domingo, 29 de janeiro de 2012

VIRTUDES DE NOVA FROTA NÃO EVITAM DESGASTE DO SISTEMA DE CURITIBA


REDUÇÃO DE 100 TONELADAS DE POLUENTES É MÉRITO DO FABRICANTE, E NÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS DA CAPITAL PARANAENSE

O sistema de ônibus de Curitiba, dentro daquele modelo tecnocrático lançado em 1974, está em franco processo de desgaste. Evidentemente, as pessoas parecem não se dar conta disso, sobretudo as elites que não andam de ônibus na capital do Paraná.

Depois que se preveu um colapso no setor, a renovação de frota, tendenciosa, feita em duas etapas, não evita que a saturação do modelo tecnocrático de Jaime Lerner, que se baseia em padronização visual e no poder concentrado do Estado, aconteça e se agrave.

Mas como existem elites envolvidas, os tecnocratas paranaenses tentam dar a impressão contrária, mas é bom notar que não existem políticos progressistas na política paranaense, polarizada entre dois grupos conservadores, o de Roberto Requião (PMDB) e Beto Richa (PSDB).

Por isso, a "festa" da renovação da frota, que de fato trouxe ônibus melhores, no entanto foi uma medida mais para "salvar" um modelo desgastado do que para trazer melhorias ou aperfeiçoar um sistema que já deu o que tinha que dar.

Um reflexo disso foi o vandalismo feito por torcedores de futebol em vários ônibus novos na cidade. Embora seja um ato irracional e condenável, ele é reflexo da indignação popular contra o caráter anti-democrático do sistema.

A redução de poluição, anunciada recentemente, de 100 toneladas de poluentes nas ruas da Região Metropolitana de Curitiba, não pode ser entendida como um mérito do sistema, mas dos fabricantes de ônibus e seus engenheiros, que produziram ônibus para esse fim.

Quanto à padronização visual, já existem alternativas que viabilizem tanto a divulgação da identidade visual da empresa quanto do serviço que ela presta (tipo Interbairros, Biarticulado etc). As bandeiras digitais já possibilitam informar aos passageiros o serviço que corresponde tal linha, podendo cada empresa exibir sua respectiva identidade visual sem problemas.

Neste sentido, Florianópolis dá uma boa lição na capital paranaense. Mas o projeto tecnocrático de transporte urbano de Jaime Lerner precisa ser "mantido" pelo menos até a Copa de 2014. Desgastar esse modelo seria uma forma de comprometer o poderio "secular" de uma geração de tecnocratas pseudo-progressistas, mas claramente contrários ao interesse público.

Jaime Lerner precisa chegar "inteiro" para ser exibido para os "cartolas" da Fifa, para daqui a dois anos. Enquanto isso, o povo curitibano já sente o desgaste do transporte coletivo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS NÃO É IRREVERSÍVEL



Por Alexandre Figueiredo - Blogue Mingau de Aço

Os busólogos-pelegos, forjando profecia barata, tentaram assustar seus discordantes dizendo que a padronização visual dos ônibus cariocas é um processo irreversível. "Urubologicamente", tentaram dizer coisas do tipo "não adianta reclamar", "não dá para voltar para trás", "agora é tarde demais".

Queriam soar "proféticos", mas apenas tentaram intimidar com seu conservadorismo.

"Conservadorismo? Como assim? Conservadores não eram os que combatiam essa novidade?", perguntará algum desavisado.

Não. O conservadorismo está mesmo na "novidade" da padronização visual.

Primeiro, porque ela é "nova" no Rio de Janeiro, mas já existe em Curitiba desde o auge da ditadura militar.

Segundo, porque desde os anos 90 o conservadorismo ideológico usa o "novo" para esconder princípios e ideais velhos. O próprio neoliberalismo aposta sempre no "novo" como maneira de promover a exclusão social através de processos tecnocráticos e elitistas dos mais diversos.

Terceiro, todo processo de padronização visual do serviço de ônibus envolveu, de certa forma políticos conservadores. Jaime Lerner, tido como "deus da mobilidade urbana" para muitos incautos, é histórica figura da direita paranaense, originalmente ligado à ARENA.

