terça-feira, 7 de janeiro de 2020

MOVIMENTO PASSE LIVRE DEVERIA LUTAR CONTRA PADRONIZAÇÃO VISUAL


Os recentes protestos contra o aumento das tarifas de ônibus de São Paulo, organizado pelo Movimento Passe Livre, tirou o grupo do limbo, depois que os acontecimentos derivados do golpe político de 2016, ou mesmo precedentes como as jornadas de Junho de 2013, fizeram o grupo ser confundido com o Movimento Brasil Livre, surgido há sete anos.

O MPL reassumiu uma pauta progressista e continua se manifestando, desta vez contra o reajuste no valor de R$ 4,30 para R$ 4,40. O grupo reivindica transporte gratuito para estudantes e também luta para que seja investigada a corrupção político-empresarial envolvendo sistemas de ônibus.

A atuação é louvável, mas o Movimento Passe Livre comete um gravíssimo erro de não lutar contra a pintura padronizada nos ônibus, tida como uma "verdade absoluta" para o setor. Entendida como um suposto meio de disciplinar os sistemas de ônibus, através de uma lógica moralista e militar vinda do período ditatorial, a pintura padronizada nos ônibus causa dor de cabeça para os passageiros na hora de pegar um ônibus para ir ao trabalho.

Passageiro de ônibus não é turista para ficar pegando ônibus errado a todo momento e gastar Bilhete Único como se estivesse na Disney. Há pessoas ocupadas com o que fazer no trabalho, gente estudando para concursos públicos e provas escolares, gente cheia de compromissos pessoais, gente com muitas contas a pagar, e elas ainda são obrigadas a diferenciar um ônibus de outro, porque todos têm pintura igualzinha.

A ocultação da identidade visual de cada empresa de ônibus, além de aumentar drasticamente os custos das passagens - na Grande Belo Horizonte, isso reflete na hora de uma empresa transferir ônibus semi-novos de uma cidade para outra ou de uma zona para outra na capital mineira - , principalmente se considerarmos a burocracia política para liberar um ônibus novo, ela permite a corrupção político-empresarial que beneficia os envolvidos e precariza o serviço.

Cidades como Florianópolis, São Paulo, Curitiba e Brasília contam com casos de corrupção que se agravaram sob a lona dos ônibus visualmente padronizados. Os escândalos só não vêm a público porque seus empresários acabam "negociando" com a grande imprensa para, ao menos, minimizar a situação, só noticiando matérias "mornas" para fingir imparcialidade, escondendo casos mais graves.

O transporte se mediocriza sob o aparato dos ônibus padronizados e as renovações de frota se retardam, porque precisam da burocracia que inclui autorização das secretarias de transportes, que viraram dublês de gestoras de empresas de ônibus - sob a máscara política dos "consórcios" - , para renovação de frotas. Enquanto isso, irregularidades podem ser permitidas, como deixar que a documentação fosse vencida, em certos casos.

O que o Movimento Passe Livre deve fazer é encampar a luta contra os "ônibus iguaizinhos" e pedir que cada empresa de ônibus tenha sua própria identidade visual, porque é somente isso que deixará o transporte coletivo mais transparente. Liberar a diversidade de pinturas, com cada empresa de ônibus exibindo seu respectivo visual, não acaba com a corrupção no setor, mas permitirá ao passageiro comum a facilidade de identificar a empresa deficitária, em qualquer aspecto.

Portanto, esperamos que o MPL passe a lutar contra a pintura padronizada nos ônibus, em suas próximas manifestações. Isso é de máxima urgência, porque envolve o interesse público.

domingo, 5 de janeiro de 2020

DELAÇÃO DE EX-PRESIDENTE DA FETRANSPOR DENUNCIA EDUARDO PAES


Pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, o ex-titular do cargo Eduardo Paes é acusado de envolvimento em esquema de propinas da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes do Estado do Rio de Janeiro), segundo delação do ex-presidente da entidade, Lélis Teixeira.

