quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mais um efeito da uniformização visual constatado agora por politicos

TRANSPORTES DO DISTRITO FEDERAL SÃO OS PIORES DO PAÍS, diz Comissão da Câmara

transportes no Distrito Federal
    Ônibus em Brasília. A frase do prefeito de Planaltina de Goiás de que os transportes no Distrito Federal 
e entorno são os piores do País ganhou coro de deputados e representações de trabalhadores.Frota velha, 
metade com até 19 anos, veículos constantemente quebrados,
atrasos e linhas defasadas são parte da realidade dos sistemas locais.
Parlamentares e cidadãos também acusam empresas de formação de cartel, 
pressionando o poder público para passagens maiores e 
refletindo na má qualidade de serviços. DFTrans, gerenciadora do sistema,
reconhece o problema e afirma que a situação só vai mudar com a licitação, 
cujo edital deve ser lançado até o final do ano. Mas se não houver nenhum entrave, 
o que é comum em certames de serviços de transportes, 
a renovação da frota de ônibus sói deve ser concluída em 2013.
Transportes do Distrito Federal são alvos de críticas em comissão na Câmara dos Deputados
        A precariedade dos serviços, a falta de acessibilidade para portadores de necessidades especiais e o alto valor das passagens fora,m os principais pontos levantados por autoridades locais e representantes de passageiros
ADAMO BAZANI – CBN
Nem a gregos, nem a troianos, nem a autoridades, nem a população. A forma como é prestado o serviço de transportes coletivos no Distrito Federal e entorno consegue desagradar a todos.
Pelo menos foi essa a impressão durante a Audiência Pública, realizada nesta quarta-feira, dia 16 de novembro de 2011, sobre os serviços de ônibus, realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, em Brasília.
O evento, para discutir a situação dos serviços de ônibus na região, reuniu deputados, autoridades locais e representantes dos passageiros.
Com uma frota cuja metade dos ônibus tem idade média de 19 anos e vários rodam com documentação vencida ou irregular, atrasos, quebras, linhas mal planejadas, ônibus com goteiras de chuva dentro e motoristas que precisam de maior preparo marcam o dia a dia de quem precisa dos serviços de transportes em Brasília e nas cidades próximas.
De acordo com a “Agência Câmara de Notícias”, o prefeito de uma destas localidades, José Olinto Neto, à frente do executivo de Planaltina de Goiás, os transportes no Distrito Federal podem ser considerados os piores do País.
“Quando fazemos a viagem até Brasília, encontramos sempre quatro ou cinco ônibus quebrados. E o usuário ainda paga R$ 4,50 pela passagem”, reclamou Olinto Neto.
A falta de ônibus com acessibilidade também foi uma das queixas durante a Comissão.
A ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres – confirmou que somente 10% da frota de ônibus do Distrito Federal possuem elevadores ou qualquer outro equipamento de acessibilidade.
Mas o número pode ser menor ainda, isso porque, estes dados são fornecidos pelas próprias empresas de ônibus, cabendo, segundo a ANTT, maior fiscalização do DFTrans – Departamento de Trânsito e Transportes do Distrito Federal.
Os parlamentares acusaram as empresas de formação de cartel, cobrando tarifas altas, mesmo reguladas pelo poder público, mas que fazem pressão sobre o valor das passagens.
Além disso, segundo os parlamentares, esta suposta cartelização seria um dos motivos pela falta de concorrência e como consequência, precariedade dos serviços.
As empresas também não estariam cumprindo o desconto obrigatório de 50% no valor das passagens para estudantes. O problema ocorre com os estudantes do entorno do Distrito Federal e que se deslocam para aquela região.
Dentro do Distrito Federal, os estudantes não pagam passagem.
A DFTRans anunciou no mês passado, quando apreendeu mais de 700 ônibus operando de maneira irregular, que a solução para os problemas seria a licitação do sistema, cujo edital vai ser lançado até o final deste ano.
Mas a renovação da frota só deve ser concluída em 2013, isso se não houver nenhum entrave ao processo licitatório, o que normalmente ocorre nos certames de transportes públicos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

