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O "ESPETÁCULO" POR TRÁS DOS ÔNIBUS PADRONIZADOS


É verdade que a diversidade visual, quando as empresas de ônibus exibem suas respectivas identidades visuais, não é garantia de um sistema de ônibus 100% honesto. Mas acobertar as empresas sob uma pintura padronizada torna a corrupção ainda mais fácil e bem mais disfarçada, porque os ônibus "iguaizinhos" dificultam ainda mais os passageiros comuns de identificarem cada empresa de ônibus.

Essa ideia vêm à tona quando a Operação Lava Jato, controverso processo de aparente combate à corrupção, prendeu hoje, através do desdobramento chamado Operação Ponto Final, que investiga supostos esquemas de propina envolvendo empresários de ônibus do Rio de Janeiro, 10 suspeitos de movimentar um pagamento de propina de R$ 260 milhões a políticos.

A lista, segundo divulgou esta manhã o portal G1, é esta:

Mandados de prisão preventiva confirmados:

Jacob Barata Filho, empresário do setor de transportes, suspeito de ter recebido R$ 23 milhões em propina (preso)

Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, suspeito de receber R$ 44 milhões (preso)

Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor, suspeito de receber R$ 1,57 milhão (preso)

José Carlos Reis Lavoura, conselheiro da Fetranspor, suspeito de receber R$ 40 milhões (está em Portugal; a Polícia Federal acionará a Interpol)

Marcelo Traça Gonçalves, presidente do Sindicato de Empresas de Transporte Rodoviário do Rio de Janeiro (Setrerj) e apontado como realizador dos pagamentos (preso)

João Augusto Morais Monteiro, sócio de Jacob Barata e presidente do conselho da Rio Ônibus, suspeito de receber R$ 23 milhões (preso)

Cláudio Sá Garcia de Freitas (preso)

Márcio Marques Pereira Miranda (foragido)

David Augusto da Câmara Sampaio (preso)

Mandados de prisão temporária confirmados:

Carlos Roberto Alves (preso)

Enéas da Silva Bueno (preso)

Octacílio de Almeida Monteiro (preso)

A Operação Ponto Final também mira as cúpulas empresariais e os políticos associados no Estado do Paraná - onde Curitiba, apelidada de "República de Curitiba" por ser a sede da Polícia Federal e do Ministério Público responsáveis pela Lava Jato - e Santa Catarina.

Curitiba é uma das primeiras cidades a "esconder" as empresas de ônibus sob o aparato da pintura padronizada, ainda no auge da ditadura militar e sob o pretexto de "identificar zonas de bairros e tipos de serviços". Neste esquema, diferentes empresas de ônibus podem ter uma mesma pintura, mas uma mesma empresa pode ter várias cores se operar em mais de um esquema (intermunicipais, interbairros, BRT etc).

Já Santa Catarina conta com algumas cidades que adotam pintura padronizada, como São José e Joinville. Florianópolis passou a adotar a pintura padronizada nos ônibus há pouco tempo, sob o aparato do "Consórcio Fênix", mediante uma licitação cheia de irregularidades e fazendo os ônibus terem uma só pintura, que mais lembra embalagem de marca de tinta para paredes. Uma mesma cor envolve todas as empresas municipais e não aparece o nome da empresa.

No Rio de Janeiro, investigadores da Operação Ponto Final apontam que o ex-governador Sérgio Cabral Filho recebeu um valor de R$ 122,8 milhões em propina entre 2010 e 2016, sendo os dois últimos anos, 2015 e 2016, posteriores à sua saída do cargo de senador. A operação criminosa que atua nos bastidores do sistema de ônibus no Grande Rio age desde 2007.

Sérgio Cabral Filho, junto com Eduardo Paes, foi considerado "herói" entre uma parcela de busólogos que defendeu a pintura padronizada e que mostrava indícios de cobiçar cargos no gabinete do então secretário de Transportes de Paes, Alexandre Sansão.

Um blogue de calúnias e difamação, Comentários Críticos, chegou a ser criado por um busólogo da Baixada Fluminense, que, sob o pretexto de humilhar "apenas" busólogos emergentes, queria desmoralizar, a médio prazo, quase toda a busologia fluminense. O blogue já foi denunciado no portal de denúncias criminais SaferNet.

Comentários

  1. É louvável isso de querer colocar a pintura padronizada como culpada ou relacionada ao caos do planeta, mas se analisar melhor, não se se você tem a capacidade para isto, esse esquema de corrupção atingiu também as empresas intermunicipais, ou seja, de pintura livre. A corrupção é endêmica e atinge a todos. Querer também relacionar a pintura padronizada à Ditadura Militar também louvável, sendo que cidades no mundo inteiro também usam e várias não tiveram um regime assim. Em Florianópolis não precisa ter o nome da empresa, todos sabem quem é, redundância isso. Em Joinville, MINHA cidade, o sistema exige isso, aliás, todos os sistemas exigem isso, é um processo natural iniciado por Curitiba, ainda hoje o maior exemplo de transporte organizado no país e no mundo.

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    1. Várias cidades do mundo (como no caso de cidades européias) PARECEM usar pinturas padronizadas porque na maior parte delas são empresas estatais que operam o setor de transportes.

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    2. Londres possui várias empresas de ônibus e todas são padronizadas, o tradicional vermelho. Cidades estrangeiras onde o BRT está sendo implementado também estão seguindo a padronização visual. Os sistemas de transporte público são feitos para pessoas usarem e não busólogos fotografarem.

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    3. Você dar mais provas se Londres tem mais empresas de ônibus operando por lá? Pra mim os sistemas de transportes podem unir o útil ao agradável.

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    4. Londres tem um órgão gestor, similar à Urbs de Curitiba, que regula todas as empresas de trnasporte privadas da cidade. Mas aqui vai um link para ler um super resumo da história.
      http://blog.culturainglesa-ce.com.br/londres/a-historia-do-onibus-de-londres

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  2. Penso que cada cidade tem sua identidade própria, não acho louvável ter que "copiar" outras cidades no mundo para mostrar ser de "primeiro mundo", me refiro as empresas privadas. No caso do Rio de Janeiro nossa cidade tinha a ostentação das cores com algo cultural quase que como um patrimonio cultural e artístico. Nossa cidade carioca é viva, tropical, vibrante e sensual. Um prefeito que atribui a padronização com péssimo gosto cromático (só pode ser daltônico), ele não consultou a população. Não sou 100 por cento contra a padronização, vide as cores em faixas paralelas típicas nos anos 60 e 70 mas deve-se haver um bom gosto ou então abrir-se concorrencia a um concurso de design para pelo menos houvesse bom gosto estético e cores mais vibrantes, porque até os onibus escolares estão melhor de se apreciar do que os onibus urbanos cariocas...

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  3. O RIO DE JANEIRO POSSUI A PADRONIZAÇÃO MAIS FEIA QUE EU JÁ VI, SIMPLESMENTE NÃO TEM COR, NÃO SE CONSEGUE LER SEQUER O NOME DA EMPRESA. NO ABAIXO ASSINADO PELO FIM DA PADRONIZAÇÃO SE PUDESSE EU VOTARIA 200 VEZES.

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