quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Precisa padronizar?

Uma praga que se espalha feito pereba e que se torna um gigantesco câncer no transporte brasileiro é a padronização visual dos ônibus, onde a frota de cada cidade é obrigada a usar uma farda, como se fosse "empregada" da prefeitura, contrariando a sua natureza de concessão. Ribeirão Preto (foto), em São Paulo, foi a mais recente contaminada por esta doença que coloca os ônibus com uma "cara " só".

Confirmadamente não há nenhuma vantagem em uniformizar frotas. A única suposta "vantagem" é de servir de propaganda para as prefeituras que fazem a concessão. Para escrachar, só faltava colocar o rosto do prefeito nas pinturas dos ônibus de cada município. Fora isso, a lógica e o bom senso consideram inútil e até nocivo o hábito de uniformizar frotas de ônibus. Coisa que o radialista e estudioso dos transportes Adamo Bazani não se cansa de avisar e que também foi alertado pelo maior estudioso da mobilidade urbana do Rio, Fernando Macdowell.

O que deveria ser uma concessão, acaba se caracterizando como uma encampação, já que a prefeitura, dona apenas das linhas, mete o nariz onde não é sua responsabilidade e toma a frota como se fosse sua, impondo uma pintura uniformizada que mais confunde do que ajuda, além de favorecer corrupção e a má qualidade dos serviços. Nem adianta prefeitos posarem de "durões" dizendo que "vão fiscalizar rigorosamente" o transporte. A identificação das empresas faz parte da qualidade dos serviço de transporte e as irregularidades e problemas favorecidos pela não identificação são inevitáveis.

Os defensores argumentam que "organiza mais", mas esse argumanto carece do detalhe técnico e lógico típico de quem tem o discernimento desenvolvido. Soa como um "porque sim" comumente dito por crianças para justificar suas teimosias. Organizado? A prática mostra o contrário.

O sistema de Curitiba, tido como o "melhor" do país ditou os moldes. Surgido no auge da ditadura militar, é um sistema arbitrário, autoritário e equivocado, transformando cada prefeito em "Senhor da Guerra", impondo normas aleatórias e causando ainda mais confusão.

Segundo a lei, cada empresa deve arcar com a operação. Isso incluí a liberdade de decidir o que deve ser feito com a frota. A única exigência que as prefeituras devem fazer em relação à frota é com o tipo de ônibus a rodar em cada linha, já que isso está relacionado com a operação das linhas, que pertencem a prefeitura. Mas a pintura é algo que nada tem a ver com as linhas, sendo de responsabilidade das empresas.

Não sei até quando isso vai durar. Há anos, a minha terra natal, Florianópolis, eliminou a padronização. São Paulo ameaça eliminar. O Rio de Janeiro mostra pioras crescentes em seu sistema e já desistiu de padronizar a frota intermunicipal. Curitiba piora cada vez mais, mergulhada num mar de dívidas, mas pagando a imprensa para esconder os problemas que todos os dias aparecem cada vez mais.

A copa foi a razão de ser desse modismo. Vamos ver depois de acabar o grande evento hipnotizador social para que possamos avaliar os estragos dessa mania irresponsável e ilegal.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS FAZ EMISSORA CONFUNDIR EMPRESA


Do Expobesta

A padronização visual nos ônibus do Rio de Janeiro demonstra ser uma medida arbitrária que, além de ser antipopular e antifuncional, causa muitos transtornos e confusão.

E não adianta falar em estampas diferentes de consórcios, porque a confusão acaba indo para além disso, e é tanta confusão que, em São Paulo, a imprensa deixa de querer saber as empresas de ônibus e se limita a dizer que todas são "SPTrans".

Na notícia do acidente de ônibus na Av. Brasil, altura de Guadalupe, veiculada pelo portal R7, da Rede Record, o ônibus caído foi creditado como da linha 367 Realengo / Praça 15, servido pela Auto Viação Bangu, do consórcio Santa Cruz, que usa tarja vermelha e não verde.

Mas o ônibus caído, depois de bater em um carro e ferir 20 passageiros - número comum em quase todo acidente de ônibus no RJ - , corresponde à Viação Vila Real, provavelmente operando na linha 908 Bonsucesso / Guadalupe, até por conta do código numérico apresentado.

Sabemos que uma Transurb que opera na linha 691 Méier / Alvorada joga alguns carros da estampa Intersul para esta linha do consórcio Transcarioca. E quem tem Pégaso jogando carros do consórcio Santa Cruz para linhas do consórcio Transcarioca e vice-versa.

Mas não se chegou a ponto de uma Vila Real com estampa Internorte circular numa linha da Bangu no consórcio Santa Cruz. A Bangu também tem ônibus do consórcio Internorte mas eles não circulam naquela altura da Av. Brasil.

Em todo caso, a confusão feita pelo portal R7 mostra o quanto esse sistema está um caos. E, dois dias antes, houve acidente com dois ônibus e ninguém mencionou as empresas envolvidas. Será que teve algum ônibus da Transmil envolvido? Em todo caso, escrevam para o espaço para comentários no Menos Automóveis.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A volta da ditadura no transporte público

As autoridades não estão nem aí para a população, pois sabe que ela é ingênua e medrosa. Por isso, se aproveitam para fazerem o que querem sem medir se isso será bom ou não para a população. Até porque, na prática, autoridades não fazem parte da população.

Jaime Lerner, filhote da ditadura, resolveu impor o seu sistema, desrespeitando as características próprias de cada cidade. Ele e os seus prefeitos associados imporam a uniformização visual das frotas de ônibus, de maneira autoritária, sem consultar a população e sem calcular se seria bom ou não. E na verdade não é. 

Afinal qual vantagem tem em uniformizar as frotas. "Organiza mais"? Justificativa subjetiva, crédula e sem sentido. Já foi provado que a uniformização desorganiza mais, do contrário que se pensava, confundindo usuários e favorecendo a corrupção.

Ontem mesmo, no Rio centro, foi um sufoco pegar ônibus. Além do uniforme, os números de linhas foram mudadas. Tive que perguntar aos despacientes que ônibus pegar. Mas pelo que eu sei, a existência de despachantes para informar é uma sorte que não terei em qualquer ponto.

Nesse modismo bobo, foi confirmada a adesão de São Gonçalo e Duque de Caxias na uniformização da frota municipal. Pra quê isso?

Para os que defendem a uniformização e que costumam argumentar que é "tendência", mas acham ofensivo referir ao mesmo como modismo, lembro que "tendência" e "modismo" são sinônimos e que a falta de discernimento deles só piora ainda mais a situação, transformando a busologia num campeonato de UFC. Alguém ainda vai acabar morrendo por causa disso.

Triste saber que as autoridades tratam os ônibus como caminhão de carregar gado e os passageiros como um monte de bois e vacas sem vontade e que só tem a permissão de fazer o que o chefe mandar.

Esse sistema é um pedacinho da ditadura que se mantem viva e cresce feito câncer. Um câncer mais mortal quanto ao que destrói organismos, já que destrói sistemas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

OUTRA CONFUSÃO RESULTANTE DA PADRONIZAÇÃO VISUAL


Quem observa esse ônibus, dentro do contexto da padronização visual, pode achar que se trata de um ônibus da Viação Fortaleza que, entrando na Rua Álvares de Azevedo, se dirige normalmente para a Rua Gavião Peixoto no percurso da linha 53 Santa Rosa / Centro (via Praia de Icaraí).

No entanto, se trata de um ônibus da Expresso Miramar, também do consórcio Transoceânica, "cortando" caminho para ir à sua garagem na Av. Rui Barbosa (antiga Estrada da Cachoeira), preferindo seguir pela Rua Gavião Peixoto em vez de ir até o Canto do Rio (Rua Joaquim Távora), por conta de algum congestionamento.

Desse modo, dá para notar o quanto esse "baile de máscaras" que se tornou o sistema de ônibus do Grande Rio (Niterói e Rio de Janeiro, pelo menos) causa transtornos e não traz vantagem alguma, seja de caráter técnico, seja relacionado ao interesse público.

Há quem goste - e defenda com certa arrogância e até intolerância - dessa padronização visual, de ver as empresas diferentes exibindo as mesmas cores. Mas os passageiros é que sentem os prejuízos dessa medida, um problema lamentavelmente ignorado para quem não vive as realidades das ruas. E, infelizmente, há uma certa "elite" de busólogos que só preferem observar os ônibus de fora.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O QUE A PADRONIZAÇÃO VISUAL PODE FAZER PARA CONFUNDIR...


Esta foto, no cruzamento da Rua Dr. Paulo César com a Av. Roberto Silveira, na esquina da Av. Marquês do Paraná, em Niterói, dá uma boa noção do que a chamada padronização visual nos ônibus pode fazer para confundir as pessoas.

É bom deixar claro que, no dia a dia, muitas pessoas ficam ocupadas demais para "examinar sem pressa" o ônibus que vai pegar e é ilusão que todo mundo "receba" sempre o ônibus vendo o veículo pela dianteira.

Muita gente tenta pegar um ônibus vendo-o na lateral, de longe, porque tem pressa e nem todas as linhas possuem uma frota grande, obrigando muitos a correrem para o primeiro ônibus que virem, mesmo à distância.

Esta foto é ilustrativa. O desavisado poderia imaginar que um carro da Viação Fortaleza, na linha 57 (Santa Rosa / Centro, via Fagundes Varela), cortou pela Paulo César - geralmente ele vai pela Rua Gen. Pereira da Silva antes de dobrar a Roberto Silveira - por alguma eventualidade e se dirige à pista lateral da avenida para dobrar a Rua Miguel de Frias em direção à Fagundes Varela.

No entanto, o ônibus em questão é da Santo Antônio Transportes, linha 45 (Cubango / Centro), que havia pego um caminho alternativo, já que normalmente passa pela Paulo César direto, talvez para se dirigir sem problemas para a pista lateral da Av. Marquês do Paraná, exclusiva para ônibus.

A pintura padronizada do consórcio Transoceânica permitiu essa "pérola", que a elite busóloga não tem o menor problema de discernir, mas os cidadãos comuns, principalmente os mais pobres, têm muita dificuldade de identificar.

