O projeto político antipopular deixado por Eduardo Paes, assim que deixou a Prefeitura do Rio de Janeiro para se candidatar ao governo estadual, já começa a prejudicar as classes trabalhadoras, através da decisão judicial que atende a interesses empresariais.
Uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho, dada em última instância, ou seja, não cabendo mais recursos contrários à sentença, definiu que as funções de motorista e cobrador, quando acumuladas num único profissional, "não correspondem à dupla função", sendo trabalhos complementares, no entendimento dos ministros do órgão do Judiciário.
O relator do documento, ministro Douglas Alencar Rodrigues, afirmou que o TST entende de que as funções de motorista e cobrador "são complementares" e que o desempenho simultâneo das duas não assegura ao trabalhador o direito ao recebimento de acréscimo salarial.
A decisão tem por fim encerrar os mais de 500 processos judiciais de trabalhadores e advogados contra as empresas de ônibus cariocas, agora destinadas a serem mascaradas pela pintura padronizada que dificulta sua identificação.
Com isso, os motoristas continuarão com o trabalho sobrecarregado, que será agravado pela obrigação de cumprimento de horários numa cidade com grandes congestionamentos que é o Rio de Janeiro. Os empresários continuarão faturando alto, enquanto os trabalhadores receberão salários precários em relação ao trabalho exaustivo que exercem. Quem perde são os passageiros, com o risco de aumento de acidentes.

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