quinta-feira, 26 de julho de 2018

RIO DE JANEIRO OFICIALIZA FIM DA PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS

A DIVERSIDADE VISUAL DOS ÔNIBUS ERA UMA MARCA DA ROTINA URBANA DOS CARIOCAS. IMAGEM CAPTURADA DA ABERTURA DO FILME A DAMA DO LOTAÇÃO (1978), DE NEVILLE DE ALMEIDA.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A Prefeitura do Rio de Janeiro regulamentou o fim da pintura padronizada nos ônibus e afirmou que em 90 dias virão novos 150 ônibus com pintura variando por empresa. Os ônibus já estão sendo produzidos nas fábricas, e serão apresentados em breve.

Rio de Janeiro oficializa fim da padronização visual dos ônibus

Por Adamo Bazani - Diário do Transporte

A Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro oficializou nesta segunda-feira, 23 de julho de 2018, o fim da atual padronização das pinturas dos ônibus municipais. A resolução 2999, publicada hoje, revoga outra de 15 de outubro de 2010, que determinava as pinturas por consórcios.

A pasta cita o acordo entre prefeitura e empresas de ônibus, que englobou o reajuste da tarifa para R$ 3,95, renovação de frota e as pinturas.

“Os termos e condições pactuados pelos signatários dos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transporte de Passageiros por Ônibus – SPPO/RJ, que resultaram na assinatura do Termo de Conciliação firmado entre o Município do Rio de Janeiro e os Consórcios delegatários do serviço”.


O Diário do Transporte já havia noticiado a possibilidade do fim da padronização, quando ocorreu o anúncio de 150 ônibus novos em 90 dias. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2018/07/12/prefeitura-do-rio-de-janeiro-promete-entrega-de-150-onibus-em-ate-90-dias-e-divulga-nova-padronizacao-de-cores/

A secretaria ainda vai publicar nova regulamentação sobre a padronização visual da frota, para estabelecer o novo padrão de identificação visual.

Pela assessoria de imprensa, a secretaria disse que ainda trará novas informações.

“A mudança [da padronização visual] havia sido anunciada pelo prefeito e agora passa pelos trâmites, conforme publicação no Diário Oficial desta segunda-feira. Qualquer nova informação sobre o assunto será divulgada oportunamente.”
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

segunda-feira, 16 de julho de 2018

PREFEITO MARCELLO CRIVELLA ANUNCIA FIM DOS ÔNIBUS PADRONIZADOS

OS ÔNIBUS "IGUAIZINHOS" CONFUNDIAM OS PASSAGEIROS E O ESCONDE-ESCONDE VISUAL DAS EMPRESAS NÃO GARANTIA TRANSPARÊNCIA NO SERVIÇO.

Demorou, mas veio. O anunciado fim da pintura padronizada nos ônibus foi anunciado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcello Crivella, segundo notícia veiculada no jornal Extra. O esconde-esconde das empresas de ônibus, que por pouco não se estendeu ao sistema do DETRO, será desfeito aos poucos.

Segundo Crivella, a próxima compra de 150 novos ônibus já virá com a novidade de ter variação de cor por cada empresa. Essa renovação ocorrerá num prazo de 90 dias e a pintura padronizada tem prazo de desaparecer até 2020.

Os novos ônibus também virão com serviço de Wi-Fi e carregador de celular - medida que causa controvérsia na população, devido aos assaltos nos ônibus - e o fim da pintura padronizada pode em breve afetar diretamente os sistemas de ônibus de Niterói, São Gonçalo e Nova Iguaçu, cidades do Grande Rio que também adotaram a medida.

Não se sabe qual o impacto que o fim da pintura padronizada terá no resto do Brasil. Provavelmente, essa medida também poderá refletir em cidades que recentemente imitaram a iniciativa carioca, como Recife, Florianópolis e, no Estado do Rio de Janeiro, Campos, Teresópolis e algumas cidades da Região dos Lagos (Araruama e Cabo Frio).

A pintura padronizada foi imposta, sem consultar a população e com uma votação parlamentar "às escuras", pelo prefeito Eduardo Paes e seu secretário de Transportes, o tecnocrático Alexandre Sansão. A medida, oriunda da ditadura militar, está em velhos paradigmas de transporte e mobilidade urbanas trazidos pelo prefeito biônico de Curitiba, o também arquiteto Jaime Lerner, hoje apoiador do governo Michel Temer.

A medida do prefeito Paes foi feita visando chamar a atenção do turismo durante os eventos esportivos da Copa de 2014 (sediada no Brasil e, em parte, no Rio de Janeiro) e nas Olimpíadas Rio 2016. A ideia era fazer uma propaganda da Prefeitura do Rio de Janeiro através do outdoor político da pintura padronizada, em que o nome da cidade aparecia com mais destaque do que o da empresa de ônibus.

A medida foi impopular desde o começo, mas havia uma certa resignação da população. Uma minoria de busólogos do Rio de Janeiro passou a defender a medida e usou as redes sociais para forçar um apoio maior aos ônibus padronizados (definidos pelas iniciais PP - pintura padronizada), sem medir escrúpulos em escrever ofensas violentas e até ameaças.

