quinta-feira, 16 de junho de 2016

RETROCESSOS DO GOVERNO TEMER FORAM "ANTECIPADOS" PELA MOBILIDADE URBANA NO RJ

O PREFEITO DO RIO DE JANEIRO, EDUARDO PAES, E O PRESIDENTE INTERINO, MICHEL TEMER. PAES ESTABELECEU UM SISTEMA INTEGRADO... 

Os retrocessos políticos e sociais que culminaram no governo interino do presidente Michel Temer tiveram seus equivalentes no modelo de mobilidade urbana e sistema de ônibus lançados por Eduardo Paes em 2010.

Várias ocorrências desagradáveis relacionadas ao transporte no Rio de Janeiro já antecipavam vários aspectos: partidarização de concessão pública, atuação de cyberbullying defendendo o "estabelecido", terceirização das relações de consumo entre empresas e passageiros, atuação frouxa do Judiciário e outros prejuízos.

Era como se o sistema de ônibus do Rio de Janeiro fosse o equivalente dos desmandos e retrocessos direta ou indiretamente relacionados ao atual cenário político nacional, que sofre denúncias de escandalosos esquemas de corrupção que, não por acaso, estabelecem um "sistema integrado" com os mesmos políticos cariocas que impuseram o amargo combo do sistema de ônibus carioca: pintura padronizada, dupla função de motorista-cobrador e itinerários esquartejados.

Muitas ocorrências relacionadas ao transporte carioca poderiam muito bem ter vindo das mentes de Eduardo Cunha, não o respeitável busólogo que, por mera coincidência, tem o mesmo nome, mas pelo tenebroso deputado federal que se destaca nos noticiários de todo o país e hoje é presidente afastado da Câmara dos Deputados.

...COM O DEPUTADO EDUARDO CUNHA.

Vários aspectos mostram paralelos entre o que acontece no sistema de ônibus carioca - que sucumbiu a uma decadência vertiginosa - e o governo Temer, e teve até busólogo que, ao defender a pintura padronizada nos ônibus, surtou e foi fazer cyberbullying criando até blogue de calúnias, numa atuação típica dos hoje conhecidos "midiotas" e "fascistas mirins" da Internet. Vamos a eles:

1) PINTURA PADRONIZADA NOS ÔNIBUS

Arbitrariedade imposta por Eduardo Paes sem consultar a população, e meses depois lançando mão de ofensas como "eliminar as embalagens de azeite português" das pinturas dos ônibus, o prefeito carioca realizou uma votação às escuras, pela base aliada da ALERJ, determinando que diferentes empresas de ônibus tivessem a mesma pintura, conforme regiões de bairros e tipos de ônibus usados.

A imposição dessa medida impopular, que nunca teve o apoio, até hoje, da população, lembra muito as manobras do deputado Eduardo Cunha em impor suas "pautas-bombas" e a um projeto político e autoritário defendido por Michel Temer.

E isso sem falar que esse negócio de impor pintura padronizada é uma atitude originária da ditadura militar, lançada em Curitiba pelo político da ARENA, Jaime Lerner, arquiteto que tinha uma visão tecnocrática comparável a de Roberto Campos (e hoje herdada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles) e um apetite administrativo comparável ao de José Sarney e Paulo Maluf, só para citar dois "dinossauros" da ditadura que hoje apoiam o governo Temer.

2) ATUAÇÃO FROUXA DO PODER JUDICIÁRIO

A fraca atuação de setores do Poder Judiciário, em relação a políticos do PSDB e PMDB envolvidos em escândalos de corrupção, das quais se destacam juristas de atuação duvidosa como Gilmar Mendes e Sérgio Moro, na qual se destaca uma conduta desigual diante de acusados ligados ao PT e outros ligados ao PSDB, teve também seu equivalente no sistema de ônibus carioca.

Só o caso da pintura padronizada rendeu, pelo menos, dois processos judiciais contra a medida, com justificativas bastante consistentes que não convenceram os advogados do Ministério Público do Rio de Janeiro. Estes se mostraram juridicamente fracos, aceitando desculpas que a pintura padronizada "permite a identificação" através do código alfanumérico.

Um funcionário do MP-RJ em Niterói, comentando a pintura padronizada imposta no transporte municipal, parecia ter encarnado o "cafajestismo" de Gilmar Mendes, adotando uma postura parcial, dizendo que as empresas "agora não são reconhecidas pela cor, mas pela zona".

