segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

CARLOS ROBERTO OSÓRIO ADMITE QUE EMPRESAS DE ÔNIBUS FIZERAM DOAÇÃO DE CAMPANHA


O ex-secretário municipal de Transportes do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, Carlos Roberto Osório, em debate realizado com moradores na Ilha do Governador, admitiu que os empresários de ônibus fizeram doações de campanhas para políticos.

Ao lado do ambientalista Sérgio Ricardo, que descreveu tal denúncia, Osório balançou a cabeça de forma convicta e admitiu dizendo "É verdade". Osório também admitiu que as empresas encomendaram um estudo tendencioso para justificar o aumento das passagens.

Osório era secretário quando os ônibus executivos adotaram padronização visual. A pintura adotada era de fundo azul escuro com a palavra "Executivo", que confundia ainda mais os passageiros do que os ônibus urbanos, porque nem a diferença de consórcios era identificada. A pessoa podia pegar um ônibus para o Engenho de Dentro pensando ir para Santa Cruz e, assim, perder tempo e dinheiro.

A pintura padronizada cada vez mais se comprova ser um pano de fundo para a corrupção político-empresarial, na medida em que dificulta às pessoas a identificação visual de uma empresa de ônibus. Com essa dificuldade, os passageiros, além de ter que dobrar a atenção para evitar embarcar no ônibus errado, também têm dificuldade para identificar a empresa que presta mau serviço à população.

Osório tenta livrar-se da culpa e afirma que hoje só tem ele como doador de campanha, através de um fundo de R$ 75 mil. Atualmente ele está no PSDB, enquanto Eduardo Paes está no DEM. Ambos são pré-candidatos à sucessão de Marcelo Crivella na Prefeitura do Rio de Janeiro.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

MOVIMENTO PASSE LIVRE DEVERIA LUTAR CONTRA PADRONIZAÇÃO VISUAL


Os recentes protestos contra o aumento das tarifas de ônibus de São Paulo, organizado pelo Movimento Passe Livre, tirou o grupo do limbo, depois que os acontecimentos derivados do golpe político de 2016, ou mesmo precedentes como as jornadas de Junho de 2013, fizeram o grupo ser confundido com o Movimento Brasil Livre, surgido há sete anos.

O MPL reassumiu uma pauta progressista e continua se manifestando, desta vez contra o reajuste no valor de R$ 4,30 para R$ 4,40. O grupo reivindica transporte gratuito para estudantes e também luta para que seja investigada a corrupção político-empresarial envolvendo sistemas de ônibus.

A atuação é louvável, mas o Movimento Passe Livre comete um gravíssimo erro de não lutar contra a pintura padronizada nos ônibus, tida como uma "verdade absoluta" para o setor. Entendida como um suposto meio de disciplinar os sistemas de ônibus, através de uma lógica moralista e militar vinda do período ditatorial, a pintura padronizada nos ônibus causa dor de cabeça para os passageiros na hora de pegar um ônibus para ir ao trabalho.

Passageiro de ônibus não é turista para ficar pegando ônibus errado a todo momento e gastar Bilhete Único como se estivesse na Disney. Há pessoas ocupadas com o que fazer no trabalho, gente estudando para concursos públicos e provas escolares, gente cheia de compromissos pessoais, gente com muitas contas a pagar, e elas ainda são obrigadas a diferenciar um ônibus de outro, porque todos têm pintura igualzinha.

A ocultação da identidade visual de cada empresa de ônibus, além de aumentar drasticamente os custos das passagens - na Grande Belo Horizonte, isso reflete na hora de uma empresa transferir ônibus semi-novos de uma cidade para outra ou de uma zona para outra na capital mineira - , principalmente se considerarmos a burocracia política para liberar um ônibus novo, ela permite a corrupção político-empresarial que beneficia os envolvidos e precariza o serviço.

Cidades como Florianópolis, São Paulo, Curitiba e Brasília contam com casos de corrupção que se agravaram sob a lona dos ônibus visualmente padronizados. Os escândalos só não vêm a público porque seus empresários acabam "negociando" com a grande imprensa para, ao menos, minimizar a situação, só noticiando matérias "mornas" para fingir imparcialidade, escondendo casos mais graves.