As denúncias também citam o atual prefeito, Marcello Crivella, mas apontam que o grosso da corrupção ocorreu justamente na gestão do ambicioso Paes, que atravessou eventos esportivos realizados no Estado, como parte da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas Rio 2016.

É claro que acabar com a pintura padronizada nos ônibus não resolve em momento algum a corrupção no setor, mas é justamente confundindo diferentes empresas de ônibus com uma mesma identidade visual que se facilita, ainda mais, a corrupção, quando a sociedade perde a noção de identificação visual que poderia diferir uma empresa de ônibus de outra e permitir o reconhecimento de empresas deficitárias.

E foi essa lógica que Eduardo Paes, que não mediu escrúpulos de ofender os imigrantes e descendentes de portugueses quando, citando uma pintura verde-marrom da Braso Lisboa, criticou a diversidade de pinturas dos ônibus cariocas, teria promovido o esquema de corrupção com os empresários de ônibus.

Segundo Lélis Teixeira, houve um esquema de "caixa dois" que repassou a empresários, entre 2010 e 2016 - época das duas gestões de Paes - um valor estimado em R$ 500 milhões. Pelo menos treze vereadores e outros ex-vereadores teriam também sido beneficiados pelo esquema.

Nessa época, medidas antipopulares para os passageiros de ônibus haviam sido adotadas, como a pintura padronizada nos ônibus municipais. A medida criou um "modismo" que se estendeu em cidades da Região Metropolitana, como Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Campos e Araruama, causando dor de cabeça para os passageiros que já precisam pagar suas contas, estudar para concursos, planejar trabalhos e ainda precisam redobrar a atenção para não pegar o ônibus errado.

Não bastasse isso, outras medidas nocivas vieram. Chegou-se a haver o fim da ligação Zona Norte-Zona Sul e o encurtamento de linhas de ônibus, prejudicando diversos passageiros. Uma passageira chegou a ser assaltada porque esperava o segundo ônibus para voltar para casa. A medida teve que ser revertida através de uma ação judicial, que não viu critérios técnicos para sua implantação.

Na época do fim da ligação Zona Norte-Zona Sul

O legado de Eduardo Paes foi a extinção de empresas importantes como Auto Viação Bangu e Transportes São Silvestre, diminuindo a quantidade de empresas de ônibus e sobrecarregando as já existentes. O serviço piorou consideravelmente e os passageiros reclamam da demora em várias linhas, antes com serviço exemplar, ainda que com eventuais imperfeições.

Por ironia, é justamente o legado de Eduardo Paes que impede que as empresas de ônibus invistam na despadronização visual, porque o ex-prefeito, famoso pelo pretenso populismo falsamente desenvolvimentista, praticamente promoveu a quebradeira das empresas, com o desvio de dinheiro para uma elite de empresários do setor.

Isso faz com que as empresas não tenham dinheiro suficiente para acelerar a repintura e a substituição dos carros, e mesmo empresas como a Viação Acari, que chegou a renovar frota de três em três anos, ainda tem que se virar com ônibus que estão com dez anos de fabricação.

sábado, 21 de dezembro de 2019

BUSÓLOGOS AGRESSIVOS PERDEM O CARTAZ NO HOBBY


É inútil combinar falso vitimismo com sentimento de vingança. Uma parcela de busólogos agressivos, que havia espalhado baixarias e mensagens de intolerância e até envolvidos em blogues de difamação e ofensas - já denunciados à Polícia Federal, por meio do SaferNet - , perdeu o cartaz, abrindo para uma geração mais civilizada de busólogos. Apenas os veteranos que agem de forma respeitosa continuam se destacando na Internet.

Mesmo num cenário favorável a brutalidades nesse sentido, que é o governo de Jair Bolsonaro - que esses busólogos, antes de todo mundo, apoiaram abertamente - , os busólogos mais agressivos, já apelidados de "brutólogos", acabam também pagando a conta da truculência.

Tornou-se inútil fingir bom-mocismo, nas feiras de transporte e mobilidade urbana do país, falar mansinho nos vídeos publicados nas redes sociais, falar com outras pessoas de maneira tranquila e alegre e, nas redes sociais, ficar agredindo os outros e usar pseudônimos para criar páginas ofensivas, gastando o tempo que deveria ser para publicar novas fotos de ônibus.