3) PONTE PARA O FUTURO

Será a "ponte" de Michel Temer uma passarela para o BRT? Em todo caso, são fachadas futuristas para medidas retrógradas. A construção de pistas para o BRT derrubaram áreas ambientais e casas populares, e o projeto em si já é retrógrado, correspondendo aos padrões de 40 anos atrás, demonstrando não oferecer respostas concretas para o transporte público.

Superestimou-se o modelo de ônibus articulados, que aparentemente eram uma novidade no Rio de Janeiro, e uma euforia descomunal chegou a haver, antes que o sistema demonstrasse seus equívocos e tragédias.

Além disso, houve um erro de interpretação comparativa. Afinal, um BRT pode ser considerado longo e espaçoso para os padrões de um ônibus convencional, mas, em relação a outras modais de transporte público como um trem, o BRT corresponde a um "micrão".

4) CYBERBULLYING

Um conhecido busólogo da Baixada Fluminense havia surtado e, defendendo a pintura padronizada nos ônibus, passou a brigar com muita gente. Ele adquiriu um reacionarismo que, nas atitudes e na agressividade, equivaleu ao deputado Cunha, usando uma linguagem sarcástica típica de trogloditas midiáticos como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.

O busólogo fazia baixarias nas mídias sociais (incluindo Orkut, Facebook, Fotopages e o fórum do Ônibus Brasil), implicando até com o estado civil de certos busólogos. Se um busólogo desafeto se divorciar, por exemplo, o valentão o definiria como "corno". A discussão sobre ônibus se perdia em ataques morais gravíssimos. O valentão agia aliado a pelo menos dois outros busólogos, às vezes se camuflando em fakes.

Um blogue de calúnias foi lançado usando um fake chamado "crítico". O blogue, "Comentários Críticos", seria feito para destruir a busologia caluniando, por etapas, aqueles que o valentão gostaria de tirar do hobby, complementando as difamações que ele despejava nas redes sociais.

Cada etapa do blogue correspondia a ataques e ironias pessoais contra os desafetos do momento. A linguagem lembrava os textos de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, através da reprodução leviana e ofensiva de textos alheios.

O blogue foi extinto depois que ele foi denunciado para o SaferNet, página que acolhe denúncias sobre crimes diversos, sobretudo digitais. Dizem que um amigo pessoal do busólogo teria denunciado aos parceiros a autoria verdadeira do blogue ofensivo, provocando um escândalo no hobby. O valentão também era conhecido pela defesa radical do governo de Eduardo Paes.

O cyberbullying passou a repercutir negativamente em todo o Brasil depois que ataques similares foram feitos à jornalista Maria Júlia Coutinho e as atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes, por não seguirem, sendo negras, do padrão de valores reacionários que costuma ser defendido pelos valentões digitais.

5) TEORIA x PRÁTICA

O prefeito Eduardo Paes dizia que a pintura padronizada nos ônibus iria eliminar a poluição visual. Na prática, a medida só agravou a poluição, sobretudo devido ao fato de que as cores adotadas no Rio de Janeiro, com um fundo cinza, dão aos ônibus um aspecto de sujos.

Embora não fosse o caso do Rio de Janeiro (embora a "sopa de letrinhas" dos códigos alfanuméricos deixem os cariocas confusos), em que apenas há um logotipo da prefeitura junto a um nome de consórcio (com o respectivo nome da empresa em menor tamanho), a poluição visual costuma ser uma prática nos ônibus padronizados.

Nota-se a exibição de um monte de logotipos, como o da prefeitura, do consórcio, da paraestatal, do tipo de ônibus (quando é piso baixo), do tipo de serviço etc, cria um monte de informação que desafia a atenção de qualquer um. Em São Paulo isso costuma acontecer.

Mesmo quando se permite mostrar o logotipo da empresa de ônibus, ele se perde diante de tantas informações, seja nas laterais e nas janelas dianteiras, misturadas a outros símbolos, e nos letreiros digitais, alternando com informações que variam de logradouros principais de um percurso a saudações como "Bom Dia", "Feliz Data Comemorativa" e até "Só Jesus Salva".

Outro exemplo de como a teoria se opõe à prática foi a decisão do então secretário de Transportes Rafael Picciani, de uma rica família de políticos (atualmente o cargo voltou para as mãos do tecnocrático Alexandre Sansão), que definiu a extinção de linhas diretas ligando as Zonas Norte e Sul como "otimização" e "racionalização" do sistema.

