Pular para o conteúdo principal

FORMA COMO DILMA ROUSSEFF FOI AFASTADA DO PODER PERMITE CANCELAR PINTURA PADRONIZADA EM ÔNIBUS


Da forma como a presidenta da República, Dilma Rousseff, foi afastada do poder, é possível cancelar a pintura padronizada nos ônibus e critérios como consórcios e tipos de ônibus antes do prazo final, que no município do Rio de Janeiro, é previsto para 2030. A pintura padronizada nos ônibus pode então ser cancelada este ano, se houver alguma iniciativa judicial.

Isso porque as investigações em torno de Dilma Rousseff, embora tenham sinalizado para o impeachment, foram apressadas e o processo tornou-se partidarizado, com interferências estranhas de gente como o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e políticos do PSDB.

Se a pintura padronizada nos ônibus é uma arbitrariedade nociva em todos os sentidos, ao ser comparada à forma como se conduziu a Operação Lava-Jato - condenando de modo desigual os políticos do Partido dos Trabalhadores, já que o senador Aécio Neves, por exemplo, também é acusado de atuar no esquema de corrupção da Petrobras e não teve sequer mandato cassado - para tirar Dilma do poder, então não há argumento técnico que justifique manter a medida para os ônibus.

Portanto, dentro desta perspectiva, não existe argumentação procedente que possa justificar manter a pintura padronizada nos ônibus até 2030 ou investir numa renovação da medida. Assim como se lutou para afastar Dilma do poder, é possível também que se faça uma iniciativa para devolver, a cada empresa de ônibus, o seu direito de exibir a identidade visual própria.

Observa-se que a pintura padronizada nos ônibus cria uma infinidade de prejuízos e desvantagens. Não há como relativizar. Os argumentos em defesa da medida são inconvincentes, inverossímeis e improcedentes na realidade prática do passageiro comum que pega ônibus.

A pintura padronizada já é uma medida que contraria a Lei de Licitações, o Código de Defesa do Consumidor e até a Constituição Federal. Pelo caráter de relações econômicas, a medida contraria até a livre-iniciativa das empresas, pois a pintura padronizada, pela imagem que representa, simboliza a intervenção do Estado, que concede as linhas mas proíbe as empresas de apresentarem sua identidade visual.

Argumentos confusos a favor da pintura padronizada são feitos, como atribuir a exibição de pequenos logotipos e a confusa "sopa de letrinhas" do número do carro combinado com a letra do consórcio ou do tipo de ônibus, foram dados pelas autoridades, apenas para forçar a prevalência da medida, mesmo quando ela se torna nociva e prejudicial à população.

Tomar também como referência o fato de que o sistema permanece "sem problemas" em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba não procede, porque as medidas foram implantadas durante a ditadura militar, sendo "consolidadas" num contexto onde havia ainda censura explícita na imprensa e intimidação da opinião pública.

Portanto, a pintura padronizada nos ônibus demonstra ser uma medida ilegal, autoritária, ineficiente, tecnicamente inviável e comprovadamente contrária e nociva ao interesse público, não havendo condição de argumentações a favor dessa medida. Cancelar a medida é possível, apenas precisando de vontade política dos cidadãos para isso.

Comentários

  1. Não existe anda de ilegal na padronização. A população tem coisas mais importantes pra reclamar como qualidade dos veículos, horários e limpeza do que a cor. Não vejo ninguém reclamar disso em SP, por exemplo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

E SE A PADRONIZAÇÃO FOSSE NO FUTEBOL?

Imagine um jogo de futebol do Brasileirão, da Copa do Brasil ou de uma copa estadual, em que diferentes times usam rigorosamente o mesmo uniforme e competem em campo nesta condição, só digerindo o calção usado por cada região. Flamengo contra Vasco, Corinthians e Atlético Mineiro rigorosamente com a mesma identidade visual e, no caso de Flamengo contra o Coritiba ou o Sport de Recife, apenas a cor do calção varia. Os ônibus dos clubes seguiriam a mesma lógica, com a variação regional pela cor do para-choque. Suponhamos que a Confederação Brasileira de Futebol decidiu pelo fim da diversidade visual dos times de futebol. Não haverá mais rubro-negro, tricolor, verdão, azulão etc. Todos os times teriam um único uniforme e assim jogarão uns contra os outros. Os torcedores ficariam desnorteados, mas as autoridades iriam argumentar que esse transtorno seria passageiro. Também imaginamos se a CBF decidir que não há possibilidade de se colocar sequer o logotipo do clube, e a identificação do ti...

