sábado, 25 de julho de 2015

EXIBIR LOGOTIPOS PEQUENOS NÃO RESOLVE PROBLEMAS NA PINTURA PADRONIZADA


As reclamações em torno de confusão e omissão das identidades das empresas de ônibus na pintura padronizada não são resolvidas com a simples exibição de logotipos de empresas nas latarias e janelas dos ônibus, assim como seus nomes nos letreiros digitais.

A pouca informação das autoridades, que raciocinam o que chamam de "interesse público" através de simulações distantes da realidade através de programas de computador (Excel, Photoshop, Photopaint ou mesmo jogos como TheSims), não percebe que colocar logotipos de empresas de ônibus não diminui a confusão causada pela pintura padronizada.

Os logotipos de empresas não raro se perdem ao lado de logotipos de consórcios e de órgãos municipais ou metropolitanos e, além disso, na correria do dia a dia, as pessoas, ocupadas nos seus afazeres, não vão ficar paradas para diferir uma empresa de outra. Se pararem, perderão o ônibus e poderão até se atrasar no trabalho.

No caso dos letreiros digitais, a alternância de informações entre o enunciado da linha (número e destino do trajeto), algum detalhe de percurso (como, no Rio de Janeiro, uma linha para o Recreio que pegue a Via Parque) e até saudações como "Bom Dia" e efemérides tipo "Feliz Dia do Comerciário", fazem perder o tempo para a pessoa ver o nome da empresa no letreiro.

DE LONGE, OS ÔNIBUS PADRONIZADOS DE SÃO GONÇALO (RJ) CONTINUAM CONFUNDINDO MUITA GENTE, COM OS LOGOTIPOS REDUZIDOS A MEROS RABISCOS.

LÓGICA É A DO EXAME DE VISTAS

Deve fazer mal raciocinar dentro das quatro paredes de um escritório, gabinete ou colegiado. O tecnocrata se acha o dono da verdade, acha que está beneficiando a sociedade, e, quando vê a realidade questionando suas decisões, ele se irrita, procura ignorar e mantém seus pontos de vista que atropelam a vontade popular.

Eles não percebem que colocar logotipos para "amenizar" o impacto da pintura padronizada é inviável porque a situação se equipara exatamente ao exame de vista, como na imagem que ilustra esta postagem.

No exame de vista, coloca-se letras em tipos de tamanhos variáveis, de maneira que o paciente possa testar sua visão à distância ou num ângulo bem próximo. Quando as letras ficam distantes e bem menores, elas se tornam menos perceptíveis.

Isso se observa quando fica mais difícil pegar um ônibus ao vê-lo à distância. A burrice dos tecnocratas do transporte coletivo apenas imagina que só pegamos os ônibus quando eles estão perto e chegam à nossa frente no ponto de embarque.

Daí que eles ignoram que a pintura padronizada não tem qualquer vantagem, principalmente quando se refere à funcionalidade. A exibição de logotipos de empresas não elimina o problema, os ônibus continuam, de longe, todos iguais e os passageiros, na sua correria diária, ainda têm alto risco de embarcarem em ônibus errados.

PENDOTIBA DEMORA PARA TRANSFERIR INTERMUNICIPAIS PARA FROTA MUNICIPAL

NO ALTO, UM ÔNIBUS INTERMUNICIPAL DA PENDOTIBA, NO CENTRO O SEU SUBSTITUTO E, ABAIXO, COMO O CARRO DO ALTO FICARÁ PINTADO.

A pintura padronizada nos ônibus mostra uma de suas piores desvantagens. A Viação Pendotiba, que tinha maior rapidez de transferir carros da frota intermunicipal para a municipal, está demorando para transferir os carros do modelo CAIO Apache VIP II para as linhas locais de Niterói.

Além dos ônibus terem que ser repintados com as cores do consórcio Transoceânico, aumentando os custos de mudança de visual - antes bastava apenas apagar os espaços dos números antigos e substitui-los pelos novos carros - , a burocracia torna-se um outro malefício.

Afinal, não se trata apenas de mudar o registro do veículo dentro do controle da empresa operadora. Agora, esse ônibus precisa também ser registrado nos documentos do consórcio e também da Secretaria Municipal de Transportes de Niterói.

