segunda-feira, 3 de julho de 2017

O "ESPETÁCULO" POR TRÁS DOS ÔNIBUS PADRONIZADOS


É verdade que a diversidade visual, quando as empresas de ônibus exibem suas respectivas identidades visuais, não é garantia de um sistema de ônibus 100% honesto. Mas acobertar as empresas sob uma pintura padronizada torna a corrupção ainda mais fácil e bem mais disfarçada, porque os ônibus "iguaizinhos" dificultam ainda mais os passageiros comuns de identificarem cada empresa de ônibus.

Essa ideia vêm à tona quando a Operação Lava Jato, controverso processo de aparente combate à corrupção, prendeu hoje, através do desdobramento chamado Operação Ponto Final, que investiga supostos esquemas de propina envolvendo empresários de ônibus do Rio de Janeiro, 10 suspeitos de movimentar um pagamento de propina de R$ 260 milhões a políticos.

A lista, segundo divulgou esta manhã o portal G1, é esta:

Mandados de prisão preventiva confirmados:

Jacob Barata Filho, empresário do setor de transportes, suspeito de ter recebido R$ 23 milhões em propina (preso)

Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, suspeito de receber R$ 44 milhões (preso)

Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor, suspeito de receber R$ 1,57 milhão (preso)

José Carlos Reis Lavoura, conselheiro da Fetranspor, suspeito de receber R$ 40 milhões (está em Portugal; a Polícia Federal acionará a Interpol)

Marcelo Traça Gonçalves, presidente do Sindicato de Empresas de Transporte Rodoviário do Rio de Janeiro (Setrerj) e apontado como realizador dos pagamentos (preso)

João Augusto Morais Monteiro, sócio de Jacob Barata e presidente do conselho da Rio Ônibus, suspeito de receber R$ 23 milhões (preso)

Cláudio Sá Garcia de Freitas (preso)

Márcio Marques Pereira Miranda (foragido)

David Augusto da Câmara Sampaio (preso)

Mandados de prisão temporária confirmados:

Carlos Roberto Alves (preso)

Enéas da Silva Bueno (preso)

Octacílio de Almeida Monteiro (preso)

A Operação Ponto Final também mira as cúpulas empresariais e os políticos associados no Estado do Paraná - onde Curitiba, apelidada de "República de Curitiba" por ser a sede da Polícia Federal e do Ministério Público responsáveis pela Lava Jato - e Santa Catarina.

Curitiba é uma das primeiras cidades a "esconder" as empresas de ônibus sob o aparato da pintura padronizada, ainda no auge da ditadura militar e sob o pretexto de "identificar zonas de bairros e tipos de serviços". Neste esquema, diferentes empresas de ônibus podem ter uma mesma pintura, mas uma mesma empresa pode ter várias cores se operar em mais de um esquema (intermunicipais, interbairros, BRT etc).

Já Santa Catarina conta com algumas cidades que adotam pintura padronizada, como São José e Joinville. Florianópolis passou a adotar a pintura padronizada nos ônibus há pouco tempo, sob o aparato do "Consórcio Fênix", mediante uma licitação cheia de irregularidades e fazendo os ônibus terem uma só pintura, que mais lembra embalagem de marca de tinta para paredes. Uma mesma cor envolve todas as empresas municipais e não aparece o nome da empresa.

No Rio de Janeiro, investigadores da Operação Ponto Final apontam que o ex-governador Sérgio Cabral Filho recebeu um valor de R$ 122,8 milhões em propina entre 2010 e 2016, sendo os dois últimos anos, 2015 e 2016, posteriores à sua saída do cargo de senador. A operação criminosa que atua nos bastidores do sistema de ônibus no Grande Rio age desde 2007.

Sérgio Cabral Filho, junto com Eduardo Paes, foi considerado "herói" entre uma parcela de busólogos que defendeu a pintura padronizada e que mostrava indícios de cobiçar cargos no gabinete do então secretário de Transportes de Paes, Alexandre Sansão.

Um blogue de calúnias e difamação, Comentários Críticos, chegou a ser criado por um busólogo da Baixada Fluminense, que, sob o pretexto de humilhar "apenas" busólogos emergentes, queria desmoralizar, a médio prazo, quase toda a busologia fluminense. O blogue já foi denunciado no portal de denúncias criminais SaferNet.