Ele alegou que o fim, junto à redução das frotas de ônibus em circulação, iria "facilitar a fluidez do trânsito". A prática mostrou-se o contrário: com menos ônibus nas ruas, mais automóveis e, portanto, mais congestionamentos. E os passageiros, obrigados a fazer baldeação, tinham tempo limitado de uso do Bilhete Único e, no fim, tinham que gastar mais de uma passagem.

A equivalência do governo de Michel Temer está nas promessas que ele traz para "resolver a crise" e "garantir a democracia", através de planos políticos e econômicos que se destinam a eliminar conquistas e garantias sociais, várias delas previstas na Constituição Federal.

6) INFRAÇÕES LEGAIS

A pintura padronizada nos ônibus, a dupla função motorista-cobrador e o esquartejamento de itinerários através de linhas "troncais" e "alimentadoras" envolve uma série de infrações legais que vão desde a Constituição de 1988 até a Lei de Licitações (8.666/93).

A pintura padronizada contraria artigos da Lei de Licitações a respeito de natureza do serviço (como concessão pública a particulares, o poder concedente não pode estabelecer supremacia de imagem, pois deveria dar às concessionárias o direito de ter identidade visual própria) e a funcionalidade, já que nenhuma funcionalidade existe no fato de empresas diferentes apresentarem uma mesma pintura.

Da mesma maneira, a pintura padronizada também contraria o Código de Defesa do Consumidor (8.078/90), por forçar o apoio da população através de promessas que fogem do foco específico da medida, como implantar frotas com ar condicionado e com chassis potente, medidas sem relação alguma com pintura de ônibus.

A dupla função motorista-cobrador infringe os direitos trabalhistas já conhecidos, e representa um abuso do poder econômico das empresas e do poder político relacionado. E o esquartejamento de percursos é visto como um abuso de autoridade política contra a população, já que a medida é feita contra o interesse popular, que nem sempre pega ônibus para se divertir e, portanto, não pode perder tempo com baldeações sem necessidade.

Isso encontra analogia em propostas defendidas pelo deputado Eduardo Cunha, Michel Temer e Aécio Neves, que se voltam contra artigos da Constituição Federal e garantias sociais diversas, incluindo a Consolidação das Leis Trabalhistas, uma das cartas legais ameaçadas pelo governo Temer através de sua reforma trabalhista.

7) RETROCESSO E DISCRIMINAÇÃO SOCIAL

Se o governo de Michel Temer é conhecido por impor retrocessos sociais de toda ordem, contrariando avanços e conquistas históricos obtidos com muito sacrifício nas últimas décadas, o sistema de ônibus do Rio de Janeiro também representou retrocessos diversos.

Só o caos que são os ônibus cariocas, em que até empresas tradicionais como Real, Alpha, Braso Lisboa, Ideal, Matias e Tijuquinha apresentam frota sucateada, se compara ao caos que é o governo Temer com seus sucessivos escândalos.

O Plano Temer, intitulado "Ponte para o Futuro", estabelece critérios de discriminação social, a partir da substituição de diretores e secretários de instituições diversas, de presidentes ou diretores de autarquias até ministros, por pessoas sem compromisso com os movimentos sociais, mas meros tecnocratas ou políticos carreiristas.

Outro exemplo de discriminação social do governo Temer foi a composição de seu ministério, feita só de homens e brancos, sem representatividade de mulheres e negros. As mulheres foram só tardiamente escolhidas para postos de segundo escalão, depois de muita pressão social.

No sistema de ônibus do Rio de Janeiro, a pintura padronizada já mostrava sua discriminação social pela divisão de consórcios e isso enfatizava o caso do Consórcio Santa Cruz (extrema Zona Oeste), voltada para bairros predominantemente pobres e, de tão maltratada, sofreu mais extinção de empresas operadoras.

Outra discriminação social associada a ônibus foi a medida do esquartejamento de percursos, seja no corredor Penha-Alvorada, seja no fim das ligações Zona Norte-Zona Sul, que criava dificuldades para a população pobre se deslocar para bairros litorâneos (Zona Sul, Barra da Tijuca e Recreio), não só para ir à praia, mas também para trabalhar, fazer compras e se encontrar com amigos.

8) CORRUPÇÃO

À corrupção do governo de Michel Temer e seus aliados, notada desde a votação de 17 de abril último pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff e culminada com as denúncias divulgadas por Sérgio Machado, se compara a corrupção do sistema de ônibus carioca.

