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VIRTUDES DE NOVA FROTA NÃO EVITAM DESGASTE DO SISTEMA DE CURITIBA


REDUÇÃO DE 100 TONELADAS DE POLUENTES É MÉRITO DO FABRICANTE, E NÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS DA CAPITAL PARANAENSE

O sistema de ônibus de Curitiba, dentro daquele modelo tecnocrático lançado em 1974, está em franco processo de desgaste. Evidentemente, as pessoas parecem não se dar conta disso, sobretudo as elites que não andam de ônibus na capital do Paraná.

Depois que se preveu um colapso no setor, a renovação de frota, tendenciosa, feita em duas etapas, não evita que a saturação do modelo tecnocrático de Jaime Lerner, que se baseia em padronização visual e no poder concentrado do Estado, aconteça e se agrave.

Mas como existem elites envolvidas, os tecnocratas paranaenses tentam dar a impressão contrária, mas é bom notar que não existem políticos progressistas na política paranaense, polarizada entre dois grupos conservadores, o de Roberto Requião (PMDB) e Beto Richa (PSDB).

Por isso, a "festa" da renovação da frota, que de fato trouxe ônibus melhores, no entanto foi uma medida mais para "salvar" um modelo desgastado do que para trazer melhorias ou aperfeiçoar um sistema que já deu o que tinha que dar.

Um reflexo disso foi o vandalismo feito por torcedores de futebol em vários ônibus novos na cidade. Embora seja um ato irracional e condenável, ele é reflexo da indignação popular contra o caráter anti-democrático do sistema.

A redução de poluição, anunciada recentemente, de 100 toneladas de poluentes nas ruas da Região Metropolitana de Curitiba, não pode ser entendida como um mérito do sistema, mas dos fabricantes de ônibus e seus engenheiros, que produziram ônibus para esse fim.

Quanto à padronização visual, já existem alternativas que viabilizem tanto a divulgação da identidade visual da empresa quanto do serviço que ela presta (tipo Interbairros, Biarticulado etc). As bandeiras digitais já possibilitam informar aos passageiros o serviço que corresponde tal linha, podendo cada empresa exibir sua respectiva identidade visual sem problemas.

Neste sentido, Florianópolis dá uma boa lição na capital paranaense. Mas o projeto tecnocrático de transporte urbano de Jaime Lerner precisa ser "mantido" pelo menos até a Copa de 2014. Desgastar esse modelo seria uma forma de comprometer o poderio "secular" de uma geração de tecnocratas pseudo-progressistas, mas claramente contrários ao interesse público.

Jaime Lerner precisa chegar "inteiro" para ser exibido para os "cartolas" da Fifa, para daqui a dois anos. Enquanto isso, o povo curitibano já sente o desgaste do transporte coletivo.

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