São transtornos assim que a gente questiona, mas nem todo mundo gosta. Afinal, a "novidade" do visual uniformizado, desse "baile de máscaras" que se tornou o sistema de ônibus de Niterói e do Rio de Janeiro, deslumbra alguns, sobretudo aqueles que querem mamar nas tetas do Estado e que por isso fazem defesa até do serviço irregular da Turismo Trans1000.

Só que, nas ruas, a realidade é bem outra do que aquela que a ilusão dos escritórios tenta inventar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

As prefeituras e os governos são donos das linhas. Não dos veículos!

Por Marcelo Pereira

Bomba! A padronização visual imposta aos ônibus municipais e metropolitanos em várias cidades do país além de não ter vantagens e de estar contrário ao interesse público, é contrário à lei. As prefeituras querem mandar na pintura dos veículos quando na verdade deveriam se limitar a aspectos relacionados com as linhas. Já que as prefeituras são donas apenas das linhas e não dos veículos, que são propriedade exclusivas das empresas que fazem a concessão.

O sistema é de concessão de linhas. As prefeituras estabelecem as linhas, seus trajetos e características. O que elas podem fazer é determinar que tipo de veículo deve fazer as linhas. A pintura, deve ser decidida pela empresa. 

As prefeituras e governos, ao estipularem que tipo de pintura devem ter os carros, na verdade estão encampando as empresas e dizendo que aqueles carros pertencem à prefeitura. As empresas, sem identidade ou marca, acabam prejudicadas, sem poder fazer propaganda de seus serviços. Além disso, muitas empresas com uma só pintura confundem usuários que apressados, não terão tempo para procurar o letreiro das linhas.

As prefeituras e governos não são donos das frotas. Elas pertencem as empresas. E são as empresas que devem decidir que aparência terão os seus veículos. As autoridades do poder executivo, ao se preocuparem com o visual dos ônibus, acabaram relaxando em outros aspectos mais coerentes com a verdadeira responsabilidade que possuem: o bom funcionamentos das linhas. 

Uniformizar a frota para transformar as empresas em meros empregados das prefeituras é ato mesquinho e nada tem de vantajoso, prejudicando o interesse público. Afinal, quem defende a uniformização (ou padronização, como é mais conhecida), não sabe o que é andar de ônibus. Se soubesse, combateria a uniformização ao invés de defendê-la. 

Afinal, é bonito ver um sistema de transporte coletivo fracassar quando se anda de automóvel.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Padronização é o oposto de democracia


Por Marcelo Pereira

O Brasil se caracteriza pela padronização de ideias e costumes. Adora imitar os outros. Modismos propagam na sociedade brasileira com muita facilidade. Além disso, o brasileiro não tolera diferenças e se aparece alguém que se recuse a fazer algo que a maioria esmagadora tem o hábito de fazer, muitas vezes é tratado como um ser estranho, um monstro e em muitos casos, um mau-caráter, por mais bondoso que seja.

A copa do mundo mostrou que o povo adora ser padronizado, todos gostando de futebol (muitos - sem perceber - por obrigação), vestindo suas camisetas amarelas e torcendo pela vitória da "seleção" sem saber qual a verdadeira importância desta vitória (inútil para o cotidiano de nosso país). Para a maioria dos brasileiros, ter um time favorito é tão importante quanto ter um R.G. ou um número de CPF.

Agora vem o prefeito do Rio, Eduardo Paes e sua tão sonhada (por ele - of course) padronização de pinturas dos ônibus, acabando de vez com o maior atrativo do sistema de ônibus da capital fluminense, a diversidade de pinturas, que estimulava a criatividade de designers e a admiração de todos, sobretudo busólogos.

Em nosso cotidiano, observamos muitas tentativas de padronização. Eu, como adulto, sou obrigado a gostar de bebidas alcoólicas, sobretudo cerveja (que tem o gosto ruim). O não-consumo, segundo as regras sociais, só está liberado por motivos religiosos ou de saude. Mas não beber por puro gosto (o que é o meu caso) é visto com estranheza e até como ofensa, transformando alguém em um inimigo e criando situações danosas a quem se recuse a se embriagar.

Na vida afetiva, outro problema. A mídia criou um ideal de "beleza masculina" para favorecer apenas a certos tipos a terem facilidades na conquista de mulheres. Antigamente o padrão era o halterofilista (tipo Stallone). Mas como halterofilistas ficaram muito associados ao universo gay, que a sociedade teve que criar outro padrão, inspirado nos jogadores de volei e basquete, como tipo masculino ideal. Não precisam ter rosto bonito, é claro, mas um cabelo liso, rosto quadrado, altura de 1,75 no mínimo (tenho 1,64 - um anão, segundo o estereótipo imposto) e tronco esticado com ausência de barriga. Além de uma profissão bem prestigiada, o que ajuda muito.

Não significa que homens como eu não possam arrumar namorada. Mas significa que há um aumento de esforço, ter que batalhar mais para arrumar companhia, além de perder o direito de escolha (normalmente só consigo atrair quem não me atrai). Mais um problema gerado por padronização. E olha que não tenho preferência feminina: me interesso por tipos bem diversos, sem estar preso a padrões (eu faço a minha parte). Só para ter uma ideia, cheguei a me apaixonar, em 1992, quando morava em Salvador, por uma garota intelectualizada popularmente tida como feia. Pena que ela não me quis.

Vemos padronização em muitas coisas em nosso cotidiano. Quando ficamos adultos, queremos fazer tudo o que os outros fazem. O que a maioria faz dá a ilusão de ser correto, de representar a suposta felicidade. Muitos acreditam até que o que a maioria faz é biológico (o que favorece ainda mais os preconceitos contra os que não se encontram no padrão imposto) Se fulano casa, eu caso. Sicrano tem filho? Vou ter também! Beltrano tem carro? Já vou correndo comprar o meu. E normalmente estas atitudes são feitas instintivamente, sem medir consequências. Será que tenho condições de comprar carro, de criar um filho? Se a mulher com quem estou me casando tem afinidades comigo? Será que gosto realmente dela? Ela não vai me prejudicar? Ninguém pensa nisso.

Até a música e o cinema de entretenimento são padronizados. O padrão segue as regras do momento, impostas pela mídia e pela indústria do entretenimento. Quem quer fugir de padronização deve ir direto à cultura alternativa e ao cinema de arte. Mas quando eu falo em alternativo, não é aquilo que as pessoas chamam de "alternativo". Se as massas chamam algo de alternativo, é porque esse algo não é alternativo, já que o verdadeiro alternativo não chega ao conhecimento das massas.

Detesto padronização em excesso. Ela só deve existir quando necessária, para ajudar a identificação. Meus diferentes blogues costumam se igualar em logotipos, para criar uma associação. Mas padronizar com finalidades excludentes ou para mascarar irregularidades e matar estéticas, como é a proposta do sr. Paes, é inaceitável.

Porque padronizar em excesso é anti-democrático. Vai contra a liberdade, vai contra os direitos básicos, contra a melhoria de qualidade de vida.

Porque igualar pela aparência é na verdade segregar pela essência. Um mundo onde só os padronizados podem ser felizes não pode ser um mundo justo. Nunca.

(Publicado originalmente no Planeta Laranja, em 19/09/2010)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Regras para a publicação de fotos de carros padronizados


Por Marcelo Pereira

Não sou favorável a padronizações de todo o tipo. Padronizar é limitar, é algo que combina com ditaduras. Também é algo que não combina com o Brasil, uma terra enorme, com vocação para a diversidade, para a variedade. Além disso, é um direito dos passageiros conhecer que empresa está servindo a linha que utiliza, algo que a padronização dificulta bastante.

Com a padronização da frota da cidade onde eu moro, que preferiu colocar um uniforme mais bonito em sua frota, na tentativa de minimizar o problema, resolvi fotografar os ônibus com o uniforme da prefeitura niteroiense e de outros lugares, publicando com restrições.

- Os ônibus não serão identificados por suas empresas (que serão omitidas, salvo quando o contexto exigir) e sim pelos consórcios.
- Se o contexto exigir a identificação da empresa, o nome desta virá entre aspas.
- A tarja de créditos será sempre preta, como sinalização de que reprovo o sistema.

Estas são as regras das fotos de ônibus padronizados em meus sites. Não dá para concordar com algo que além de prejudicar a população,representa uma recusa a nossa tradicional vocação pela diversidade, característica que só o nosso país possuí e que não há em qualquer outro.

sábado, 4 de agosto de 2012

O "AI-5" Busólogo envergonha o país


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Agora não tem jeito. Infelizmente a minha reputação está manchada perante a maioria dos busólogos cariocas. Não por culpa minha, mas por culpa da falta de discernimento dos busólogos que, acharam mais comôdo e menos trabalhoso não analisar meu ponto de vista, preferindo eles a defender ideias equivocadas, bloqueando qualquer tentativa de debate sadio, onde se chegaria a um consenso, baseado na lógica e não na defesa de crenças pessoais.

É uma pena, pois muita gente que eu admirava se virou contra mim, só porque eu defendia um ponto de vista mais coerente, desconfiando das autoridades, normalmente acostumadas a mentir, oferecendo um sistema de transporte cheio de falhas, maquiado por falsos luxos e pompas desnecessárias.

Os busólogos cariocas são o retrato do país: crédulos, teimosos e arrogantes, não admitindo qualquer ponto de vista que não se encaixem nos seus.

Espero que eles reflitam e façam as pazes comigo e com o meu irmão, autor do texto abaixo. Eu sempre quis a melhoria do transporte, sem a pompas que as autoridades querem colocar para disfarçar as falhas. Tentei avisar, mas preferiram ser enganados, fazer o quê?

O "AI-5 BUSÓLOGO" ENVERGONHA O PAÍS

Alexandre Figueiredo - Blogue Menos Automóveis nas Ruas

Baixou o espírito do senador mineiro Eduardo Azeredo em alguns busólogos e recebi pedidos, um tanto agressivos, nos últimos anos, de retirar fotos de autoria de alguns busólogos, porque eles foram reproduzidos "sem autorização".

Fazem ameaças de processos, mas outros disparam palavrões, outros fazem calúnias, numa atitude que envergonha o país, já que a arrogância com que esses busólogos agem constrange até quem está fora do Rio de Janeiro.