Uma parcela de busólogos influentes se desmoralizou com esse abuso moral. Um deles chegou a criar um blogue de ofensas intitulado "Comentários Críticos", que saiu do ar depois de denunciado ao portal SaferNet (que recebe denúncias de crimes virtuais). O suspeito de fazer esse blogue tentou, sem sucesso, promover uma caravana de busologia, mas, desmoralizado, teve que cancelar o evento e tirar satisfações com a empresa que seria contratada.

Era comum essa parcela, arrogante e agressiva, o que antecipou a onda de ódio na Internet em relação a diversos outros assuntos, usar comentários clichês. Xingações contra quem discordava dessa minoria geralmente usavam a expressão "seu m****" ou "viúvas de latas de tinta".

A agressividade desses busólogos - que chegaram a invadir uma petição contra a pintura padronizada para despejar comentários grosseiros e baixarias ofensivas - repercutiu no país e frustrou outros movimentos busólogos, que passaram a ver nos busólogos cariocas um "bando de brigões". O vitimismo fingido dos busólogos agressores não convenceu e hoje a busologia repercute mais com adeptos mais novos, desprovidos da intolerância de alguns veteranos.

A pintura padronizada também não foi incluída na pauta de protestos do Movimento Passe Livre, que perdeu a oportunidade de usar esse problema para se projetar. Com isso, o MPL se enfraqueceu, na mera luta prosaica das passagens de ônibus, sem saber que, com a pintura padronizada ocorre o risco de pegar o ônibus errado e, numa cidade com trânsito congestionado que é o Rio de Janeiro, nem o Bilhete Único salva.

Um exemplo é que, se a passagem de ônibus deixa de custar R$ 3,80 para voltar a ser R$ 3,40, a pintura padronizada traz o risco do alto custo, pois, pegando um ônibus errado e perdendo o tempo do Bilhete Único, a passagem será de R$ 6,80, duas vezes R$ 3,40, não adiantando pedir a redução da tarifa. Diante dessa omissão de causa, o Movimento Passe Livre foi ultrapassado pelo seu clone, mais canastrão porém com mais visibilidade, o Movimento Brasil Livre.

Diante desses incidentes, a pintura padronizada ainda tentou prevalecer quando a mídia tentava inserir os ônibus com embalagem de remédio na paisagem carioca. O visual - que lembra a embalagem do remédio Buscopan - também mostrava um aspecto de sujo e velho, devido à cor cinzenta do fundo.

A pintura padronizada fez as relações entre empresas de ônibus e consumidores se tornarem confusas, além de criar uma crise de responsabilidade. Afinal, ninguém conseguia saber se os ônibus eram administrados pelo Estado ou por empresas particulares, e uns acusavam outros de influir pela decadência do setor.

Outro aspecto a considerar é que a pintura padronizada representou violações da lei, influindo em infrações previstas pela Lei de Licitações (8.666/93), com a concessão de transporte público não refletindo na identificação visual de empresas concessionárias e pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) na qual se aproveitava da desinformação da população para impor pintura padronizada em troca de supostos benefícios (como ônibus articulados e pistas exclusivas para BRT).

Há também o caso da poluição visual que, desmentindo a queixa do então prefeito Eduardo Paes - que a diversidade visual "poluía" visualmente o Rio de Janeiro -  , se reflete na pintura padronizada, onde em muitos casos há excesso de logotipos - do consórcio, do poder político correspondente, da secretaria, do tipo de ônibus etc - que "poluem" os ônibus, como no caso da cidade de São Paulo.

Ou então há o aumento de custos de transferência de ônibus de uma mesma empresa de um sistema de linhas para outro, causando burocracia e gastos desnecessários de plotagem só para transferir, por exemplo, ônibus semi-novos de linhas intermunicipais para municipais. Na Grande Belo Horizonte, uma mesma empresa pode ter até seis pinturas diferentes, o que já causou problemas na transferência de carros semi-novos de algumas linhas para outras.

Com o padrão de sistema de ônibus imposto em 2010 - que incluiu também a dupla função do motorista-cobrador e o esquartejamento de itinerários visando a supervalorização do Bilhete Único e as baldeações que faziam perder tempo e forçar o passageiro a viajar em pé no segundo ou terceiro ônibus - , os acidentes de ônibus aumentaram assustadoramente, causando dezenas de mortos e centenas de feridos. Até uma produtora da TV Globo morreu atropelada por um ônibus.

Crivella pretende desfazer esse modelo, aos poucos. Há uma ação judicial pedindo para que a dupla função do motorista-cobrador seja cancelada, o que está causando muita polêmica pelo fato de que isso irá influir nos preços das passagens.