O sistema de ônibus foi partidarizado sob o fardo e a farda da pintura padronizada, da fachada dos consórcios e do aumento de poder do secretário de Transportes, convertido de fiscal para chefão. Isso permitiu o aumento da politicagem do setor e uma CPI dos Ônibus chegou a ser organizada, mas aliados de Eduardo Paes empastelaram o processo obtendo o controle da própria investigação.

CONCLUSÃO

Bem antes dos retrocessos do governo Temer e alguns fatos associados, o sistema de ônibus do Rio de Janeiro apresentou situações análogas ao que se observa no âmbito geral da política e da sociedade.

De políticos corruptos mas demagogos - eles tentam desmentir o que fazem - a reacionários na Internet, o quadro demonstra o quanto o Brasil desgovernado havia sido anunciado por um suposto plano de mobilidade urbana que prejudicou os passageiros de ônibus no Rio de Janeiro e impôs uma série de retrocessos no transporte coletivo em outras capitais.

A influência dos retrocessos cariocas já tem paralelos quando o modelo decadente de sistema de ônibus implantado no Rio de Janeiro se espalhou até em Recife, Florianópolis, Teresina e Nova Iguaçu, e os retrocessos políticos do Brasil se devem à prepotência de um membro do PMDB carioca, o deputado Eduardo Cunha. Lições amargas que foram dadas a todo o país.

domingo, 22 de maio de 2016

VALE A PENA ESCONDER EMPRESA DE ÔNIBUS EM NOME DA MOBILIDADE URBANA?

ACIDENTE DE ÔNIBUS EM CURITIBA - DECADÊNCIA DO SISTEMA.

O começo do governo de Michel Temer está demonstrando, em diversos aspectos, os cacoetes do fisiologismo político. Medidas autoritárias que são impostas sob o pretexto de "beneficiar a sociedade" e "atender ao interesse público", se apoiando de argumentos "técnicos" e prometendo "futuros ajustes para otimização".

No âmbito do transporte coletivo, a gente viu esse filme de terror e suspense através de Jaime Lerner, um político da ditadura militar tido falsamente como "futurista" e "progressista". quando ele lançou medidas impopulares como pintura padronizada nos ônibus, redução de frotas nas ruas, dupla função motorista-cobrador e redução de percursos de linhas de ônibus.

É até surreal que o mesmo motivo de queixas dos passageiros, as longas esperas por ônibus por conta da quantidade limitada de ônibus, seja aplaudido por uma estranha elite de busólogos, mais preocupada em ocupar assentos na Secretaria de Transportes ou na Assembleia Legislativa.

Já houve busólogo, no Rio de Janeiro, que anos atrás surtou como se um Eduardo Cunha (o deputado, não o admirável busólogo veterano) do setor, criando blogue de calúnias e ofendendo fulano e sicrano nas mídias sociais, fazendo trolagem usando fakes mas se passando por "bonzinho" e "correto" diante dos busólogos mais conceituados, quando defendia a pintura padronizada nos ônibus.

Isso revela um rol de irregularidades, num sistema político e tecnocrático viciado que temos, em que até o Judiciário prefere enxergar mais as conveniências políticas do que as leis. E mostra o contexto em que prevalece um sistema de ônibus que se baseia num ato sempre duvidoso de esconder a identidade visual das empresas.

As autoridades tentam argumentar, sem convencer, que a pintura padronizada "favorece a identificação". Alguns, de forma aberrante, falaram que a identidade da empresa está no código alfanumérico do veículo. Outros, pelo pequeno logotipo exibido em cada ônibus, na lataria ou na janela. Tudo isso de forma inverossímil e improcedente, mas típico da demagogia de quem arruma desculpa para qualquer coisa.

Isso não convence porque basta ver a prática cotidiana. Na correria do dia a dia, as pessoas não têm tempo de ver o logotipo da empresa de ônibus perdido entre tantos adesivos na janela da frente nem em saber, por exemplo, a diferença entre B75561 e B25561.

Só nas mentes reacionárias de certos busólogos é que há essa ideia de que o povo vai ficar perdendo tempo observando ônibus de forma demorada. Há outras ocupações na vida, sem aqui criticar a da busologia, até porque mesmo os busólogos têm outros empregos, têm contas a pagar e no dia dos pagamentos não dá para ficar parado tentando ver a diferença, numa cidade como São Gonçalo, entre uma Transportes Tanguá e uma Transportes Icaraí.

A verdade é que a pintura padronizada esconde empresa de ônibus, sim. No contexto da correria do trânsito, isso faz uma diferença negativa. As pessoas se confundem todas, isso é inegável, e faz com que essa medida não traga vantagem alguma.