No Rio de Janeiro, onde houve casos mais típicos de truculência busóloga - sobretudo quando o projeto de sistema de ônibus de Eduardo Paes prometia cargos de assessores na SMTR de Alexandre Sansão, o que impulsionou as brigas dentro do hobby - , era comum o falso vitimismo de busólogos que, quando denunciados, bradavam querendo saber quem é que os denunciou. Diz a anedota que eles eram capazes de crucificar novamente Jesus Cristo se ele fosse autor das denúncias.

A dissimulação tem limites e houve um caso de um busólogo que agrediu todo mundo, espalhou que "sentia nojinho" de fulano e sicrano, criou blogues de ofensas para todo mundo - ele começava ofendendo apenas busólogos emergentes, mas a ideia seria humilhar os grandes, também - e, de tanto ir a Niterói na tentativa de ameaçar desafetos, acabou, na verdade, se espondo a milicianos que fazem ponto na área do antigo Carrefour e que tinham vendedores ambulantes como informantes.

Outros busólogos ficavam xingando os outros de "seu m****" e tinha até um com apelido de fritura, que tentou fazer ofensas até na lista de mensagens do Ônibus Brasil, frustrado com a sua perda de cartaz no hobby.

A antiga autoconfiança que fazia os busólogos mais agressivos sentirem o gosto da impunidade e a falar grosso sempre quando estão encrencados não os impediu de sofrer o desgaste e a desmoralização que os atingem.

Afinal, desrespeitar os outros acaba até mesmo com antigas grandes reputações. De que adianta ser o maioral na busologia se tem pavio curto e fica ameaçando os outros? Além disso, escrever ofensas e xingações nas redes sociais e perder tempo com blogue de ofensas e difamações gera um preço muito caro.

No primeiro momento, o busólogo raivoso acha que as redes sociais são vasos sanitários para despejar seus entulhos mentais contra quem não pensa igual a ele. Mas depois esse busólogo é desmascarado, ele dá piti mas é tarde demais, ele acaba sendo alvo de ódio até daqueles em que ele buscava se apoiar e, traumatizado, ele corre contra o tempo para apagar as mensagens violentas que publicou, depois que cópias delas estão nas mãos de internautas desafetos e até agentes de polícia.

Além disso, o reacionarismo desses busólogos acabou espondo suas posições fascistas e antipopulares defendendo a pintura padronizada nos ônibus do Brasil, que confunde os passageiros comuns na hora de pegar ônibus, a redução de frotas de ônibus em circulação, que obriga os passageiros a ficar mais tempo esperando um veículo, e a dupla função motorista-cobrador, que sobrecarrega o trabalho dos motoristas.

E aí não adianta, da mesma forma, defender posturas antipopulares e inventar que "o povo apoia isso". A falsidade e a agressividade dessa parcela de busólogos contribui mais ainda para agravar o preconceito contra o hobby, bem mais do que o simples fato de curtir ônibus, e um pouco mais de humildade é necessário, assim como o respeito humano.

Também não se pode fazer "humildade de fachada" enquanto agride os outros nos bastidores. E também não se pode pedir respeito dos outros se a outros não se dá esse respeito. É por isso que os busólogos mais agressivos estão perdendo o cartaz e, se eles continuarem com a agressividade, serão obrigados a arcar com as consequências, porque nenhum agressor mantém sua situação sob controle por muito tempo. Respeito é bom e todos gostam. Até mesmo na busologia.

segunda-feira, 11 de março de 2019

A LAMENTÁVEL AGRESSIVIDADE DE BUSÓLOGOS FRUSTRADOS

DO JEITO QUE COMPORTAM, CERTOS BUSÓLOGOS DEVERIAM MUDAR O HOBBY E SE TRANSFORMAREM EM "CAMBURÓLOGOS".

Infelizmente, uma minoria de busólogos do Rio de Janeiro anda querendo se promover atropelando os demais busólogos. Despejam mensagens ofensivas nas redes sociais, que começam por comentários do tipo "suas fotos não prestam" e depois investem em ações mais agressivas, criando "efeitos manada" e depois indo para as ruas tentar intimidar seus desafetos.

