Pular para o conteúdo principal

FERNANDO MCDOWELL É ESCOLHIDO SECRETÁRIO DE TRANSPORTES DO PREFEITO MARCELO CRIVELLA


O prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, foi diplomado hoje em cerimônia na qual ele anunciou sua equipe, a duas semanas de assumir o mandato. Um dos destaques é que o vice-prefeito, Fernando McDowell, acumulará também a função de secretário de Transportes.

Engenheiro urbanístico e professor da UFRJ, McDowell já trabalhou para os governos de Moreira Franco (hoje secretário do Programa de Parcerias e Investimentos do presidente Michel Temer) e Leonel Brizola. É um dos mais destacados especialistas em urbanismo e transporte coletivo.

McDowell, na cerimônia de diplomação de Crivella e sua equipe, afirmou que pretende estatizar o Metrô do Rio de Janeiro, privatizado desde 1997, e defende a manutenção do serviço de Uber na concorrência com os táxis municipais. No caso do metrô, ele propõe que a estatização seja feita mediante acordo entre Estado e município.

Sobre os ônibus, aparentemente McDowell, que já declarou ser contra a pintura padronizada nos ônibus, nada declarou a respeito. No setor, ele só se limitou a anunciar que pretende apenas reduzir a velocidade de circulação dos BRTs nos corredores específicos de 60/70 km para 40 km, evitando assim o risco de acidentes. Ele estuda também avaliar as tarifas desse tipo de transporte.

PINTURA PADRONIZADA

Quando o então prefeito do Rio de Janeiro, hoje no final do segundo mandato, Eduardo Paes, anunciou, em dezembro de 2009, a padronização visual dos ônibus municipais, um dos que mais reagiram contra a medida foi justamente Fernando McDowell.

"Deus queira que o prefeito não faça isso", disse o engenheiro, na época. A medida foi adotada em meados de 2010, de maneira autoritária por Eduardo Paes, forjando uma votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) meio na surdina.

Em seis anos, a pintura padronizada foi a roupagem que acobertou a corrupção político-empresarial que tornou o sistema de ônibus carioca, antes referência para o país, num dos mais decadentes de todo o Brasil. Empresas trocavam de nome, havia empresa operando em linha de outra, os ônibus circulavam sucateados e a população, que não raro pegava os ônibus errados, era sempre a última a saber.

Hoje se questiona a validade do vínculo de imagem das prefeituras (ou, no caso de outros Estados, também dos governos estaduais) nas empresas particulares de ônibus. Se o poder público quiser botar sua marca no sistema de ônibus municipal ou intermunicipal, que criasse uma empresa estatal própria, até porque seu ônus político e até econômico na imposição de sua imagem nas empresas particulares acaba criando complicações para os passageiros, em diversos aspectos.

Não se sabe se Fernando McDowell irá eliminar a pintura padronizada nos ônibus. Espera-se que sim, pela sua perplexidade quando a medida foi anunciada. O grande problema é que, embora seja nociva para os passageiros, a pintura padronizada é uma medida que conta com um lobby entre políticos e tecnocratas do transporte coletivo, como se observa nas feiras do setor, em que logotipos de prefeituras ou governos estaduais, assim como a pintura adotada, servem de propaganda.

O cancelamento da pintura padronizada é possível mesmo com a manutenção dos consórcios. A representação de imagem é que mudaria, pois o nome do consórcio deixaria de ser enfatizado, ficando talvez representado por pequenos adesivos colados nos ônibus ou em dados de letreiros digitais. Dá para as empresas recuperarem suas identidades visuais respectivas sem que o contrato de licitações firmado em 2010 fosse rompido.

O que complica esse cancelamento é que ele irá influir em todo o país. Cidades como Florianópolis, Teresina, Recife, Niterói, Nova Iguaçu e Campos adotaram a pintura padronizada na carona do modismo do Rio de Janeiro, claramente voltado ao outdoor político para a Copa do Mundo e as Olimpíadas Rio 2016.

