segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CONFUSÕES DA PADRONIZAÇÃO VISUAL


SE UM BUSÓLOGO ATENTO CORRE RISCO DE CONFUNDIR ÔNIBUS, QUANTO MAIS UM CIDADÃO COMUM.

Ontem fui fazer prova de concurso, no Castelo, centro do Rio. Isso depois de uma madrugada acordado, seja porque dormi tarde ao som de um "baile funk" nas proximidades, seja porque, num breve sono, tive que acordar mais cedo para não voltar a dormir e acordar com dificuldade.

Pois bem, eu, que sou busólogo e observo bastante os ônibus, posso estar sujeito à confuões quanto ao reconhecimento de um ônibus, quanto mais o cidadão comum, ou mesmo os busólogos que se arrogam de "nunca serem capazes de confundir o ônibus que pretendem pegar". Conhecer chassiz de longe não é garantia de que fulano consiga sempre discernir ônibus de linhas diferentes com o mesmo visual padronizado.

Depois de ver um Real Auto Ônibus, com visual padronizado Intersul, na linha 127 Rodoviária / Copacabana (que eu cheguei a pegar, com minha família, ainda nos tempos da Mercedes-Benz O-362, em 1978), ao ver o Gire Transportes, na mesma pintura Intersul, passando pela Av. Marechal Floriano em direção à Av. Passos, na linha 107 Central / Urca, por uns poucos segundos eu pensei que a linha 127 havia mudado de itinerário.

São poucos segundos, mas o suficiente para alguém embarcar num ônibus errado.

Imagine se eu estivesse na Av. Pres. Antônio Carlos e, na pressa, tiver que pegar um ônibus da 127 para a Praça Mauá, por causa de um compromisso urgente? E, de repente, eu pego o 107 pensando ser o 127 - pouco importa a carroceria, até porque de longe tanto faz se é uma Marcopolo Torino 2007 ou Neobus Mega 2006, e não é impossível a Real comprar novos carros da Neobus - e só percebo isso depois que o ônibus dobra a Candelária para ir à Av. Pres. Vargas.



Outro caso é o da Litoral Rio Transportes. No mesmo passeio de 100D, que eu peguei de Niterói, e que me fez confundir o Gire com a Real, ao passar pela Av. Alfred Agache, esquina com Rua da Misericórdia, outra confusão eu tive, em segundos. Eu cheguei a pensar que o ônibus da Litoral Rio que então passava era da Auto Viação Tijuca. E olha que a Tijuquinha já não passa há um tempo na Av. Alfred Agache, mas nada impede que volte a passar naquela ocasião.



Em outra ocasião, desta vez eu pegando o 100D de volta para Niterói, depois de feita a prova de concurso, eu vi, na Av. Pres. Antônio Carlos, esquina com Rua da Misericórdia, um ônibus da Viação Ideal, pintado como Internorte, e, embora abatido (a prova exigiu um esforço mental imenso), não cheguei a confundir o ônibus, que servia a linha 326 Castelo / Bancários.

No entanto, refleti que a bandeira indicativa da linha, sendo ofuscada naquela iluminação do sol, poderia causar problemas no cidadão que for pegar um ônibus mais adiante, na Rua Primeiro de Março, onde muitos ônibus se bagunçam na disputa pelos passageiros.

Dessa maneira, o perigo de algum passageiro pegar um ônibus da Vila Real na linha 378, pensando ser o Viação Ideal na linha 326, é muito grande. Imagine o prejuízo de alguém que quer pegar um ônibus para Marechal Hermes e, por engano, pegar um ônibus que vai para a Ilha do Governador.

Ele terá que pegar dois ônibus ou então pegar um que pare um tanto longe e andar a pé depois. Porque o único ônibus que vai da Ilha para as proximidades de Marechal Hermes é o 910 da Paranapuan (que ele terá esforço de identificar, porque senão vai pegar o 696 da Ideal para o Méier, por conta da mesmíssima pintura), que no máximo vai até Madureira.

Ou seja, mais transtorno: o cidadão terá que fazer uma boa caminhada, se não quiser gastar mais uma passagem. E, se o transtorno dele ocorre numa tarde de sábado ou domingo, a chance do cidadão ser assaltado é altíssima. Para não dizera de ser morto num latrocínio.

Na vida, todos podemos sofrer algum tipo de desatenção. Atire a primeira pedra quem nunca foi desatento na vida. Mas o problema é que, no caso como o da padronização visual, num Rio de Janeiro marcado historicamente pela diversidade visual dos seus ônibus, a confusão é um risco que pode atingir até mesmo o prefeito Eduardo Paes, um político que no fundo não inspira a menor credibilidade, por ser um político fisiológico e frouxo metido a "audacioso". É sério.