Esses busólogos não são apenas emergentes fracassados. Há busólogos que são ex-membros ou mesmo membros de grupos conhecidos, mas que não conseguem ter protagonismo no hobby e, por isso, tentam se ascender ofendendo os outros, como se estivesse se livrando de concorrentes. São busólogos frustrados, embora tenham relativo privilégio e um certo cartaz no meio.

O grande problema é que esses busólogos agressivos - já chamados de "burrólogos" e "brutólogos" ou "busólogos de Neanderthal" - vivem iludidos na impunidade e, por usarem seus computadores pessoais em casa, se acham protegidos de qualquer consequência que viesse contra eles.

Daí que eles são muito insistentes e rápidos em suas réplicas. Se eles são contestados, eles rebatem imediatamente. Se são advertidos, gracejam e esnobam. Se são criticados, devolvem com agressão. Em casos extremos, criam páginas de ofensas e difamação, e visitam as cidades onde moram seus desafetos para intimidá-los e fazer ameaças.

Só que ninguém agride sem provocar consequências drásticas. Por sorte, um busólogo da Baixada Fluminense que passou a agredir busólogos emergentes no desespero de obter protagonismo, ao visitar tanto o Centro de Niterói para intimidar desafetos emergentes na busologia, não chegou a ser reconhecido por milicianos que se escondem nos estacionamentos próximos ao antigo Carrefour.

As milícias, de Niterói, São Gonçalo e Maricá, estariam controlando a "máfia das vans" que serve a área e, vendo de longe um busólogo de aparência viril tirando fotos, eles o observavam achando que seria um miliciano rival querendo "tirar tempo" com a área. Essa constatação, dada por um busólogo do município do Rio de Janeiro, que pede para não ser identificado, inclui também o fato de que vendedores ambulantes do entorno do antigo Carrefour também são informantes desses milicianos.

Ou seja, o busólogo encrenqueiro, que nas redes sociais ofendia busólogos emergentes com o papo do "nojinho", que criou página de "comentários críticos" - denunciada no SaferNet, página dedicada a investigar crimes na Internet - e fez "visitas-ostentação" em Niterói, quase foi pego pelas milícias por ter uma aparência semelhante a de um miliciano, apesar de um jeitão mais "irreverente", que certamente não convenceria os potenciais algozes.

Hoje é outro busólogo que anda realizando ataques, e cujo apelido é de nome de fritura. Integrante de um grupo, ele não consegue obter protagonismo e está buscando crescimento pessoal pisando nos outros, atacando busólogos emergentes de maneira gratuita, similar a do outro encrenqueiro. Seu apelido remete à sua fama de esquentado no meio, e dizem que ele é capaz de brigar com seus próprios aliados.

Ofender os outros não é bom, e o valentão da ocasião não pode se iludir achando que pode tudo. Até certo ponto, ele pode rir, gracejar e esnobar qualquer um que lhe avisar que seus atos agressivos podem trazer consequências negativas. Nessa ocasião, o busólogo encrenqueiro pode se achar no controle de qualquer situação, mas como surpresas existem, haverá um momento em que esse valentão não terá controle de seus atos.

Isso sempre ocorre na vida. Pessoas agressivas ameaçam, mas depois o feitiço vira contra o feiticeiro. O busólogo agressor de um tempo não vai ficar se passando por santinho nas exposições de ônibus no Rio de Janeiro e no resto do país, enquanto apronta das suas nas redes sociais. Chega um momento em que ele é desmascarado e será banido de qualquer evento busólogo.

Não adianta o agressor demonstrar um misto de vitimismo com senso de vingança, porque sua agressividade e a de seus pares fez a busologia do Rio de Janeiro ter má fama no resto do Brasil. O cara vai se irritar e ficar perguntando quem o denunciou, mas a verdade é que esse busólogo deveria olhar para si mesmo, em vez de ficar culpando quem denunciou suas atrocidades.