Passados esses eventos, a pintura padronizada perdeu o sentido, mas seu cancelamento influirá não só no recuo das cidades que pegaram carona no "modismo padronizado" carioca, como pode gerar impacto em regiões metropolitanas em que a medida virou uma "tradição", como São Paulo, Curitiba ou mesmo a Belo Horizonte em que uma mesma empresa de ônibus chega a ter até cinco diferentes pinturas, complicando o deslocamento de carros para as linhas.

O dado que pode possibilitar o fim da pintura padronizada, no Rio de Janeiro, é que a marca da prefeitura, impressa nos ônibus municipais, lhe dá maior responsabilidade, o que, num contexto de corte de investimentos, traz mais problemas quanto a lidar com diferentes empresas particulares.

Além disso, a medida nunca teve a adesão do povo carioca, por mais que a mídia tentasse inserir os ônibus padronizados na paisagem carioca. E a própria pintura, que lembra uma embalagem de remédio da Boeringer Ingelheim - daí o apelido pejorativo de "Buscopan" - , já trouxe má fama diante de tantas notícias de acidentes de trânsito que causaram centenas de feridos e vários mortos.

O jeito é esperar a prefeitura do Rio de Janeiro assumir nova gestão no começo de 2017. Crivella, evidentemente, ainda está elaborando seu projeto de governo e muito do que fará será decidido no calor do momento. É esperar que, no caso dos Transportes, McDowell possa ter a coragem necessária de romper a pintura padronizada, desafiando um poderoso lobby que ainda domina o setor no Brasil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS DO RJ NÃO CHEGARÁ A 20 ANOS

VERDUN E MATIAS IGUAIZINHOS - Visual padronizado não traz vantagens reais para os passageiros. O texto em questão pode parecer um absurdo hoje, mas pensando a longo prazo, verá que faz um bom sentido. Pois o que se anuncia é que é muito pouco provável que a padronização visual adotada nos ônibus do Rio de Janeiro irá durar os vinte anos previstos para os consórcios. A medida pode até estar sendo tolerada pela maioria da população, mas apoio ela não recebe mesmo. A medida, comprovadamente, está mostrando as desvantagens do visual igualzinho de várias empresas, que confunde os passageiros que não podem mais reconhecer os ônibus de longe. Além disso, também não há a menor graça "rachar" uma mesma empresa de ônibus em dois consórcios, o que aumenta ainda mais a confusão. A medida só "prevalece" hoje porque, em nossa política, ainda vivemos a herança do regime militar e dos aliados civis que, tempos atrás, constituíram no grupo político que sustentou os governos Collor e...

Saudades da linha 175 e a bagunça que o Eduardo Paes está fazendo nos transportes do Rio

         Estava pesquisando sobre o Gabriel Pensador e sobre a brilhante cantora Jocely Brown sobre as músicas Festa da Rua do Tupiniquim e Somebody Else guy e eis que achei um clip da música da linha 175 da também saudosa Amigos Unidos (embora seus últimos anos de vida não sejam nada saudosos). Neste vídeo que o Gabriel homenageia esta linha, mostra como era os ônibus no ano de 1994 onde o ex-prefeito Cesar Maia mudou o layout dos números de órdem colocando-os de maneira estéticamente ruím, mas sem acabar com as pinturas das empresas, embora ele também quisesse ao colocar os ônibus com a chamada cor canarinho, pintura esta inspirada nas pinturas padronizadas dos ônibus de Santiago, capital do Chile, mas que ele não levou adiante, reservando esta pintura as linhas expressas que faziam qualquer trajeto do Rio com destino ao Centro. O mesmo teve bom senso e não impôs isso as empresas, embora o layout que ele lançou na época eu nunca ...

