terça-feira, 22 de agosto de 2017

PREFEITURA DO RJ QUER RETORNO DOS COBRADORES

DUPLA FUNÇÃO DE MOTORISTA-COBRADOR CAUSA DESCONFORTO NOS PASSAGEIROS E ESTRESSA E ATÉ ADOECE MOTORISTAS, COM A SOBRECARGA NO TRABALHO.

A Prefeitura do Rio de Janeiro, através do secretário de Transportes, Fernando MacDowell, pretende reverter todos os retrocessos trazidos pela gestão "tecnocrática" do secretário da pasta durante os governos de Eduardo Paes, Alexandre Sansão.

Não é uma tarefa fácil. A equipe de MacDowell estuda o fim do esquartejamento de linhas de ônibus imposto em 2015 - quando o secretário era Rafael Picciani, mas Sansão havia, como subsecretário de Planejamento, concebido a medida - , o fim da pintura padronizada imposta em 2010 e, agora, o fim da dupla função do motorista-cobrador. E isso fora a medida de reduzir a tarifa municipal convencional de R$ 3,80 para R$ 3,60.

O fim da pintura padronizada, previsto para este mês, ficou parada pela complexidade dos estudos e várias circunstâncias complexas que dificultam a celeridade das propostas de MacDowell. O caso da prisão, já revogada, de vários empresários e executivos do transporte fluminense, através da Operação Ponto Final, uma das etapas da Operação Lava Jato, complica o lançamento do plano de cancelamento da pintura padronizada dos ônibus, que pressuporia o fim dos consórcios.

A dupla função do motorista-cobrador já era combatida por vários parlamentares de oposição ao grupo político de Eduardo Paes, que hoje sofre seu inferno astral desde que o ex-governador Sérgio Cabral Filho foi preso. Mas o empresariado dos transportes, através da Rio Ônibus, é contra a volta dos cobradores de ônibus por três motivos.

Eles alegam que os cobradores geram custos às empresas, devido aos salários e outros investimentos. Dizem também que as funções de motorista e de cobrador são "compatíveis" e alegam "não haver problema" em um motorista assumir a tarefa de cobrar passagens. Além disso, alegam que a função do cobrador é "desnecessária" por causa do uso de cartão eletrônico, o Bilhete Único.

As entidades dos rodoviários contestam a visão dos patrões, porque, mesmo com o motivo do Bilhete Único, os motoristas precisam observar o passageiro passando o cartão pelo leitor que registra digitalmente a passagem. A categoria também chama a atenção pelo fato de muitos motoristas trabalharem estressados, o que oferece perigo para os passageiros.

Vários acidentes ocorreram sob esta condição. Motoristas que cobram passagens ficam sobrecarregados e, com a atenção dividida, provocam acidentes. A sobrecarga também fez muitos motoristas sofrerem mal súbito. Os acidentes deixavam uma média de 20 feridos por ocorrência, mas já deixou vários mortos, entre 2011 e 2017.

O retorno aos cobradores complicará a redução da tarifa de R$ 3,80 para R$ 3,60. Mas é provável que o secretário MacDowell, também vice-prefeito da gestão de Marcelo Crivella, encomende à sua equipe estudos para contornar a situação, na hipótese dos cobradores retornarem a todos os ônibus urbanos municipais do Rio de Janeiro.

Até agora, nenhum dos planos de MacDowell teve prazo para lançamento, devido a tantas dificuldades que apareceram nestes meses. Mas o secretário garante que tais propostas de reverter os retrocessos de Eduardo Paes, prometidos pela campanha de Crivella, serão implantadas o mais breve possível. Espera-se que elas realmente se concretizem, para benefício dos passageiros, cansados de tantos transtornos.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

OPOSIÇÃO OBTÉM ASSINATURAS PARA PEDIR ABERTURA DA CPI DOS ÔNIBUS


Parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) obtiveram um número de assinaturas suficiente para solicitar ao plenário a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar irregularidades das empresas de ônibus do Grande Rio. O PSOL comandou a coleta de assinaturas.

As assinaturas colhidas totalizaram 27, quando o regimento interno da casa legislativa, sediada no Centro do Rio, determina o número mínimo de 24. O abaixo-assinado também é favorecido pelo fato de que não há CPIs em andamento ao mesmo tempo na ALERJ, o que dá mais chances do pedido ser aceito pelo plenário da assembleia.

Uma CPI dos Ônibus chegou a ser feita em 2013 na Câmara Municipal, mas ela foi manipulada pelos próprios aliados do então prefeito Eduardo Paes, que conduziram o processo para favorecer os interesses dos empresários de ônibus. A CPI, na prática, morreu no nascedouro.

A nova tentativa é motivada pela prisão de vários membros da cúpula do transporte no Grande Rio, feita pelo desdobramento da Operação Lava Jato, chamado Operação Ponto Final. Além de nove pessoas, o presidente da entidade, Lélis Teixeira, o empresário Jacob Barata Filho, herdeiro de Jacob Barata, o "Rei do Ônibus" no Estado.

PINTURA PADRONIZADA

Embora poucos se atentem com o problema dos "ônibus iguaizinhos", a ideia de esconder empresas de ônibus com uma mesma identidade visual, que variava apenas por outros critérios como zonas de bairros, tipos de ônibus e áreas metropolitanas.

A pintura padronizada, além de ser onerosa e cara - uma mesma empresa, ao atuar em várias áreas, chega a ter várias pinturas, refletindo nos custos que pressionam os preços das passagens - , estaria também confundindo os passageiros e favorecendo a corrupção, na medida em que, ocultando as identidades visuais das empresas, a sociedade tem dificuldades para identificar a empresa que presta mau serviço ou está ligada a um empresário investigado por corrupção.

O processo de padronização estava sendo gradualmente implantado no Rio de Janeiro, atingindo, só na região metropolitana, cidades como Niterói, São Gonçalo e Nova Iguaçu, além da própria capital. Um plano de expandir os "ônibus iguaizinhos" para o serviço do DETRO (cuja numeração é identificada pelo código RJ XXX.XXX) chegou a ser cogitado para 2016, mas o desgaste político do grupo do PMDB carioca cancelou a iniciativa.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tem um prazo de 48 horas para analisar as assinaturas. Se acatar o pedido, instalará imediatamente a CPI. Já a Fetranspor, entidade dos empresários de ônibus, publicou nota afirmando que colabora com as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e manifestou disposição à Justiça para prestar qualquer esclarecimento.