Eu NUNCA COMETI ILEGALIDADE, porque eu sempre colocava os créditos de autoria nas fotos. Uma vez, cheguei a comentar alegremente e de forma positiva que um busólogo tal registrou esta foto. Mas ele pediu, mesmo assim, a retirada da mesma.

Atitude assim - que eles têm a coragem de desmentir que se trata de CENSURA - , digna de um Ato Institucional Número Cinco, o AI-5 da ditadura militar, não favorece em coisa alguma a busologia fluminense. Pelo contrário, expõe posturas, posições e procedimentos que busólogos OUTRORA ADMIRÁVEIS adotam, decepcionando muitos fãs.

O autoritarismo, as ofensas pessoais e as ameaças causadas por essa elite da busologia não os fortalecem de forma alguma. Pelo contrário, cria-se um ABUSO DE PODER em que só os amigos mais próximos dos busólogos é que devem publicar tais fotos. Quem não faz parte da "panela" precisa pedir autorização e olhe lá.

Só que isso, em vez de elevar a moral desses busólogos autoritários, os joga à pior das humilhações. Porque o abuso do poder vai contra o verdadeiro respeito humano,. vai contra a liberdade de expressão, vai contra a liberdade de informação.

SOBRE AS FOTOS MONTAGENS DE ÔNIBUS DESPADRONIZADOS

Eu NUNCA COMETI ILEGALIDADE alguma. Pelo contrário, RESPEITEI AS AUTORIAS ORIGINAIS, por isso não há a menor razão para processos judiciais. Só seria passível de ser processado se eu tomasse as fotos como se fossem de minha autoria, o que NUNCA ACONTECEU.

Se os busólogos fossem processar alguém, deveriam processar também a BUSCA DO GOOGLE, porque ela também reproduz as fotos do Ônibus Brasil que servem de fontes para minhas fotos montagens. Ou deveriam processar a Associação Brasileira de Normas Técnicas por causa de um botãozinho chamado Print Screen.

As minhas fotos-montagens NÃO SUBSTITUEM as fotos originalmente feitas por seus autores. E não é só eu que faço isso, mas gente como Renato Passos, Victor Hugo Pereira ou outro que vier. Eles também serão processados por terem feito montagens de fotos?

Portanto, não existe ilegalidade. Ameaçar processos judiciais dessa forma arbitrária pode ser perigoso. Expõe o processante a uma prepotência que irá afastar amigos e fãs. Irá expor sua arrogância, sua censura, e em vez do busólogo autoritário se tornar mais admirado, ele se tornará mais temido.

CERTOS BUSÓLOGOS NÃO SABEM CONVIVER COM A DEMOCRACIA

A verdade é que certos busólogos não sabem conviver com a democracia. Eles acabam, ao pedir censura à reprodução de fotos, fazendo o mesmo que as campanhas SOPA, PIPA e ACTA, de triste lembrança e bastante impopulares, queriam fazer contra a Internet em geral.

Eles não sabem que muita gente usa fotos da Internet, em reproduções aparentemente sem autorização, para ilustrar seus textos. E várias fazem sem creditar autorias, e nem por isso são condenadas ou perseguidas.

O autoritarismo dos busólogos não os faz mais fortes, repito, e nem mais admiráveis. Como fotógrafos, eles continuam sendo excelentes, mas como seres humanos eles decepcionaram muito. Não sabem viver num regime democrático.

Hoje eles pedem que busólogos que não pensem igual a eles retirem suas fotos. Amanhã, se algum busólogo se tornar Prefeito do Rio de Janeiro, vai reprimir greve de professores com a violência policial. E não adianta eles falarem em moralidade ou dizer que não defendem censura, porque eles agem igualzinho ao que pessoas como Jair Bolsonaro, Demóstenes Torres, Paulo Maluf e Geraldo Alckmin já agiram.

Se forem parlamentares da ALERJ, então, dá para imaginar esses mesmos busólogos "fazendo marcação" contra quem não votar com eles.

Mas eles não estão com a razão. Seu autoritarismo só os expõe muito mal. Desse modo, a busologia continua tendo uma péssima imagem na sociedade e o autoritarismo de alguns busólogos só faz piorar as coisas para eles mesmos. Afinal, ter muita visibilidade e prestígio não permite que pessoa alguma cometa ABUSO DE PODER contra quem quer que seja.

Mais do que exigir respeito, deve-se respeitar os outros. Nada fiz contra busólogos de qualquer espécie. Eu respeitei e admirei todos os busólogos cariocas, não entendo até agora por que eles andam me ofendendo ou censurando de todo modo. Mas o verdadeiro prejudicado com isso não sou eu, mas eles, na medida que seu autoritarismo expõe sua prepotência.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CARTA ABERTA À BUSOLOGIA FLUMINENSE


Ando muito decepcionado com a atitude de uma elite de busólogos fluminenses, inclusive vários conhecidos.

Eu admirava todos eles, alguns anos atrás e via os fotologs do Fotopages para ver as suas fotos e as novidades.

Admirava as fotos tiradas ora no Cachambi, ora na Av. Venezuela, ora no Terminal Alvorada, ora em outras cidades, e sentia simpatia por vários desses busólogos.

Só que, nos últimos anos, desde que houve o famoso conflito de busólogos depois que um grupo então menos destacado foi para o Multishow e deixou outro mais destacado na mão, há quatro anos atrás, que o estrelismo e a politicagem passaram a fazer parte da busologia carioca, que deixou de ser um hobby para ser uma negociata política.

E a coisa se agravou quando Eduardo Paes decidiu "comprar" o apoio de alguns busólogos, impondo o pensamento único e impulsionando a elite busóloga a fazer uma luta fratricida, um "higienismo" que tem por objetivo combater e banir quem não segue um padrão de pensamento, que é o de Eduardo Paes, Alexandre Sansão, Jaime Lerner e outros.

Sim, pois não é só a pintura dos ônibus do Rio de Janeiro e agora de Niterói que ficou padronizada, desafiando a atenção dos passageiros e camuflando a identificação de cada empresa. É o pensamento da busologia que se tornou padronizado, e quem discordar desse PENSAMENTO ÚNICO - espécie de "bilhete único" para ter acesso a cadeiras nas secretarias de Transporte, no DETRO ou na ALERJ - é expulso de fóruns da Internet, para não dizer coisas piores.

Recentemente fui ameaçado por um busólogo por que ele não gostou que eu despadronizasse os ônibus que ele fotografava. Prepotente, me xingou de "xexelento" e ameaçou me processar. Eu não fiz mais do que uma arte virtual, principalmente nas fotos da Real Auto Ônibus, para informar aos internautas como seria a Mascarello Gran Via com as cores da Real, o que ficaria lindo.

E eu coloquei a autoria devida nos créditos, eu nunca iria usar a foto de outro para creditar como se fosse de minha autoria. Não sou irresponsável. Mas, numa típica situação kafkiana - para quem não sabe, o escritor Franz Kafka era especialista em retratar o absurdo - , o cara não gostou, me xingou e ainda me fez ameaças.

E eu era fã dele, usava as fotos porque admirava o jeito dele fotografar os ônibus. Imagine um cara que é fã de alguém e, na hora de pedir um autógrafo, leva um soco de seu ídolo? Pois é. E atitudes assim acabam vazando, como outras que já ocorreram na busologia.

Vários foram vítimas dessa prepotência da elite busóloga. Eu, meu irmão, meus amigos Marcelo Delfino e Leonardo Ivo, o outro amigo Marcelo Pierre, entre outros. Até André Neves foi atacado, mas ele conta com visibilidade suficiente para não ser expulso de fóruns busólogos, porque aí seria demais.

Mas já houve casos de dois busólogos que armaram para desmoralizar um abaixo-assinado digital que ia contra o interesse deles, e os dois também armaram o tal COMENTÁRIOS CRÍTICOS, um blogue ridículo para desmoralizar eu e meu irmão e, quem sabe, algum outro busólogo que discordar radicalmente de alguma coisa. E pode ser qualquer outro busólogo que estiver no caminho, até o aliado de ocasião.

Tudo isso fora as truculências que ocorrem nas comunidades BUSÓLOGOS DO RJ no Facebook e no Orkut. Gente expulsa mesmo, através de uma campanha difamatória, vexatória, que envergonha a todos. Porque é uma expressão de ABUSO DE PODER de busólogos mais destacados, que se acham os reis da verdade absoluta.

A situação está tão séria que eles passam a desprezar o sofrimento do povo. Povo, para eles, é só um gado a aplaudir diante dos palanques. Se um ônibus sofre um acidente e há feridos e mortos, para esses busólogos as vítimas é que são as culpadas. Eles ignoram qualquer pressão de ordem trabalhista que os patrões sempre jogam contra os trabalhadores.

Mas eles defendem até mesmo a Transmil, uma empresa que nem é pobre, porque tem "peixe grande" como acionista, incluindo um sócio que foi morto porque iria fazer revelações amargas sobre a empresa de Mesquita, famosa por sua frota sucateada e pelas grandes demoras na espera de um veículo.

A situação está vazando para fora do Estado do Rio de Janeiro e para fora da busologia, porque as manifestações truculentas de ameaças, ofensas pessoais e tudo o mais, que uma elite de busólogos faz com muito orgulho, acaba dando péssimas consequências até para aqueles que promovem tais agressões.

As pessoas acabam ficando assustadas, porque conhecendo a situação, vão aumentar ainda mais o preconceito que já têm contra a busologia. Além do mais, a agressividade dos busólogos fluminenses é também fruto de ilusões e desilusões. E, se no Facebook e no Orkut a coisa pega fogo, fora da Internet é que as coisas são piores ainda.

Em maio passado, pela primeira vez, houve "racha" nos encontros de busólogos. E, nos bastidores, sempre há um busólogo mais sensato que grita para o busólogo agressivo irritado porque este foi longe demais nas ameaças e ofensas a outros busólogos.

Os busólogos mais agressivos também brigam entre si, o busólogo pitboy dos "comentários críticos" até está em relações estremecidas com os antigos parceiros. E ninguém pense que a elite busóloga mais agressiva vive em lua de mel com Alexandre Sansão, que vê neles um bando de puxa-sacos e alerta que seu gabinete não é BRT para caber todo mundo.