E Lerner tem o mesmo apetite privatista voraz dos políticos tucanos investigados no livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.. Lerner privatizou um banco paranaense, uma empresa de saneamento e várias estradas, e queria muito mais, não fossem os protestos dos trabalhadores do Estado. E depois Lerner foi posar de "socialista", numa fracassada filiação ao PSB.

Em São Paulo, o banqueiro Olavo Setúbal, ligado ao então prefeito Paulo Egydio Martins (que no passado tentou "udenizar" a UNE), implantou a padronização visual. Em Belo Horizonte, o PDS mineiro fez o mesmo. E, no Rio de Janeiro, foi Eduardo Paes ligado a um antipopular PMDB, mas originalmente ligado ao PSDB carioca, mais antipopular ainda.

A padronização visual nos ônibus, do contrário que se imagina, não é um processo irreversível. Ela pode ser cancelada a qualquer momento. Chega a ser risível que políticos e tecnocratas achem isso "tecnicamente impossível" porque a padronização visual é um processo aparentemente integrante do sistema de licitação previsto para vinte anos.

Balelas.

Não foi Deus quem impôs a padronização visual nos ônibus de uma cidade ou região metropolitana. E a padronização visual dos ônibus cariocas, por exemplo, não estava incluída no documento original da licitação de transportes coletivos do governo Eduardo Paes. Só foi incluída tardiamente, conforme manobras politiqueiras.

E, além disso, é muito cinismo dizer que é "ilegal" desfazer a padronização visual dos ônibus porque, dependendo da conveniência, ilegalidades piores podem ser cometidas, como a destruição de uma área ambiental na Zona Oeste carioca para a construção da via exclusiva para o BRT, denominado de "Ligeirão".

O próprio grupo de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho são capazes de rasgar a Constituição Federal para satisfazerem seus interesses. Por coisas piores, são capazes de qualquer ilegalidade para benefício político e econômico deles próprios.

Incompetentes no trato com a coisa pública, os dois tendenciosos políticos, juntos, são capazes de acabar com o serviço público de Saúde ou de destruir um estádio de futebol de Niterói que é a única referência do antigo Estado do Rio de Janeiro, o Caio Martins. Coisa que não aconteceu graças a muita pressão política contra Cabralzinho.

DIVERSIDADE VISUAL VAI VOLTAR

É certo que, por enquanto, os passageiros cariocas terão que ter muita paciência para tentar reconhecer a diferença entre um ônibus da Matias e outro da Acari, um ônibus da Bangu e outro da Pégaso, um ônibus da Vila Isabel e outro da Braso Lisboa, ou um da Caprichosa com outro da Real.

A arrogância de autoridades, tecnocratas e dos busólogos-pelegos - que disparam até palavrões contra quem discordar de seus pontos de vista - ainda vai durar um tempo, cegamente confiantes com sua "cidadania de escritórios", acreditando que seus cálculos matemáticos vão resolver todos os problemas da sociedade.

Sabe-se que não resolvem, e diariamente a realidade desafia esses poderosos, quando a piora do sistema de ônibus do Rio de Janeiro está a olhos vistos e, comprovadamente, não será resolvida com compra de ônibus mais longos, com piso baixo e motor de marca sueca, paliativos que as autoridades só fazem para forçar a opinião pública a aceitar seus projetos retrógrados para o transporte coletivo.

Assim como não é dando presente para a criançada que um algoz se transformará num bom caráter, "presentear" busólogos com ônibus melhores, só para justificar um modelo tecnocrático de transporte, não vai tornar o sistema mais eficaz, mais justo nem o mais perfeito, sendo mais uma forma de neutralizar protestos do que de resolução de qualquer problema.

Por outro lado, Florianópolis, que abandonou a padronização visual há um bom tempo, também aderiu aos mesmos ônibus articulados, com piso baixo e motor de marca sueca que outras cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro só adotam de forma tendenciosa, para arrancar apoio da opinião pública e para plantar notícias sensacionalistas nas publicações sobre transporte coletivo.

A capital catarinense simplesmente permitiu a aquisição desses ônibus por uma natural tendência de mobilidade urbana, apesar do termo controverso que a palavra sugere e das discussões sobre a adoção obsessiva de BRTs nas cidades.

