Imagine um jogo de futebol do Brasileirão, da Copa do Brasil ou de uma copa estadual, em que diferentes times usam rigorosamente o mesmo uniforme e competem em campo nesta condição, só digerindo o calção usado por cada região. Flamengo contra Vasco, Corinthians e Atlético Mineiro rigorosamente com a mesma identidade visual e, no caso de Flamengo contra o Coritiba ou o Sport de Recife, apenas a cor do calção varia. Os ônibus dos clubes seguiriam a mesma lógica, com a variação regional pela cor do para-choque.
Suponhamos que a Confederação Brasileira de Futebol decidiu pelo fim da diversidade visual dos times de futebol. Não haverá mais rubro-negro, tricolor, verdão, azulão etc. Todos os times teriam um único uniforme e assim jogarão uns contra os outros. Os torcedores ficariam desnorteados, mas as autoridades iriam argumentar que esse transtorno seria passageiro.
Também imaginamos se a CBF decidir que não há possibilidade de se colocar sequer o logotipo do clube, e a identificação do time se limitará a um código alfanumérico do time e do número do jogador, como FLA-010, VAS-006, COR-007 e PAL-009.
Lembremos também que, muitas vezes, as escolas, nas aulas de Educação Física dos ensinos fundamental e médio, os alunos jogam futebol se dividindo em times que usam o mesmo uniforme, praticamente só se identificando pelos grupos de colegas formados.
Tido isso parece impossível para o torcedor brasileiro. Mas até Donald Trump se tornar presidente dos EUA parecia impossível, sendo mera piada de desenho animado durante anos. Mas Trump já está no segundo mandato e já pensa no terceiro.
A padronização visual dos times de futebol pode um dia ser adotada e não haverá choro de torcedor que reverta a decisão, fazendo com que a hoje ainda existente diversidade visual seja artigo de museu.
Na hipótese desta padronização, observamos as potenciais argumentações que os dirigentes esportivos farão para a população:
1) REDUZIRÁ A VIOLÊNCIA ENTRE TORCIDAS - Dificilmente os torcedores iriam agredir quem utiliza um uniforme semelhante, segundo a lógica dos clubes. O uniforme único traria para muitos torcedores a impressão de uma fraternidade;
2) FOCO MAIOR SERÁ NO JOGADOR - Os jogadores terão mais destaque do que o uniforme de cada time;
3) QUEM FAZ GOL É O JOGADOR, NÃO A ROUPA - Com o foco no jogador, a lógica indica que são os esportistas que receberão maior atenção dos torcedores. O gol marcado terá a ênfase do jogador, afinal não é a roupa que goleia, mas este tipo de esportista;
4) TECNOLOGIA GPS IRÁ IDENTIFICAR OS JOGADORES, FACILITANDO ATÉ OS NARRADORES E COMENTARISTAS ESPORTIVOS - Aparelhos serão adotados para monitoramento via satélite de cada integrante de um time;
5) MENOR CUSTO PARA TRANSFERÊNCIA DE UM TIME PARA OUTRO - Não será preciso muito investimento para a troca de uniforme de um jogador, pois em quase tudo serão usadas as mesmas cores;
6) FUTEBOL É UMA PAIXÃO ÚNICA - A ideia da padronização visual seria também para unificar os torcedores brasileiros, pois, se o futebol é uma só paixão, nada como colocar diferentes times com p mesmo uniforme regional;
7) ECONOMIA DE CUSTOS GERAIS - Além de economizar linhas para a confecção de roupas, as camisetas dos torcedores ficariam mais baratas e o orçamento iria influir até na queda dos preços dos ingressos;
8) DISCIPLINAR TORCIDAS ORGANIZADAS - Com o uniforme padronizado, os clubes também terão oportunidade de fiscalizar as torcidas organizadas e evitar seus abusos e sua violência;
9) OTIMIZAR A ORGANIZAÇÃO DO FUTEBOL ESTADUAL - com a unificação da camisa e apenas variação do calção - ou seja, é a cor da bermuda que irá diferenciar o Flamengo do Rio de Janeiro com o Vitória da Bahia, por exemplo - , as autoridades do esporte terão facilidade para monitorar os clubes de cada Estado;

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