E mais padronização visual para confundir o povo

Como politico adora aparecer com estes artifícios! Dessa vez de uma forma até correta, pois identifica por bairro e não por zona de operação. De fato, na prática se fosse implantado em todo Rio e cada cor fosse por bairro, de fato seria uma mão na roda, como acontece com o transporte alternativo, por exemplo. Mas como objetivo da padronização em qualquer lugar do pais não é e nunca será este, nós do blog continuaremos a condena-la, ja que quando o serviço é operado pela iniciativa privada, esta é quem deveria aparecer, justamente para orientar o passageiro em seus trajetos e para fins de fiscalização popular e da mídia. Uma vez que o objetivo da padronização visual sempre é por vaidade politica, corrupção e marketing politico. Embora nossa campanha pareça perdida, ela continua e não se direcionará apenas ao Rio de Janeiro, mas a todas as cidades do país. Um local que um dia padronização poderá cair, pois tem gente que está pronta para aderir é São Paulo, uma vez que eles já conhecem há mais de trinta anos os efeitos maléficos desta medida de carater autoritário, já que a população nunca é consultada em situações como essa. Ela sempre é imposta de cima pra, baixo e sempre de forma autoritária. Nossa campanha continua, e se Deus quiser, atingiremos nosso objetivo. E só!


ÔNIBUS NO LUGAR DOS BONDES DE SANTA TERESA.
Novo sistema será implantado em 2013 com ajuda da Carris de Portugal.
ônibus e bonde de Santa Teresa
Modelo de micro-ônibus que a partir desta segunda-feira, dia 07 de novembro,
substitui os bondes tradicionais de Santa Teresa.
Os serviços de bondes foram suspensos depois de tragédia com descarrilamento de bonde
que provocou a morte de 06 pessoas e ferimentos em outras 50.
Os bondes só devem voltar a prestar serviços em 2013 e não serão os mesmos tradicionais.
Haverá um novo modelo de veículo e sistema operacional que serão implantados
em colaboração da Carris de Portugal, que em Lisboa opera bondes com
topografia semelhante a de Santa Teresa e que nos anos de 1940 já operou o
bondinho tradicional no Rio de Janeiro. Ilustração: Divulgação da Prefeitura do Rio de Janeiro
Ônibus começam a circular em Santa Teresa
Passagem continua sendo de R$ 0,60. A diferença entre os R$ 2,40 da tarifa regular

dos ônibus e o valor pago pelos passageiros, de R$ 1,80, será bancada pela Prefeitura do Rio de Janeiro
ADAMO BAZANI – CBN
A cena dos tradicionais bondinhos de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, por enquanto não poderá ser vista mais. E talvez o mesmo sistema não será visto nunca mais.
Isso porque, o Governador Eduardo Paes anunciou que somente em 2013 é que bondes irão circular por Santa Teresa com um sistema modernizado e novos veículos.
Os investimentos serão na ordem de R$ 40 milhões.
Para que sejam entregues novos bondes, trilhos e rede aérea foi firmado um acordo com a Carris, empresa de transportes de Portugal.
Uma curiosidade histórica é que a Carris de Portugal já operou e administrou os bondes de Santa Teresa no Rio nos anos de 1940.
A escolha da Carris para o acordo não foi só por questões históricas.
Segundo o Governo do Estado do Rio de Janeiro, ladeiras e terrenos acentuados de Lisboa são as que mais se aproximam da realidade de Santa Teresa para transportes por bondes.
A decisão de investir em bondes, ainda de acordo com o Governo, está mais baseada na manutenção da tradição do bairro do que a viabilidade econômica dos transportes.
Os bondes, além de serem uma marca, atraem turistas, o que acaba contribuindo para compensar o pouco retorno financeiro ou mesmo as dificuldades operacionais.
Os bondes de Santa Teresa foram “aposentados” depois de uma tragédia em agosto de 2011. Um bonde descarrilou, tombou e provocou a morte de 06 pessoas e ferimentos em outras 50.
Enquanto 2013 não chega e os bondes novos das Carris também não, começaram a operar nesta segunda-feira, dia 07 de novembro de 2011, duas linhas especiais de micro-ônibus com o valor da passagem igual dos bondinhos: R$ 0,60.
Como a tarifa das empresas de ônibus é de R$ 2,40, para manter o preço dos bondes para os passageiros, a prefeitura vai subsidiar a diferença de R$ 1,80.
Serão duas linhas, operadas pelo Consórcio Intersul: SE 006 (Silvestre – Castelo) e SE 014 (Paula Matos – Castelo).
Os pontos foram determinados de acordo com o melhor local para a parada dos ônibus.
Os micro-ônibus, mais indicados para as condições do morro que os ônibus convencionais de 12 a 13,2 metros, têm capacidade para 35 passageiros.
A frota pode ser adequada à demanda ao longo da operação.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN
Fonte: Blog Ponto de ônibus