Mas talvez isso permita que esses busólogos promovam esse "higienismo". Tudo para reduzir a busologia fluminense a um grupo fechado a dizer amém às decisões impostas pelas autoridades. Pensam mais na sua aparição nas festas de 2014 e 2016 do que em qualquer solidariedade por um hobby comum.

Fico muito triste, estarrecido, assustado. A arrogância dessa minoria de busólogos é como um ônibus desgovernado, sem freio. Certamente outros busólogos fluminenses saem envergonhados e intimidados, enquanto os mais agressivos, a princípio, acreditam na impunidade e na prepotência absoluta. Acham que podem agredir, ofender ou processar sem motivo e vão continuar em alta entre seus pares.

Não é assim. Hoje vemos que a vida prepara surpresas para quem comete abusos. Num dia, alguém que comete agressões pode se achar em moral alta e posar de bom amigo e de vítima diante de outras pessoas, para enganar. Noutro dia, ele é traído, ou briga com algum peixe grande, ou com alguma figura mais sinistra (tipo um chefão das vans) e a desgraça que ele desejava nos outros volta-se para ele até de forma piorada.

Espero que se dê um basta a esse festival de prepotência, de arrogância e de desrespeito humano. Quem pode pedir respeito se é o primeiro a desrespeitar com ofensas, ironias e ameaças?

domingo, 29 de julho de 2012

RUBAMÉRICA E MADUCA TEM TRÊS ÔNIBUS DANIFICADOS E UMA MORTE


O baixo astral que se tornou o sistema de ônibus do Rio de Janeiro mostra o quanto se mexeu em time que estava ganhando.

Se o sistema de ônibus do RJ, antes dessa verdadeira intervenção estatal, não era perfeito, pelo menos tinha muitas qualidades e era considerado uma referência para o país.

Hoje, isso não mais acontece. E aumentaram os ônibus enguiçados e acidentados de forma bastante drástica. Tanto que as críticas iniciais que certos busólogos chapa-brancas fizeram, a ponto deles fizerem ofensas pessoais, entre declarações irritadas, xingações e ironias, foram reduzidas ou hoje se "isolam" nos fóruns do Facebook, Orkut e do portal Ônibus Brasil.

Eles pensavam que as denúncias eram mais daqueles boatos conhecidos como "rádio-leão", até que a imprensa, independente de seu nível ideológico, passou a confirmar as graves denúncias que busólogos mais imparciais faziam sob a dura pena das ofensas pessoais dos agressivos seguidores de Eduardo Paes e Alexandre Sansão que defendem até a moribunda Trans1000.

Dois incidentes ocorreram desde ontem envolvendo carros da dupla Rubamérica, um por causa de um protesto de moradores no bairro de Costa Barros, em que uma ação policial resultou na morte, por bala perdida, de uma menina moradora do lugar. Vários ônibus foram apedrejados - pelo menos um deles foi um micro da Viação Vila Real - e um incêndio chegou a atingir parcialmente um ônibus da Viação Rubanil.

O incidente pode não ter relação com o sistema de ônibus, nem mesmo a morte da menina, mas mostra o quanto as mesmas autoridades que promovem esse sistema cometem o descaso com a segurança. O grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho permitiram que a criminalidade voltasse a entrar em ação, e bandidos, esta semana, mataram uma policial na UPP do Complexo do Alemão.

Já no Viaduto Ataulfo Alves, que liga a Av. Brasil aos bairros de Benfica, Triagem e São Cristóvão - com acessos para o Maracanã, Méier e Bonsucesso - , um ônibus tombou, deixando pelo menos 11 feridos. É o segundo acidente com feridos em três dias, depois que um ônibus da Empresa de Viação Algarve tombou num outro trecho da Av. Brasil.

Mas uma morte foi causada em um acidente também nas proximidades de Benfica, na altura da Rua Escobar, quando um ônibus da Viação Madureira Candelária (conhecida como Maduca), da linha 298 Acari / Castelo, invadiu uma calçada e atingiu um carro, onde uma mulher de 54 anos estava no banco do carona. A mulher morreu na hora.

É o segundo acidente envolvendo ônibus da Madureira Candelária, em um mês. E, entre os acidentes envolvendo os ônibus dentro da fase comandada pelo secretário mão-de-ferro Alexandre Sansão, já são sete mortos. Antes da mulher, uma pessoa morreu num acidente com ônibus que derrubou um poste em Madureira, enquanto estava num ponto de ônibus. E cinco pessoas morreram num acidente num ponto de ônibus da Av. Brasil.

Até pouco tempo atrás, empresas como Ocidental (atual Rio Rotas), Algarve, Andorinha e Pégaso eram passíveis de sofrer acidentes. Mas hoje todas as empresas sofrem essa sina, até a Transurb, Seans Peña, Braso Lisboa e Futuro. O sistema de ônibus do Rio de Janeiro piorou, e os tais "benefícios reais e permanentes" não passaram de um discurso de palanque para eleitor dormir, para botar Eduardo Paes no desgoverno do Rio de Janeiro por mais quatro anos.

E isso será para turista ver. Para turista ver o desastre que se torna essa "mobilidade urbana" dos tempos do AI-5. E que terá sua reprise no outro lado da Baía da Guanabara.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

EM MENOS DE DOIS MESES, SEXTO ACIDENTE DE ÔNIBUS DO RJ


Em menos de dois meses, acidentes graves de ônibus põem em xeque o modelo de transporte coletivo adotado no Rio de Janeiro. Agora foi um acidente de ônibus, na manhã de hoje, com um midi da Algarve, na Av. Brasil, com 30 feridos. O ônibus chegou a cair num canteiro.

Isso nos faz pensar o que os niteroienses estarão esperando para os próximos anos, além da redução das frotas de ônibus da antiga capital fluminense que, com os engarrafamentos de automóveis, irá piorar seriamente a situação.

No Rio, além de passageiros pegarem ônibus errado (claro, a pintura agora é igualzinha para diferentes empresas) e, com os congestionamentos, perder o horário limite dos bilhetes únicos - limite para o passageiro pagar apenas uma tarifa - , os ônibus sofrem problema de manutenção, os motoristas têm sobrecarga de horário e, estressados, provocam acidentes e rodam em alta velocidade.

Agora o poder está nas mãos de uma única pessoa, o secretário de Transportes Alexandre Sansão, que mais parece um "coronel" brincando de ser empresário de ônibus. Amarrar as empresas em consórcios e botar a mesma pintura, comprovadamente, não disciplina o transporte coletivo, dificulta o reconhecimento das empresas pelos passageiros comuns e favorece a corrupção e faz com que linhas de ônibus troquem de empresas às costas dos passageiros.

Algumas linhas já foram trocadas de empresas sem que os passageiros comuns soubessem, como a 296 Castelo / Irajá e as linhas que ligam o Méier à Barra da Tijuca. Em outros tempos, haveria transparência, com cada empresa apresentando sua identidade visual própria.

Mas, infelizmente, o golpe de 1964 chegou tardiamente à mobilidade urbana. Aliás, nem tão tarde. Jaime Lerner - que alguns consideram um "semideus" - é "filhote da ditadura" e já planejou seu projeto em Curitiba no auge do AI-5. E se os milicos naquela época gostavam de rasgar a Constituição Federal, Lerner rasgou a Lei de Licitações.

Mas teremos que esperar os problemas se tornarem mais claros para a população para a invalidade desse modelo de transporte seja descartado em todo o país. Ele favorece desde a corrupção política até o desmatamento, na medida em que áreas ambientais são destruídas para a construção de corredores exclusivos.

Só que ainda vivemos a fase de que, para uns poucos mas barulhentos busólogos, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Se eles não perdem seus familiares nos acidentes de ônibus, tudo está bem. O que importa para eles é que ninguém critique Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho, Alexandre Sansão, Detro, Turismo Trans1000 e Jaime Lerner.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

TRIBUNAL DE CONTAS QUESTIONA LICITAÇÃO DE ÔNIBUS NO RJ


De acordo com informações divulgadas no jornal O Globo, o Tribunal de Contas do Município identificou irregularidades na licitação adotada pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2010.

Das 41 empresas que foram aprovadas na formação de consórcios, apenas oito teriam respeitado as normas do edital de concessão. O parecer do TCM consta no relatório do conselheiro Antônio Carlos Flores de Morais, votado na última quarta-feira.

Segundo o relatório, foi estabelecido um prazo de 30 dias para que as secretarias municipais de Fazenda e Transportes esclareçam os problemas apontados no documento e expliquem quais as providências que serão tomadas. Já o Rio Ônibus, sindicato das empresas que operam no município do RJ, não se pronunciará a respeito antes de conhecer o teor do relatório.

Entre as irregularidades apontadas, está a formação do cartel nos consórcios, já que foram identificados o mesmo endereço do escritório-sede, o mesmo dia de abertura dos CNPJs das empresas e a escolha de um mesmo banco para as garantias financeiras das mesmas, que recorreram à esta instituição financeira no mesmo dia.

Segundo o relatório, doze empresários de ônibus aparecem como sócios de mais de uma empresa, e a reportagem aponta pelo menos dois deles, como sócios de mais de duas: Jacob Barata Filho (Alpha, Ideal, Transurb, Normandy, Saens Peña, Verdun e Vila Real)e Álvaro Rodrigues Lopes(City Rio, Algarve, Rio Rotas, Translitorânea e Andorinha)

As únicas empresas que respeitaram as normas de licitação foram a São Silvestre, Vila Isabel, Litoral Rio, Santa Maria, Âncora Matias, Paranapuan, Pavunense e Jabour. O que não significa que elas tiveram melhor desempenho operacional, já que várias delas também se tornaram, de uma forma ou de outra, deficitárias.

Neste blogue, já se constou a queda de qualidade dos ônibus da antes conceituada Matias, outrora conhecida por sua cor inteiramente verde e pelo seu excelente serviço. Nos entornos de Vila Isabel, Grajaú e Maracanã, nota-se que os ônibus da Matias "sacolejam" quando correm em alta velocidade, o que indica que a manutenção tornou-se mais rara.

O relatório, que também investiga irregularidades nos convênios entre Prefeitura, Rio Ônibus e convênios de custeio dos bilhetes únicos, além dos critérios adotados para os reajustes das tarifas, cita também um inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro, que se baseou em denúncias como a de que empresas deficitárias teriam sido aprovadas na licitação através da mudança de nome e razão social, como se nota nos casos da Rio Rotas (surgida das "cinzas" da Santa Sofia e Oeste Ocidental), Translitorânea (surgida das "cinzas" da Amigos Unidos) e City Rio (surgida das "cinzas" da Auto Diesel, Breda Rio e Via Rio).

