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O PARTIDO DA BUSOLOGIA CARIOCA



Por Alexandre Figueiredo

Os recentes e lamentáveis episódios envolvendo uma elite reacionária da busologia fluminense e sua campanha "higienista" para a implantação do "pensamento único" no hobby mostram o quanto os busólogos do Rio de Janeiro andam não só divididos, mas também contribuem para piorar a má imagem que costuma ter o hobby na sociedade.

Uma elite seguidora do projeto de "mobilidade urbana" de Alexandre Sansão secretário de Transportes do prefeito do Rio de Janeiro, que inclui a padronização visual dos ônibus cariocas, andou fazendo comentários ofensivos contra quem discordasse de seus pontos de vista.

Seja através de críticas grosseiras nos fóruns de debates virtuais, seja no violento ataque através de fakes, ou seja, pseudônimos usados nas mensagens digitais, os chamados "busólogos pró-padronização" mostraram um espetáculo de intolerância, reacionarismo e até de completa imprudência, na obsessão de transformar comunidades sobre busologia fluminense - como a "franquia" BUSÓLOGOS DO RJ no Orkut e Facebook - em redutos do pensamento único tecnocrático.

Aliás, na prática, o Busólogos do RJ acabou se tornando o Partido da Busologia Carioca, tamanho o caráter chapa-branca que os busólogos tem aos políticos cariocas, num adesismo histérico e condescendente com os erros.

A intolerância chega ao ponto de tais busólogos reacionários usarem os nomes de seus discordantes como fakes para fazer comentários irônicos, alguns de cunho homofóbico, outros de cunho pornográfico. Muitas baixarias foram feitas até mesmo numa petição pública contra a padronização visual dos ônibus cariocas.

Imagine você discordar do ponto de vista deles e, se você for solteiro, ser xingado de "Virgem!". Ou então você ter seu nome usado por um deles como um fake que escreve um comentário pornográfico do mais baixo nível. Coisas assim são feitas impunemente, tudo em nome da preservação do "pensamento único" dos busólogos pró-padronização.

IMPRUDÊNCIA TERÁ REFLEXOS FUTUROS

É através dessa manifestação de pura intolerância que os busólogos pró-padronização dizem a que veio. Faz sentido. A padronização visual é uma medida que segue o sentido ideológico dos governos autoritários, pois se padroniza o visual dos ônibus, se padroniza também o tipo de pensamento a ser aceito, padronizam-se corações e mentes das pessoas.

Daí o autoritarismo desses busólogos, muito bem conhecidos nos bastidores. Insatisfeitos com seus próprios espaços, incluindo blogues específicos no mesmo Blogger, sem falar do monopólio de seus pontos de vista no Busólogos do RJ, querem invadir espaços que não lhes condizem, através de fakes para desmoralizar quem pensa diferente.

Eles até tem direito de defender a tenebrosa padronização visual dos ônibus. Eu mesmo nunca invadi um blogue deles para ridicularizá-los por essa medida tão restritiva e incômoda para os cidadãos cariocas. Confirmadamente, estes mostram suas caras de incômodos, quando em avenidas como a Presidente Vargas, precisam discernir um Acari de um Matias, um Braso Lisboa de um São Silvestre, um Pégaso de um Bangu.

No entanto, eles invadem espaços que não correspondem ao ponto de vista deles para fazer vandalismo virtual, mostrando o quanto podem fazer no futuro contra o povo, quando se envolverão em política, já que vários deles trabalham para a Prefeitura do Rio de Janeiro ou em outras prefeituras simpáticas ao grupo político de Eduardo Paes e seu protetor Sérgio Cabral Filho.

DO VANDALISMO VIRTUAL À PRISÃO DE GREVISTAS

Alguns desses agressivos busólogos sonham com a carreira política. Por isso dão um apoio incondicional a Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho e Alexandre Sansão, e se sentem incomodados com as críticas feitas a eles.

Uns querem ser vereadores, outros membros do gabinete de Alexandre Sansão, e por isso estabelecem seu caminho, sobretudo através de seu "bilhete único" para o trampolim eleitoral, a promoção do "pensamento único" nos debates sobre busologia carioca.

Só que eles se tornaram imprudentes ao promoverem ações de intolerância violenta contra quem pensa diferente. Antes de pensar no seu eleitorado, eles primeiro pensaram em criar sua base de oposição, porque sabem muito bem que os que foram ultrajados por esses busólogos arrogantes e autoritários não iriam apoiá-los numa futura campanha eleitoral.

Não dá para pedir desculpas na hora do palanque. Os busólogos pró-padronização, ao fazer seus ataques, perderam boa parte do apoio. Além disso, suas atitudes já começam a vazar entre busólogos de outros Estados brasileiros, preocupados com o "estrelismo" de certos cariocas.

Não bastasse isso, a atitude já começa a preocupar pessoas que nada têm a ver com busologia, piorando cada vez mais a já preconceituosa imagem do admirador de ônibus no Brasil. E que ninguém pense que os busólogos pró-padronização estão a salvo dessa imagem pejorativa.

Pelo contrário, talvez o semi-anonimato deles lhes sirva como proteção. Dentro da busologia, eles são bem conhecidos, mas fora dela, são quase anônimos. Não fosse assim, os busólogos pró-padronização seriam hostilizados por uma população furiosa que, na melhor das hipóteses, os receberia com vaias e xingações.

Afinal, a atitude intolerante desses busólogos é uma amostra de seu caráter antipopular e antidemocrático. Poderiam ter ficado na sua e deixassem que petições contra seus pontos de vista fossem feitas já que elas, em si, são um sacrifício árduo para combater o "estabelecido".

Em outras palavras, a vontade desses busólogos já era prevalecente por causa dos interesses políticos em jogo, eles nem precisavam empastelar petições contra aquilo que eles acreditam e defendem.

Mas, fazendo esse jogo torpe, eles mostraram o quanto poderão fazer para a população, fora do âmbito da busologia, se eles forem parlamentares ou prefeitos.

Se eles são capazes de criar fakes para disparar ofensas morais ou mensagens pornográficas, poderão, como parlamentares, votar em favor de cortes salariais de trabalhadores ou pelo leilão de privatização de empresas públicas.

Na prefeitura, então, esses "donos da verdade" fariam algo pior, reprimindo manifestações de greve com a violência policial e prendendo trabalhadores que realizassem piquetes nos locais de trabalho.

Ou seja, a sociedade como um todo é que precisa se preocupar com esses busólogos. Hoje eles são apenas os "admiradores de um hobby excêntrico", amanhã, alçados à carreira política, serão os inimigos do povo que dizem tanto defender.

Eles serão mais uma geração de políticos fisiológicos preocupados mais com suas vantagens pessoais do que com o interesse público. E seu currículo de terrorismo virtual e ofensas pessoais será uma mancha que não se apagará nos discursos de palanque e nos afagos eleitoreiros na população.

Isso porque eles provaram que suas visões antipopulares e suas atitudes fascistas não são processos passageiros. E o futuro será um enérgico cobrador de suas personalidades desgovernadas.

Comentários

  1. Resumirei: desvirtuamento do hobby com a FALTA de princípios imperando vendo comentários a favor dessa palhaçada.

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