Não se pode ser um agressor triunfante o tempo todo. Em dado momento, o valentão perde tudo, e não vai poder escrever comentários esnobes, fazer represálias ou coisa parecida, enquanto acredita que está protegido quando usa seu computador em casa.

Num dado momento, suas atrocidades chamarão a atenção da polícia, que pode entrar em casa e levar o computador do agressor, se ele for longe demais com seus abusos. Mas, mesmo que isso não ocorra, o agressor sofrerá alguma consequência drástica pelos seus atos abusivos, mesmo que seja apenas seu descrédito dentro da busologia.

Por isso, é sempre bom tomar cuidado com as linguagens e atitudes. Ninguém cresce na vida ofendendo os outros. A busologia tem um número enorme de adeptos e o busólogo frustrado que quer obter protagonismo ofendendo os outros só construirá sua ruína, e, como aconteceu com outro busólogo agressivo, uma caravana teve que ser cancelada porque ninguém quis pegar o ônibus alugado por um valentão.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

PRISÃO DE PREFEITO DE NITERÓI ENVOLVE SISTEMA DE ÔNIBUS PADRONIZADOS


A prisão, na manhã do último dia 10 de dezembro, do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, surpreendeu até quem não gostava dele. Embora feita sob os critérios tendenciosos e irregulares da Operação Lava Jato, que aqui opera no seu desdobramento chamado Operação Alameda, a prisão desmoraliza todo um esquema de politicagem envolvendo ônibus e simbolizado pela pintura padronizada que confunde os passageiros e oculta as empresas deficitárias.

Rodrigo Neves não implantou os tais "ônibus iguaizinhos". Seu antecessor, Felipe Peixoto - que pode ser conhecido jocosamente como Felipe Transnit - , implantou o esquema, sob a alegação de que "era necessário tirar o vínculo de imagem das empresas". Sabe-se que a medida, na verdade, corrompe o processo de concessão de serviço de ônibus, porque a Prefeitura de Niterói concede as linhas mas fica com a supremacia de imagem, o que é desvantajoso para os passageiros.

A prisão de Rodrigo Neves se deu através de uma delação premiada do empresário Marcelo Traça, também preso pela operação e que já esteve em cargos de comando na FETRANSPOR e SETRERJ. Segundo o delator, Rodrigo e e o ex-secretário municipal de Obras e Infraestrutura e ex-conselheiro de administração da Nittrans, Domício Mascarenhas de Andrade, integravam um esquema de corrupção.

Os dois faziam parte de uma organização criminosa que solicitou vantagens indevidas e desviou recursos públicos decorrentes dos contratos de concessão em proveito próprio. Rodrigo e Domício atuavam junto com os empresários João Carlos Felix Teixeira, presidente e sócio-administrador do Consórcio Transoceânico, e João dos Anjos Silva Soares, presidente do consórcio Transnit. Teixeira é ligado à Viação Pendotiba e Soares, à Auto Lotação Ingá.

Marcelo Traça também intermediava os contatos. As reuniões ocorriam desde 2014 até poucos dias atrás, e eram realizadas em restaurantes, shoppings e na própria sede da SETRERJ, que os envolvidos conheciam como "alameda".

Conforme a denúncia, a denúncia, os empresários exerciam a função de recebimento e arrecadação, de cada empresa integrante dos consórcios Transoceânico e Transnit, os valores relativos ao percentual ilícito para repasse aos agentes públicos. Eles faziam a transferência de pacotes de dinheiro vivo para uma mochila que era levada por Domício, considerado braço financeiro do esquema. Traça, por sua vez, fazia a intermediação entre os processos político e econômico.

Outro empresário que prestou depoimento foi Renato Pereira, outro réu colaborador, ao qual, segundo sua denúncia, o prefeito Neves pediu o pagamento de despesas de campanha da sua reeleição por meio de caixa dois. Pereira ainda afirmou que Domício teria mencionado a possibilidade de efetuar pagamentos utilizando o dinheiro da propina arrecadado junto aos empresários do ramo de transportes da cidade.

