políticos em campanha distribuíam cestas básicas em comícios para atrair votos.

Pelo menos, um comentário de um leitor, Renan Almeida, questionou a prática, reconhecendo-a como nociva para a população. "As únicas coisas que mudaram foi a pintura (além de um tormento para os idosos e pessoas com deficiência de visão, um atentado a tradição de pinturas não-padronizadas) e a numeração de muitas linhas. Tudo para atrapalhar o usuário", escreveu.