PADRONIZAÇÃO VISUAL FERE LEI DE LICITAÇÕES

A reportagem de O Globo não faz menção à medida irregular da padronização visual. O fim das respectivas identidades visuais das empresas, além de desafiar as atenções de passageiros - sobretudo idosos, deficientes, gestantes, analfabetos, mas até qualquer um que esteja ocupado com outras coisas - , favorece a corrupção e, por isso, vai contra as normas da Lei de Licitações 8666/93.

As normas desrespeitadas são os artigos 11, relativa às exigências específicas do serviço e as condições locais, e 12, inciso II, que se refere à adequação ao interesse público. Quanto ao artigo 11, natureza própria do serviço de ônibus está na identidade visual como exigência determinante para a funcionalidade do sistema, e os passageiros costumam identificar um ônibus pelo seu visual personalizado.

Já o artigo 12, referente aos projetos executivos de obras e serviços, o inciso II se refere à funcionalidade e à adequação ao interesse público, fatores desrespeitados pela padronização visual. Não há a menor justificativa lógica para empresas de ônibus diferentes adotarem uma mesma pintura, coisa que só serve para dificultar as coisas, e não existe adequação ao interesse público, até porque as empresas deixam de exibirem suas identidades, sua identificação só é plena por parte de políticos, técnicos e busólogos "profissionais".

Também não se pode confundir a renovação de frotas, com ônibus de pisos baixos ou articulados e de motor de marcas suecas como "adequação ao interesse público", conforme erroneamente se alardeia para justificar a padronização visual das empresas de ônibus. Pelo contrário, a renovação de frotas é usada, no caso, com o mesmo caráter tendencioso que, em outros tempos, se fazia quando políticos em campanha distribuíam cestas básicas em comícios para atrair votos.

Pelo menos, um comentário de um leitor, Renan Almeida, questionou a prática, reconhecendo-a como nociva para a população. "As únicas coisas que mudaram foi a pintura (além de um tormento para os idosos e pessoas com deficiência de visão, um atentado a tradição de pinturas não-padronizadas) e a numeração de muitas linhas. Tudo para atrapalhar o usuário", escreveu.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Uniformização visual mais postura criminosa das empresas na relação com os passageiros ocultam crimes de trânsito gravissímos

    Não é só o nome do motorista que escondem não. O nome e sua identidade visual também foram ocultadas pela prefeitura quando obrigou as empresas a adotar esta uniformização visual, onde o nome da empresa não aparece, o nome do consórcio (que só existe no papel) pouco aparece, mas em compensação o nome da prefeitura aparece bem grande. Até o número de ordem que aparecia bem grande na traseira já não é mais visivel facilitando o motorista de fugir do lugar. Lembre-se, uniformização visual esconde mazelas gravissímas das empresas de ônibus.

  Empresas de ônibus escondem nome de motoristas em 42% das infrações no Rio


Quatro em cada dez multas de trânsito aplicadas contra ônibus na cidade do Rio não têm dono. Segundo o Detran, das 42.626 infrações anotadas nos primeiros quatro meses do ano, 42,24% foram, na verdade, uma punição às empresas que não indicam o nome do condutor ao volante. Esse pode ser o caso do motorista André Martins Navarro, que provocou o acidente no qual morreram cinco pessoas e outras 20 ficaram feridas, na última terça-feira, na Avenida Brasil. Mesmo sem multas aplicadas em seu nome, ele já respondia a dois processos judiciais relativos a colisões com vítimas.

Assim, foram registradas de fato 24.619 multas nas ruas. Procurada, a Rio Ônibus nega se tratar de uma estratégia para evitar que motoristas fiquem impedidos de dirigir por atingirem o limite de 20 pontos no prontuário de infrações do Detran. (Extra Online/Redação)

Informativo Rio

sábado, 9 de junho de 2012

O site Companhia do Ônibus do Sidney Jr voltou!





      Após quase seis meses fora do ar, o site Cia de ônibus, do nosso amigo Sidney Junior voltou. Foram muitos os pedidos pelo seu retorno, o que foi prontamente atendido pelo autor do site. Vale lembrar que fizemos uma matéria sobre recuperação e downloads de sites extintos, onde este foi citado, uma vez que naquela ocasião, onde ele era considerado extinto, porém felizmente ressuscitou.
        Sobre o Cia de Ônibus, é um site que conta através de fotos a história do transporte rodoviário do estado do Rio de Janeiro. Este possui um rico acervo formado por coleções do próprio autor, de pesquisadores e busólogos parceiros, alguns falecidos, como o saudoso Paulão, por exemplo.
       Muita gente dizia que ele havia tirado o site por não concordar assim como nós do Fatos Gerais e amigos nossos, com a uniformização visual. De fato, Sidney Junior é contra a mesma e jamais a aceitou , porém nunca se confirmou se a  retirada do site foi de fato por conta disso, até porque um dos motivos da sua retirada temporária foi por motivos de trabalho e problemas técnicos no provedor onde o Cia de Ônibus estava hospedado.
      De qualquer forma parabenizamos e muito a sua iniciativa de reativar o CIA DE ÔNIBUS, que além ser uma excelente fonte de história do transporte rodoviário de passageiros do Rio e do Brasil, serve também como trincheira contra a praga da uniformização visual dos ônibus que ocorrem aqui no Rio e no Brasil, e cujo os seus efeitos são os mais nefastos, e os motivos de implantação os mais obscuros possíveis. Parabens Sidney pela iniciativa!

Site Cia de ônibus - www.ciadeonibus.com 

Fatos Gerais

quarta-feira, 6 de junho de 2012

FOTOLOG USA FUTEBOL PARA SATIRIZAR PADRONIZAÇÃO VISUAL DO TRANSPORTE COLETIVO


Para o torcedor de futebol comum, parece chocante ver, nesta foto, os jogadores Loco Abreu, do Botafogo, Thiago Neves, do Fluminense, Vagner Love, do Flamengo, e um grupo de jogadores do Vasco da Gama ostentarem o mesmo tipo de uniforme.

Mas essa é a tônica de um dos primeiros sítios que surgem, na Internet, para satirizar a padronização visual do transporte coletivo, em que interesses tecnocráticos se lançam contra o interesse público embora se diga oficialmente o contrário, usando o futebol como meio de crítica.

Este sítio é o Brasileirão Fotopages, disponível no endereço - http://brasileirao.fogopages.com - , que através de uma linguagem de paródia, faz-se uma crítica à padronização visual, apesar de usar um discurso aparentemente favorável.

Afinal, como toda sátira, para se falar contra algo é usado o recurso da ironia. Portanto, o que parece ser posicionado a favor é, na verdade, posicionado contra, e o futebol é usado como forma de mostrar o quanto a identidade visual é importante e o quanto a perda dela pode confundir o público e, não somente isso, camuflar a empresa ou instituição que se envolvem em determinada atividade.

A analogia ao futebol se inspira no fato de que os projetos de mobilidade urbana de várias prefeituras municipais visa capitalizar o turismo durante a Copa de 2014. Portanto, o que mostra que a ligação entre futebol e mobilidade urbana não é assim tão aleatória como fonte de inspiração para o humorístico Brasileirão Fotopages.

Depois de tantos textos sobre as desvantagens da padronização visual nos ônibus serem escritos mas não ganharem respaldo real da população, principalmente porque houve uma fase em que busólogos reacionários e a favor de tal padronização chegaram mesmo a partir para calúnias e ofensas pessoais, destruindo petições digitais e até lançando um blogue para republicação leviana de textos contestatórios, foi preciso usar o esporte mais popular do país para mostrar o sentido destas desvantagens.

Quem gostaria de ver um Fla X Flu com os dois times usando o mesmo uniforme? E como tolerar que isso é tido como mais vantajoso porque disciplina melhor o esporte? E os paliativos que vão da identificação eletrônica dos jogadores à concessão do "ingresso único" para os torcedores que trocarem os uniformes tradicionais dos times pelos uniformes padronizados?

A identificação por sensores irá diminuir a confusão entre os times, apenas porque aponta, através de placares instalados nos estádios, o jogador que está com a posse da bola e os jogadores imediatamente próximos dele? E o ingresso único, com distribuição gratuita de engradados de cerveja, irá fazer o torcedor aceitar que diferentes times de um mesmo Estado passem a ter exatamente o mesmo uniforme?

A linguagem satírica, portanto, parece ser completamente a favor da medida. Por isso, que ninguém se assuste com isso. Mas imaginemos que isso se torne verdade e um Alexandre Sansão resolva mesmo aplicar a padronização visual nos times cariocas e, depois, nos paulistas, paranaenses, mineiros etc? O humorismo, muitas vezes, é uma denúncia narrada de forma diferente, coisas sérias são ditas através de mensagens cômicas.

Apesar do risco de mal-entendidos por parte de quem não entende o espírito da sátira, Brasileirão Fotopages merece ser divulgado e visitado. E que venham todas as torcidas visitar e prestigiar o fotolog. Mas sempre mantendo a esportiva.

domingo, 3 de junho de 2012

Pra mim, mobilidade urbana é tirar o excesso de carros das ruas

Mobilidade urbana virou a expressão da moda. Quando mencionada, passa a ideia daquelas vias largas, com aqueles articulados, tudo lindo, florido e aparentemente organizado. Uma beleza.

Mas se esquecem que mobilidade significa facilitar o deslocamento. E que a medida mais importante a fazer é desestimular o uso do automóvel. Tarefa muito mais difícil do que colocar uns articulados para desfilarem alegremente diante das autoridades da FIFA (aquela entidade mundial que controla o principal narcótico que vicia a população brasileira).

O automóvel é um símbolo de status social. Quem o utiliza tem a ilusão de ser uma pessoa melhor que as outras. Sem falar que o automóvel proporciona uma relativa privacidade que é impossível obter num transporte coletivo. As pessoas não querem abrir mão disso.

