domingo, 30 de janeiro de 2011

Ônibus de Londres não é padronizado

Depois de ter a infeliz ideia de declarar que " a padronização de pinturas é uma tendência mundial", o prefeito Eduardo Paes e seu capanga Alexandre Sansão, devem ficar bem envergonhados do que vou mostrar aqui.

Eu, como descendente de ingleses, tenho o prazer de lhes dizer que, do contrário que muitos pensam, o sistema de ônibus da capital inglesa não possui pintura padronizada.

Lá há pintura diversificada entre as empresas e os famoso vermelhinhos são apenas os que servem o centro da cidade. Mesmo assim, as empresas que são obrigadas a adotar o vermelho, colocam algum detalhe que possa ajudar na identificação das empresas.

Ah! E todas, vermelhas ou não, deixam bem nítido o nome de cada empresa em sua carroceria.

Portanto, defensores da padronização, que estavam pensando que a medida "era um avanço" só porque era dominante em alguns países desenvolvidos, saibam que o mais busólogo país de primeiro mundo não adotou a padronização, mostrando uma surpreendente diversidade de pinturas e modelos que antes eram motivo de orgulho do sistema de ônibus carioca.

Paes acabou com uma das belezas da capital fluminense e promete acabar com mais belezas. Qual será a próxima? Botar lona no Pão de Açúcar? Colocar saia no Cristo Redentor? Espero que ele não renda a essas loucuras.

Vejam as fotos abaixo, com ônibus de Londres em diversas linhas regulares. Os que tem predominância de vermelho geralmente servem o centro.























quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"CURITIBANIZAÇÃO" DOS ÔNIBUS EXPRESSA CONCENTRAÇÃO DE PODER



CLIQUEM NA FOTO PARA SABER MAIS DETALHES

Até agora, ninguém sabe a respeito da gravidade da "curitibanização" dos ônibus no Brasil, um método "racional" lançado pelo prefeito de Curitiba Jaime Lerner durante a ditadura militar, e que continua sendo vendido sob o rótulo de "novidade" que cada vez mais perde o sentido de ser.

Até porque a medida causa muitos transtornos, equívocos, porque o poder centralizado das Secretarias de Transporte é incapaz de cuidar, em si, do sistema de ônibus.

Por trás desse discurso de "disciplina", "eficácia" e "modernidade" (às custas de ônibus articulados e pistas exclusivas para ônibus, que, juntos, compõem o "sistema Bus Rapid Transit"), há um padrão de transporte coletivo que parecia moderno há 35 anos atrás, quando o Brasil vivia a ditadura militar e o neoliberalismo tecnocrático era uma "novidade" cujo auge já aconteceu, na década de 90, não só no Brasil como no mundo.

A defesa desse modelo de transporte coletivo se deve mais à permanência de seus beneficiários no poder político e tecnocrático do que ao sucesso do sistema. Até porque os vários equívocos, transtornos, protestos e até tragédias que acontecem em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e já no Rio de Janeiro, mostram a total falência do sistema. E, evidentemente, quem está no poder não quer admitir seu fracasso.

O gráfico acima é fictício, mas dá uma ideia de como se dá a relação entre a Secretaria de Transporte - seja da prefeitura, seja do órgão que controla o sistema intermunicipal - e as empresas de ônibus, num processo de concentração de poder do Estado, sob o sustento da iniciativa privada, que em nada contribui de concreto e de definitivo para o transporte coletivo.

Em primeiro lugar, a Secretaria de Transportes estabelece um padrão visual por serviços, dividindo os consórcios por zonas ou tipos de ônibus usados (se específicos, como micros ou articulados).

Esse padrão visual não é usado porque é bonitinho a empresa A e a empresa B circularem com pintura igualzinha, ou os ônibus da empresa A que servem a Zona Norte serem diferentes dos da mesma empresa que servem a Zona Oeste.

Nada disso.

O padrão visual expressa, por si só, a concentração de poder da Secretaria de Transporte, através de expressões como "cidade tal" ou "metropolitano".

O que mostra a diferença entre poder centralizado e poder eficaz. Nas capitais onde esse modelo é adotado, a partir de São Paulo e Curitiba - tidas como "bem sucedidas" e "tradicionais" - , a concentração de poder demonstrou não ser sinônimo de eficácia.

A Secretaria de Transportes cria uma empresa paraestatal - em São Paulo, tem a SPTrans, por exemplo - que controla o serviço de ônibus da cidade. Há também uma paraestatal para operar o transporte intermunicipal. Em Minas Gerais, há o DER-MG.

A diferença entre poder concentrado e poder eficaz se dá porque, no sistema tradicional de transporte coletivo - que não aposta em padronização visual nem em outros paliativos - , a Secretaria de Transportes tem, sim, um poder meramente regulador do transporte. Seu poder é o de fiscalizar.

