sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A volta da ditadura no transporte público

As autoridades não estão nem aí para a população, pois sabe que ela é ingênua e medrosa. Por isso, se aproveitam para fazerem o que querem sem medir se isso será bom ou não para a população. Até porque, na prática, autoridades não fazem parte da população.

Jaime Lerner, filhote da ditadura, resolveu impor o seu sistema, desrespeitando as características próprias de cada cidade. Ele e os seus prefeitos associados imporam a uniformização visual das frotas de ônibus, de maneira autoritária, sem consultar a população e sem calcular se seria bom ou não. E na verdade não é. 

Afinal qual vantagem tem em uniformizar as frotas. "Organiza mais"? Justificativa subjetiva, crédula e sem sentido. Já foi provado que a uniformização desorganiza mais, do contrário que se pensava, confundindo usuários e favorecendo a corrupção.

Ontem mesmo, no Rio centro, foi um sufoco pegar ônibus. Além do uniforme, os números de linhas foram mudadas. Tive que perguntar aos despacientes que ônibus pegar. Mas pelo que eu sei, a existência de despachantes para informar é uma sorte que não terei em qualquer ponto.

Nesse modismo bobo, foi confirmada a adesão de São Gonçalo e Duque de Caxias na uniformização da frota municipal. Pra quê isso?

Para os que defendem a uniformização e que costumam argumentar que é "tendência", mas acham ofensivo referir ao mesmo como modismo, lembro que "tendência" e "modismo" são sinônimos e que a falta de discernimento deles só piora ainda mais a situação, transformando a busologia num campeonato de UFC. Alguém ainda vai acabar morrendo por causa disso.

Triste saber que as autoridades tratam os ônibus como caminhão de carregar gado e os passageiros como um monte de bois e vacas sem vontade e que só tem a permissão de fazer o que o chefe mandar.

Esse sistema é um pedacinho da ditadura que se mantem viva e cresce feito câncer. Um câncer mais mortal quanto ao que destrói organismos, já que destrói sistemas.