sexta-feira, 25 de novembro de 2016

SISTEMA DE ÔNIBUS ESCONDE EMPRESAS MAS QUER VER A CARA DO USUÁRIO DE BILHETE ÚNICO


Segundo notícia publicada hoje no Jornal Extra, os ônibus do Rio de Janeiro já se dispuseram de câmeras de reconhecimento facial, para evitar fraudes no uso do cartão eletrônico, conhecido popularmente como Bilhete Único.

Cerca de três mil ônibus que circulam na cidade do Rio de Janeiro e em municípios como Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias já estão com o aparelho, apresentado na recente edição do Fetransrio, exposição sobre transporte e mobilidade urbana realizada no Riocentro.

A ideia é dotar todos os ônibus com esse aparelho, além de ampliar sua instalação para catracas de BRT, metrô, trens e barcas. A expectativa é atingir 22.500 ônibus até o fim de março. O aparelho é colocado sobre o validador do cartão eletrônico.

HIPOCRISIA

O problema maior não está nesta medida, que é necessária diante das fraudes que causam um prejuízo mensal de aproximadamente R$ 128 milhões. O problema está num sistema de ônibus que quer ver a cara dos passageiros mas não mostra a "cara" de cada empresa operadora.

Quatro dos citados municípios - Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Nova Iguaçu - apresentam ônibus com pintura padronizada nas linhas municipais. A medida, que confunde os passageiros, mesmo com a apresentação de pequenos logotipos (como em São Gonçalo), que vistos de longe mais parecem rabiscos, também facilita as fraudes do lado dos empresários de ônibus e dos políticos.

Uma licitação que esconde empresas como se estivesse tratando os passageiros como bobos, enquanto seus tecnocratas tentam argumentar o contrário, falando em "transparência" e "facilidade (sic) de identificação", também causa sérios problemas e prejuízos para a população.

Além disso, imaginamos o ônus que é a Prefeitura do Rio de Janeiro, num governo em crise, manter sua logomarca nas frotas de ônibus municipais. Com o vínculo de imagem de prefeituras às frotas de ônibus particulares, é o poder estatal que assume maiores responsabilidades, embora as obrigações técnicas e financeiras coubessem às empresas de ônibus.

A crise política ou mesmo econômica pode afetar isso, diante da imagem negativa do poder público estampada nas empresas de ônibus, que pode não trazer custos financeiros aos governantes e seus secretários de Transporte, mas pode lhes trazer desgaste de imagem e de reputação diante da opinião pública.

Portanto, não seria melhor que se liberassem as empresas de ônibus a também mostrar, cada uma, a sua respectiva "cara"?

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