domingo, 6 de novembro de 2011

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS DO RJ NÃO CHEGARÁ A 20 ANOS


VERDUN E MATIAS IGUAIZINHOS - Visual padronizado não traz vantagens reais para os passageiros.

O texto em questão pode parecer um absurdo hoje, mas pensando a longo prazo, verá que faz um bom sentido.

Pois o que se anuncia é que é muito pouco provável que a padronização visual adotada nos ônibus do Rio de Janeiro irá durar os vinte anos previstos para os consórcios. A medida pode até estar sendo tolerada pela maioria da população, mas apoio ela não recebe mesmo.

A medida, comprovadamente, está mostrando as desvantagens do visual igualzinho de várias empresas, que confunde os passageiros que não podem mais reconhecer os ônibus de longe. Além disso, também não há a menor graça "rachar" uma mesma empresa de ônibus em dois consórcios, o que aumenta ainda mais a confusão.

A medida só "prevalece" hoje porque, em nossa política, ainda vivemos a herança do regime militar e dos aliados civis que, tempos atrás, constituíram no grupo político que sustentou os governos Collor e FHC.

É bom deixar claro que o pai da "padronização visual" nos ônibus brasileiros, Jaime Lerner, é ideologicamente herdeiro do regime militar e se formou na UFPR do reitor e depois ministro de Castelo Branco, Suplicy de Lacerda, artífice de medidas que revoltaram o movimento estudantil.

A medida, arbitrária e feita à revelia da população, da padronização visual dos ônibus cariocas, só satisfaz uma minoria de busólogos que ficou com o privilégio exclusivo de reconhecer a "diferença" de uma Verdun e uma City Rio, de uma Braso Lisboa e uma Real, de uma Bangu e uma Campo Grande. A medida criou uma espécie de joguinho para esses arautos da vaidade pessoal sobre rodas.

Vale lembrar, todavia, que nem todos os busólogos que fotografam ônibus com visual padronizado estejam realmente a favor da medida. Há muitos contra que, mesmo assim, fotografam ônibus padronizados pela simples função de informar. Se nem o designer Armando Villela (Villela Design), em que pese ter bolado as padronizações visuais para Belo Horizonte, Vitória e Manaus, apoia a padronização visual, muitos busólogos também não apoiam.

Um desses busólogos, com muitos anos de experiência, como protesto decidiu trocar os dados de empresas de ônibus por causa do visual padronizado num sítio virtual de ônibus. Colocando o número correto do carro, o busólogo no entanto dá o crédito diferente de empresa, para protestar. Como, por exemplo, creditar um carro da Viação Andorinha com o nome da empresa mudado para Rio Rotas.

A arrogância de busólogos-pelegos, autoridades e tecnocratas do transporte, certamente, não irá acreditar neste texto, achando que o que vai acontecer é só a "mudança de design" na padronização visual. Mas, do jeito que a opinião pública hoje evolui, em que uma multiplicidade de questões diversas da sociedade são difundidas e discutidas amplamente, é bom se prepararem para quando a causa deles perder totalmente o sentido.

