EM SALVADOR, ÔNIBUS ESTACIONADOS RECEBERAM ADESIVOS DO PT COLADOS POR SINDICALISTAS.
Ônibus com pintura padronizada, rodoviários com trabalho sobrecarregado, redução de percursos de linhas, uso abusivo de baldeações que sacrifica quem tem limitações físicas e, principalmente, redução de frotas em circulação. Esses ítens mostram os aspectos negativos de um modelo que insiste em prevalecer e que dá um caráter cada vez mais privativo do que deveria ser o transporte coletivo por ônibus.
Os casos das reduções, ocorridas ontem, das frotas dos ônibus nas votações de segundo turno em capitais como Salvador e São Paulo, independente de que candidato for, mostra o caráter autoritário de um sistema que aumenta o poder político dos secretários de transporte, sem no entanto diminuir o poder empresarial, protegido e ocultado pela pintura padronizada para evitar que o povo reconheça a empresa que fizer o pior serviço.
Essa medida mostra o quanto age o poder concentrado dos secretários de transportes, cujas agências que deveriam ser reguladoras agem como pretensas empresas de ônibus, organizadas não para combater os abusos do poder privado, mas antes para protegê-lo num processo de promiscuidade política e administrativa cujo maior prejudicado é sempre a população.
É enganoso dizer que o sistema padronizado de ônibus atende ao interesse público, apesar de narrativas persistentes apelarem para essa tese que, na verdade, é bastante duvidosa. Nesse sistema, o'interesse é sempre privado, seja no âmbito estatal, através de prefeitos e governadores, seja no âmbito do poder particular dos empresários.
De nada adiantam narrativas contrárias, pois as decisões vêm sempre de cima, quase sempre impondo sacrifícios à população, desde redobrar a atenção diante de tantas empresas diferentes com a mesma pintura até o sobe e desce contínuo da baldeação, devido a trajetos encurtados de certas linhas ou para pegar um outro trajeto para compensar a falta de atendimento de uma região de bairros para outra.
O caso da retirada de ônibus de circulação durante as eleições é apenas uma pequena amostra do desgaste de um modelo que só persiste devido à ordem social, cultural e política que domina o Brasil, herdeira da Era Geisel desde 1974. Era o período em que tecnocratas de todos os setores da sociedade, da religiosidade à mobilidade urbana, da cultura às atividades acadêmicas, buscaram desenhar um país que pudesse domesticar as classes populares e diminuir o poder de ação dos movimentos sociais.
Não há como “humanizar” esse modelo de transporte. É da natureza de um sistema, em que secretários de transportes têm poderes concrntrados e os abusos dos empresários são escondidos pela pintura padronizada, colocar motoristas em jornadas de trabalho opressivas, cortar itinerários, tirar linhas de ônibus importantes de circulação nos fins de semana e diminuir frotas de ônibus. Nem eventuais gratuidades podem justificar tamanhos retrocessos. Daí o desgaste desse modelo que surgiu no auge da ditadura militar.

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