Segundo apontam os cálculos dos investigadores, entre os anos financeiros de 2014 e 2018, o município de Niterói, a título de gratuidade, pagou o montante de R$ 28.857.761,66 em favor do consórcio Transoceânico e R$ 26.054.058,01 em favor do consórcio Transnit.

Do percentual de retorno de 20% praticado a título de propina aplicável sobre o valor total dos recursos públicos liquidados e pagos, a organização criminosa integrada pelos denunciados recebeu, no intervalo temporal de apenas quatro exercícios financeiros, a quantia de pelo menos R$ 10.982.363,93, desviada do erário do município.

Os denunciados estão sujeitos às penas do artigo 2 §2º, II e IV da Lei 12.850/13 e dos artigos 317 e 333 do Código Penal, respectivamente, pelos crimes de organização criminosa e contra a Administração Pública, sobretudo, corrupção ativa e passiva.

O Ministério Público do Rio de Janeiro também requereu, junto à Justiça, a fixação de multa para reparação dos danos causados de, no mínimo, R$ 10.982.363,93. O Tribunal de Justiça ainda acolheu requerimento ministerial e determinou a suspensão do exercício das funções públicas dos acusados Rodrigo Neves e Domício Mascarenhas.

Atualmente exerce a Prefeitura de Niterói o presidente da Câmara Municipal, Paulo Bagueira, em governo interino. O caso está sob investigação e ainda se analisará o futuro político de Rodrigo Neves. O MP-RJ também investiga se o esquema de corrupção também está relacionado com os aumentos das passagens de ônibus, atualmente com valor padrão de R$ 3,90.

A lição para esse episódio traz mais uma vez o problema que é o sistema tecnocrático de ônibus, em que o poder político e os empresários de ônibus atuam de forma promíscua, com secretários de Transportes concentrando poder no serviço enquanto o empresariado obtém vantagens políticas abusivas. Perdem os passageiros, num esquema em que uma mesma pintura esconde as identidades das empresas, para evitar ou dificultar o reconhecimento do povo.

(Com informações do jornal O Fluminense)

quinta-feira, 26 de julho de 2018

RIO DE JANEIRO OFICIALIZA FIM DA PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS

A DIVERSIDADE VISUAL DOS ÔNIBUS ERA UMA MARCA DA ROTINA URBANA DOS CARIOCAS. IMAGEM CAPTURADA DA ABERTURA DO FILME A DAMA DO LOTAÇÃO (1978), DE NEVILLE DE ALMEIDA.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A Prefeitura do Rio de Janeiro regulamentou o fim da pintura padronizada nos ônibus e afirmou que em 90 dias virão novos 150 ônibus com pintura variando por empresa. Os ônibus já estão sendo produzidos nas fábricas, e serão apresentados em breve.

Rio de Janeiro oficializa fim da padronização visual dos ônibus

Por Adamo Bazani - Diário do Transporte

A Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro oficializou nesta segunda-feira, 23 de julho de 2018, o fim da atual padronização das pinturas dos ônibus municipais. A resolução 2999, publicada hoje, revoga outra de 15 de outubro de 2010, que determinava as pinturas por consórcios.

A pasta cita o acordo entre prefeitura e empresas de ônibus, que englobou o reajuste da tarifa para R$ 3,95, renovação de frota e as pinturas.

“Os termos e condições pactuados pelos signatários dos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transporte de Passageiros por Ônibus – SPPO/RJ, que resultaram na assinatura do Termo de Conciliação firmado entre o Município do Rio de Janeiro e os Consórcios delegatários do serviço”.


O Diário do Transporte já havia noticiado a possibilidade do fim da padronização, quando ocorreu o anúncio de 150 ônibus novos em 90 dias. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2018/07/12/prefeitura-do-rio-de-janeiro-promete-entrega-de-150-onibus-em-ate-90-dias-e-divulga-nova-padronizacao-de-cores/

A secretaria ainda vai publicar nova regulamentação sobre a padronização visual da frota, para estabelecer o novo padrão de identificação visual.

Pela assessoria de imprensa, a secretaria disse que ainda trará novas informações.

