quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Precisa padronizar?

Uma praga que se espalha feito pereba e que se torna um gigantesco câncer no transporte brasileiro é a padronização visual dos ônibus, onde a frota de cada cidade é obrigada a usar uma farda, como se fosse "empregada" da prefeitura, contrariando a sua natureza de concessão. Ribeirão Preto (foto), em São Paulo, foi a mais recente contaminada por esta doença que coloca os ônibus com uma "cara " só".

Confirmadamente não há nenhuma vantagem em uniformizar frotas. A única suposta "vantagem" é de servir de propaganda para as prefeituras que fazem a concessão. Para escrachar, só faltava colocar o rosto do prefeito nas pinturas dos ônibus de cada município. Fora isso, a lógica e o bom senso consideram inútil e até nocivo o hábito de uniformizar frotas de ônibus. Coisa que o radialista e estudioso dos transportes Adamo Bazani não se cansa de avisar e que também foi alertado pelo maior estudioso da mobilidade urbana do Rio, Fernando Macdowell.

O que deveria ser uma concessão, acaba se caracterizando como uma encampação, já que a prefeitura, dona apenas das linhas, mete o nariz onde não é sua responsabilidade e toma a frota como se fosse sua, impondo uma pintura uniformizada que mais confunde do que ajuda, além de favorecer corrupção e a má qualidade dos serviços. Nem adianta prefeitos posarem de "durões" dizendo que "vão fiscalizar rigorosamente" o transporte. A identificação das empresas faz parte da qualidade dos serviço de transporte e as irregularidades e problemas favorecidos pela não identificação são inevitáveis.

Os defensores argumentam que "organiza mais", mas esse argumanto carece do detalhe técnico e lógico típico de quem tem o discernimento desenvolvido. Soa como um "porque sim" comumente dito por crianças para justificar suas teimosias. Organizado? A prática mostra o contrário.

O sistema de Curitiba, tido como o "melhor" do país ditou os moldes. Surgido no auge da ditadura militar, é um sistema arbitrário, autoritário e equivocado, transformando cada prefeito em "Senhor da Guerra", impondo normas aleatórias e causando ainda mais confusão.

Segundo a lei, cada empresa deve arcar com a operação. Isso incluí a liberdade de decidir o que deve ser feito com a frota. A única exigência que as prefeituras devem fazer em relação à frota é com o tipo de ônibus a rodar em cada linha, já que isso está relacionado com a operação das linhas, que pertencem a prefeitura. Mas a pintura é algo que nada tem a ver com as linhas, sendo de responsabilidade das empresas.

Não sei até quando isso vai durar. Há anos, a minha terra natal, Florianópolis, eliminou a padronização. São Paulo ameaça eliminar. O Rio de Janeiro mostra pioras crescentes em seu sistema e já desistiu de padronizar a frota intermunicipal. Curitiba piora cada vez mais, mergulhada num mar de dívidas, mas pagando a imprensa para esconder os problemas que todos os dias aparecem cada vez mais.

A copa foi a razão de ser desse modismo. Vamos ver depois de acabar o grande evento hipnotizador social para que possamos avaliar os estragos dessa mania irresponsável e ilegal.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS FAZ EMISSORA CONFUNDIR EMPRESA


Do Expobesta

A padronização visual nos ônibus do Rio de Janeiro demonstra ser uma medida arbitrária que, além de ser antipopular e antifuncional, causa muitos transtornos e confusão.

E não adianta falar em estampas diferentes de consórcios, porque a confusão acaba indo para além disso, e é tanta confusão que, em São Paulo, a imprensa deixa de querer saber as empresas de ônibus e se limita a dizer que todas são "SPTrans".

Na notícia do acidente de ônibus na Av. Brasil, altura de Guadalupe, veiculada pelo portal R7, da Rede Record, o ônibus caído foi creditado como da linha 367 Realengo / Praça 15, servido pela Auto Viação Bangu, do consórcio Santa Cruz, que usa tarja vermelha e não verde.

Mas o ônibus caído, depois de bater em um carro e ferir 20 passageiros - número comum em quase todo acidente de ônibus no RJ - , corresponde à Viação Vila Real, provavelmente operando na linha 908 Bonsucesso / Guadalupe, até por conta do código numérico apresentado.

Sabemos que uma Transurb que opera na linha 691 Méier / Alvorada joga alguns carros da estampa Intersul para esta linha do consórcio Transcarioca. E quem tem Pégaso jogando carros do consórcio Santa Cruz para linhas do consórcio Transcarioca e vice-versa.

Mas não se chegou a ponto de uma Vila Real com estampa Internorte circular numa linha da Bangu no consórcio Santa Cruz. A Bangu também tem ônibus do consórcio Internorte mas eles não circulam naquela altura da Av. Brasil.

Em todo caso, a confusão feita pelo portal R7 mostra o quanto esse sistema está um caos. E, dois dias antes, houve acidente com dois ônibus e ninguém mencionou as empresas envolvidas. Será que teve algum ônibus da Transmil envolvido? Em todo caso, escrevam para o espaço para comentários no Menos Automóveis.