Há muito o que fazer, mas o fim da pintura padronizada já será um avanço. E tende a ser, mesmo a longo prazo, o fim de uma visão, ainda dominante mas originária da ditadura militar, que vende como "verdade absoluta" a ilusão de que o sistema de ônibus só evolui em função de um visual único imposto pelo poder público e com ênfase no logotipo de governos municipais e estaduais.

domingo, 15 de julho de 2018

MESMO COM PIOR TRÂNSITO, SALVADOR TENTA RESOLVER PROBLEMAS. JÁ NITERÓI...

EM NITERÓI, NO CRUZAMENTO DA RJ-100 COM RJ-106, TERRENO COM MURO QUEBRADO DEVERIA SER DEMOLIDO PARA NOVA RODOVIA. MAS NINGUÉM SE PREOCUPA COM ESSA URGÊNCIA DA MOBILIDADE URBANA.

Salvador está em 70ª colocação entre as cidades com pior sistema de transporte, segundo dados recentes levantados pela Expert Market. Havia também sido considerada uma das piores em trânsito no Brasil, segundo outros levantamentos. Mesmo assim, a capital baiana busca o máximo de empenho para resolver seus problemas de trânsito, criando uma série de medidas para permitir maior fluidez do trânsito de veículos.

Em comparação com Niterói, ex-capital fluminense que, oficialmente, é considerada quarta maior cidade em Índice de Desenvolvimento Humano (critério que avalia os níveis de qualidade de vida nas cidades, segundo as Nações Unidas), Salvador estabelece com a cidade vizinha ao Rio de Janeiro uma relação que beira a uma comédia surreal.

A "evoluída" Niterói vive hoje um surto de acomodação na qual seus próprios cidadãos são surdos a seus próprios problemas. Textos sobre problemas mais complexos da cidade são praticamente boicotados, daí a baixa repercussão na Internet e nas redes sociais. Niterói tem até um grande e preocupante número de fumantes, indiferentes à sua própria tragédia iminente, enquanto a "preguiçosa" Salvador está entre as cidades onde menos se fuma no Brasil.

NA "PREGUIÇOSA" SALVADOR (ACIMA), CONSTROEM-SE TERMINAIS DE ÔNIBUS EM BAIRROS DIVERSOS, COMO O TERMINAL ACESSO NORTE, MAS NA "EVOLUÍDA" NITERÓI (FOTO ABAIXO), SE LIMITA A CRIAR PONTOS IMPROVISADOS EM TERRENOS BALDIOS, APENAS ASFALTADOS, COMO NO RIO DO OURO.

O detalhe surreal está no fato de que a "moderna" Niterói anda indiferente a necessidades como a criação da nova avenida entre Rio do Ouro e Várzea das Moças, uma necessidade diante da sobreposição de funções da rodovia estadual RJ-106 (também conhecida como Rodovia Amaral Peixoto), que liga Niterói a Região dos Lagos, mas no trecho entre os citados dois bairros, que carecem de avenida própria de ligação, ela ganha a função de "avenida de bairro".

A acomodação é tanta que atinge a mídia niteroiense, que não escreve uma linha sobre essa sobreposição de funções da rodovia RJ-106. Nem o Niterói Radar, principal página de notícias sobre Niterói nas redes sociais, põe o problema na pauta, mais preocupado em reclamar de um ponto de linhas de ônibus no Colégio Salesiano do que da falta de uma avenida própria ligando Rio do Ouro a Várzea das Moças, um dos problemas menos graves no cotidiano dos niteroienses.

A falta de consciência da mobilidade urbana em Niterói - que, com maior atraso do que Salvador, readapta calçadas para deficientes e cria supermercados grandes e com corredores largos - é tanta que se faz um carnaval só com medidas necessárias porém insuficientes como o recapeamento de ruas e avenidas, agora com alarde para "novidades" como drenagem de várias camadas do asfalto.

ENQUANTO SALVADOR SE ESFORÇA EM CRIAR PASSARELAS PARA PEDESTRES PARA FAVORECER A FLUIDEZ DO TRÂNSITO...

Cada vez mais se comportando como uma cidade do interior, isolada no seu próprio narcisismo, Niterói leva às últimas consequências a acomodação e o conservadorismo que já causam a decadência do vizinho Rio de Janeiro.

Enquanto Salvador, mesmo com posições desvantajosas no âmbito do trânsito, transporte e mobilidade urbana, realiza uma série de trabalhos, enfrentando problemas e se empenhando o máximo para resolver os transtornos diversos, Niterói, que também tem sérios problemas de trânsito, se limita a fazer ações meramente pontuais, se conformando, com um comodismo irritante, com seus próprios e gravíssimos problemas.

Por sorte, Niterói deixou de ser capital de Estado, o que a exclui da avaliação de capitais brasileiras mediante levantamentos sobre situações diversas. No caso de Niterói continuar sendo capital do Estado do Rio de Janeiro e o município vizinho, o da Guanabara, a cidade governada pelo prefeito Rodrigo Neves também iria estar entre as piores em transporte e trânsito nos levantamentos a respeito.

...EM NITERÓI PERMANECE A IRRITANTE DEMORA NOS SINAIS PARA PEDESTRES E A FALTA DE PASSARELAS QUE PODERIAM DISPENSAR O USO DE SEMÁFOROS QUE CAUSAM RETENÇÕES NO TRÂNSITO.