Com isso além de representar um maior gasto de dinheiro, a pintura padronizada representa também maior burocracia, e quem sai perdendo com isso são os passageiros, que levam tempo para as empresas terem uma renovação de frota mais rápida e eficiente.

terça-feira, 21 de julho de 2015

MORRE LUIZ PAULO CONDE, MENTOR DO MODELO CARIOCA DE SISTEMA DE ÔNIBUS HOJE VIGENTE


Morreu aos 81 anos, vítima de câncer na próstata, o arquiteto e ex-prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde, que governou a cidade entre 1997 e 2000. Ele era ligado ao mesmo PMDB carioca de Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

O PMDB carioca é marcado por sua vocação autoritária e inclinada a desprezar as leis, como se estivesse governando no Brasil da Era Geisel. E Luiz Paulo Conde foi um dos mentores do atual sistema de ônibus que faz o sofrimento e a infelicidade dos passageiros.

Conde queria implantar no Rio de Janeiro o mesmo projeto que seu colega paranaense, o arquiteto Jaime Lerner, fez na ditadura militar. Consiste em adotar medidas tecnocráticas para o transporte coletivo, adotando uma lógica militaresca que envolve da pintura padronizada nas empresas de ônibus ao trabalho opressivo dos motoristas de ônibus, vários deles acumulando funções de cobrador.

O projeto de Conde previa também a redução de ônibus em circulação nas ruas, uma medida claramente antipopular que causa um dos maiores problemas enfrentados pelos passageiros, que é a longa espera por um ônibus.

Conde é o segundo político ligado à intervenção estatal no sistema de ônibus do Rio de Janeiro. Em 10 de junho de 2014, Marcello Alencar, responsável por planejar a encampação dos ônibus cariocas, faleceu em decorrência dos efeitos de um acidente vascular cerebral.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

MORRE HOMEM ATINGIDO POR RODA DE ÔNIBUS NO RJ

GARAGEM DA PARANAPUAN, NA ZONA NORTE DO RIO.

Faleceu ontem, no hospital Quinta D'Or, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, o comerciante Ananias Henriques, de 64 anos, que foi atingido por uma roda que se soltou de um ônibus da Transportes Paranapuan que percorria a Linha Amarela.

Ananias sofreu lesões nos quadris, no pulmão e na cabeça, e estava em coma induzido até ontem, quando não resistiu aos ferimentos e faleceu. Ele era dono de uma farmácia. A empresa não se pronunciou sobre o acidente.

A Paranapuan simboliza a crise que sofre o modelo de transporte coletivo implantado em 2010, com o poder concentrado da Secretaria Municipal de Transportes e a adoção de medidas consideradas prejudiciais à população, como a pintura padronizada para as empresas, a dupla função do motorista-cobrador e a mutilação de linhas sob o rótulo de "alimentadoras".

O grupo político que decidiu por esse modelo é de Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão, Carlos Roberto Osório e outros. Eles são do PMDB carioca, o mesmo que é representado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o que mostra que a linha do partido no Rio de Janeiro é autoritária e antilegalista.

PARANAPUAN JÁ CHEGOU A RENOVAR BEM SUA FROTA, COM ÔNIBUS VOLVO DO MODELO CAIO MILLENIUM, HÁ QUINZE ANOS.

PARANAPUAN NÃO ERA EMPRESA RUIM

É certo que a Paranapuan prolongava a vida útil dos veículos, mas a empresa não era considerada das piores do Rio de Janeiro. É também certo que havia reclamações diversas, queixas, protestos, mas a empresa chegou a ter uma boa fase nos anos 80, quando renovava exemplarmente sua frota.

A empresa começou a decair por estar desestimulada a exibir sua identidade visual, medida proibida pelos autoritários políticos do PMDB carioca. Adotando uma pintura que a faz praticamente igual e confundível com outras como Verdun, Madureira Candelária e outras, a Paranapuan se desleixou e entendeu que, com o visual vinculado à Prefeitura do RJ, ela não precisa cuidar bem de sua frota.

A Paranapuan perdeu uma de suas linhas mais rentáveis, a 910 Bananal / Madureira, que foi incluída no esquartejamento de trajetos que o "método Eduardo Cunha" de mobilidade urbana fez para empurrar o uso do Bilhete Único. No seu lugar, criou-se a "alimentadora" 910A Bananal / Fundão.