A pintura padronizada nos ônibus é tecnicamente inviável, não é funcional, não traz transparência nem favorece a mobilidade. E é uma medida que remete à ditadura militar, com aquela lógica de botar uniforme ou farda, típico de regimes fascistas.

Negar tudo isso é negar o óbvio, negar um dos aspectos que contribuem para a decadência do sistema de ônibus porque a pintura padronizada, na medida em que esconde as empresas de ônibus, favorece a corrupção e a queda de qualidade de serviço. Muitas empresas aproveitam a pintura padronizada para mudar de nome, trocar de linha etc, sem que as pessoas tenham exata noção disso.

É certo que recuperar as identidades visuais de cada empresa não irá melhorar, por si, o sistema de ônibus, mas permitiria aos passageiros comuns reconhecer com mais facilidade uma empresa ruim. Já imaginou se, por exemplo, uma Turismo Trans1000 e uma Viação Nossa Senhora da Penha tivessem exatamente a mesma pintura? Seria muito mais difícil combater a Transmil.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

FORMA COMO DILMA ROUSSEFF FOI AFASTADA DO PODER PERMITE CANCELAR PINTURA PADRONIZADA EM ÔNIBUS


Da forma como a presidenta da República, Dilma Rousseff, foi afastada do poder, é possível cancelar a pintura padronizada nos ônibus e critérios como consórcios e tipos de ônibus antes do prazo final, que no município do Rio de Janeiro, é previsto para 2030. A pintura padronizada nos ônibus pode então ser cancelada este ano, se houver alguma iniciativa judicial.

Isso porque as investigações em torno de Dilma Rousseff, embora tenham sinalizado para o impeachment, foram apressadas e o processo tornou-se partidarizado, com interferências estranhas de gente como o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e políticos do PSDB.

Se a pintura padronizada nos ônibus é uma arbitrariedade nociva em todos os sentidos, ao ser comparada à forma como se conduziu a Operação Lava-Jato - condenando de modo desigual os políticos do Partido dos Trabalhadores, já que o senador Aécio Neves, por exemplo, também é acusado de atuar no esquema de corrupção da Petrobras e não teve sequer mandato cassado - para tirar Dilma do poder, então não há argumento técnico que justifique manter a medida para os ônibus.

Portanto, dentro desta perspectiva, não existe argumentação procedente que possa justificar manter a pintura padronizada nos ônibus até 2030 ou investir numa renovação da medida. Assim como se lutou para afastar Dilma do poder, é possível também que se faça uma iniciativa para devolver, a cada empresa de ônibus, o seu direito de exibir a identidade visual própria.

Observa-se que a pintura padronizada nos ônibus cria uma infinidade de prejuízos e desvantagens. Não há como relativizar. Os argumentos em defesa da medida são inconvincentes, inverossímeis e improcedentes na realidade prática do passageiro comum que pega ônibus.

A pintura padronizada já é uma medida que contraria a Lei de Licitações, o Código de Defesa do Consumidor e até a Constituição Federal. Pelo caráter de relações econômicas, a medida contraria até a livre-iniciativa das empresas, pois a pintura padronizada, pela imagem que representa, simboliza a intervenção do Estado, que concede as linhas mas proíbe as empresas de apresentarem sua identidade visual.

Argumentos confusos a favor da pintura padronizada são feitos, como atribuir a exibição de pequenos logotipos e a confusa "sopa de letrinhas" do número do carro combinado com a letra do consórcio ou do tipo de ônibus, foram dados pelas autoridades, apenas para forçar a prevalência da medida, mesmo quando ela se torna nociva e prejudicial à população.

Tomar também como referência o fato de que o sistema permanece "sem problemas" em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba não procede, porque as medidas foram implantadas durante a ditadura militar, sendo "consolidadas" num contexto onde havia ainda censura explícita na imprensa e intimidação da opinião pública.

Portanto, a pintura padronizada nos ônibus demonstra ser uma medida ilegal, autoritária, ineficiente, tecnicamente inviável e comprovadamente contrária e nociva ao interesse público, não havendo condição de argumentações a favor dessa medida. Cancelar a medida é possível, apenas precisando de vontade política dos cidadãos para isso.

sábado, 30 de abril de 2016

PINTURA PADRONIZADA REVELA PROMISCUIDADE DE PÚBLICO E PRIVADO

RENOVAÇÃO DE FROTA AGORA É USADA COMO PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA DA PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO.