Surda aos problemas mais graves, a Niterói que festeja demais um simples e obrigatório recapeamento do asfalto como se fosse uma "revolução na mobilidade urbana", se recusa a construir passarelas no entorno urbano, achando que isso causaria "poluição visual" na cidade.

Não, não causa. Em Salvador, o grande número de passarelas, em bairros como Pituba, Barra e no entorno das avenidas Tancredo Neves e Luís Viana Filho (Paralela), só reforça a beleza dessas áreas, combinada com a funcionalidade dessas vias para pedestres, feitas para dispensar a "briga" entre motoristas e transeuntes pelo tráfego de uma rua.

A irritante espera de transeuntes para atravessar os curtos sinais para pedestres em áreas como o encontro da Avenida Roberto Silveira e Rua Miguel de Frias com a Av. Marquês do Paraná, na área próxima ao Rio Cricket, é um problema de mobilidade urbana que, supostamente, pode não influir no fluxo de veículos, que têm um tempo maior de sinal verde, mas ainda assim não deixa de complicar o trânsito.

O grande erro também de transformar a Av. Roberto Silveira numa via de mão única - apenas com alguns horários de via de mão dupla - , na incapacidade de criar outras alternativas viárias e novas avenidas, reflete o comodismo de uma Niterói que parece não entender direito o que é mobilidade urbana.

Um exemplo é que seria possível demolir áreas paralelas à Rua Noronha Torrezão (uma das piores em tráfego de veículos de Niterói), criando avenidas de ligação tanto do lado da Av. Jansen de Mello (incluindo um túnel) quanto da Rua Vereador Duque Estrada à Estrada Viçoso Jardim, além da duplicação do trecho da Rua Benjamin Constant no Ponto Cem Réis (que exigira demolição de casas, com indenização justa aos proprietários), para amenizar o trânsito.

ENQUANTO O TERMINAL JOÃO GOULART SE SOBRECARREGA SEM NECESSIDADE COM LINHAS RODOVIÁRIAS, O TERMINAL ROBERTO SILVEIRA (RODOVIÁRIA DE NITERÓI) TEM ESPAÇOS VAGOS, CHEGANDO A ESTAR VAZIO EM VÁRIOS MOMENTOS.

Outro problema em Niterói é a má distribuição de linhas de ônibus, causando sobrecarga quando linhas rodoviárias com destino para a Baixada Fluminense, Maricá, Araruama, Itaboraí e Rio Bonito estão paradas no Terminal João Goulart, sobrecarregando seu fluxo de ônibus, enquanto, na Rodoviária de Niterói (Terminal Roberto Silveira), há lugares ociosos, deixando a rodoviária vazia por vários momentos.

As linhas para os destinos referidos no Terminal João Goulart já têm versões urbanas. A transferência das versões rodoviárias para o Terminal Roberto Silveira, uma solução desprezada pelos niteroienses, ajudaria a aliviar o fluxo no TJG e a dar movimentação na Rodoviária de Niterói, permitindo melhorias no trânsito que ajudariam muito na mobilidade urbana.

Mas, infelizmente, poucos conseguem dar conta dessa necessidade, apesar de muitos viverem os transtornos gerados pela atual situação. É triste saber que os niteroienses vivem seus transtornos e, mesmo assim, não gostam de ver esses problemas denunciados e as soluções apontadas, porque pensam que isso traria mais custo e problemas para a cidade. Acham que solução gera novos problemas e que os problemas atuais já são soluções. Vai entender.

Soluções assim entram num ouvido e saem no outro, por parte dos niteroienses que, salvo exceções, se acomodam com o futebol do município vizinho e com o hábito masoquista de destruir seus pulmões e fragilizar seus corações com altas doses de nicotina. Assim, não há IDH que coloque Niterói às alturas, com a cidade, na prática, despencando em qualidade de vida e perigando ter quedas vertiginosas de expectativa de vida, por causa do "direito de fumar".

IDH não quer dizer "Iesu Domini Homini" ("Jesus, Deus dos Homens", em latim caricato). Significa Indice de Desenvolvimento Humano. E IDH não se dá de graça, IDH não cai do céu. Como no conto da lebre e da reposa, a "elevada" Niterói, como lebre dos índices oficiais de qualidade de vida, se acomoda no seu narcisismo autista, ultrapassada pela Salvador do estereótipo "preguiçoso", mas com espírito de muito trabalho como na tartaruga do famoso conto, que acaba vencendo a corrida.

Convém Niterói ouvir seus próprios problemas e mudar suas posições. Deixar, por exemplo, que a necessidade de nova avenida ligando Rio do Ouro a Várzea das Moças seja levada em conta o mais rápido possível, evitando o vexame da via Cafubá-Charitas, "adormecida" durante sete décadas.

Seria bom que os niteroienses abrissem mão de suas zonas de conforto (sobretudo "regadas" a muito cigarro), aceitassem admitir novos problemas e buscar soluções. Se os niteroienses não aguentam tomar conhecimento de certos problemas, que façam o possível para resolvê-los.