EMPRESA QUE LIGA GOIÂNIA À BOLÍVIA DÁ UM PUXÃO DE ORELHA NOS GOIANIENSES

A população de Goiânia tem a oportunidade de viajar para a Bolívia, assim como os bolivianos têm a chance de visitar a capital de Goiás para fazer turismo e outras finalidades. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) homologou a licença, semanas atrás, para uma empresa de ônibus boliviana operar o trajeto entre a cidade de Puerto Suarez, no país vizinho, e a capital goiana, com seção em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Um detalhe, todavia, chama muito a atenção, a respeito do nome da empresa escolhida para a operação, a Cooperativa de Transporte Mixto 23 de Marzo, bastante destacada no serviço rodoviário boliviano. 23 de Marzo, em espanhol, quer dizer “23 de Março”, referente a uma data histórica que, de maneira muito estranha, é renegada pela população de Goiânia, o dia em que a cidade foi declarada capital de Goiás, 23 de março de 1937. A data se refere ao dia em que o prefeito Pedro Ludovico, nomeado interventor por Getúlio Vargas, assinou o decreto 1816, transferindo tod...

O "ESPETÁCULO" POR TRÁS DOS ÔNIBUS PADRONIZADOS

É verdade que a diversidade visual, quando as empresas de ônibus exibem suas respectivas identidades visuais, não é garantia de um sistema de ônibus 100% honesto. Mas acobertar as empresas sob uma pintura padronizada torna a corrupção ainda mais fácil e bem mais disfarçada, porque os ônibus "iguaizinhos" dificultam ainda mais os passageiros comuns de identificarem cada empresa de ônibus. Essa ideia vêm à tona quando a Operação Lava Jato, controverso processo de aparente combate à corrupção, prendeu hoje, através do desdobramento chamado Operação Ponto Final, que investiga supostos esquemas de propina envolvendo empresários de ônibus do Rio de Janeiro, 10 suspeitos de movimentar um pagamento de propina de R$ 260 milhões a políticos. A lista, segundo divulgou esta manhã o portal G1, é esta: Mandados de prisão preventiva confirmados: Jacob Barata Filho, empresário do setor de transportes, suspeito de ter recebido R$ 23 milhões em propina (preso) Rogério Onofre, ex-p...

MAIS UM LEITOR RECLAMA CONTRA PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS DO RJ

Segue mais uma carta, publicada na sessão Dos Leitores de O Globo, 03 de abril de 2011: ÔNIBUS SEM CORES Tiveram a brilhante (*) ideia de unificar as cores dos ônibus do Rio sem pensar se tal providência beneficiaria a população. E mudaram a numeração de algumas linhas. Sucede que os motoristas, que via de regra não diminuem a velocidade, mesmo ao se aproximarem de algum ponto, impossibilitam o usuário de identificar a tempo se a linha é a que deseja. Assim, o passageiro faz sinal com o veículo bem próximo do ponto e o motorista passa direto. Antes, pela cor do ônibus havia a identificação, além do que as diversas cores só traziam alegria visual, ao contrário das novas. ALOÍSIO BRANDÃO, Rio (*) Adjetivo usado com ironia.

Empresas de ônibus bagunçam consórcios

    Semana passada e anteontem estive em Realengo. A Bangu tem colocado em linhas que só fazem trajetos dentro da Zona Oeste, ônibus com identificação do consórcio de araque Internorte quando nestas linhas deveria deveriam ser o do consórcio de araque Santa Cruz. Isso mostra o quanto a padronização é equivocada e o transtorno causado para as empresas e passageiros. No caso das empresas, estas quando carros quebram ou estão em manutenção,elas tem que colocar outro no lugar. Antes isso era smples, mas com a padronização fica confuso, pois ela não pode colocar um carro pertencente a um consórcio no outro e isso tem sido prática recorrente entre as empresas. Não é apenas a Bangu que faz isso, mas a maioria das empresas. Este é um problema que não existia. Ja para os passageiros, é os problemas citados com relação a pegar ônibus errado e dificuldade de denunciar um profissional ou empresa ruim.       De principio, a padronização parece algo irreve...