As pessoas comuns, quando vão pegar um ônibus em uma cidade que adota pintura padronizada, não percebem a infinidade de desvantagens e problemas que essa medida traz, Além dos inúmeros atropelos legais - a pintura padronizada vai contra, por exemplo, artigos do Código de Defesa do Consumidor - , o fato de esconder empresas de ônibus sob um mesmo visual revela muitas confusões.

Em primeiro lugar, a confusão se revela ao caráter do sistema de ônibus diante desse véu de mesmice visual. Sendo um sistema de concessão, proíbe-se cada empresa de ônibus de ostentar sua identidade visual respectiva. O vínculo de imagem ao governo que a concede põe a concessão pela metade, uma vez que a imagem apresentada é a do poder político (prefeitura ou governo estadual) e não da iniciativa privada.

Dependendo das conveniências, o discurso das autoridades varia como bandeira ao sabor do vento. O discurso pode sugerir intervenção estadual, parceria público-privada ou mesmo a "manutenção do antigo sistema", só que com a tal "pinturinha".

E isso gera uma promiscuidade de público e privado, com empresários proibidos de exibir identidade visual, mas ganham maior peso eleitoral para eleger os governantes, em detrimento da vontade do povo. Os passageiros aceitam  a pintura padronizada passivamente, sem saber do caos que se tornou o transporte coletivo.

Ninguém combate a pintura padronizada e os passageiros, com muita coisa a fazer, sobrecarregam as mentes já congestionadas de tantos compromissos. Além das contas diversas a pagar, o cidadão tem que diferir uma Viação Ideal de um Rodoviário A. Matias. O estudante de concurso público têm que memorizar, além do pesado programa de estudo, o que é São Silvestre, Vila Isabel e Estrela Azul.

O pior é que, por trás de tudo isso, a pintura padronizada favorece a corrupção empresarial. Empresas mudam de nome, linhas trocam de empresa, e os passageiros são os últimos a saber. Linhas de ônibus são servidas por mais de uma empresa e ninguém percebe quem é que faz um serviço bom ou ruim.

Aliás, a coisa mais piorou do que melhorou. Falam tanto de uma Paranapuan, Pégaso ou City Rio (que agora é VG - Vigário Geral), mas ninguém percebe uma Verdun caindo aos pedaços. Ou, se percebe, não sabe qual é a empresa. E a própria contradição que as autoridades expressam quando tentam definir o sistema como "administração estatal", "parceria público-privada" ou "concessão pública para serviço privado" cria desentendimentos diversos.

Os empresários de ônibus, impedidos de exibir as respectivas identidades visuais de suas empresas, acabam sucateando as frotas, por entender que é a Prefeitura do Rio de Janeiro que ficou com a imagem. A Prefeitura, com um rigor descomunal, com mais autoridade e menos responsabilidade, exige demais das empresas e atribui a elas o compromisso de serviço.

Tudo isso é resultante de uma série de confusões, de caráter legal, administrativo, ético e tantos outros âmbitos. E os passageiros de ônibus correm risco, sem saber. Ninguém combate a pintura padronizada, nem a imprensa, com tanta facilidade que age quando a ideia é expulsar um petista do poder, chega a esboçar um único esforço, por pequeno que seja.

Com isso, a pintura padronizada, com a ênfase dada ao logotipo de prefeitura, "partidariza" o sistema de ônibus, causando prejuízo para os passageiros, que acabam recebendo um serviço ruim e precisam queimar a mente para diferenciar uma empresa da outra e, na hora de reclamar sobre o serviço ruim de uma empresa, esta põe a culpa em outra.

Não dá para sobreviver nesse corredor de confusão. O povo deveria reagir e a imprensa mais ainda, contra a pintura padronizada nos ônibus que serve de véu para a corrupção e a politicagem.

quarta-feira, 23 de março de 2016

RIO DE JANEIRO TEM PIOR TRÂNSITO DO PAÍS E 4º PIOR DO MUNDO

A FOTO CONFIRMA QUE OS AUTOMÓVEIS INFLUEM MAIS NO CONGESTIONAMENTO DO QUE OS ÔNIBUS.

A Tom Tom Trafic Index divulgou uma lista de cidades com pior trânsito em 2015, com base em pesquisas sobre o tempo que um motorista leva para fazer um deslocamento. A conclusão é que o Rio de Janeiro tem o pior trânsito do país e o quarto pior trânsito no mundo.

O índice registrou que os motoristas levam 47% a mais de tempo para se deslocarem, em horários de trânsito tidos como "sem congestionamento", enquanto que, nos horários de pico, esse índice vai para 79%.