A secretaria, no sistema tradicional, detém as concessões das linhas, dadas a cada empresa por licitação, mas dá a elas liberdade operacional, que é apenas fiscalizada. A intervenção só vem quando irregularidades sérias são cometidas.

No sistema "curitibanizado", não há liberdade operacional das empresas. A secretaria se comporta como um "pentelho", oficialmente ela diz ser mera reguladora do transporte, mas na prática ela controla o serviço de ônibus com poder de ferro.

RENOVAÇÃO DE FROTAS: NO MODELO "CURITIBANO", AS EMPRESAS FINANCIAM, MAS NÃO DECIDEM

Um dos pontos desconhecidos pela maioria dos busólogos é que, no modelo "curitibano" de ônibus, a renovação de frota é decidida pela secretaria, e não pelas empresas de ônibus.

"Como, se são as empresas de ônibus que compram os carros?", é a resposta comum.

O problema é que as empresas de ônibus apenas pagam os carros novos, mas quem decide pela renovação de frotas é a secretaria de transportes, mediante avaliação periódica das frotas.

Isso parece vantajoso, porque, em tese, vai cobrar da empresa que custa a renovar a frota a compra de novos carros. Mas, na prática, o que vemos é o contrário, a empresa que quer renovar sua frota mais rápido é que é intimada a adiar a renovação de frota para quando a secretaria achar "conveniente".

Por isso é que, em São Paulo e Curitiba, o que vemos é a prorrogação da "vida útil" dos ônibus, chegando a 14 anos, tornando os ônibus muito velhos.

O adiamento das renovações de frotas serve como propaganda política. Deixa-se a situação piorar e aí a prefeitura, de forma oportunista e cheia de pompa, anuncia uma "grandiosa" renovação de frota, apresentando seus carros novos em cerimônias oficiais.

Muitas vezes o discurso exagera, prometendo centenas e milhares de carros novos em um ano, mas tudo isso se dilui num prazo que se arrasta até em cinco anos para atingir a meta anunciada para apenas um ano.

O GRÁFICO - O exemplo fictício mostra o poder concentrado da Secretaria de Transportes, que se autoproclama "mera reguladora e fiscalizadora do transporte", mas demonstra ter poder centralizado.

A ela subordinam-se os consórcios privados, mas politicamente constituídos, em vez do natural agrupamento técnico por região de bairros.

O exemplo fictício, para efeito de estudo, enumerou três consórcios, destinados a cobrir três fatias de regiões de bairros determinadas pela Secretaria Municipal de Transportes (o exemplo usa o caso das linhas municipais).

O Consórcio 1 adota cor amarela, o Consórcio 2 adota azul e o Consórcio 3 adota lilás.

O Consórcio 1 conta com as empresas A, B, C e D como operadoras associadas, sempre ostentando no visual padronizado a expressão "Cidade Tal".

A empresa D também participa do Consórcio 2, o que faz ela adotar cor diferente para cada consórcio.

O Consórcio 2 tem ainda as empresas E, F, G e H como operadoras associadas.

A empresa H também opera no Consórcio 3, adotando portanto pintura diferente para cada consórcio.

O Consórcio 3 conta também com as operadoras associadas empresas I, J, K e L.

MAIS DESVANTAGENS DO QUE VANTAGENS

A retórica de "disciplina" e "eficácia" fez parte até do projeto da ditadura militar, anunciado em 1964. Portanto, não é bom superestimar tais ideias.

O modelo "curitibano" é mais desvantajoso que vantajoso, apesar da aparência de eficácia e modernidade, muitas vezes, falsa.

Entre várias desvantagens, ela sobrecarrega o controle pela Secretaria de Transportes que, com mais poder, não significa que o exerça com segurança e competência.

As empresas são submetidas ao fardamento visual - pintura padronizada - o que dificulta a identificação de cada empresa de ônibus, principalmente pelos passageiros das classes populares.

A identificação é dificultada também na hora de denunciar irregularidades. E também impede que qualquer empresa de ônibus promova sua imagem perante o público, "apagada" numa mesma pintura.

A sobrecarga do sistema faz com que problemas como redução das frotas, envelhecimento das mesmas, pressões de ordem profissional contra os rodoviários, falta de manutenção ou mesmo corrupção sejam mais difíceis de serem resolvidos.

Além disso, a "racionalidade" tecnocrática não é desculpa para manter esse modelo ou tentar desmentir seu desgaste. A realidade mostra o que Jaime Lerner e seguidores se recusam a ver, acomodados na sua vaidade político-tecnocrática.

Os fatos mostram o quanto é grave a concentração de poder das secretarias de transporte, dos interesses dos tecnocratas, enquanto os passageiros são vistos como mera plateia obrigada a aceitar decisões de cima para baixo supostamente voltadas ao interesse público.