Esperemos também que a imprensa niteroiense comece a falar da nova avenida Rio do Ouro-Várzea das Moças, a Cafubá-Charitas da vez, deixando a RJ-106 para a Região dos Lagos e tirando dela o fardo da sobreposição de funções, quando uma rodovia estadual, numa área entre dois bairros, acumula a incômoda função de "avenida de bairro", causando prejuízo no trânsito.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

TENTOU-SE TIRAR CRIVELLA, MAS A PINTURA PADRONIZADA, LEGADO DE EDUARDO PAES, NÃO ACABA

REAL AUTO ÔNIBUS É UMA DAS EMPRESAS MAIS SUCATEADAS DEPOIS DA IMPLANTAÇÃO DO ESCONDE-ESCONDE DA PINTURA PADRONIZADA.

O Brasil virou um país surreal, pois medidas prejudiciais à população e aberrantes violações à lei, nos mais diversos sentidos, permanecem insolúveis e sem prazo para alguma punição ou revogação. A desinformação e o conformismo generalizados da população e a gama de interesses espúrios e paradigmas dominantes, mas decadentes, contribui para esse caos "naturalizado" permanecer.

Tenta-se resolver isso ou aquilo eventualmente. Mas, mesmo assim, remediando males em vez de preveni-los. O decadente Rio de Janeiro, que pelo jeito anda sendo ruim de voto - elegeu parlamentares depois denunciados ou condenados por corrupção e outros crimes, de Sérgio Cabral Filho a Jair Bolsonaro - , recentemente teve o julgamento de impeachment do prefeito da capital fluminense, Marcello Crivella.

Crivella era acusado de crime de responsabilidade, por suposto favorecimento a entidades e lideranças evangélicas, criando facilidades que envolveriam desde o IPTU das igrejas evangélicas a ações de natureza pessoal, como a cirurgia para catarata de pastores evangélicos. Uma das maiores beneficiadas, segundo esta acusação, é a própria Igreja Universal do Reino de Deus, da qual o prefeito carioca é também bispo.

A admissibilidade de votação do impeachment foi dada por maioria simples dos 47 parlamentares presentes na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A votação foi marcada para o dia 12, por decisão da Procuradoria da casa legislativa.

De um total de 51 vereadores que atuam na casa legislativa, quatro não haviam comparecido: Chiquinho Brazão (Avante), Marcello Siciliano (PHS), suspeito de envolvimento na morte da colega Marielle Franco (PSOL), Carlos Bolsonaro (PSC), um dos filhos do presidenciável Jair, e Verônica Costa (MDB), ligada ao "funk carioca".

Em uma votação que incluiu até gestos obscenos do vereador evangélico Otoni de Paula (PSC), parodiando uma drag queen para ofender o também vereador David Miranda (PSOL), este também marido do jornalista estadunidense radicado no Brasil, o famoso Glenn Greenwald, o resultado foi de 29 votos contra a saída de Crivella, se opondo a 16 votos a favor e duas abstenções.

Crivella havia perdido, pela morte por infarto, o seu vice, o engenheiro urbanista Fernando MacDowell. Antes de afastar da Secretaria Municipal de Transportes, MacDowell havia prometido desfazer a pintura padronizada nos ônibus e a reformulação de linhas de ônibus municipais (que esquartejaram itinerários, visando forçar a baldeação pelo Bilhete Único), mas esbarrou em conflitos com empresários de ônibus, sobretudo no que se diz aos preços das passagens.

A situação do sistema de ônibus carioca se complicou desde que um modelo desgastado, inspirado no decadente padrão de Jaime Lerner implantado em Curitiba durante a ditadura militar, que no Rio foi imposto por Eduardo Paes em 2010 e radicalizado em 2015.

Com o fim de várias linhas diretas ligando Zona Norte e Zona Sul - que só foi freado por liminares na Justiça, que barraram o esquartejamento de trajetos importantes de linhas como 455 Méier / Copacabana e 474 Jacaré / Jardim de Alah - e a retirada de uma considerável quantidade de ônibus das ruas, Rio de Janeiro viu seu trânsito piorar, dentro de uma cultura de valorização excessiva dos automóveis.

Essa cultura de supervalorização é reforçada pela mídia já de manhã, quando os intervalos dos telejornais matinais bombardeiam as telas de comerciais de automóveis, concessionárias e peças automotivas. Fala-se em "sobreposição" de trajetos das linhas Norte-Sul cariocas, mas ninguém reclama da sobreposição de comerciais de marcas concorrentes de automóveis num mesmo módulo de comerciais de TV.

Pesquisa divulgada pela empresa Expert Market divulgou que o Rio de Janeiro está em último lugar entre as capitais mundiais por conta de problemas no transporte e no trânsito. Critérios como o tempo de baldeação (que o esquartejamento de trajetos longos faz complicar) e o custo do transporte em relação ao salário dos trabalhadores foram avaliados.