Salvador e Recife ocupam o 2º e 3º lugares, no ranking nacional, e 7º e 8º no ranking mundial, respectivamente. A situação dos cariocas, no entanto, tem como agravante o fato de que os dados pesquisados são anteriores à reformulação de linhas determinada pelo secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani.

Mesmo sem a "racionalização", deslocar de Copacabana para a Zona Portuária, por meio do Túnel Santa Bárbara (Laranjeiras-Catumbi), dura mais de duas horas. Com a racionalização, o tráfego já sofre o período de três ou mesmo quatro horas para se deslocar entre a Zona Sul e o Centro, isso só considerando o deslocamento da Av. Nossa Senhora de Copacabana ao Santo Cristo, pelo citado túnel.

Picciani adotou a redução e extinção de percursos de linhas, eliminando aos poucos a ligação direta Zona Norte-Zona Sul e substituindo várias linhas por um punhado de "troncais" e "alimentadoras", usando como pretexto a "necessidade" de tirar 700 ônibus nas ruas para garantir "melhor fluidez" do trânsito.

A medida, que Picciani define como "otimização" ou "racionalização" do sistema de ônibus municipal, só pode piorar por um simples fator que o secretário ignora: a retirada de um único ônibus nas ruas pode representar o acréscimo de, em média, 50 automóveis nas ruas.

MENOS 700 ÔNIBUS, MAIS 35.000 AUTOMÓVEIS NAS RUAS

Fisicamente, dois automóveis ocupam o espaço nas ruas equivalente a um ônibus. Um ônibus transporta cerca de 50 pessoas, tirando a superlotação. Se 700 ônibus são retirados de circulação, poderão haver mais 35.000 automóveis no lugar.

Em termos de espaço físico, 700 ônibus a menos dão mais 1.400 automóveis, o que faz o espaço viário se inchar com 33.600 automóveis a se somarem ao contexto. Se considerarmos um ônibus transportando cem pessoas, 700 ônibus a menos dão um acréscimo de 70 mil automóveis. E, em espaço físico, haverá o excedente de 68.600 automóveis complicando o trânsito das ruas cariocas.

E esses dados são constatados sem a influência hipnotizante da publicidade, em que a sobreposição de comerciais de automóveis nos intervalos de televisão - dois comerciais de rede mais um, da transmissora local, de concessionária ou de artigos relacionados (combustíveis e bateria, por exemplo) - que transformam o carro num "sonho de consumo" de qualquer espectador.

Com tudo isso, a argumentação de Rafael Picciani de que, com menos ônibus em circulação, haveria melhor fluidez no trânsito, não corresponde à realidade. A retirada de 700 ônibus pode representar mais de 100 mil automóveis nas ruas. E isso sem a sobreposição de itinerários de linhas, mas com a sobreposição de comerciais de automóveis nos intervalos de TV.

sexta-feira, 18 de março de 2016

SOBREPOSIÇÃO DE COMERCIAIS DE AUTOMÓVEL CONGESTIONAM TELEVISÃO NO PAÍS


Continua o congestionamento publicitário dos comerciais de automóvel, que se sobrepõem em dois e três num pequeno intervalo de televisão. A sobreposição de comerciais de automóveis acaba estimulando o telespectador a usar mais o automóvel, não havendo restrição e contribuindo para o trânsito intenso que provoca muitos atrasos nos compromissos diários.

Não há uma orientação de limitação do uso de automóveis e há famílias que usam carros para levar e trazer os filhos da escola. O uso ilimitado de automóveis, que mesmo com seu tamanho relativamente grande, chegam a ser ocupados por apenas uma só pessoa, é um dos graves problemas da realidade urbana das cidades.

A sobreposição dos comerciais de automóveis na TV se dá quando dois comerciais de marcas de automóveis ocupam um mesmo intervalo comercial, que é de cinco minutos. Em certos casos, há ainda comercial de artigos relacionados aos carros, como baterias e combustíveis e inserções regionais de comerciais de concessionárias locais.

Com isso, o telespectador fica hipnotizado com tantos comerciais de automóveis. Ele então passa a comer automóvel, beber automóvel, dar automóvel como material escolar para seus filhos, construir automóvel, morar em automóvel, se perfumar com automóvel, tomar banho de automóvel.