Colunista social defende priorização dos automóveis

Para piorar, a classe dominante não anda de transporte coletivo. Ela não vai querer largar esse privilégio. Numa revista encartada em um jornal de Niterói, li numa coluna social (como são conhecidas as seções onde se vê um bando de burgueses desconhecidos estampando seus sorrisos falsos e suas roupas caras em fotos, desperdiçando o espaço que deveria ser de coisas bem mais importantes), uma declaração do responsável pedindo que a faixa de ônibus da Avenida roverto Silveira seja reduzida para uma, aumentando para quatro as faixas de automóveis. O desinformado ainda argumentou que com a chegada doa articulados haveria  a redução de ônibus.

Aviso a ele que a prefeitura desistiu dos articulados e a redução da frota não será tão drástica. Acrescento ao distinto colunista que o objetivo dos projetos de mobilidade urbana é - ou deveria ser - dificultar o trânsito de carros particulares, numa tentativa de estimular o cidadão a usar o transporte coletivo. Ou seja, quem deveria ser reduzido é o número de automóveis, não o de ônibus, como disse o porta voz da classe abastada.

Outro sujeito, desta vez no jornal O Globo, defendeu a construção de um viaduto em cima da Alameda São Boaventura. Há também uma campanha para a não derrubada do viaduto da Perimetral, que transformou a zona portuária num medonho calabouço digno de filmes de terror e de suspense. Em todos os casos, como no do colunista social, pedem a manutenção do tráfego de veículos particulares.

Fica difícil combater uma ideia arraigada de que o carro é a extensão do ser humano. A lei que garante o direito de ir e vir (como quiser) e as propagandas de automóveis reforçam ainda mais as reivindicações para a circulação desse excesso de carros, levando qualquer projeto de mobilidade  ao inevitável fracasso.

Todo o projeto deveria levar em conta a diminuição de carros nas ruas, mas acima de tudo, a educação, desde a mais tenra infância, deve colocar nas cabeças dos jovens cidadãos que automóvel não é status, não melhora ninguém e que seu excesso só atrapalha a vida dos outros. Que o transporte coletivo é o ideal para o cotidiano, deixando o automóvel reservado apenas nas situações onde ele é realmente necessário, quando o transporte coletivo não puder satisfazer tal necessidade.

Burrice querer usar carro toda a hora com a desculpa de status e de conforto. E é confortável ficar parado num engarrafamento sem fazer nada e perdendo a oportunidade de chegar pontualmente a qualquer compromisso?

quinta-feira, 31 de maio de 2012

BAGULHO NO BUMBA


Por Alexandre Figueiredo

Depois do fracasso da padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro que, por razões políticas, faz prevalecer a medida, forçando a barra para os passageiros cariocas, agora é Niterói que adere à camuflagem visual de seus ônibus.

É uma lógica autoritária de licitação, de certa forma ilegal, porque contraria os princípios da Lei 8666 no que diz à funcionalidade e ao interesse público (embora esse ilegalidade possa facilmente ser desmentida por desculpas falaciosas e "técnicas"), servindo mais como propaganda política das prefeituras e afirmação política dos secretários de transporte.

Essa medida, que visa os eventos esportivos de 2014 e 2016, foi implantada pela primeira vez em Curitiba, durante a ditadura militar. O ato de esconder as empresas de ônibus com uma identidade padronizada dificulta a identificação visual e permite que abusos sejam cometidos à revelia dos passageiros. E faz com que o reconhecimento exato de cada empresa seja um privilégio elitista de tecnocratas, autoridades e busólogos "profissionais".

Seu idealizador, Jaime Lerner, transformou esse modelo, tecnocrático e autoritário, de mobilidade urbana, numa franquia que ele vende para o resto do país, enquanto promove, em seu Estado de origem, seu esquema politiqueiro ao lado de José Richa e seu filho Beto Richa, este por sinal "paquerado" por Carlinhos Cachoeira.

A ilusão da novidade, no entanto, não impede que a realidade desse modelo mostrasse seu desgaste em cidades onde foi implantado há muito mais tempo, como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. Em Curitiba e São Paulo pesquisas sérias já apontam para a decadência e saturação desse modelo, com dificuldades assumidas pelos próprios técnicos da URBS e SPTrans, as respectivas controladoras do transporte.

Mesmo assim, no Rio de Janeiro nota-se que o sistema de ônibus piorou com a implantação desse modelo. O número de ônibus enguiçados e acidentados aumentou consideravelmente e mesmo empresas antes conceituadas, como Real, Matias, Braso Lisboa e Pégaso, já mostram ônibus com lataria amassada, coisa que já ocorreu com os Mega BRS da Translitorânea.

Até mesmo entre os defensores mais radicais da padronização visual e outras medidas de caráter tecnocrático há busólogos extremamente reacionários, que aproveitam a ocasião para humilhar quem discorda deles. A rixa entre busólogos do Rio de Janeiro já chama a atenção dos busólogos de outro país e começa a preocupar as autoridades na hipótese de terem, ao seu lado, busólogos encrenqueiros nos camarotes da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.

FISIOLOGISMO POLÍTICO

Tais medidas para o transporte coletivo, aparentemente, parecem dignas de aplausos, mas a ficha cai quando se nota quem é que defende esse modelo de mobilidade urbana.

São políticos que só veem a Educação pelo aspecto material, na construção ou reforma de escolas para atender à agenda das empreiteiras, e que menosprezam a questão da Saúde. Verbas para esses dois setores são muitas vezes desviadas para outras prioridades, isso quando não é para os esquemas de corrupção dos políticos envolvidos.

Na ditadura militar, políticos conservadores, inclusive o próprio Lerner, estão por trás desse modelo de transporte. Ultimamente, ele está associado ao fisiologismo do grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, no Rio de Janeiro, e de Jorge Roberto Silveira, na vizinha Niterói, "cliente" de Jaime Lerner.

Jorge Roberto, filho do histórico político Roberto Silveira (morto prematuramente em 1961), no entanto andou decepcionando, e muito, na administração da cidade. Seu mais grave erro foi a negligência quanto a pareceres técnicos sobre o risco de desabamento do Morro do Bumba, publicados em 2006 pela Universidade Federal Fluminense.

A negligência fez a tragédia anunciada se cumprir em 2010, matando mais de 50 pessoas e deixando muitos desabrigados, sem casa definitiva até hoje e alguns já voltando ao local da tragédia, por não terem onde ficar.

Por sinal, "bumba" é uma gíria paulista para ônibus, e, para completar a derrubada do Morro do Bumba em 2010, derruba-se o "bumba" niteroiense dentro de uma semi-estatização que nem de longe trará de volta os bons tempos da SERVE, mas, quando muito, os piores momentos da CTC de seus últimos anos.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

FOTOS DE FUTEBOL SATIRIZAM PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS

Para quem não entende as desvantagens da padronização visual nos ônibus das cidades, que dificulta a identificação exata da empresa que serve determinada demanda de passageiros, nada como uma paródia para ensinar algumas das principais desvantagens.

Embora fosse um contexto muito diferente, o futebol estadual é uma maneira de explicar as desvantagens de ver empresas de ônibus usando a mesma pintura, através da analogia dos clubes esportivos. E há o destaque da organizadora, a Confederação Brasileira de Futebol, que ofusca os nomes dos times e dos anunciantes. Além disso, no lugar dos números em si das camisas, há o código "tecnicista" tipo CRV-10 (Camisa 10 do Clube de Regatas do Vasco) e FFC-13 (Camisa 13 do Fluminense Futebol Clube).

Sabendo que o futebol é o motivo maior dessa concepção, por sinal tecnicista e autoritária, de "mobilidade urbana", pois elas são feitas explicitamente visando o turismo da Copa de 2014, e pelo fato do esporte ter no Rio de Janeiro seu principal reduto de fanatismo, nada como ilustrar a sátira com clubes fluminenses, explicando, através do humor, aquilo que a busologia não consegue explicar.

Pedimos para as pessoas identifiquem nas fotos os clubes abaixo nas camisas "padronizadas". Um dos times enfrenta o Volta Redonda, que também usa, no caso, as mesmas cores. Alguém vai se convencer, no caso, de que a padronização visual iria "disciplinar", "organizar" e "agilizar" o futebol brasileiro? Vejam bem as fotos montagens abaixo:

CLUBE DE REGATAS FLAMENGO
CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMA
BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS
FLUMINENSE FUTEBOL CLUBE








segunda-feira, 5 de março de 2012

O PARTIDO DA BUSOLOGIA CARIOCA



Por Alexandre Figueiredo

Os recentes e lamentáveis episódios envolvendo uma elite reacionária da busologia fluminense e sua campanha "higienista" para a implantação do "pensamento único" no hobby mostram o quanto os busólogos do Rio de Janeiro andam não só divididos, mas também contribuem para piorar a má imagem que costuma ter o hobby na sociedade.

Uma elite seguidora do projeto de "mobilidade urbana" de Alexandre Sansão secretário de Transportes do prefeito do Rio de Janeiro, que inclui a padronização visual dos ônibus cariocas, andou fazendo comentários ofensivos contra quem discordasse de seus pontos de vista.

Seja através de críticas grosseiras nos fóruns de debates virtuais, seja no violento ataque através de fakes, ou seja, pseudônimos usados nas mensagens digitais, os chamados "busólogos pró-padronização" mostraram um espetáculo de intolerância, reacionarismo e até de completa imprudência, na obsessão de transformar comunidades sobre busologia fluminense - como a "franquia" BUSÓLOGOS DO RJ no Orkut e Facebook - em redutos do pensamento único tecnocrático.

Aliás, na prática, o Busólogos do RJ acabou se tornando o Partido da Busologia Carioca, tamanho o caráter chapa-branca que os busólogos tem aos políticos cariocas, num adesismo histérico e condescendente com os erros.

A intolerância chega ao ponto de tais busólogos reacionários usarem os nomes de seus discordantes como fakes para fazer comentários irônicos, alguns de cunho homofóbico, outros de cunho pornográfico. Muitas baixarias foram feitas até mesmo numa petição pública contra a padronização visual dos ônibus cariocas.

Imagine você discordar do ponto de vista deles e, se você for solteiro, ser xingado de "Virgem!". Ou então você ter seu nome usado por um deles como um fake que escreve um comentário pornográfico do mais baixo nível. Coisas assim são feitas impunemente, tudo em nome da preservação do "pensamento único" dos busólogos pró-padronização.