O transporte se mediocriza sob o aparato dos ônibus padronizados e as renovações de frota se retardam, porque precisam da burocracia que inclui autorização das secretarias de transportes, que viraram dublês de gestoras de empresas de ônibus - sob a máscara política dos "consórcios" - , para renovação de frotas. Enquanto isso, irregularidades podem ser permitidas, como deixar que a documentação fosse vencida, em certos casos.

O que o Movimento Passe Livre deve fazer é encampar a luta contra os "ônibus iguaizinhos" e pedir que cada empresa de ônibus tenha sua própria identidade visual, porque é somente isso que deixará o transporte coletivo mais transparente. Liberar a diversidade de pinturas, com cada empresa de ônibus exibindo seu respectivo visual, não acaba com a corrupção no setor, mas permitirá ao passageiro comum a facilidade de identificar a empresa deficitária, em qualquer aspecto.

Portanto, esperamos que o MPL passe a lutar contra a pintura padronizada nos ônibus, em suas próximas manifestações. Isso é de máxima urgência, porque envolve o interesse público.

domingo, 5 de janeiro de 2020

DELAÇÃO DE EX-PRESIDENTE DA FETRANSPOR DENUNCIA EDUARDO PAES


Pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, o ex-titular do cargo Eduardo Paes é acusado de envolvimento em esquema de propinas da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes do Estado do Rio de Janeiro), segundo delação do ex-presidente da entidade, Lélis Teixeira.

As denúncias também citam o atual prefeito, Marcello Crivella, mas apontam que o grosso da corrupção ocorreu justamente na gestão do ambicioso Paes, que atravessou eventos esportivos realizados no Estado, como parte da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas Rio 2016.

É claro que acabar com a pintura padronizada nos ônibus não resolve em momento algum a corrupção no setor, mas é justamente confundindo diferentes empresas de ônibus com uma mesma identidade visual que se facilita, ainda mais, a corrupção, quando a sociedade perde a noção de identificação visual que poderia diferir uma empresa de ônibus de outra e permitir o reconhecimento de empresas deficitárias.

E foi essa lógica que Eduardo Paes, que não mediu escrúpulos de ofender os imigrantes e descendentes de portugueses quando, citando uma pintura verde-marrom da Braso Lisboa, criticou a diversidade de pinturas dos ônibus cariocas, teria promovido o esquema de corrupção com os empresários de ônibus.

Segundo Lélis Teixeira, houve um esquema de "caixa dois" que repassou a empresários, entre 2010 e 2016 - época das duas gestões de Paes - um valor estimado em R$ 500 milhões. Pelo menos treze vereadores e outros ex-vereadores teriam também sido beneficiados pelo esquema.

Nessa época, medidas antipopulares para os passageiros de ônibus haviam sido adotadas, como a pintura padronizada nos ônibus municipais. A medida criou um "modismo" que se estendeu em cidades da Região Metropolitana, como Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Campos e Araruama, causando dor de cabeça para os passageiros que já precisam pagar suas contas, estudar para concursos, planejar trabalhos e ainda precisam redobrar a atenção para não pegar o ônibus errado.

Não bastasse isso, outras medidas nocivas vieram. Chegou-se a haver o fim da ligação Zona Norte-Zona Sul e o encurtamento de linhas de ônibus, prejudicando diversos passageiros. Uma passageira chegou a ser assaltada porque esperava o segundo ônibus para voltar para casa. A medida teve que ser revertida através de uma ação judicial, que não viu critérios técnicos para sua implantação.

Na época do fim da ligação Zona Norte-Zona Sul

O legado de Eduardo Paes foi a extinção de empresas importantes como Auto Viação Bangu e Transportes São Silvestre, diminuindo a quantidade de empresas de ônibus e sobrecarregando as já existentes. O serviço piorou consideravelmente e os passageiros reclamam da demora em várias linhas, antes com serviço exemplar, ainda que com eventuais imperfeições.

Por ironia, é justamente o legado de Eduardo Paes que impede que as empresas de ônibus invistam na despadronização visual, porque o ex-prefeito, famoso pelo pretenso populismo falsamente desenvolvimentista, praticamente promoveu a quebradeira das empresas, com o desvio de dinheiro para uma elite de empresários do setor.

Isso faz com que as empresas não tenham dinheiro suficiente para acelerar a repintura e a substituição dos carros, e mesmo empresas como a Viação Acari, que chegou a renovar frota de três em três anos, ainda tem que se virar com ônibus que estão com dez anos de fabricação.