domingo, 1 de janeiro de 2017

EMPOSSADO, PREFEITO CRIVELLA SUSPENDE "RACIONALIZAÇÃO" DE LINHAS DE ÔNIBUS

CORREDORES DE BRT DE MADUREIRA FIZERAM ANTIGA GESTÃO EXTINGUIR ATÉ LINHAS TRADICIONAIS DE ÔNIBUS.

Depois de inaugurar sua gestão com a cerimônia de posse, o novo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, decidiu lançar sua primeira medida para os transportes, aproveitando que o vice-prefeito, o engenheiro Fernando McDowell, acumula também a função de secretário de Transportes.

Ele suspendeu o processo de racionalização de linhas de ônibus que estava em curso desde 2015 e que já era um plano da COPPE/UFRJ e do antigo prefeito carioca Luiz Paulo Conde, já falecido, desde o final dos anos 90.

A ideia era imitar o padrão de Curitiba - hoje considerado decadente e com eficiência duvidosa - e eliminar as linhas de ligação direta Zona Sul-Zona Norte, substituindo o sistema "integrado" dos serviços Zonas-Centro, supervalorizando o uso do cartão eletrônico, o Bilhete Único. Alguns trajetos de ligação de outras zonas ou mesmo dentro da Zona Norte também foram incluídos no plano.

Linhas tradicionais como 676 Méier / Penha, 465 Cascadura / Gávea (antiga 755) e 952 Penha / Praça Seca foram extintas e substituídas por linhas com itinerário "esquartejado". Medida semelhante já estava em curso nas linhas Norte-Sul, quando linhas como 455 Méier / Copacabana e 474 Jacaré / Jardim de Alah seriam extintas, substituídas por linhas até a Candelária.

O Ministério Público do Rio de Janeiro chegou a intervir para que a degola não fosse total. Apenas algumas linhas tiveram trajeto reduzido, virando 213 Muda / Candelária, 218 Vila Isabel / Candelária, 275 Méier / Candelária e 284 Olaria / Candelária (não confundir com a outra 284, Praça Seca / Tiradentes, que hoje tem código 371). Outras linhas, como 464, do Maracanã, tiveram percurso reduzido do Leblon para a Estação Siqueira Campos, em Copacabana, próximo ao Leme.

A suspensão da medida foi decidida após constatar que a "racionalização", proposta pelo ex-secretário de Transportes, Alexandre Sansão, e executada pelo posterior titular, Rafael Picciani, foi alvo de muitas reclamações. Houve casos de uma passageira que, com o novo esquema, foi assaltada durante a espera de um "alimentador" do sistema BRT. Passageiros estavam deixando as linhas de ônibus novas para usar mais o trem e o metrô.

Com a suspensão, o novo secretário Fernando McDowell está comprometido a apresentar um novo plano de reestruturação do sistema de ônibus no prazo de 60 dias. O prazo é contado a partir de hoje, data de sua publicação.

Há uma esperança de que a pintura padronizada seja cancelada e seja adotada uma outra forma de identificação dos consórcios que não prejudique a identidade visual de cada empresa de ônibus. Leiam o decreto abaixo, digitalizado por Adamo Bazani, do Blog Ponto de Ônibus.


2 comentários:

  1. "A ideia era imitar o padrão de Curitiba - hoje considerado decadente e com eficiência duvidosa"... Eu gostaria de analisar a pesquisa falando disso.

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  2. Parabéns pela matéria. Estou torcendo para que tudo isto possa tornar-se realidade e o RIO possa ser referência em transporte coletivo urbano dentro de alguns anos. Até o momento, somente uma cidade antecipou-se na questão do fim da pintura unificada que foi a cidade do interior baiano: Feira de Santana. Esperemos que esta nova safra de prefeitos eleitos em outubro de 2016 possa apresentar uma série de ações diferentes na arte de fazer política e nas quais acredito que uma delas poderia ser a volta da diversidade visual nas cidades que hoje já estão tão feias com tantas pichações e sujeiras de todo o tipo como publicidades coladas indevidamente em muros, pontos de ônibus, postes etc...

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