IMPRUDÊNCIA TERÁ REFLEXOS FUTUROS

É através dessa manifestação de pura intolerância que os busólogos pró-padronização dizem a que veio. Faz sentido. A padronização visual é uma medida que segue o sentido ideológico dos governos autoritários, pois se padroniza o visual dos ônibus, se padroniza também o tipo de pensamento a ser aceito, padronizam-se corações e mentes das pessoas.

Daí o autoritarismo desses busólogos, muito bem conhecidos nos bastidores. Insatisfeitos com seus próprios espaços, incluindo blogues específicos no mesmo Blogger, sem falar do monopólio de seus pontos de vista no Busólogos do RJ, querem invadir espaços que não lhes condizem, através de fakes para desmoralizar quem pensa diferente.

Eles até tem direito de defender a tenebrosa padronização visual dos ônibus. Eu mesmo nunca invadi um blogue deles para ridicularizá-los por essa medida tão restritiva e incômoda para os cidadãos cariocas. Confirmadamente, estes mostram suas caras de incômodos, quando em avenidas como a Presidente Vargas, precisam discernir um Acari de um Matias, um Braso Lisboa de um São Silvestre, um Pégaso de um Bangu.

No entanto, eles invadem espaços que não correspondem ao ponto de vista deles para fazer vandalismo virtual, mostrando o quanto podem fazer no futuro contra o povo, quando se envolverão em política, já que vários deles trabalham para a Prefeitura do Rio de Janeiro ou em outras prefeituras simpáticas ao grupo político de Eduardo Paes e seu protetor Sérgio Cabral Filho.

DO VANDALISMO VIRTUAL À PRISÃO DE GREVISTAS

Alguns desses agressivos busólogos sonham com a carreira política. Por isso dão um apoio incondicional a Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho e Alexandre Sansão, e se sentem incomodados com as críticas feitas a eles.

Uns querem ser vereadores, outros membros do gabinete de Alexandre Sansão, e por isso estabelecem seu caminho, sobretudo através de seu "bilhete único" para o trampolim eleitoral, a promoção do "pensamento único" nos debates sobre busologia carioca.

Só que eles se tornaram imprudentes ao promoverem ações de intolerância violenta contra quem pensa diferente. Antes de pensar no seu eleitorado, eles primeiro pensaram em criar sua base de oposição, porque sabem muito bem que os que foram ultrajados por esses busólogos arrogantes e autoritários não iriam apoiá-los numa futura campanha eleitoral.

Não dá para pedir desculpas na hora do palanque. Os busólogos pró-padronização, ao fazer seus ataques, perderam boa parte do apoio. Além disso, suas atitudes já começam a vazar entre busólogos de outros Estados brasileiros, preocupados com o "estrelismo" de certos cariocas.

Não bastasse isso, a atitude já começa a preocupar pessoas que nada têm a ver com busologia, piorando cada vez mais a já preconceituosa imagem do admirador de ônibus no Brasil. E que ninguém pense que os busólogos pró-padronização estão a salvo dessa imagem pejorativa.

Pelo contrário, talvez o semi-anonimato deles lhes sirva como proteção. Dentro da busologia, eles são bem conhecidos, mas fora dela, são quase anônimos. Não fosse assim, os busólogos pró-padronização seriam hostilizados por uma população furiosa que, na melhor das hipóteses, os receberia com vaias e xingações.

Afinal, a atitude intolerante desses busólogos é uma amostra de seu caráter antipopular e antidemocrático. Poderiam ter ficado na sua e deixassem que petições contra seus pontos de vista fossem feitas já que elas, em si, são um sacrifício árduo para combater o "estabelecido".

Em outras palavras, a vontade desses busólogos já era prevalecente por causa dos interesses políticos em jogo, eles nem precisavam empastelar petições contra aquilo que eles acreditam e defendem.

Mas, fazendo esse jogo torpe, eles mostraram o quanto poderão fazer para a população, fora do âmbito da busologia, se eles forem parlamentares ou prefeitos.

Se eles são capazes de criar fakes para disparar ofensas morais ou mensagens pornográficas, poderão, como parlamentares, votar em favor de cortes salariais de trabalhadores ou pelo leilão de privatização de empresas públicas.

Na prefeitura, então, esses "donos da verdade" fariam algo pior, reprimindo manifestações de greve com a violência policial e prendendo trabalhadores que realizassem piquetes nos locais de trabalho.

Ou seja, a sociedade como um todo é que precisa se preocupar com esses busólogos. Hoje eles são apenas os "admiradores de um hobby excêntrico", amanhã, alçados à carreira política, serão os inimigos do povo que dizem tanto defender.

Eles serão mais uma geração de políticos fisiológicos preocupados mais com suas vantagens pessoais do que com o interesse público. E seu currículo de terrorismo virtual e ofensas pessoais será uma mancha que não se apagará nos discursos de palanque e nos afagos eleitoreiros na população.

Isso porque eles provaram que suas visões antipopulares e suas atitudes fascistas não são processos passageiros. E o futuro será um enérgico cobrador de suas personalidades desgovernadas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

FASCISMO BUSÓLOGO: TROLAGEM TENTA DESMORALIZAR PETIÇÃO SOBRE TRANSPORTE



AMOSTRAS DA TROLAGEM QUE ADOTA ATÉ FALSIDADE IDEOLÓGICA PARA DESMORALIZAR BUSÓLOGOS.

Por Alexandre Figueiredo - Mingau de Aço

A busologia fluminense está na beira de um escândalo. Os defensores do projeto tecnocrático do secretário de transportes, Alexandre Sansão, resolveram reagir, comprovando seu nível de intolerância e de total falta de respeito humano.

Uma petição criada para reverter a padronização visual nos ônibus cariocas, que anda prejudicando muitos passageiros, através do endereço - http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N20634 - , foi invadida por mensagens ofensivas e zombeteiras por parte daqueles que querem atrapalhar as manifestações que levam em consideração o verdadeiro interesse público, aquele que não se resume a promessas de palanque ou propagandas governamentais.

As mensagens usam os nomes meu e de meu irmão, conhecidos na busologia pelo senso crítico e conhecimentos apurados sobre transporte e urbanismo, para "dizer" mensagens de baixíssimo nível. É o que se chama de falsidade ideológica.

O vandalismo teria sido comandado por um busólogo com atitudes agressivas. E isso, num ambiente em que a busologia fluminense sofre sua pior fase, com discordâncias violentas entre dois grupos, num processo de divisão cujo responsável indireto é o grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho.

Isso porque os dois "garfaram" uma parte da busologia para apoiar o projeto do secretário de Transportes de Paes, Alexandre Sansão, o que causou um "racha" entre os busólogos. Isso porque os busólogos que passaram a apoiar o lamentável projeto de padronização visual dos ônibus cariocas e sua estampa de "embalagem de remédio" viram no apoio uma ótima oportunidade de conseguir posições político-administrativas dentro da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Mas nem todos estão envolvidos nessa trolagem, e admite-se que vários desses defensores adotam posturas bastante equilibradas para justificar seus pontos de vista. O problema estaria, na verdade, num busólogo de atitudes agressivas, que já havia comprado brigas com um grupo de busólogos.

Esse busólogo, que adota um discurso "conciliador", estaria, por debaixo dos panos, arranjando internautas para, numa atitude clandestina, espalhar desordem e desmoralização, para desqualificar quem não concorda com seu ponto de vista.

A atitude, do mais violento caráter fascista e do mais puro desrespeito humano, pode botar a causa defendida pelo tal busólogo a perder. Esse reacionarismo não é novidade, e até José Serra, o ex-presidenciável do PSDB, também se armou de troleiros para provocar desordem nos fóruns de Internet.

Isso mostra o quanto o reacionarismo extremo, quando se expõe, mostra o caráter nefasto de uma causa. E o quanto a politicagem por trás da busologia pode revelar episódios sombrios como este. Convém investigar o caso, que é de extrema gravidade.

Nota: este episódio já foi comunicado para Adamo Bazani, conhecido busólogo e jornalista.

domingo, 29 de janeiro de 2012

VIRTUDES DE NOVA FROTA NÃO EVITAM DESGASTE DO SISTEMA DE CURITIBA


REDUÇÃO DE 100 TONELADAS DE POLUENTES É MÉRITO DO FABRICANTE, E NÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS DA CAPITAL PARANAENSE

O sistema de ônibus de Curitiba, dentro daquele modelo tecnocrático lançado em 1974, está em franco processo de desgaste. Evidentemente, as pessoas parecem não se dar conta disso, sobretudo as elites que não andam de ônibus na capital do Paraná.

Depois que se preveu um colapso no setor, a renovação de frota, tendenciosa, feita em duas etapas, não evita que a saturação do modelo tecnocrático de Jaime Lerner, que se baseia em padronização visual e no poder concentrado do Estado, aconteça e se agrave.

Mas como existem elites envolvidas, os tecnocratas paranaenses tentam dar a impressão contrária, mas é bom notar que não existem políticos progressistas na política paranaense, polarizada entre dois grupos conservadores, o de Roberto Requião (PMDB) e Beto Richa (PSDB).

Por isso, a "festa" da renovação da frota, que de fato trouxe ônibus melhores, no entanto foi uma medida mais para "salvar" um modelo desgastado do que para trazer melhorias ou aperfeiçoar um sistema que já deu o que tinha que dar.

Um reflexo disso foi o vandalismo feito por torcedores de futebol em vários ônibus novos na cidade. Embora seja um ato irracional e condenável, ele é reflexo da indignação popular contra o caráter anti-democrático do sistema.

A redução de poluição, anunciada recentemente, de 100 toneladas de poluentes nas ruas da Região Metropolitana de Curitiba, não pode ser entendida como um mérito do sistema, mas dos fabricantes de ônibus e seus engenheiros, que produziram ônibus para esse fim.

Quanto à padronização visual, já existem alternativas que viabilizem tanto a divulgação da identidade visual da empresa quanto do serviço que ela presta (tipo Interbairros, Biarticulado etc). As bandeiras digitais já possibilitam informar aos passageiros o serviço que corresponde tal linha, podendo cada empresa exibir sua respectiva identidade visual sem problemas.

