
POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, IMAGENS COMO ESTA JÁ ESTÃO COM OS DIAS CONTADOS.
O comentário que se faz aqui é um comentário objetivo, fruto de 36 anos de busologia, observando o transporte coletivo através da experiência das ruas, do cotidiano. Portanto, não se trata de lamento nem de protesto nem de desaforo, mas de uma constatação imparcial, independente de ser favorável ou não à padronização visual no sistema de ônibus.
Pois a constatação pode chocar e causar risadas naqueles que acham a padronização visual uma novidade. A de que a padronização visual a ser adotada nos ônibus do Rio de Janeiro já tem prazo de validade, e são fortes os indícios de que a medida não vai além do final das Olimpíadas de 2016.
Dificilmente a medida acompanhará o prazo das concessões para as linhas cariocas, que é de 20 anos. Isso porque a padronização visual faz parte de um modelo de transporte coletivo lançado durante a ditadura militar, de cunho meramente tecnocrático, e portanto já em processo de desgaste em cidades que implantaram o modelo antes do Rio de Janeiro, como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte.
A padronização visual não é um visual aleatório, não é adotado porque é bonitinho ver, por exemplo, a Real Auto Ônibus e a Braso Lisboa com as mesmas cores. A própria linguagem de destacar a expressão "Cidade do Rio de Janeiro", enquanto o nome da empresa de ônibus aparece pequeno, quase imperceptível, indica claramente quem controla o sistema de ônibus no RJ: a Secretaria de Transportes, com seu poder de ferro.
Não sejamos ingênuos em acreditar que as empresas continuam a operar as linhas como antes. Elas perdem autonomia operacional. Só tratam agora de investir dinheiro, manutenção técnica e burocracia trabalhista. Mas as empresas acabam sendo meras sócias de uma paraestatal, alcunhada como Viação Cidade do Rio de Janeiro, uma espécie de "nova CTC" sustentada pela iniciativa privada.
Quem opera as linhas é o Estado. Como é o Estado quem decide se vai ter ou não renovação de frota, quantos carros vai botar numa linha etc. Isso é bom? Não, é ruim, porque é um poder concentrado que depois gera sobrecarga para o próprio Estado.
Por isso é que a SPTrans, em São Paulo, surgida com a "extinção" da CMTC seguida da absorção de todas as empresas particulares - como um buraco de ralo destapado que engole toda a água nele contida - , admite sobrecarga na operação do transporte coletivo.
Em Curitiba, o próprio modelo de transporte coletivo está à beira de colapso. Culpa de "pequenos" deslizes administrativos? Não. Culpa do próprio modelo, ultrapassado, expressão da ditadura militar, mas travestido de futurista.
O desgaste desse modelo vai refletir no Rio de Janeiro mais cedo que o de outras cidades. Porque pegará a crise acontecendo. Por isso, o modelo pode durar, no Rio, mais de dois anos, até cinco, mas dificilmente durará 20 anos. Talvez nem dure dez.
É bom a Fetranspor se preparar: a diversidade visual voltará, mais cedo ou mais tarde, para os ônibus cariocas.
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