“A mudança [da padronização visual] havia sido anunciada pelo prefeito e agora passa pelos trâmites, conforme publicação no Diário Oficial desta segunda-feira. Qualquer nova informação sobre o assunto será divulgada oportunamente.”
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

segunda-feira, 16 de julho de 2018

PREFEITO MARCELLO CRIVELLA ANUNCIA FIM DOS ÔNIBUS PADRONIZADOS

OS ÔNIBUS "IGUAIZINHOS" CONFUNDIAM OS PASSAGEIROS E O ESCONDE-ESCONDE VISUAL DAS EMPRESAS NÃO GARANTIA TRANSPARÊNCIA NO SERVIÇO.

Demorou, mas veio. O anunciado fim da pintura padronizada nos ônibus foi anunciado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcello Crivella, segundo notícia veiculada no jornal Extra. O esconde-esconde das empresas de ônibus, que por pouco não se estendeu ao sistema do DETRO, será desfeito aos poucos.

Segundo Crivella, a próxima compra de 150 novos ônibus já virá com a novidade de ter variação de cor por cada empresa. Essa renovação ocorrerá num prazo de 90 dias e a pintura padronizada tem prazo de desaparecer até 2020.

Os novos ônibus também virão com serviço de Wi-Fi e carregador de celular - medida que causa controvérsia na população, devido aos assaltos nos ônibus - e o fim da pintura padronizada pode em breve afetar diretamente os sistemas de ônibus de Niterói, São Gonçalo e Nova Iguaçu, cidades do Grande Rio que também adotaram a medida.

Não se sabe qual o impacto que o fim da pintura padronizada terá no resto do Brasil. Provavelmente, essa medida também poderá refletir em cidades que recentemente imitaram a iniciativa carioca, como Recife, Florianópolis e, no Estado do Rio de Janeiro, Campos, Teresópolis e algumas cidades da Região dos Lagos (Araruama e Cabo Frio).

A pintura padronizada foi imposta, sem consultar a população e com uma votação parlamentar "às escuras", pelo prefeito Eduardo Paes e seu secretário de Transportes, o tecnocrático Alexandre Sansão. A medida, oriunda da ditadura militar, está em velhos paradigmas de transporte e mobilidade urbanas trazidos pelo prefeito biônico de Curitiba, o também arquiteto Jaime Lerner, hoje apoiador do governo Michel Temer.

A medida do prefeito Paes foi feita visando chamar a atenção do turismo durante os eventos esportivos da Copa de 2014 (sediada no Brasil e, em parte, no Rio de Janeiro) e nas Olimpíadas Rio 2016. A ideia era fazer uma propaganda da Prefeitura do Rio de Janeiro através do outdoor político da pintura padronizada, em que o nome da cidade aparecia com mais destaque do que o da empresa de ônibus.

A medida foi impopular desde o começo, mas havia uma certa resignação da população. Uma minoria de busólogos do Rio de Janeiro passou a defender a medida e usou as redes sociais para forçar um apoio maior aos ônibus padronizados (definidos pelas iniciais PP - pintura padronizada), sem medir escrúpulos em escrever ofensas violentas e até ameaças.

Uma parcela de busólogos influentes se desmoralizou com esse abuso moral. Um deles chegou a criar um blogue de ofensas intitulado "Comentários Críticos", que saiu do ar depois de denunciado ao portal SaferNet (que recebe denúncias de crimes virtuais). O suspeito de fazer esse blogue tentou, sem sucesso, promover uma caravana de busologia, mas, desmoralizado, teve que cancelar o evento e tirar satisfações com a empresa que seria contratada.

Era comum essa parcela, arrogante e agressiva, o que antecipou a onda de ódio na Internet em relação a diversos outros assuntos, usar comentários clichês. Xingações contra quem discordava dessa minoria geralmente usavam a expressão "seu m****" ou "viúvas de latas de tinta".

A agressividade desses busólogos - que chegaram a invadir uma petição contra a pintura padronizada para despejar comentários grosseiros e baixarias ofensivas - repercutiu no país e frustrou outros movimentos busólogos, que passaram a ver nos busólogos cariocas um "bando de brigões". O vitimismo fingido dos busólogos agressores não convenceu e hoje a busologia repercute mais com adeptos mais novos, desprovidos da intolerância de alguns veteranos.