AVISOS INSUFICIENTES

Verificando cada módulo dos intervalos comerciais do Bom Dia Brasil, no presente 18 de março de 2016, notou-se a sobreposição de comerciais de automóveis. Em dois intervalos, além de haver, em cada um, dois comerciais de rede, ou seja, transmitidos em todo o país, no Rio de Janeiro foi inserido, em cada módulo, mais um comercial de concessionária local.

Só em dois deles - Chevrolet e JAC Motors - se observou alguma aparente preocupação com melhorias no trânsito. Só que o aviso é extremamente vago e posto sem destaque: "Todos juntos por um trânsito melhor". Esse aviso é insuficiente, pois nada diz sobre as restrições das pessoas a usarem automóvel somente quando precisam.

Algumas outras marcas, como FIAT e Peugeot, se limitam apenas a citar pedestres nos avisos: "Pedestre, respeite a faixa". A marca Hyundai não fez qualquer aviso sobre restrição do uso de carro ou aviso a pedestres.

A ideia deveria ser colocar um aviso com tarja preta, a exemplo do que ocorre com as bebidas alcoólicas, advertindo às pessoas a usarem automóvel somente quando necessário, visando evitar congestionamentos.

É comprovado que nem todos que saem de carro usam como necessidade e, não obstante, é possível que cinco pessoas que usam um mesmo trajeto de automóvel possam combinar para fazer um rodízio em que apenas um usa um automóvel.

Daí que o congestionamento pode ser evitado quando as pessoas passam a ter responsabilidade e entrem em contato com amigos combinando irem juntos num carro com assentos para cinco pessoas. Assim, cada automóvel tiraria quatro de circulação, o que pode representar uma redução drástica no número de automóveis circulando, se a sociedade ajudar e se a mídia estimular a moderação no uso de automóveis.

sábado, 12 de março de 2016

PREFEITURA DO RJ ALTERA TRAJETOS DE ÔNIBUS SEM AVISO

PASSAGEIRO FICA TRANSTORNADO - Mais espera por ônibus e mais de uma linha para pegar.

Segundo reportagem do jornal Extra, a Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro (SMTR) alterou mais trajetos de linhas de ônibus sem aviso prévio à população, não fosse suficiente o caráter nocivo das mudanças, que obrigam os passageiros a pegar mais de um ônibus e a esperar mais pela linha desejada.

Coberturas recentes na imprensa mostram os transtornos que os passageiros passaram a tomar com as novas medidas. O fim da linha 766 Madureira / Freguesia, que antes ia ao Turiaçu (próximo à Av. Min. Edgar Romero, no caminho para Vaz Lobo) fez uma passageira ter que esperar mais tempo pelo alimentador (que só vai à Estação Madureira do Transcarioca), chegando a ser assaltada uma vez. A passageira trocou o ônibus pela carona no carro do próprio pai.

Os itinerários se reduzem de tal forma que já existe a piada de que haverá a linha alimentadora Central X Praça da República, já que os percursos ficam cada vez mais curtos e as pessoas mais obrigadas a pegar mais de um ônibus.

A impressão que se tem é que a SMTR quer reduzir os itinerários aos poucos. As linhas do Leblon reduzem percurso para a Rua Siqueira Campos, em Copacabana, ou ao Mourisco (Botafogo). Depois recua para o Largo do Machado. Várias linhas foram para a Candelária ou Castelo.

Até parece que os secretários que assumem a pasta estão brincando com os ônibus. Eles parecem pensar a mobilidade urbana através de jogos como Minecraft, Grand Theft Auto e TheSims, criando suas fantasias que influem nas arbitrariedades decididas desde 2010.

Passageiros reclamam que as mudanças das linhas e a promessa do secretário Rafael Picciani - da rica família que voltou atrás e retomou a oposição a Dilma Rousseff - de retirar 700 ônibus das ruas cariocas é uma forma de arrecadar dinheiro e diminuir os investimentos das empresas de ônibus, favorecendo os lucros dos empresários.

São tantos os transtornos. Mais demora, esgotamento do Bilhete Único, mais dinheiro para gastar em ônibus, mais tempo perdido, mais riscos de assaltos, menos confortos, mais ônibus superlotados, mais congestionamentos (afinal, há a sobreposição de comerciais de automóveis na TV que influencia o espectador a comprar mais carros).

A gente pergunta se isso é "otimizar". Otimizar com essa realidade péssima não é otimização, é pessimização. Diante de uma mobilidade urbana que desmobiliza, com ônibus com pintura padronizada, dupla função de motorista-cobrador e itinerários ceifados, não há como dizer que está otimizado ou racionalizado, com tantos problemas e prejuízos vividos pelos passageiros.