terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A padronização visual sinaliza emcampação. E isso não é nada bom para o passageiro

Depois que o município do Rio de Janeiro decidiu colocar farda na frota municipal, outros sistemas vem fazendo o mesmo, achando que colocar uma pintura que destacasse a logomarca das gestões municipais e estaduais significaria melhoras no transporte.

Infelizmente, isso não é verdade, já que a colocação de pintura, do contrário que muitos pensam, não tem finalidade apenas estética. É uma maneira de dizer que os sistemas de transporte agora são administrados apenas pelas prefeituras, com todas as regras criadas por ela, além da responsabilidade de fiscalização ser exclusiva de órgãos ligados diretamente ao Poder Executivo.

Aparentemente isso seria bom, pois o transporte seria entregue ao poder público, que EM TESE, cuidaria do interesse da população. Mas conhecemos os nossos políticos e sabemos que nunca trabalharam pelo interesse de quem os elegeu.

Além disso, experiências comprovam que o poder público não sabe administrar o transporte. Encampações e criações de empresas públicas de transporte sempre se demonstraram um fracasso, com sistemas mal gerenciados e frota sem manutenção adequada. O Poder Executivo sempre provou ser incapaz de administrar o transporte, mas desta vez voltaram a insistir na tecla, só que de maneira diferente.

Desta vez, inspirados na chamada parceria público-privada (PPP), resolveram fazer uma encampação meio diferente. As empresas privadas ainda continuam existindo, mas elas agora se limitam apenas a oferecer a logística do transporte que é controlado por um ente público, ligado ao Poder Executivo chamado "consórcio". Descartando a logística e a parte financeira, as empresas não administram mais as suas frotas e o serviço por elas oferecidos, agora a cargo de secretarias de transporte, que se transformam em intermediários entre as empresas e a população.

Para deixar ainda mais claro que quem manda no transporte é o Poder Executivo, a identidade das empresas é eliminada, os nomes das empresas, senão apagados, são registrados de forma ilegível, dando mais ênfase aos logos de consórcios, prefeituras, governos ou sistemas. Identificar a empresa se tornou tarefa exclusiva dos gestores dos próprios sistemas e de busólogos que criam macetes baseados em detalhes mínimos (desconhecidos pelos usuários do transporte) para saber quem é quem.

E como qualquer encampação, as falhas começam a aparecer, já que o Poder Executivo não foi feito para administrar sistemas de transporte. Apesar do dinheiro e do planejamento logístico (mas subordinado as regras exigidas pelo poder público) vir da iniciativa privada, isso é insuficiente para compensar a incompetência pública na gestão do transporte.

Entendemos que o ideal que o Poder Executivo se limitasse a criar as linhas, definir trajetos e estipular a quantidade e o tipo dos veículos que farão essas linhas. Outras características poderiam muito bem ser definidas pelas empresas operadoras, além de favorecer o contato direto empresa/passageiro, já que as operadoras trabalhando em troca de dinheiro, não vão querer desagradar a população que paga pelos serviços. 

E essa relação com o passageiro é algo que o Poder Executivo nem está aí, pois estamos carecas de saber que impostos não são para pagar serviços e sim o salário de políticos dos três poderes que estão muito mais interessados em usar o poder para enriquecer cada vez mais, aumentando patrimônio e poder.

Sinceramente, políticos nunca serviram para administrar transportes.

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