A pintura padronizada também não foi incluída na pauta de protestos do Movimento Passe Livre, que perdeu a oportunidade de usar esse problema para se projetar. Com isso, o MPL se enfraqueceu, na mera luta prosaica das passagens de ônibus, sem saber que, com a pintura padronizada ocorre o risco de pegar o ônibus errado e, numa cidade com trânsito congestionado que é o Rio de Janeiro, nem o Bilhete Único salva.

Um exemplo é que, se a passagem de ônibus deixa de custar R$ 3,80 para voltar a ser R$ 3,40, a pintura padronizada traz o risco do alto custo, pois, pegando um ônibus errado e perdendo o tempo do Bilhete Único, a passagem será de R$ 6,80, duas vezes R$ 3,40, não adiantando pedir a redução da tarifa. Diante dessa omissão de causa, o Movimento Passe Livre foi ultrapassado pelo seu clone, mais canastrão porém com mais visibilidade, o Movimento Brasil Livre.

Diante desses incidentes, a pintura padronizada ainda tentou prevalecer quando a mídia tentava inserir os ônibus com embalagem de remédio na paisagem carioca. O visual - que lembra a embalagem do remédio Buscopan - também mostrava um aspecto de sujo e velho, devido à cor cinzenta do fundo.

A pintura padronizada fez as relações entre empresas de ônibus e consumidores se tornarem confusas, além de criar uma crise de responsabilidade. Afinal, ninguém conseguia saber se os ônibus eram administrados pelo Estado ou por empresas particulares, e uns acusavam outros de influir pela decadência do setor.

Outro aspecto a considerar é que a pintura padronizada representou violações da lei, influindo em infrações previstas pela Lei de Licitações (8.666/93), com a concessão de transporte público não refletindo na identificação visual de empresas concessionárias e pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) na qual se aproveitava da desinformação da população para impor pintura padronizada em troca de supostos benefícios (como ônibus articulados e pistas exclusivas para BRT).

Há também o caso da poluição visual que, desmentindo a queixa do então prefeito Eduardo Paes - que a diversidade visual "poluía" visualmente o Rio de Janeiro -  , se reflete na pintura padronizada, onde em muitos casos há excesso de logotipos - do consórcio, do poder político correspondente, da secretaria, do tipo de ônibus etc - que "poluem" os ônibus, como no caso da cidade de São Paulo.

Ou então há o aumento de custos de transferência de ônibus de uma mesma empresa de um sistema de linhas para outro, causando burocracia e gastos desnecessários de plotagem só para transferir, por exemplo, ônibus semi-novos de linhas intermunicipais para municipais. Na Grande Belo Horizonte, uma mesma empresa pode ter até seis pinturas diferentes, o que já causou problemas na transferência de carros semi-novos de algumas linhas para outras.

Com o padrão de sistema de ônibus imposto em 2010 - que incluiu também a dupla função do motorista-cobrador e o esquartejamento de itinerários visando a supervalorização do Bilhete Único e as baldeações que faziam perder tempo e forçar o passageiro a viajar em pé no segundo ou terceiro ônibus - , os acidentes de ônibus aumentaram assustadoramente, causando dezenas de mortos e centenas de feridos. Até uma produtora da TV Globo morreu atropelada por um ônibus.

Crivella pretende desfazer esse modelo, aos poucos. Há uma ação judicial pedindo para que a dupla função do motorista-cobrador seja cancelada, o que está causando muita polêmica pelo fato de que isso irá influir nos preços das passagens.

Há muito o que fazer, mas o fim da pintura padronizada já será um avanço. E tende a ser, mesmo a longo prazo, o fim de uma visão, ainda dominante mas originária da ditadura militar, que vende como "verdade absoluta" a ilusão de que o sistema de ônibus só evolui em função de um visual único imposto pelo poder público e com ênfase no logotipo de governos municipais e estaduais.