Há dois anos, a Paranapuan se envolveu em um acidente num micrão, entre um motorista-cobrador e um passageiro, devido a problemas de troco. A discussão teria culminado em briga violenta que fez o motorista-cobrador perder a direção e causar a queda do ônibus, causando a morte de oito passageiros.

QUEDA DE ÔNIBUS DA PARANAPUAN GEROU TRAGÉDIA COM REPERCUSSÃO NACIONAL E INTERNACIONAL.

DESENTENDIMENTOS

O dono da Paranapuan também teve desentendimentos diversos com outros empresários ligados ao consórcio Internorte, o que revela o conflito de interesses que um grupo empresarial montado pelo poder público, que é o consórcio, expressa, e que pode trazer prejuízos para o sistema de transporte, com a falta de autonomia de cada empresa de ônibus.

O problema causado tanto pelo acidente de 2013 quanto pelo desta semana pode sugerir que somente as empresas de ônibus são irresponsáveis. Mas esses acidentes revelam a falência de um modelo em que a figura do Secretário de Transportes, em vez de fiscalizar o sistema, comanda com mãos de ferro o serviço.

Com um Rio de Janeiro marcado por uma sociedade provinciana - antes paradigma de modernidade, o Estado do Rio de Janeiro, inclusive sua capital, sofreu retrocessos diversos resultantes da Educação deficitária e da decadência de valores - a antes Cidade Maravilhosa hoje é palco de muitos atos violentos - , muitos não conseguem ver a diferença entre fiscalizar e mandar.

RODA SE SOLTOU DE UM ÔNIBUS DA PARANAPUAN QUE PASSAVA NA LINHA VERMELHA.

Daí que poucos percebem que o verdadeiro problema está na prepotência da SMTR, reflexo de uma prática política do PMDB carioca em que os políticos fazem o que querem com a população, cometem abusos de poder e ilegalidade, embora tentem dizer o contrário. Igualzinho ao que se vê com o deputado Eduardo Cunha no Congresso Nacional.

Autoritarismo não é o mesmo que fiscalização. E o SMTR impõe pintura padronizada, mutilação de trajetos, a "camisa-de-força" dos consórcios e o resultado são BRTs lotados, ônibus com lataria amassada (pode ser Paranapuan, Matias, Redentor, Real, Braso Lisboa ou São Silvestre, etc), porque segue a cartilha ditatorial do partido, que no Rio de Janeiro parece tratar o povo que nem gado.

Daí a superlotação dos BRTs com as linhas mutiladas. Daí as pessoas pegando ônibus errado por conta da pintura padronizada. Daí as rodas se soltando, os ônibus caindo em viadutos, ônibus da Zona Sul matando ciclistas, etc etc etc. A culpa de tudo isso é desse modelo decadente imposto há cinco anos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

MATEUS SOLANO FAZ PROTESTO CONTRA SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ


Uma mensagem publicada pelo ator Mateus Solano no seu perfil do Instagram expressa a indignação contra o sistema de ônibus do Rio de Janeiro, que havia piorado nos últimos anos. A mensagem, embora pareça previsível, sugere críticas ao modelo implantado em 2010 e atualmente vigente, que inclui pintura padronizada, mutilação de trajetos e dupla função de motorista-cobrador.

"Hoje andei de ônibus, coisa que há tempos não fazia. Foi bom pra matar saudades. A qualidade do transporte público realmente não melhora, só o preço que aumenta", escreveu Solano, ilustrando a mensagem com uma selfie tirada no interior de um ônibus.

Aparentemente, ele parece dizer que tudo está na mesma, mas o discurso do texto requer uma interpretação mais sutil: ele alegou "matar as saudades" de passear de ônibus, o que indica que ele achava o sistema razoável, apesar dos defeitos (bem menos do que os de 2010 para cá).

Além disso, o contexto da mensagem de Mateus Solano é que, se o sistema de ônibus do Rio de Janeiro vigente desde 2010 fosse satisfatório, ele não teria escrito a mensagem. Semanas antes, o casal Joana Prado e Vítor Belfort também fizeram seu protesto nas mídias sociais.