Rio de Janeiro aparece em situação pior que a de Salvador, que, com todos os seus problemas de tráfego, se empenha em resolver os problemas, criando rodovias de escoamento de trânsito e passarelas para pedestres no sentido de evitar o conflito da espera de transeuntes para atravessar uma rua e o limite do semáforo que causa congestionamentos.

Quanto à pintura padronizada nos ônibus, o problema causa a crise no sistema de ônibus com a desvalorização do serviço - as empresas se desleixam ao serem proibidas de apresentar as respectivas identidades visuais -  que causa confusão nos passageiros (já sobrecarregados de tarefas cotidianas, eles ainda são obrigados a diferenciar uma empresa de ônibus de outra, sob uma pintura igual) e estimula, pelo esconde-esconde visual, a corrupção empresarial.

A prevalência da pintura padronizada é motivada, além dos conflitos entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e os empresários de ônibus, como na "batalha das tarifas", pela continuidade da lamentável prática em cidades como São Paulo e Curitiba, cujos sistemas de transporte estão tão decadentes que as prefeituras tentam flexibilizar, mudando pequenas regras, para requentar o desgastado e já obsoleto "modelo Jaime Lerner".

Diante disso, a brincadeira de esconde-esconde das empresas de ônibus continua no Rio de Janeiro, com o consentimento até do Movimento Passe Livre (que poderia ter se destacado no combate à pintura padronizada, mas se reteve e foi ultrapassado, em visibilidade, pelo clone Movimento Brasil Livre). E os pobres dos passageiros correndo o risco de embarcar nos ônibus errados, devido à uniformidade visual...

quarta-feira, 20 de junho de 2018

EM NITERÓI, O SURREAL CASO DE BAIRROS VIZINHOS SEM LIGAÇÃO DIRETA


Niterói vive uma comédia surreal. Há dois bairros vizinhos, Rio do Ouro e Várzea das Moças, que praticamente são incomunicáveis. Ambos não têm avenida de ligação direta entre si e dependem de duas vias problemáticas para se ligarem.

Uma das vias é uma estrada de carroça, entre as ruas Senador Fernandes da Cunha, no Rio do Ouro, e Jean Valenteau Moulliac, em Várzea das Moças, que tem trechos sem asfalto e com via tão estreita que não dá para passar dois carros no mesmo lugar.

Outra das vias é a Rodovia RJ-106, que liga Tribobó - bairro bimunicipal de Niterói e São Gonçalo - a Maricá e Região dos Lagos. Apesar da envergadura da estrada, que é uma rodovia estadual, e ligar uma grande quantidade de municípios, em Niterói a RJ-106 goza da "confortável" condição de "avenida de bairro", causando sobreposição de função na rodovia.

O dado surreal se dá por conta do conformismo extremo entre autoridades, técnicos e até mesmo a opinião pública, que não mexe um dedo para digitar no computador um pingo de indignação contra a situação surreal.

O conformismo é tanto que chega-se a uma conclusão idiota sobre a "desnecessidade" de uma avenida própria ligando Rio do Ouro a Várzea das Moças. Muitos acham que os dois bairros não precisam de nova avenida "porque já tem a RJ-106". É muito cretinismo: é como alguém dizer "nós não precisamos de solução, porque o problema já nos satisfaz completamente".

A coisa está tão complicada que, no trecho de Várzea das Moças, os ônibus que saem do entorno da Av. Ewerton Xavier e Av. Plínio Gomes de Matos Filho, na RJ-106, precisam pegar um trecho no sentido Maricá e encarar um retorno, sendo obrigado a mudar de faixa, prejudicando o trânsito, sobretudo automóveis que já aceleram na rodovia para se dirigirem à Região dos Lagos.

Não há mergulhões que possam escoar o trânsito de Rio do Ouro e Várzea das Moças para a RJ-106 no sentido Tribobó. E a falta de avenida própria que possa ligar os dois bairros sem depender da rodovia estadual traz um sério problema de mobilidade urbana e fluidez no trânsito, com a sobreposição de funções na RJ-106.

O mais surreal é que o DER-RJ, órgão do governo do Estado do Rio de Janeiro, que deveria mais se preocupar com a situação, se limita apenas a oferecer a RJ-106 para as estradas a serem privatizadas em breve. Mas o órgão não mexe um dedo para resolver o problema de sobreposição de funções na rodovia, que não pode se rebaixar a avenida de bairro no trecho de Niterói, prejudicando as demandas de outros municípios.

Outra coisa a destacar é que a Prefeitura de Niterói só intervém nos bairros para recapear o asfalto, investindo até no processo complexo da "patrolagem", que é uma espécie de asfaltamento mais cuidado, com preparação de várias camadas de solo para receber um asfalto mais resistente.

As áreas de Rio do Ouro, Várzea das Moças e outros bairros de Niterói, São Gonçalo e Maricá já são abandonadas pelo poder público. Mas lembrar de problemas de infraestrutura, mobilidade urbana, saneamento, iluminação, segurança etc não excluem a construção da nova avenida entre os dois bairros niteroienses, necessidade que se tornou urgente após a inauguração da estrada Cafubá-Charitas, entre a Região Oceânica e o Saco de São Francisco.