QUAL CAPITAL IRÁ CANCELAR PRIMEIRO A PINTURA PADRONIZADA?

A pergunta deixa autoridades e tecnocratas arrepiados: Qual a cidade que irá cancelar primeiro a pintura padronizada? A medida de colocar diferentes empresas de ônibus sob uma mesma pintura, sob o critério de consórcios, zonas de bairros ou tipos de ônibus, se revela impopular e deficitária diante da promessa de disciplinar o transporte coletivo nas grandes cidades. Por mais que governantes insistam que a medida veio para ficar, num país em que se ceifou o mandato de uma presidenta da República antes de completar o mandato, deve-se esperar que a pintura padronizada deixe de valer antes de terminar os contratos, até pelas irregularidades e transtornos que isso representa. A pintura padronizada nos ônibus mostra seu sinal de esgotamento até mesmo em Curitiba e São Paulo, embora os transtornos e irregularidades tivessem seus casos mais graves no caso do município do Rio de Janeiro, que implantou a medida tardiamente e já em processo de decadência, em 2010. O Rio de Janeiro, em te...

ABAIXO A BUSOLOGIA DE GABINETE!!

Chega dessa busologia partidarizada, movida a politicagem, atrelada a dirigentes esportivos e tratando o povo que nem gado!! O povo não pode ser usado para legitimar ou justificar interesses que, logo de cara, são exclusivamente privados. A padronização visual é o pensamento único dos politiqueiros em forma de transporte. O povo está sofrendo diante de tantos ônibus iguaizinhos. E não pode reclamar. E ainda tem busólogo que não gosta de montagem despadronizada que devolve a identidade personalizada das empresas de ônibus. Para ilustrar, mostramos aqui uma foto da Viação Verdun nos anos de chumbo e a Viação Verdun de hoje com a cor-fundo de chumbo da "embalagem de remédio". Vamos deixar o peleguismo encartolado de lado. Viva a diversidade visual!! Abaixo a ditadura e a discriminação de cor nos ônibus!!

ORIGEM DO MODELO TECNOCRÁTICO DO SISTEMA DE ÔNIBUS COMPLETA 50 ANOS

ATUALMENTE, OS ÔNIBUS CARIOCAS USAM "FARDA". NINGUÉM PERCEBEU A RELAÇÃO DISSO COM A DITADURA MILITAR? Pintura padronizada que extingue as identidades visuais das empresas de ônibus em prol de um visual único, variado apenas em poucos detalhes conforme o consórcio ou tipo de serviço ou área de bairros, imposto por prefeituras ou secretarias estaduais de transporte. Sobrecarga horária de motoristas, que são obrigados a acelerar demais para cumprir os horários das linhas de ônibus, dentro de uma cidade em que cada vez mais o tráfego se congestiona e praticamente se paralisa nos horários de pico. Corredores expressos para ônibus de BRT que derrubam áreas ambientais, prejudicam o comércio popular e obrigam muitos moradores de comunidades populares a, sob precária indenização, morarem bem longe de onde viviam. Estes aspectos, além de muito sensacionalismo na compra de ônibus - com ar condicionado, articulados ou com motores possantes - , sem verificar questões como funcio...

Sobre o sistema viário de Copacabana e a inutilidade da padronização

       Hoje eu usei o novo sistema viário criado pela prefeitura, chamado de BRS (Bus Rapid Service). Para mim, que não ando de carro e nem pego determinadas linhas, não fez muita diferença, mas para quem tem carro, usa táxi ou pega linhas para o subúrbio, foi só transtornos. Muita gente penou para achar a linha de sua preferência e várias pessoas foram pegas de surpresa. Foi lastimável.                                    Ponto de ônibus desativado no novo sistema.      Ponto de ônibus próximo a Rua Siqueira Campos escolhido como ponto do novo sistema.              Folheto explicativo explicando o novo sistema de transportes.       Diante disso, a prefeitura contratou uma empresa d...