EM SÃO PAULO, REGIÃO DA CASA VERDE É MAL SERVIDA DE ÔNIBUS

É PRECISO FÔLEGO DE ALPINISTA PARA PERCORRER ESSA PARTE DA RUA RELÍQUIA, DESPROVIDA DE LINHA REGULAR DE ÔNIBUS. Em São Paulo, a região da Casa Verde tem uma considerável área, mas é tratada como se fosse um quintalzinho cercado dos bairros de Santana, Barra Funda e Limão. É um bairro que está longe do dinamismo que torna a capital paulista famosa no Brasil e no mundo. Precisando reforçar o comércio e as moradias, a região da Casa Verde tem um sistema de ônibus muito mal planejado, com linhas importantes que não circulam nos fins de semana e feriados e linhas com falhas nos seus itinerários, além da falta de linhas de ônibus ligando áreas como Tucuruvi e Lapa. Já é um sofrimento o fato da região não ser atendida por metrô, depois que as autoridades desistiram de criar uma estação na Casa Verde. A precariedade do bairro é tal que vários moradores estão saindo do bairro, cujo entorno prioriza mais as oficinas de consertos de carros e empresas de fornecimentos de peças, sem no entanto have...

EXPLICANDO O DRAMA DO ITINERARIO DA 917M, EM SÃO PAULO

A foto foi tirada numa manhã ensolarada. Mas não podemos acreditar na suposta comodidade de andar 11 minutos da rampa de descida para a Marginal do Tietê, saltando do ônibus da linha 917M, do Metrô Ana Rosa para Morro Grande, para o Jardim Laranjeiras. Há transtornos terríveis, para quem curte uma tarde ou mesmo uma noite na Avenida Paulista e, morando em logradouros do Jardim Laranjeiras (bairro integrante da região da Casa Verde), como a Av. Ordem e Progresso, a Rua Reims, a Rua Professora Ida Kolb, a Av. Casa Verde e a Rua Dom Afonso Mousinho, não tem um ônibus que lhes faça desembarcar na proximidade. Lembremos que nem todo mundo na Casa Verde é atleta como foi o esportista olímpico Adhemar Ferreira da Silva (1927-2001), famoso morador do local. E haja paciência ter que andar à noite ou na madrugada, da rampa de descida para a Marginal do Tietê para a volta para casa no Jardim Laranjeiras. O atual percurso da 917M-10 (e sua variante 917M-31) trazem esse desconforto, que pode ser ma...

A LAMENTÁVEL AGRESSIVIDADE DE BUSÓLOGOS FRUSTRADOS

DO JEITO QUE COMPORTAM, CERTOS BUSÓLOGOS DEVERIAM MUDAR O HOBBY E SE TRANSFORMAREM EM "CAMBURÓLOGOS". Infelizmente, uma minoria de busólogos do Rio de Janeiro anda querendo se promover atropelando os demais busólogos. Despejam mensagens ofensivas nas redes sociais, que começam por comentários do tipo "suas fotos não prestam" e depois investem em ações mais agressivas, criando "efeitos manada" e depois indo para as ruas tentar intimidar seus desafetos. Esses busólogos não são apenas emergentes fracassados. Há busólogos que são ex-membros ou mesmo membros de grupos conhecidos, mas que não conseguem ter protagonismo no hobby e, por isso, tentam se ascender ofendendo os outros, como se estivesse se livrando de concorrentes. São busólogos frustrados, embora tenham relativo privilégio e um certo cartaz no meio. O grande problema é que esses busólogos agressivos - já chamados de "burrólogos" e "brutólogos" ou "busólogos de Neander...

A padronização se estabiliza

Bom, agora não adianta mais chiar. A padronização foi aprovada e está aí. Dia 06 ocorreu a oficialização do novo sistema municipal de ônibus do Rio e a partir de então deixamos de enxergar os veículos da Cidade Maravilhosa como obras de arte e passar a vê-los da mesma forma que enxergamos os carros blindados de qualquer seguradora. E ainda teremos que prestar muita, mas muita atenção nas bandeiras na hora de pegar um ônibus. As empresas são obrigadas a acertar a identificação das linhas também no lado e atrás. A padronização do Rio é baseada em áreas. A cidade foi dividida em 4 áreas. Cada área foi entregue a um consórcio, formado por várias empresas. Uma empresa, dependendo da área, poderia participar de mais de um consórcio, como no caso da Gire e das que circulam nas fronteiras de diferentes áreas. Estranhamente, o consórcio Santa Cruz é o que tem menor quantidade de empresas, apesar do prefeito ter prometido que a mesma teria sua frota bastante ampliada. O consórcio Intersul e o ...

VALE A PENA ESCONDER EMPRESA DE ÔNIBUS EM NOME DA MOBILIDADE URBANA?

ACIDENTE DE ÔNIBUS EM CURITIBA - DECADÊNCIA DO SISTEMA. O começo do governo de Michel Temer está demonstrando, em diversos aspectos, os cacoetes do fisiologismo político. Medidas autoritárias que são impostas sob o pretexto de "beneficiar a sociedade" e "atender ao interesse público", se apoiando de argumentos "técnicos" e prometendo "futuros ajustes para otimização". No âmbito do transporte coletivo, a gente viu esse filme de terror e suspense através de Jaime Lerner, um político da ditadura militar tido falsamente como "futurista" e "progressista". quando ele lançou medidas impopulares como pintura padronizada nos ônibus, redução de frotas nas ruas, dupla função motorista-cobrador e redução de percursos de linhas de ônibus. É até surreal que o mesmo motivo de queixas dos passageiros, as longas esperas por ônibus por conta da quantidade limitada de ônibus, seja aplaudido por uma estranha elite de busólogos, mais preoc...