Outro aspecto é que esse modelo tecnocrático e autoritário de sistema de ônibus é um reflexo da natureza antipopular do PMDB carioca, através de políticos como Eduardo Paes, Luiz Fernando Pezão e Carlos Roberto Osório, não muito diferente da natureza arbitrária do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, outro peemedebista do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 31 de março de 2014

ORIGEM DO MODELO TECNOCRÁTICO DO SISTEMA DE ÔNIBUS COMPLETA 50 ANOS

ATUALMENTE, OS ÔNIBUS CARIOCAS USAM "FARDA". NINGUÉM PERCEBEU A RELAÇÃO DISSO COM A DITADURA MILITAR?

Pintura padronizada que extingue as identidades visuais das empresas de ônibus em prol de um visual único, variado apenas em poucos detalhes conforme o consórcio ou tipo de serviço ou área de bairros, imposto por prefeituras ou secretarias estaduais de transporte.

Sobrecarga horária de motoristas, que são obrigados a acelerar demais para cumprir os horários das linhas de ônibus, dentro de uma cidade em que cada vez mais o tráfego se congestiona e praticamente se paralisa nos horários de pico.

Corredores expressos para ônibus de BRT que derrubam áreas ambientais, prejudicam o comércio popular e obrigam muitos moradores de comunidades populares a, sob precária indenização, morarem bem longe de onde viviam.

Estes aspectos, além de muito sensacionalismo na compra de ônibus - com ar condicionado, articulados ou com motores possantes - , sem verificar questões como funcionalidade, mostram um modelo de sistema de ônibus que, embora atraente para muita gente, possui raízes nada democráticas.

Quem responder que tais raízes remetem à ditadura militar e ao golpe instaurado em abril de 1964, acertou. Embora muitos acreditem que o modelo tecnocrático de sistema de ônibus e de mobilidade urbana, adotado em cidades como São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza e, mais recentemente, no Rio de Janeiro, é "progressista", ele na verdade corresponde ao oposto disso.

A origem se deu em Curitiba, em 1974, através do prefeito de Curitiba, Jaime Lerner. A partir daí, empresas de ônibus deixaram de ter o direito (e o dever) de exibir suas identidades visuais para expor a imagem da prefeitura ou do governo estadual, enquanto autoridades lançavam ônibus "especializados" não por questão de funcionalidade, mas por puro sensacionalismo.

Jaime Lerner carrega a imagem de "urbanista progressista", mas não é mais do que um "filhote" da ditadura militar. Lerner foi político lançado pela ARENA (o partido que comandava a ditadura) e foi prefeito biônico (nomeado pelos generais) de Curitiba.

Lerner formou-se pela Universidade Federal do Paraná quando seu reitor era Flávio Suplicy de Lacerda, que depois foi nomeado pelo general Castelo Branco ministro da Educação. Flávio tornou-se conhecido por adotar medidas impopulares que causaram a revolta do movimento estudantil que se tornaram história.

O ex-reitor da UFPR, na condição de ministro da Educação do governo Castelo Branco, quis propor, entre outras coisas, a privatização do ensino superior público e a criação de uma entidade estudantil substituta da UNE e vinculada ao governo militar. Flávio também foi o ministro que estabeleceu acordos do MEC com a USAID, agência de investimentos do governo dos EUA.

Tal mestre, tal discípulo. Contrariando a imagem de "progressista", o Jaime Lerner que mostrava as avenidas dos sonhos em planilhas, maquetes e ilustrações era, fora do âmbito da "mobilidade", um privatista doentio, explorador das classes trabalhadoras, político corrupto e associado a medidas impopulares que degradaram o serviço público no Paraná.

Além disso, seu projeto de transporte coletivo causou mais prejuízos do que acertos, coisa que nem mesmo Carlos Lacerda, o abertamente reacionário jornalista e ex-governador da Guanabara. Lacerda havia criado um sistema de ônibus mais coerente e funcional do que Jaime Lerner, que ainda por cima foi recentemente condenado por improbidade administrativa.

Poucas pessoas entendem o porquê do projeto de Jaime Lerner ser tão antiquado. Mas os acidentes de ônibus, as pessoas pegando ônibus errados por conta da pintura padronizada, as populações protestando contra corredores exclusivos, tudo isso mostra o quanto o projeto tecnocrático só faz sentido mesmo em maquetes, desenhos e gráficos.