Ninguém imaginava, por exemplo, em 1994, que o grupo político de Fernando Henrique Cardoso perderia todas em 2010. Fale em 1997 que FH e seus aliados não iriam ficar no Planalto em 2010, e você logo receberia um comentário agressivo de um internauta irritado, que muito provavelmente perguntaria em que planeta você vive.

Fernando Henrique Cardoso deixou a Plataforma P-36 da Petrobras sofrer uma tragédia, chamou os aposentados de "vagabundos", e aparentemente "ganhou todas" em 2000. Certamente achando que sobreviveria vitorioso em 2014, ano dos 20 anos do Plano Real, em que tudo parecia indicar o triunfo "definitivo" do grupo demotucano.

A ditadura militar que tentou "padronizar" os corações e mentes dos brasileiros durou 21 anos achando que ultrapassaria a barreira do século. Fale para os generais, em 1969, que a ditadura militar encerraria em 1985 e você seria preso e torturado, para não dizer morto e jogado na vala como carne podre.

A Folha de São Paulo, ícone da imprensa reacionária, tentou "padronizar" a opinião pública com o Projeto Folha, em 1984, com Otávio Frias Filho acreditando ser ele mesmo um Moisés moderno, no sentido de definir os mandamentos da humanidade brasileira. A FSP parecia ter uma reputação inabalável, quase que um totem impresso. Mas hoje a reputação do jornal paulista se encontra seriamente abalada, até nos tribunais.

Mas fale para algum chefão da Folha, em 1994, que o jornal seria parodiado por uma dupla de humoristas, que o periódico seria visto como reacionário e o nome "Folha" faria um trocadilho maldoso com a palavra "falha" e a resposta mais provável será esta: "Não sei do que você está falando. A Folha é a imprensa na mais alta definição. Somos a vanguarda do futuro, não creio que cometamos grandes erros".

As coisas mudam, e o que se vê, nas ruas, é o fracasso de todo um modelo de transporte coletivo do qual a padronização visual é seu carro-chefe. Nas ruas cariocas, o que se vê são ônibus facilmente enguiçados, carros semi-novos mal-conservados, ônibus circulando com lataria amassada, males que se vê até mesmo em empresas antes respeitáveis como Real, Matias, Pégaso e Lourdes.

Não é invenção, não. Basta dar um passeio de ônibus nas principais avenidas e ver que isso nem de longe é papo furado. Já vi lataria amassada anteontem em carros como 53648 (Campo Grande), 58080 (Lourdes) e 27509 (Vila Isabel). Já vi carros da Matias, Lourdes e Real chacoalhando feito carro de entulho, carros que nem chegam a ter três anos de fabricação.

Os passageiros também quebram a cabeça agora para ver se não pegam ônibus errado. Seria no mínimo cinismo e cara-de-pau achar que isso vai durar 20 anos ou mais ou que vai resolver com paliativos sem necessidade. Não vai.

A padronização visual é uma medida que se desgasta. Ela é herança da ditadura militar, cujos herdeiros civis (a ditadura também teve apoio de parte da sociedade civil) até hoje estão no poder, que queria ver o Estado controlando politicamente o transporte coletivo.

Essa lógica do transporte coletivo, tecnocrática e autoritária, se vende como "nova" mas se trata de algo velho e antiquado, até porque seus responsáveis se encontram no auge do poder político e técnico.

Talvez a medida se segure até 2016, com muitos artifícios como abrigos futuristas e compras tendenciosas de carros novos, com direito a festinhas e alarde na imprensa. Mas é muito difícil que, com o amadurecimento da opinião pública, cada vez mais avançando no senso crítico, a gente veja ônibus cariocas com visual padronizado daqui a 20 anos. Até lá, todas as suas desvantagens serão reconhecidas e todos os paliativos testados em vão.

O futuro se mostrou, desde que a humanidade é humanidade, que não é o plágio do presente e que pode transformar em castelos de areia ideias dominantes que parecem sólidas.