Só que esse modelo já gera colapso violento nas suas cidades de origem, Curitiba e São Paulo. Será preciso que a gente mostre todo o desastre desse modelo para as autoridades internacionais e os dirigentes da FIFA e do COI?

sábado, 8 de janeiro de 2011

ENQUETE DA NOVACAP INDICA REJEIÇÃO À PADRONIZAÇÃO VISUAL



O sítio da Viação Novacap, tradicional empresa carioca, fez uma pesquisa perguntando se o internauta aprova ou não a padronização visual adotada pelos ônibus cariocas.

Até agora, o resultado deu um pouco menos que 1/3 dos pesquisados a favor da medida, enquanto um pouco mais de 2/3 reprova a mesma.

Além disso, em dois meses de implantada, ainda são poucos os carros com o visual padronizado que circulam no Rio de Janeiro, correspondendo a uma média de dois carros por empresa.

A medida arbitrária ainda ameaça ser implantada em 2013 para as linhas intermunicipais, causando um verdadeiro colapso no transporte coletivo.

Em todo caso, vale mostrar, por extenso, o endereço da petição contra a padronização visual dos ônibus, como forma de qualquer um que estiver na busca do Google participe e chame seus amigos para fazer o mesmo. O endereço é claramente este:

http://www.petitiononline.com/alexfig2/petition.html

Seguem as palavras-chave que servirão de chamamento para o pessoal entrar no linque da petição.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A cada dia a população reprova cada vez mais a padronização imposta pela prefeitura

 




   Texto publicado no O Globo na seção dos leitores de hoje, dia 2 de janeiro de 2011:


     "Ônibus no Rio
    Quando se fala em ônibus no rio, deveria ser usado o termo correto:caminhão, uma vez que o chassi é o mesmo. Enquanto na Inglaterra pode-se andar sem se segurar, aqui, o usuário precisa ser equilibrista para se segurar devido a freadas bruscas e solavancos. Sem contar com a "delicadeza" da maioria dos motoristas. A mudança nas cores e o letreiro rotativo só dificultam ainda mais a identificação dos ônibus.
Elaine Paiva
Rio"





      Cada vez mais a população carioca fica insatisfeita com as atitudes arbitrárias e autoritárias da prefeitura, sobretudo nos transportes. Hoje no O Globo, mais um leitor, na verdade uma leitora, criticou a padronização imposta pela prefeitura. Além de criticar os modelos de ônibus ao não se utilizar chassis com motor central ou traseiro ao optar pelo velho chassis de motor de dianteiro, ela desancou a padronização, pois ela afirma que esta confunde os passageiros.
      Tais atitudes não se restringem apenas aos transportes, mas em várias coisas da cidade, como por exemplo a privatização das praças, areias das praias e calçadões e também a padronização das barracas de camelôs das praias que agora são vermelhas.  No caso das praças, a prefeitura repassou uma praça em Botafogo para uma construtora após trocar por um terreno do metrô que fica ao lado de uma nova rua criada ao lado desta estação. Só que a prefeitura ao fazer isso não consultou a população e nem divulgou tal negócio a imprensa, o que configura em privatização irregular do espaço publico. No lugar será erguido mais um condominio que vai encher aquelas ruas altamente castigadas com mais carros, poluindo o meio ambiente, provocando mais acidentes e engarrafamentos nas castigadas Ruas Muniz Barreto e São Clemente, ou seja, a prefeitura além de privatizar e fazer negócio com um terreno publico ainda autoriza um empreendimento sem calcular os impactos gerais negativos que o mesmo poderá causar ao bairro e a toda uma regiao, configurando numa tremenda irresponsabilidade.
      E ainda tem mais. Ela privatizou parte da praça General Osório em Ipanema para um restaurante se expandir, configurando em mais desrespeito a população. No caso da orla, a prefeitura neste reveilon ainda concessionou para os quiosques, as areias e os calçadões alegando que são espaços privados. Os calçadões são vias publicas como as ruas e calçadas e as areias são terrenos da marinha, portanto ela não poderia se apropriar do que não é dela. Enquanto isso, camelôs são perseguidos, moradores dos bairros onde teve shows não podiam sair e carros estavam sendo rebocados por uma instituição que não tem moral para punir a população: a prefeitura.
    E para finzalizar, a prefeitura está fazendo o recapeamento das vias. Até ai ótimo, é obrigação dela, pois o IPVA pago pela população é para isso mesmo sendo pago ao governo do estado, mas este o repassa a prefeitura. Por isso é obrigação a prefeitura manter as vias em excelente estado de conservação. Só que oportunista que é, a prefeitura está se promovendo com isso. Sabe como:  tirando os logotipos dos caminhões e tratores das empreiteiras e colocando o seu próprio como se aqueles veiculos fossem dela, mas na verdade são das empreiteiras.
      Temos que evitar toda sorte de arbitrariedade  que este governo está fazendo, pois a prefeitura está indo longe de mais. Por isso peço que participem do abaixo assinado no começo deste blog. E só e feliz Ano Novo!