Isso porque há uma preocupação de se repetir o vexame da Cafubá-Charitas, um projeto que levou sete décadas para ser implantado, diante da indiferença dos niteroienses presos em suas zonas de conforto (ou desconforto, pela aceitação servil e bovina a transtornos graves).

Durante anos, a opinião pública niteroiense se resignou com a travessia, entre a R.O. e São Francisco, pelo longo caminho pelo Largo da Batalha. Não havia um pio sobre esse problema e todos perdiam tempo, felizes, em seus veículos, com tão longa travessia.

Estrada ligando Piratininga e São Francisco (na altura do Imbuí, vizinho a Charitas) até havia, mas ela tinha como barreira uma área militar, o que fazia com que se apelasse para ruas residenciais em longa e trabalhosa travessia.

Hoje o problema se repete entre Rio do Ouro e Várzea das Moças. O surreal e ridículo conformismo com a falta de avenida própria "porque já tem a RJ-106" se prolonga e cabe, pelo menos, denunciarmos a opinião pública conformista, porque na verdade ela se torna um arremedo de opinião pública, servil ao establishment político-administrativo dominante.

Com isso, a mobilidade urbana é apenas uma quimera no entorno da RJ-106, diante do atolamento de niteroienses influentes que, com suas páginas noticiosas nas redes sociais, pelo menos deveriam se indignar com a falta de avenida própria ligando dois bairros vizinhos, "isolados" entre si.

No entanto, espera-se que não precisemos aguardar mais de 70 anos para que os niteroienses tenham a consciência da necessidade de uma nova avenida. Repetir o vexame da Cafubá-Charitas será demais para Niterói, oficialmente considerada a quarta melhor do país em índice de desenvolvimento humano. Só que IDH não cai do céu, viu?

segunda-feira, 18 de junho de 2018

ÔNIBUS PADRONIZADOS VIRARAM UM GRANDE PEPINO


O sistema de ônibus do Rio de Janeiro virou um grande pepino. A inicial disposição do então secretário de Transportes, Fernando MacDowell, de eliminar males como a pintura padronizada, as linhas esquartejadas e as linhas "troncais" - que estão mais para "truncadas" - esbarrou numa série de dificuldades.

Houve denúncias de esquemas de corrupção envolvendo empresários de ônibus atuantes na cidade. Houve a questão dos preços das passagens, que viviam num sobe-e-desce interminável, e recentemente a Justiça barrou o aumento da tarifa de R$ 3,60 para R$ 3,95, que iria valer a partir de ontem. Mas o próprio MacDowell, que deixou a pasta dos Transportes para ficar só como vice-prefeito, sofreu um infarto e, após dias de internação, faleceu.

O modelo empurrado à força em 2010 por um Eduardo Paes ao mesmo tempo autoritário, populista e demagógico, que envolveu ônibus padronizados, dupla função do motorista-cobrador, esquartejamento de trajetos de linhas e outros modismos trazidos pela "moderna" Curitiba (cidade que se revela, na verdade, cada vez mais conservadora e reacionária), poderia ter chegado ao fim há, pelo menos, um ano.

Diante da mania, contraída nos últimos 25 anos, dos cariocas se conformarem com tudo e ficarem dependentes de suas próprias zonas de conforto - daí as explosões de intolerância e ódio das redes sociais, nas quais a busologia local não foi exceção à regra - , o decadente modelo de 2010 mostra sinais de esgotamento, mas infelizmente não há um prazo para seu fim.

Isso se deve porque o modelo de 2010 é bom e os problemas são só iniciais? Não. O modelo se mostra fracassado, ineficiente, confuso. Só no caso da pintura padronizada, não há um único indício de que a medida, que põe diferentes empresas de ônibus sob um mesmo visual, traga vantagens e funcionalidade para a população e para o sistema como um todo.

Pelo contrário, os ônibus "iguaizinhos" só revelam problemas e eles, em si, já se tornaram "pepinos" sobre rodas. Confundem os passageiros, que não sabem mais a quem recorrer quando uma empresa presta mau serviço, porque a empresa A transfere a culpa para a empresa B do consórcio X que culpa o consórcio Y e por aí vai. E tem empresa se extinguindo e mudando o nome e o passageiro é sempre o último a saber.

Outro fator complicador é que o modismo dos ônibus padronizados, que mostra sinais de esgotamento até em Curitiba e São Paulo, tenta permanecer em pé, mudando pequenas regras na licitação das linhas de ônibus, trocando zonas e bairros e tipos de ônibus aqui e ali e mudando o design da padronização visual, como trocando o "seis pela meia-dúzia", sempre "mudando" para continuar sendo a mesma coisa, o mesmo desastre de antes.

Diante disso, o Rio de Janeiro acaba sendo dependente deste modismo, e a falta de visão do atual secretário municipal de Transportes, Rubens Teixeira, que não parece inclinado a eliminar a pintura padronizada, também deixa tudo como está.

