A LINHA 967A-10 IMIRIM / PINHEIROS É RETIRADA DE CIRCULAÇÃO NOS DIAS EM QUE A LINHA É MAIS NECESSÁRIA, NOS FINS DE SEMANA E FERIADOS.
Localizado na Zona Norte de São Paulo, a região da Casa Verde, que inclui o bairro homônimo e os sub-bairros da Vila Baruel, Peruche e Jardim Laranjeiras, sofre graves problemas de qualidade de vida, causando emigração de vários moradores e o risco da região se tornar uma “quebrada” (região miserável) a médio prazo.
Passando por uma fase de decadência nos últimos 50 anos, a região, limítrofe às regiões do Anhembi, Santana, Barra Funda e Limão, já teve opções de lazer, incluindo até cinema. Havia transporte que servia até o Ipiranga, e não se fala na avenida do Centro, mas o bairro onde se situa o museu. E o entorno da Avenida Casa Verde chegou a ser conhecido pela elegância de suas residências.
Hoje o descaso das autoridades insiste em cometer a atrocidade de suspender, nos fins de semana e feriados, a circulação de uma importante linha de ônibus nos momentos em que a demanda mais necessita.
A linha 967a-10 Imirim / Pinheiros, que atende a grandes demandas que envolvem bairros como Mandaqui, Imirim, Lauzane Paulista, Peruche e Casa Verde, incluindo não só a Avenida Imirim mas o entorno da Avenida Engenheiro Caetano Álvares, não circula nos períodos de folga, causando graves transtornos para os passageiros que querem ir para a Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera ou até mesmo para Itaim Bibi, Avenida Brigadeiro Faria Lima e Pinheiros.
Há sérios problemas de baldeações pois, mesmo com a garantia de passagem única ou, no caso de transporte gratuito nos domingos, há muito desconforto, incluindo a longa espera para o segundo ônibus e o grande risco de, neste caso, ter que viajar em pé, não bastasse o deslocamento de um ônibus para outro que sacrificam gestantes, idosos e portadores de limitações físicas diversas.
No Jardim Laranjeiras, há outro sofrimento, quando linhas de ônibus que passam pelo local na ida evitam passar na volta, descendo a via de acesso entre o Viaduto do Limão e a Marginal do Tietê. As opções de baldeação são até piores, pois na maioria das vezes, as linhas 2014-10 e 9784-10, que vêm da Barra Funda com destinos, respectivamente, para o Jardim Pery Alto e Jardim dos Francos, estão de certa forma superlotados que só dá para embarcar no terceiro ônibus de cada linha.
Das linhas existentes, a única linha da parte altada Casa Verde para a Avenida Paulista, a 175p-10, do Metrô Santana ao Metrô Ana Rosa (apesar do fim de linha estar próximo ao Metrô Vila Mariana), retira parte de seus ônibus de circulação por volta das 20 horas, obrigando a demanda a fazer longa espera.
Há também a sobreposição de trajetos entre as avenidas Rudge, Rio Branco e o fim de linha da Praça do Correio, que fica perigosa aos fins de semana e feriados por conta da miséria que toma conta do local, apesar da movimentação no Vale do Anhangabaú.
As linhas 9301-10 e 9354-10, vindas do Terminal Casa Verde (no Limão, apesar do nome) e Terminal Cachoeirinha, seguem rigorosamente o mesmo trajeto entre a Rua Jorge Brand e a Praça do Correio, enquanto áreas mais adiante como a Praça Ramos de Azevedo, a Praça da Sé e o Brás carecem de ônibus para toda a Casa Verde.
Quando muito, há a linha 9300-10, entre o Terminal Casa Verde e o Terminal Parque Dom Pedro II, que atende na ida e na volta a demanda do Jardim Laranjeiras. Mas, no Centro, ela só passa na ida no entorno da Avenida São Luís e chega a entrar no Terminal Bandeira, mas não permite baldeação dentro do mesmo ônibus e, na volta, tem trajeto diferente do da ida.
Há também a aberrante falta de linhas de ônibus para a parte mais cansativa da Casa Verde, a Rua Relíquia, no trecho entre a Rua Reims e a Avenida Casa Verde. O trecho exige uma caminhada cujo gasto de energia física é comparável à subida de toda a escadaria da Igreja da Penha, no Rio de Janeiro. Para quem é beato, dá até para pagar promessa subindo esse trecho da Rua Relíquia.
Falta um miolo comercial na Casa Verde, com redes de lojas e comércio variado. As opções comerciais são distantes uma da outra. Mas o que chama a atenção é o excesso de oficinas de carrros, distribuidores de matérias primas e até de peças para aviões e tratores. Na Casa Verde, o morador não pode comprar um livro, mas pode comprar uma hélice para um avião ou um parafuso para um trator.
O excesso de oficinas de carros costuma ser preocupante, tamanho o exagero de ofertas. Dentro do entorno da Casa Verde, ir de um estabelecimento comercial para outro requer longas caminhadas, incluindo ladeiras de subidas e descidas. É um processo de esforço físico comparável ao de um esporte olímpico.
Para complicar mais as coisas, como se não fosse suficiente o descaso das autoridades e a noção preconceituosa de que,na Casa Verde, só mora atleta ou quem tem carro ou grana para gastar em Uber, que está cada vez mais caro, a região é pouco conhecida até por grande parte dos paulistanos. Há quem, vivendo na capital paulista, pense que o bairro da Casa Verde é algum distrito perdido de Osasco.
Algo terá que ser feito para melhorar a Casa Verde, antes que o bairro mergulhe numa decadência ainda pior.

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