Neste sentido, Florianópolis dá uma boa lição na capital paranaense. Mas o projeto tecnocrático de transporte urbano de Jaime Lerner precisa ser "mantido" pelo menos até a Copa de 2014. Desgastar esse modelo seria uma forma de comprometer o poderio "secular" de uma geração de tecnocratas pseudo-progressistas, mas claramente contrários ao interesse público.

Jaime Lerner precisa chegar "inteiro" para ser exibido para os "cartolas" da Fifa, para daqui a dois anos. Enquanto isso, o povo curitibano já sente o desgaste do transporte coletivo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS NÃO É IRREVERSÍVEL



Por Alexandre Figueiredo - Blogue Mingau de Aço

Os busólogos-pelegos, forjando profecia barata, tentaram assustar seus discordantes dizendo que a padronização visual dos ônibus cariocas é um processo irreversível. "Urubologicamente", tentaram dizer coisas do tipo "não adianta reclamar", "não dá para voltar para trás", "agora é tarde demais".

Queriam soar "proféticos", mas apenas tentaram intimidar com seu conservadorismo.

"Conservadorismo? Como assim? Conservadores não eram os que combatiam essa novidade?", perguntará algum desavisado.

Não. O conservadorismo está mesmo na "novidade" da padronização visual.

Primeiro, porque ela é "nova" no Rio de Janeiro, mas já existe em Curitiba desde o auge da ditadura militar.

Segundo, porque desde os anos 90 o conservadorismo ideológico usa o "novo" para esconder princípios e ideais velhos. O próprio neoliberalismo aposta sempre no "novo" como maneira de promover a exclusão social através de processos tecnocráticos e elitistas dos mais diversos.

Terceiro, todo processo de padronização visual do serviço de ônibus envolveu, de certa forma políticos conservadores. Jaime Lerner, tido como "deus da mobilidade urbana" para muitos incautos, é histórica figura da direita paranaense, originalmente ligado à ARENA.

E Lerner tem o mesmo apetite privatista voraz dos políticos tucanos investigados no livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.. Lerner privatizou um banco paranaense, uma empresa de saneamento e várias estradas, e queria muito mais, não fossem os protestos dos trabalhadores do Estado. E depois Lerner foi posar de "socialista", numa fracassada filiação ao PSB.

Em São Paulo, o banqueiro Olavo Setúbal, ligado ao então prefeito Paulo Egydio Martins (que no passado tentou "udenizar" a UNE), implantou a padronização visual. Em Belo Horizonte, o PDS mineiro fez o mesmo. E, no Rio de Janeiro, foi Eduardo Paes ligado a um antipopular PMDB, mas originalmente ligado ao PSDB carioca, mais antipopular ainda.

A padronização visual nos ônibus, do contrário que se imagina, não é um processo irreversível. Ela pode ser cancelada a qualquer momento. Chega a ser risível que políticos e tecnocratas achem isso "tecnicamente impossível" porque a padronização visual é um processo aparentemente integrante do sistema de licitação previsto para vinte anos.

Balelas.

Não foi Deus quem impôs a padronização visual nos ônibus de uma cidade ou região metropolitana. E a padronização visual dos ônibus cariocas, por exemplo, não estava incluída no documento original da licitação de transportes coletivos do governo Eduardo Paes. Só foi incluída tardiamente, conforme manobras politiqueiras.

E, além disso, é muito cinismo dizer que é "ilegal" desfazer a padronização visual dos ônibus porque, dependendo da conveniência, ilegalidades piores podem ser cometidas, como a destruição de uma área ambiental na Zona Oeste carioca para a construção da via exclusiva para o BRT, denominado de "Ligeirão".

O próprio grupo de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho são capazes de rasgar a Constituição Federal para satisfazerem seus interesses. Por coisas piores, são capazes de qualquer ilegalidade para benefício político e econômico deles próprios.

Incompetentes no trato com a coisa pública, os dois tendenciosos políticos, juntos, são capazes de acabar com o serviço público de Saúde ou de destruir um estádio de futebol de Niterói que é a única referência do antigo Estado do Rio de Janeiro, o Caio Martins. Coisa que não aconteceu graças a muita pressão política contra Cabralzinho.

DIVERSIDADE VISUAL VAI VOLTAR

É certo que, por enquanto, os passageiros cariocas terão que ter muita paciência para tentar reconhecer a diferença entre um ônibus da Matias e outro da Acari, um ônibus da Bangu e outro da Pégaso, um ônibus da Vila Isabel e outro da Braso Lisboa, ou um da Caprichosa com outro da Real.

A arrogância de autoridades, tecnocratas e dos busólogos-pelegos - que disparam até palavrões contra quem discordar de seus pontos de vista - ainda vai durar um tempo, cegamente confiantes com sua "cidadania de escritórios", acreditando que seus cálculos matemáticos vão resolver todos os problemas da sociedade.

Sabe-se que não resolvem, e diariamente a realidade desafia esses poderosos, quando a piora do sistema de ônibus do Rio de Janeiro está a olhos vistos e, comprovadamente, não será resolvida com compra de ônibus mais longos, com piso baixo e motor de marca sueca, paliativos que as autoridades só fazem para forçar a opinião pública a aceitar seus projetos retrógrados para o transporte coletivo.

Assim como não é dando presente para a criançada que um algoz se transformará num bom caráter, "presentear" busólogos com ônibus melhores, só para justificar um modelo tecnocrático de transporte, não vai tornar o sistema mais eficaz, mais justo nem o mais perfeito, sendo mais uma forma de neutralizar protestos do que de resolução de qualquer problema.

Por outro lado, Florianópolis, que abandonou a padronização visual há um bom tempo, também aderiu aos mesmos ônibus articulados, com piso baixo e motor de marca sueca que outras cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro só adotam de forma tendenciosa, para arrancar apoio da opinião pública e para plantar notícias sensacionalistas nas publicações sobre transporte coletivo.

A capital catarinense simplesmente permitiu a aquisição desses ônibus por uma natural tendência de mobilidade urbana, apesar do termo controverso que a palavra sugere e das discussões sobre a adoção obsessiva de BRTs nas cidades.

A diversidade visual dos ônibus voltará porque a identidade visual de cada empresa não é importante apenas pelo aspecto estético. A identidade visual é funcional, até porque é necessário aos passageiros reconhecer a empresa que serve uma linha, coisa que a padronização visual dificulta, mesmo com suas tentativas de "facilitar" a identificação (que não passam de tentativas de "facilitar" o que é complicado).

Com as mudanças ocorridas na sociedade - ninguém imaginaria a crise que o Big Brother Brasil, por exemplo, teria hoje em dia, e os combalidos tucanos outrora eram "matadores" nas urnas - , a padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro, uma "novidade" que não passa de um resíduo da ditadura militar, está se desgastando completamente, e se revelará ineficaz e prejudicial para os passageiros, principalmente gestantes, idosos, analfabetos, deficientes e qualquer um que esteja ocupado demais para reconhecer a diferença de um Internorte da Acari e outro da Ideal.

Até o momento, a realidade parece indicar o contrário, mas o "todo-poderoso" Alexandre Sansão, o "Ali Kamel da busologia", está com a batata assando, diante de tantos ônibus enguiçados, acidentados e até incendiados por conta de seu "moderno sistema de transporte".

Até um ônibus (da conceituada Braso Lisboa) enguiçou na frente dele, durante a inauguração de um corredor BRS em Ipanema. O secretário de transportes da prefeitura carioca esnobou, com sorridente arrogância, dizendo que isso é um "bom teste" para o corredor então inaugurado. Mas o RJ TV, que publicou a tal cena, teve que retirar o vídeo para evitar má repercussão.

A Rede Globo anda apoiando os ônibus fardados cariocas. Eles lembram, com seu design de embalagem de remédio (leia-se Berotec), seus áureos tempos de serviços à ditadura militar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

BLOGUE USA FUTEBOL PARA EXPLICAR EQUÍVOCO DA PADRONIZAÇÃO VISUAL


IMAGINE SE OS UNIFORMES DO FLAMENGO, FLUMINENSE, BOTAFOGO E VASCO FOSSEM EXATAMENTE IGUAIS?

Por Alexandre Figueiredo - Mingau de Aço

O blogue Expobesta, numa grande sacada, realizou um tópico satírico bastante didático, juntando o fato de que a padronização visual dos ônibus nas capitais brasileiras, inclusive o Rio de Janeiro, é um dos carros-chefes da mobilidade urbana feita - propositadamente - para fins turísticos durante os eventos esportivos de 2014 e 2016.

E, como 2014 é o ano do maior desses eventos, a Copa do Mundo Fifa Brasil 2014, nada como usar o futebol para entendermos as desvantagens da padronização visual dos ônibus cariocas. Transferindo a medida para os uniformes dos times esportivos, o texto, através do tom satírico, cita as argumentações "técnicas" que viabilizaram a hipotética medida.

Entre as "justificativas" apresentadas para a medida, estavam alegações como "disciplina" e "fim da corrupção", além de garantir que a confusão dos torcedores será "superada" com a divulgação das novas regras na imprensa.

Além disso, há o novo sistema de numeração das camisas dos jogadores, com o número respectivo acompanhado do código de registro do time em questão, que pode variar da sigla CRF (Clube de Regatas Flamengo) às primeiras letras das palavras de outros times, como BOT (Botafogo).

O texto não cita como será o padrão de uniforme dos goleiros, o que sugere também a omissão que as autoridades cariocas fazem se o serviço executivo será ou não com visual padronizado.

A paródia serve para esclarecer certas pessoas, deslumbradas com decisões tecnocráticas, sobre as confusões que as classes populares e os trabalhadores ocupados em mil afazeres frequentemente sofrem na hora de pegar ônibus, através da confusão que, durante um Fla X Flu, por exemplo, sofreria um torcedor vendo os dois times usando exatamente o mesmo uniforme.

Outro ponto da paródia é a insensibilidade que os tecnocratas diante desse risco de confusão, e o caráter patético de suas "soluções técnicas", como o simples destaque do número da camisa do jogador e do código de inscrição do respectivo time, que não são vistos de longe numa transmissão de TV.

O texto ainda parodia a questão do bilhete único e outros paliativos, através do "ingresso único", que o torcedor poderá comprar para assistir aos jogos do Campeonato Brasileiro durante todo um mês.