A realidade é muito mais cruel do que a fantasia lançada em computadores instalados em escritórios refrigerados.

segunda-feira, 24 de março de 2014

ÔNIBUS ENGUIÇADOS OU ACIDENTADOS E ATÉ COM PAINEL SEM IDENTIFICAÇÃO DE CARRO


Enquanto se anuncia a alteração de pontos de ônibus em Ipanema, para as obras do metrô na Zona Sul do Rio de Janeiro, e O Globo lança uma reportagem baseada em foto com a atriz Lucélia Santos pegando um ônibus, eis que irregularidades acontecem na Cidade Maravilhosa e até mesmo no outro lado da Baía da Guanabara.

No último fim de semana, foi observado o péssimo estado de conservação do carro C41384, da Real Auto Ônibus (frota do consórcio Transcarioca), na linha 315 Central / Recreio, via Linha Amarela. Com cinco anos de fabricação, o carro parece mais antigo, e sacolejava como nos antigos carros da recém-desativada Turismo Trans1000.

Mas o que se nota, também, é que o painel interno do referido veículo não apresentava qualquer tipo de identificação do número do carro. É comum também não haver identificação de carro nos tetos dos ônibus, assim como se deixa de identificar o número e o destino de linhas nos letreiros lateral e traseiro, seja de lona ou digital.

Um carro da Transportes Futuro chegou a circular, na última sexta-feira, entre o Itanhangá e a Barra da Tijuca, bastante lotado, sem apresentar qualquer identificação do número e do destino da linha, mesmo no letreiro digital dianteiro, num horário de grande movimento e demanda e num logradouro da importância da Av. das Américas.



Em Copacabana, como mostra a foto no alto deste texto, mostra um veículo da Transportes São Silvestre enguiçado, na altura da Rua Raul Pompeia, em Copacabana, já se preparando para ser rebocado pelo guincho da Intersul, o que mostra o quanto até guinchos e cabines também foram castigados pela padronização visual do prefeito Eduardo Paes.

A Transportes São Silvestre, antes empresa exemplar, também apresenta ônibus sucateados e com alguns amassos, algo que se tornou regra entre os ônibus cariocas. Nota-se que, mesmo num bairro como Copacabana, passam dezenas de ônibus que, juntos parecem um comboio de caminhões de entulho de tanto chacoalharem enquanto rodam, em alta velocidade.


No outro lado da Baía da Guanabara, houve um acidente com um ônibus da Santo Antônio Transportes, carro 2.2.061, considerado semi-novo - fabricado em 2011 - , que servia um dos ramais da linha 39 Piratininga / Centro e se dirigia, sem passageiros, ao Centro de Niterói.

O poste foi atingido e houve rumores de que a energia elétrica tivesse que ser cortada em todo o entorno do Jardim Icaraí para o conserto do poste, mas o corte foi apenas parcial. Apesar do sério acidente, não houve feridos.


E nada como lembrar um episódio com uma atriz para completar a tragicomédia. Pois recentemente a veterana atriz e produtora Lucélia Santos causou polêmica ao afirmar que é passageira de ônibus. A atitude, em si, é bastante correta, mas a julgar pelo estado do transporte coletivo no Grande Rio, ela já significa assumir riscos e transtornos.

Nota-se que a reportagem de capa da Revista O Globo de ontem não mencionou em um momento sequer os nomes das empresas. Os coitados dos entrevistados já tinham a trabalheira de mencionar os números das linhas, e um deles reclamou da mudança do código de um ramal da linha 233 (Rodoviária / Barra da Tijuca) para 302.

A pintura padronizada não foi questionada, aparentemente, mas pelo tom da reportagem podemos inferir que a medida nem de longe está sendo apoiada pela população. Pelo contrário, ela traz desvantagens, incômodos, transtornos, confusão. A população apenas "aceita", um hábito "herdado" das imposições da ditadura militar.

A própria Lucélia havia pego ônibus da Tijuca e da Barra da Tijuca, mas na foto ela posa provavelmente diante de um ônibus da Real Auto Ônibus, que geralmente liga a Zona Sul e a Barra da Tijuca a bairros do Centro, de São Cristóvão / Maracanã e do Parque União / Maré.

Tudo virou confusão, transtornos, irregularidades. E os passageiros ainda vão ter que se deslocar para outros pontos, porque Ipanema virou um canteiro de obras. Esse é o modelo de mobilidade urbana e transporte coletivo feito por pessoas que não usam ônibus, não sabem o que é interesse público e mais parecem governar para riquinhos de Barcelona prestes a visitar o Rio de Janeiro.