Isso é o que mostra o quanto a padronização visual nos ônibus é ruim. Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco, tem gente que acha o projeto de Eduardo Paes bonito e eficaz, desprezando o sofrimento que já vive a população pobre, que não tem os conhecimentos técnicos dessa minoria de busólogos pró-padronização.

Além do mais, ter desatenção na vida é algo corriqueiro que ocorre com qualquer um. Isso porque nossas vidas são movimentadas, sofremos pressões diversas da rotina diária, é natural que tenhamos também nossos esquecimentos e lapsos de memória, com tantas preocupações, compromissos, informações nas nossas mentes.

Isso não faz as pessoas ficarem estúpidas ou burras, em si. Mas mostra, no caso da padronização visual dos ônibus cariocas, que os prejuízos e desvantagens são muito maiores do que os supostos benefícios que seus defensores tanto falam, até com certa arrogância.

5 comentários:

  1. Alexandre,
    Isso sem contar que te motoristas que nestes ônibus padronizados desliga o visor de leds da frente dos ônibus e continua embrarcando passageiros. Vi isso duas vezes num da Redentor no dia Show do Roberto Carlos em Copacabana e no começo do mes passado no Jardim de Alá com um ônibus da linha 175 da TRanslitoranea(Amigos Unidos). Fora que esta pintura é uma maquiagem pura ja que dentro dos veiculos a má conservação impera. Semana passada peguei um ônibsu da linha 358( antigo S11) da Rio Rotas( empresa que é um verdadeiro consórcio) com pintura padronizada e no seu interior tudo estava quebrado e mau conservado. Resumindo, esta pintura padronizada só serve para maquiagem e campnha politica. Hoje mesmo estive na empresa em que eu trabalhava e conversei com rodoviarios que levam equipamentos para serem consertados lá e todos incuindo os empresarios são unanimes: eles detestam esta padronização e temem que por causa dela os transportes sofram sérios transtornos que podem gerar algo próximo de um caos. Por enquanto ninguem se confunde, pois a maioria dos ônibus ainda estão com as pinturas originais das empresas mas quanfo a maoiria padronizada ou totla ai é que situação vai ficar preta. Uma outra coisa que a prefeitura está fazendo e também está confundindo as pessoas é a mudança dos nomes das linhas e sem um aviso prévio. Exemplo: S13 virou 369, s14 virou 366, S07 virou 936, S27 virou 897, S03 virou 898, 1136 virou 2336, a variante do 175 que passa na Linha Amarela virou 315 e muitas outras mudanças que tem confundido em muito os passageiros. Tem uito passageiro pegando onibus errado ultimamente.

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  2. A Prefeitura zoneou o critério de numeração BEM AMARRADO em 1963. Se houve alguns casos como do 711, não pode jogar esse critério na lata do lixo só porque é de 1963.

    999 - Del Castilho x Alvorada é de doer para não dizer aquele palavrão famoso.

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  3. Por favor, blogueiro, divulgue o abaixo-assinado no Orkut para multiplicar as assinaturas! Por enquanto estão muito poucas!
    Só adicionando, isso é coisa também de gente que NUNCA esperou na calçada para pegar um ônibus na chuva, de noite, de óculos e num local inseguro... ou seja, toda a cidade do Rio.

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  5. Aqui em SSA ainda não tem padronização visual oficializada, mas tem várias empresas que adotaram o branco, mas enfim, a fácil identificação ainda é perceptível, mas outro dia eu peguei um ônibus errado de uma empresa de cor vermelha e laranja a Joevanza!


    Pensem:


    Eu ia pegar a linha 1142 Cabula VI - Ribeira R2 sentido Cabula VI

    Acabei pegando 1126 Doron - Barra R2


    Graças a frontal de um ônibus que eu vi rapidamente o R2 e achei que era meu ônibus!

    Enfim, eu iria paletar até em casa, mas estava chovendo muito, tive que pegar um STEC


    Já confundi também com uma outra empresa, a Transol:


    Eu ia pegar a linha 1206 Tancredo Neves - Lapa sentido T.Neves

    Daí eu vejo um Apache s22 Volksbus 17-230EOD


    Eu pensei que era o 5689 que é fixo na 1206, quando chega no entrocamento, ao invés de virar pra Estrada das Barreiras, ele seguiu pela Uneb/Roberto Santos

    E eu olhei direito, era o 5688 que é fixo na linha 1062 Estação Mussurunga - Cabula


    Enfim, foi algo surreal, eu me irritei e sabia que teria que paletar, fui logo pra Paralela, paletar mais um pouco, xD

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