PINTURA PADRONIZADA ESTARIA ESTIMULANDO IRREGULARIDADES DOS ÔNIBUS DO RJ

Um dia depois de mais um ciclista ter morrido no bairro de Pilares, depois de se chocar com um ônibus da Viação Novacap da linha 371 (Praça Seca / Praça da República), fiscais do Procon foram para diversas garagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro investigar irregularidades nos veículos de pelo menos quatro empresas cariocas. As empresas foram Transportes Vila Isabel, Transportes Estrela Azul, Transportes Paranapuan e Auto Viação Jabour, conhecidas por várias queixas sobre irregularidades como ônibus enguiçados, acidentes com mortos e feridos e o simples estado de conservação das frotas, que circulam normalmente com a lataria amassada e até mesmo com baratas. 22 ônibus foram apreendidos. A Secretaria Municipal de Transportes Rodoviários (SMTR) faz muitas cobranças e promessas, visando desde construção de vias para pedestres e ciclistas até treinamento de motoristas. Mas já existem reclamações das pessoas quanto ao poder concentrado do órgão e da complexa estrutura dos consó...

Lista de linhas que a prefeitura mudou e não divulgou na imprensa

   Como todos devem saber, a prefeitura está fazendo uma verdadeira algazarra no sistema de transportes do Rio, transformando variantes em linhas, criando variantes com nomenclatura confusa sobre as linhas existentes, em alguns casos, até anulando um trabalho feito anteriormente por eles. Eles agora estão colocando os nomes de variantes como SV, ER, RT e etc, sem ter uma cartáz expliacando sobre isso. Um exemplo disso foi o que eu vi no Maracanã onde um ônibus da linha 606 estava com a inscrição SV606. Quem pegasse esta linha para ir pelo trajeto normal dela ia se prejudicar, pois por ser uma variante seguiria por outro trajeto prjudicando o passageiro sériamente. E o pior de tudo é que a prefeitura está fazendo sem divulgação e nenhum critério técnico. Com isso o passageiro se ferra cada vez mais somando a padronização e vários outros problemas criados que não existia.      Soma-se a isso a mudança de numeração de linhas como a 815 que agora faz linhas em...

TRIBUNAL DE CONTAS QUESTIONA LICITAÇÃO DE ÔNIBUS NO RJ

De acordo com informações divulgadas no jornal O Globo, o Tribunal de Contas do Município identificou irregularidades na licitação adotada pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2010. Das 41 empresas que foram aprovadas na formação de consórcios, apenas oito teriam respeitado as normas do edital de concessão. O parecer do TCM consta no relatório do conselheiro Antônio Carlos Flores de Morais, votado na última quarta-feira. Segundo o relatório, foi estabelecido um prazo de 30 dias para que as secretarias municipais de Fazenda e Transportes esclareçam os problemas apontados no documento e expliquem quais as providências que serão tomadas. Já o Rio Ônibus, sindicato das empresas que operam no município do RJ, não se pronunciará a respeito antes de conhecer o teor do relatório. Entre as irregularidades apontadas, está a formação do cartel nos consórcios, já que foram identificados o mesmo endereço do escritório-sede, o mesmo dia de abertura dos CNPJs das empresas e a escolha de um m...

CONFUSÕES DA PADRONIZAÇÃO VISUAL

SE UM BUSÓLOGO ATENTO CORRE RISCO DE CONFUNDIR ÔNIBUS, QUANTO MAIS UM CIDADÃO COMUM. Ontem fui fazer prova de concurso, no Castelo, centro do Rio. Isso depois de uma madrugada acordado, seja porque dormi tarde ao som de um "baile funk" nas proximidades, seja porque, num breve sono, tive que acordar mais cedo para não voltar a dormir e acordar com dificuldade. Pois bem, eu, que sou busólogo e observo bastante os ônibus, posso estar sujeito à confuões quanto ao reconhecimento de um ônibus, quanto mais o cidadão comum, ou mesmo os busólogos que se arrogam de "nunca serem capazes de confundir o ônibus que pretendem pegar". Conhecer chassiz de longe não é garantia de que fulano consiga sempre discernir ônibus de linhas diferentes com o mesmo visual padronizado. Depois de ver um Real Auto Ônibus, com visual padronizado Intersul, na linha 127 Rodoviária / Copacabana (que eu cheguei a pegar, com minha família, ainda nos tempos da Mercedes-Benz O-362, em 1978), ao ve...