A situação do transporte coletivo é tão caótica que até a busologia do Rio de Janeiro se "queimou" completamente. A arrogância de uma meia-dúzia de busólogos em forçar o apoio à pintura padronizada nos ônibus, o que fez com que eles agissem com muita truculência contra quem discordasse da medida, também só fez a má fama da busologia no resto do país, com a imagem pejorativa dos "burrólogos", "bozólogos" ou "brutólogos".

O sistema de ônibus do Rio de Janeiro virou um pesadelo sobre rodas, temperando a decadência que vive todo o Estado, que havia sido influente na implantação do golpe político de 2016. Sabe-se que, movidos pela catarse de chiliques moralistas, os cariocas elegeram, para o Legislativo, nomes como Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro, que ajudaram a instalar o caos em todo o país.

A má reputação do Rio de Janeiro ainda envolve problemas como o Estado sendo o maior reduto de valentonismo digital (cyberbullying) do Brasil e a sua impotência em zelar pelo patrimônio cultural local.

Há muito o Rio perdeu sua relevância cultural e mesmo o "funk", tido como sua mais nova manifestação cultural - na verdade, o ritmo surgiu na Flórida, nos EUA - , revela falhas no âmbito artístico, cultural e ideológico, neste caso associado a valores morais retrógrados, como o machismo.

Para piorar, é no Rio de Janeiro que existem maiores clamores por uma intervenção militar (não só o desastroso projeto policial do Exército nas favelas, mas o eufemismo para a volta da ditadura militar), ou a volta da ditadura camuflada de "voto popular" através da eleição de Jair Bolsonaro. Isso põe por terra abaixo a reputação de modernidade do Rio de Janeiro, que desde os anos 90 parece ter parado ou regredido no tempo.

Não fosse a decadência do Rio de Janeiro e a acomodação dos cariocas que, em parte, só protestam contra quem se arrisca a protestar e não toleram a diferença, a pintura padronizada nos ônibus cariocas teria sido cancelada há mais de cinco anos.

Mas nem mesmo o Movimento Passe Livre pediu o fim da pintura padronizada, iludido com o caráter moralista da medida - se esquecem que a diversidade visual, com cada empresa mostrando sua própria pintura, traz mais transparência e impõe responsabilidades ao sistema de ônibus e permitem ao passageiro reconhecer a empresa que presta mau serviço - e perdendo uma boa oportunidade de obter protagonismo combatendo o esconde-esconde das empresas de ônibus.

Na atual fase intolerante dos cariocas, que sempre reagem com estranheza à existência da diversidade, faz sentido a conformação com os ônibus "iguaizinhos" da pintura padronizada, bem mais adequados ao clima de mesmice, convencionalismo social e conservadorismo ideológico a que sucumbe e naufraga a maioria conformista e reacionária dos cariocas. Se o sistema de ônibus está desgovernado, isso é um efeito do caos e do conservadorismo que arruinam o Rio de Janeiro.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

RODOVIÁRIOS QUEREM FIM DA DUPLA FUNÇÃO DO MOTORISTA-COBRADOR


Uma paralização parcial do serviço de ônibus municipais do Rio de Janeiro causou muito transtorno entre os cariocas no dia de hoje. A paralização foi um protesto movido por rodoviários pedindo reajustes salariais e a volta da função específica do cobrador nos ônibus dotados de roletas.

Atualmente, os ônibus adotam gradualmente a dupla função, que nos últimos três anos demitiu vários cobradores e fez acumular, nos motoristas, a tarefa de cobrar passagens. A chamada "dupla função" é responsável pela sobrecarga que abala a saúde mental e até física dos motoristas, divididos entre responsabilidades como oferecer o troco correto e observar o trânsito em volta.

A "dupla função", que faz parte de uma lógica militarizada do sistema de ônibus - que inclui pintura padronizada, redução de ônibus em circulação e diminuição drástica de itinerários - , é um padrão de serviço de transporte coletivo oriundo da ditadura militar, idealizado a partir do projeto do prefeito biônico Jaime Lerner, arquiteto que iniciou carreira política filiado à ARENA e atualmente faz parte da base de apoio do governo Michel Temer.

Medidas desse tipo andam prejudicando passageiros e rodoviários sob diversos aspectos. As autoridades, indiferentes, tentam arrumar todo tipo de desculpa para os transtornos vividos por passageiros e rodoviários. Mas a verdade é que o modelo adotado em 2010 por Eduardo Paes mostra sinais de esgotamento e medidas como a pintura padronizada e a dupla função só trazem prejuízos em todos os sentidos.

Os rodoviários decidiram suspender a greve por 24 horas, depois de uma assembleia. O Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Rio de Janeiro (Sintraturb Rio) aceitou a proposta de aumento salarial de 7% e de 50% da cesta básica, proposto pelos patrões, mas pedem que o prefeito Marcelo Crivella regulamente a lei extinguindo a dupla função em ônibus urbanos com roleta.