A diversidade visual dos ônibus voltará porque a identidade visual de cada empresa não é importante apenas pelo aspecto estético. A identidade visual é funcional, até porque é necessário aos passageiros reconhecer a empresa que serve uma linha, coisa que a padronização visual dificulta, mesmo com suas tentativas de "facilitar" a identificação (que não passam de tentativas de "facilitar" o que é complicado).

Com as mudanças ocorridas na sociedade - ninguém imaginaria a crise que o Big Brother Brasil, por exemplo, teria hoje em dia, e os combalidos tucanos outrora eram "matadores" nas urnas - , a padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro, uma "novidade" que não passa de um resíduo da ditadura militar, está se desgastando completamente, e se revelará ineficaz e prejudicial para os passageiros, principalmente gestantes, idosos, analfabetos, deficientes e qualquer um que esteja ocupado demais para reconhecer a diferença de um Internorte da Acari e outro da Ideal.

Até o momento, a realidade parece indicar o contrário, mas o "todo-poderoso" Alexandre Sansão, o "Ali Kamel da busologia", está com a batata assando, diante de tantos ônibus enguiçados, acidentados e até incendiados por conta de seu "moderno sistema de transporte".

Até um ônibus (da conceituada Braso Lisboa) enguiçou na frente dele, durante a inauguração de um corredor BRS em Ipanema. O secretário de transportes da prefeitura carioca esnobou, com sorridente arrogância, dizendo que isso é um "bom teste" para o corredor então inaugurado. Mas o RJ TV, que publicou a tal cena, teve que retirar o vídeo para evitar má repercussão.

A Rede Globo anda apoiando os ônibus fardados cariocas. Eles lembram, com seu design de embalagem de remédio (leia-se Berotec), seus áureos tempos de serviços à ditadura militar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

BLOGUE USA FUTEBOL PARA EXPLICAR EQUÍVOCO DA PADRONIZAÇÃO VISUAL


IMAGINE SE OS UNIFORMES DO FLAMENGO, FLUMINENSE, BOTAFOGO E VASCO FOSSEM EXATAMENTE IGUAIS?

Por Alexandre Figueiredo - Mingau de Aço

O blogue Expobesta, numa grande sacada, realizou um tópico satírico bastante didático, juntando o fato de que a padronização visual dos ônibus nas capitais brasileiras, inclusive o Rio de Janeiro, é um dos carros-chefes da mobilidade urbana feita - propositadamente - para fins turísticos durante os eventos esportivos de 2014 e 2016.

E, como 2014 é o ano do maior desses eventos, a Copa do Mundo Fifa Brasil 2014, nada como usar o futebol para entendermos as desvantagens da padronização visual dos ônibus cariocas. Transferindo a medida para os uniformes dos times esportivos, o texto, através do tom satírico, cita as argumentações "técnicas" que viabilizaram a hipotética medida.

Entre as "justificativas" apresentadas para a medida, estavam alegações como "disciplina" e "fim da corrupção", além de garantir que a confusão dos torcedores será "superada" com a divulgação das novas regras na imprensa.

Além disso, há o novo sistema de numeração das camisas dos jogadores, com o número respectivo acompanhado do código de registro do time em questão, que pode variar da sigla CRF (Clube de Regatas Flamengo) às primeiras letras das palavras de outros times, como BOT (Botafogo).

O texto não cita como será o padrão de uniforme dos goleiros, o que sugere também a omissão que as autoridades cariocas fazem se o serviço executivo será ou não com visual padronizado.

A paródia serve para esclarecer certas pessoas, deslumbradas com decisões tecnocráticas, sobre as confusões que as classes populares e os trabalhadores ocupados em mil afazeres frequentemente sofrem na hora de pegar ônibus, através da confusão que, durante um Fla X Flu, por exemplo, sofreria um torcedor vendo os dois times usando exatamente o mesmo uniforme.

Outro ponto da paródia é a insensibilidade que os tecnocratas diante desse risco de confusão, e o caráter patético de suas "soluções técnicas", como o simples destaque do número da camisa do jogador e do código de inscrição do respectivo time, que não são vistos de longe numa transmissão de TV.

O texto ainda parodia a questão do bilhete único e outros paliativos, através do "ingresso único", que o torcedor poderá comprar para assistir aos jogos do Campeonato Brasileiro durante todo um mês.