sexta-feira, 1 de outubro de 2021

FALTA DE VISÃO FAZ ÔNIBUS DE ARACAJU TEREM FROTAS MUITO VELHAS

CAIO APACHE VIP III, DE 2013, E MARCOPOLO TORINO 2014, EM SEU PRIMEIRO LOTE, JÁ SÃO CONSIDERADOS ÔNIBUS VELHOS.

A falta de visão dos empresários de ônibus de Aracaju faz com que andar de ônibus na capital sergipana seja um grande suplício. Ônibus calorentos, que desafiam até mesmo a paciência dos motoristas, e que, ao ficarem superlotados, se transformam em verdadeiras saunas. A impressão que se tem é que os empresários de ônibus de Aracaju tratam o ônibus como se fosse um velho transporte de caminhão.

Além disso, o que chama a atenção é a frota dos ônibus, que é muito velha, e é precariamente renovada com apenas punhados de cerca de seis ou sete carros em média, por ano. Ainda circulam carros que ainda não contam com acesso EDF - portas especiais para acesso de deficientes físicos - e as idades dos veículos chegam a estar com mais de 15 anos.

Nem mesmo a pandemia da Covid-19, que restringiu a circulação dos ônibus, estimulou uma aceleração das vendas dos carros velhos. Em vez disso, os carros velhos circulam como se fossem novos ou semi-novos e a falta de percepção dos empresários de ônibus faz eles deixarem o tempo passar e esquecerem que mesmo carros com oito anos de fabricação não podem ser considerados novos.

Recentemente, as empresas Capital e Modelo compraram, juntas, um lote de apenas 15 carros da CAIO Apache VIP IV para serem divididos para as duas. Ou seja, sete para uma e oito para outra. Uma quantidade humilhante, quando se precisa renovar as frotas de tal forma que o modelo Marcopolo Torino 2007, que já não é fabricado há sete anos, deveria sair de circulação. 

Além disso, a Capital e a Modelo possuem, cada uma, um carro da CAIO Apache VIP II, fabricado em 2010 e originalmente destinado à Viação Pendotiba, de Niterói - que, por ironia, acelera a renovação de sua frota na cidade fluminense - , cuja dianteira foi fantasiada de CAIO Apache VIP IV.

MARCOPOLO TORINO 2007 DA CAPITAL, AQUI UM ÔNIBUS USADO ADQUIRIDO DA EXTINTA VITRAL TRANSPORTES, DE SALVADOR, É UM MODELO DE CARROCERIA QUE JÁ NÃO É FABRICADO HÁ SETE ANOS.

No entanto, a falta de visão empresarial trata os modelos Marcopolo Torino 2007 e CAIO Apache VIP II e III, produzidos entre 2017 e 2014 (Marcopolo) e 2012 (CAIO), como se ainda fossem novos. E isso numa época em que a CAIO já lançou a quinta geração de Apache VIP, a geração V. 

Isso complica ainda mais as renovações de frotas dos ônibus de Aracaju, e desvalorizam completamente os ônibus, que acabam se tornando vendáveis apenas para ferro-velho, concessionárias de ônibus e transporte rural. Por causa da sua própria teimosia, os empresários de ônibus de Aracaju perdem dinheiro, porque com frotas velhas, os ônibus antigos só são vendidos com preços mais baixos.

EMPRESAS DE ARACAJU PRECISAM RENOVAR ATÉ 80 % DAS FROTAS

A necessidade de renovação das frotas de ônibus da Aracaju é imperativa. Para piorar, o lobby empresarial que atua na Câmara Municipal impede que seja aprovada a obrigatoriedade do ar condicionado nos ônibus urbanos, sob a desculpa de que encareceria o preço das tarifas, que já não é tão barata assim, no valor de R$ 4,00. Isso quando a cidade costuma ter, em outros setores, um custo de vida mais baixo.

A constrangedora devolução de novos ônibus do modelo Mascarello Gran Via 2014, no lote de 2020, mostra a situação dramática das frotas aracajuanas, o que também impõe um preço caro aos empresários que não vendem seus carros velhos com agilidade e acabam também não tendo condições para comprar veículos novos.

Com a idade muito longa para as frotas de ônibus, as empresas de Aracaju precisam vender, de uma só vez, até mesmo 80% de suas frotas, e comprar quantidades maiores de ônibus novos. Essa venda precisa ser agilizada, para que, ao menos, não se tenha que cobrar preços cada vez menores e receber baixo retorno financeiro para as caixas das empresas de ônibus.

CAIO, COMIL E MASCARELLO DEVERIAM TER PRIORIDADE NA COMPRA DE NOVOS

A prioridade da compra de ônibus novos em Aracaju deveria se voltar para as carrocerias CAIO, COMIL e Mascarello, já que a Marcopolo está sofrendo os efeitos de sua saturação de mercado. A montadora de ônibus gaúcha está sendo alvo de reclamações, sobretudo quando ônibus da Viação Água Branca enguiçaram e apresentaram goteiras no interior dos ônibus Marcopolo Paradiso DD da nova geração G8.

Desde que adquiriu a Ciferal e a Neobus, a Marcopolo aumentou demais a sua presença de mercado e, com isso, passou a trabalhar na superprodução de novos ônibus, tendo que produzir modelos com latarias mais simplificadas para baixar custos, como no caso da geração Torino de 2014 em diante, eventualmente apresentando problemas e não oferecendo o conforto desejado.

A título de comparação, o banco de plástico com almofadas, que é o usado por modelos urbanos simples, é mais confortável nos ônibus da CAIO do que nos da Marcopolo. No caso da CAIO, esse tipo de assento é tão confortável que parece o antigo acolchoado.

O empresariado de ônibus de Aracaju deveria, portanto, agilizar e começar, ainda nesses últimos meses de 2021, agendar compras de novos carros o mais rápido possível e criar um ritmo mais ágil, evitando que os ônibus ultrapassem o limite tolerável de sete anos de vida útil. Já é hora deles fazerem seus pedidos à CAIO, COMIL e Mascarello para a aquisição de novos veículos, enquanto procura freguesia para os ônibus mais antigos a deixarem as frotas.

Se isso não acontecer, o sistema de ônibus de Aracaju entrará num grande colapso, com mais dificuldade para renovar suas frotas e tendo que vender os ônibus mais antigos para as oficinas de sucatas que restarão como demanda para comprar carros muito velhos.

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